• Sonuç bulunamadı

BÖLÜM 3: İMAJ YÖNETİMİ BAĞLAMINDA WEB SAYFALARININ DE-

3.6. Araştırmadan Elde Edilen Bulgular

pensamento na ciência em geral e, especificamente, na ciência geográfica e na ciência geomorfológica, sem, entretanto, a pretensão de esgotar o assunto ou mesmo citar todos os autores que contribuíram para o desenvolvimento dos propósitos das ciências.

Dessa forma, inicia-se o presente estudo com o seguinte pensar: o conhecimento científico decorre do desenvolvimento da psique humana e das inter-relações com o seu espaço ou seu ambiente de atuação e transformação.

3.1. Alguns Pressupostos Teórico-Conceituais da Ciência Geográfica e da Geomorfologia

O homem, desde os tempos mais remotos da civilização, questionou-se sobre a sua existência e a sua atuação no mundo. Na busca pelo conhecimento, por meio de descobertas a cada dia mais inovadoras e de melhores explicações a respeito do mundo que o cerca, procurou estabelecer leis e teorias para esclarecer os pontos obscuros do conhecimento, o qual se tornava mais e mais abrangente, esclarecedor e científico.

Esse conhecimento, para Platão, decorreria, sobretudo, da relação entre a crença e a realidade. A crença é um dos pontos de vista subjetivos que buscam a explicação da realidade. Com o crescimento das descobertas e desenvolvimento dos conhecimentos sobre as componentes diversas do mundo natural, surge a teoria do conhecimento denominada epistemologia.

Esta busca explicações relativas, como a explica Japiassu (1975), que distingue três tipos de epistemologia:

 a epistemologia global ou geral, que trata do saber globalmente considerado, com

a virtualidade e os problemas do conjunto de sua organização, quer especulativos, quer científicos;

 a epistemologia particular, que leva em consideração um campo particular do saber, quer especulativo, quer científico;

 a epistemologia específica, que trata de uma disciplina intelectualmente constituída em unidade do saber bem definida e do seu estudo de modo próximo, detalhado e técnico, investigando sua organização, seu funcionamento e as possíveis relações que mantém com as demais disciplinas.

O conhecimento é crença verdadeira e justificada. Essa verdade justificada pode ser entendida como a comprovação de diversas hipóteses, as quais se tornaram leis e teorias que corroboraram para o desenvolvimento das ciências.

O desenvolvimento das ciências ocorreu sob influências e interferências históricas, algumas vezes barrado pela Inquisição, outras vezes aceleradas por novas formas de pensar. Sobre a evolução do conhecimento, Alves (2000, p. 27) faz uma análise comparada das definições e variações relacionadas ao senso comum e à ciência. Para o autor, a ciência e o senso comum são expressões da mesma necessidade básica de compreender o mundo, a fim de sobreviver e viver melhor. “Senso comum é aquilo que não é ciência, e isso inclui todas as receitas para o dia-a-dia, bem como os ideais e esperanças que constituem a capa do livro de receitas” (ALVES, 2000, p. 15).

Para Alves (2000), a ciência é uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos, sua aprendizagem é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum. Assim, a ciência não é um órgão novo de conhecimento, mas a hipertrofia da capacidade que todos têm. Isso pode ser bom, mas também perigoso, pois, quanto maior a visão em profundidade, menor a visão em extensão. A tendência da especialização é conhecer cada vez mais de cada vez menos.

Para Xavier (2000, p. 50), os registros perceptíveis da realidade em conjunto, oriundos das pesquisas, podem ser designados como ciência, termo cuja acepção vernacular é exatamente

conhecimento. Mas pode-se denominar ciência, ou seja, campo científico, a um agregado de

conhecimentos organizados e referentes a uma determinada faceta da realidade percebida.

Para Mendonça (2001, p. 14), cada ciência percorre um caminho em busca da comprovação de suas verdades e, mesmo que existiam, atualmente, correntes filosóficas que negam a existência dessas “verdades”, esse caminho é conhecido como método científico de

cada ciência possui métodos de avaliação das pressupostas verdades, por meio dos quais desenvolve as formas de análise específicas.

Para Kant (apud MORAES, 1990), haveria duas classes de ciência, as especulativas, apoiadas na razão, e as empíricas, apoiadas na observação e nas sensações. Segundo essa classificação, a geografia estaria na categoria de síntese dos conhecimentos sobre a natureza, como uma ciência sintética (que trabalha com dados de todas as demais ciências), descritiva (que enumera os fenômenos abarcados) e que visa a abranger uma visão de conjunto do planeta. O desenvolvimento das ciências trouxe ao homem especificidades do conhecimento, que, a partir do século XVIII, passou a ser sistematizado e organizado. Com base nessa organização do conhecimento adquirido, foi criada a ciência geográfica.

A geografia, tendo como característica uma forte influência do conhecimento cultural, transmitido de geração a geração, portanto senso comum foi, por muito tempo, desenvolvida socialmente sem que possuísse o rótulo que conhecemos atualmente, porque o homem sempre foi um geógrafo, no sentido mais amplo da qualificação (MENDONÇA, 2001, p. 15).

Com o intuito de escolher uma metodologia adequada ao desenvolvimento desta pesquisa, foi necessário realizar uma revisão crítica das abordagens metodológicas que contribuem para a progressão da ciência geográfica, da geografia física e da geomorfologia. Alguns autores propõem detalhadas filogenias que contribuem para o melhor entendimento da distribuição espaço-temporal dos formadores de conceitos e teorias no desenvolvimento do pensamento geográfico e da sua evolução mais atual das metodologias geográficas e Geomorfológicas. Entre os autores que mais se destacam estão George (1969), Capel (1983), Abreu (1983), Moraes (1990) Gregory (1992), Marques (1994), Monteiro (2000), Mendonça (2001), Ross (2001) e Rodrigues (2001).

Na construção do pensamento geográfico, algumas tendências entre as correntes e linhas de pensamento se alternavam ao longo do desenvolvimento do conhecimento científico geral e conseqüentemente na ciência geográfica.

Para George (1969), uma das ambigüidades epistemológicas e dificuldades metodológicas da geografia é o fato de os geógrafos desejarem tomar parte na mobilização

existente a certas explicações que implicam no uso de técnicas e conhecimentos que fogem em grande parte às possibilidades e à oportunidade de assimilação por parte dos geógrafos.

O exemplo que se impõe em primeiro lugar é precisamente o da estrutura no sentido geológico e, mais especialmente, tectônico da palavra, que se encontra na origem de qualquer tentativa de explicação do relevo. Entretanto a estrutura stricto sensu é atacada e modelada pelos processos de erosão, de especificidades climáticas variadas, para oferecer o complexo de formas mais ou menos imbricadas e mais ou menos heterogêneas, atualmente observável. Intervêm nesta combinação duas seqüências de dados; pertence a primeira a uma série de fenômenos passados, concernentes á área da geologia, e cujo ritmo de evolução é lento; a segunda seqüência, embora comporte fenômenos também passados, congrega processos que possuem homólogos atuais na superfície do globo. Constituem o objeto da geomorfologia. A geomorfologia se distingue da geologia por seu caráter “atual” ou “para-atual”. Sua essência é geográfica e seu caráter histórico mais recorre, para a análise dos fenômenos e de