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BÖLÜM 4: ANDROJEN KİŞİLİK ÖZELLİKLERİNİN OTEL

4.4. Araştırmanın Kapsamı

Apesar de se tratar de um produto ‘natural’ do atual período histórico e de uma fase de adequações do sistema capitalista, existem alguns fatores que condicionam o surgimento ou a evidência e o desenvolvimento de cidades especializadas na produção de conhecimento, no incentivo às pesquisas e na proliferação de indústrias de base tecnológica, isto é, fatores condicionantes à especialização das cidades da inteligência.

São estes fatores os responsáveis pela distribuição desigual dos espaços dotados de qualidades tecnológicas em determinadas regiões do globo, privilegiando alguns lugares e fazendo com que estes se tornem locais especiais na atração de oportunidades de crescimento econômico, cultural e social.

Existem algumas diferenças entre as instâncias a que estes fatores atrativos ou condicionantes pertencem, sendo alguns fundamentalmente de ordem econômica, outros da esfera política e ainda alguns de ordem social e cultural que determinam importantes condições de instalação e funcionamento das cidades da inteligência.

Assim, para a existência de tais lugares, férteis em tecnologia, deve haver necessariamente um cruzamento de inúmeros condicionantes pertencentes a todas as esferas da sociedade criando um background e uma configuração

espacial mínimos. E m certos casos em que a predominância é de espaços ligados diretamente ao processo produtivo, isto é, em que a vocação é a de produção tecnológica, existe uma maior demanda para a existência e um bom relacionamento de alguns elementos da produção científica e tecnológica, como universidades ou centros de pesquisa, empresas, e uma integração com os poderes políticos locais. Assim, são lugares onde notamos a presença marcante de espaços como incubadoras de empresas nascentes e PMEs, responsáveis diretas pela produção de tecnologia.

O que é comum e fundamental na geração das condições para a caracterização de uma cidade da inteligência, são algumas demandas essenciais por serviços e uma cultura específica. Ou seja, para a geração e manutenção de espaços que produzem, e dependem da tecnologia e do seu desenvolvimento, é necessária a implantação ou a ampliação de uma rede de serviços eficientes demandados por estas estruturas. É evidente que a qualificação e a sofisticação dos lugares a partir dessas estruturas exigem maiores apoios institucionais e de infra-estrutura. A melhoria da qualidade do chamado setor terciário nesses lugares, como ter ou ampliar redes eficientes de atendimento bancário, serviços sociais e culturais, de transporte, de qualidade de vida, e principalmente de comunicação, é fundamental.

Assim, percebemos que para a consolidação de uma cidade como locus da produção tecnológica, cria-se a necessidade de uma rede de serviços disponibilizando também o uso da tecnologia. Este lugar é ‘escravo’ de si mesmo, pois depende da estruturação de espaços, serviços e ações nele presentes para a sua própria sobrevivência e desenvolvimento.

Em muitas regiões onde o desenvolvimento das cidades da inteligência torna-se favorável, cria-se também uma demanda excessiva por melhorias na qualidade de vida, fazendo com que se favoreça o fomento por um ambiente cultural extremamente voltado à concentração de mão-de-obra qualificada (pesquisadores, estudantes, técnicos, empreendedores, etc.). Com relação aos espaços produtores de tecnologia, quanto maior a concentração desta qualidade de mão-de-obra, maior a possibilidade de encontros dos quais, mesmo que informalmente, aproveita-se muito para o próprio desenvolvimento tecnológico, num movimento chamado por muitos de ‘fertilização cruzada’, isto é, o profundo envolvimento dos diversos atores responsáveis pela criação, pelo desenvolvimento da tecnologia e na manutenção de um “ambiente inovador” (AYD ALOT, 1988 apud LIMA, 1994).

Em uma cidade marcada pela ‘inteligência’ é preciso discutir tecnologia, gerar tecnologia, comprar e vender tecnologia, gozar de tecnologia, viver a tecnologia, enfim ‘respirar’ a tecnologia. E para isso é preciso também que se forneça uma estrutura física fundamental de serviços. Scardigli distingue cinco categorias distintas de serviços ligados à revolução tecnológica atual:

“1. inovações ligadas à mídia rádio-televisiva (rádios e televisões locais, vídeos, televisão por cabo...);

2. novos serviços ligados à rede telefônica (secretária eletrônica, tele- alarmes, fax, reuniões à distância...);

3. microcomputadores e computadores domésticos, utilizados em jogos, na gerência das atividades e do orçamento doméstico, no aprendizado, como carnê de endereços...;

4. produtos novos nascidos da combinação das três precedentes categorias (videotexto, teletexto, bancos de dados, transferências bancárias eletrônicas...);

5. produtos que invisivelmente incorporam componentes eletrônicos (máquinas fotográficas, câmaras cinematográficas, jogos, aparelhos domésticos, automóveis...).” (SCAR D IGLI, 1983 apud SANTOS, 1997b)

Existem basicamente duas situações de criação de uma cultura tecnológica. A primeira diz respeito a lugares em que a vocação da cidade surgirá naturalmente através de uma história regional extremamente particular de formação de quadros e infra-estrutura para a criação deste ambiente. Neste caso, podemos citar as iniciativas inovadoras da criação dos primeiros parques tecnológicos norte-americanos, onde a cultura tecnológica, juntamente com a demanda pelo desenvolvimento tecnológico, fez surgir ‘naturalmente’ o parque e a região carregados de qualidades tecnológicas. Já no segundo caso, normalmente as condições para o surgimento de situações favoráveis são induzidas e catalisadas com propósitos, na maioria das vezes, de desenvolvimento urbano e regional. São situações completamente novas para as regiões onde se implantam tais políticas. Numa primeira fase não há geração direta de alimentação do quadro de profissionais da tecnologia, sendo necessária a ‘importação’ de profissionais de outras regiões ou até de outros países. Mas após um tempo de adaptações e de efetivo desenvolvimento de uma cultura tecnológica, este aspecto se reverte e a região passa a contribuir com os próprios profissionais de suas áreas de atividade. Podemos citar vários exemplos europeus, ou o caso japonês da cidade científica de Tsukuba. A partir de uma cidade média nos arredores da metrópole de Tóquio, foram criadas condições para acolher uma mão-de-obra qualificada a fim de se criar um lugar de produção de tecnologia. Assim, apesar de hoje já contribuir com o fornecimento de

profissionais inclusive a outros tecnopolos2, inicialmente a sua própria mão- de-obra vinha em sua grande maioria da metrópole vizinha, Tóquio.

Portanto, o surgimento de uma cidade da inteligência, em muito se deve à formação de uma cultura e um relacionamento altamente fértil entre os atores do desenvolvimento tecnológico. A inter-relação entre estes atores e as condições de infra-estrutura e de disponibilidade de serviço da região retroalimentam este ambiente com a geração de sua própria cultura tecnológica.

Enfim, cabe deixar claro que com a formação e proliferação desta especificidade urbana, deste lugar de favorecimento às políticas e ações de desenvolvimento tecnológico, surge uma qualidade específica de sociedade habitante deste novo cenário, que pode ser vista e percebida na maioria dos lugares onde esta sociedade se desenvolveu: trata-se de uma bipolaridade social, isto é, duas grandes camadas sociais, extremamente distintas uma da outra, convivendo juntas, porém em condições diferentes de manutenção da vida.

U ma das realidades sociais é formada pela mão-de-obra qualificada de engenheiros, professores, pesquisadores, empresários, estudantes, ou de uma elite que pode usar o desenvolvimento das tecnologias e depender dele, com bons padrões de qualidade de vida. Por outro lado, existe outra qualidade vivendo geralmente em cidades-dormitório – no caso de centros maiores de tecnologia – ou então nos subúrbios ou bairros menos qualificados nas cidades menores, formando uma mão-de-obra também necessária à própria reprodução das cidades da inteligência, mas uma mão- de-obra desqualificada, responsável, geralmente, pelos serviços de manutenção das estruturas caracterizadoras deste ‘lugar qualificado’.

2 Tecnopolo é uma dos termos mais utilizados para designar parques tecnológicos, pólos

Apesar desta dualidade e de suas profundas diferenças, acreditamos que certas políticas de desenvolvimento urbano e regional poderiam tirar proveito das oportunidades de um lugar favorecido pelo avanço das tecnologias a fim de criar melhorias na qualidade de vida da região como um todo, especialmente para a população desqualificada e despreparada para assumir posições de prestígio nestes ambientes, mas que representam uma parcela importante na sua manutenção. Dessa forma, seria criada uma espécie de situação de equilíbrio entre estas duas camadas diferenciadas da sociedade tecnológica onde uma deve depender da outra e, juntas, possibilitarem melhor distribuição de renda, uma configuração mais igualitária do espaço e das condições de vida destes lugares da tecnologia.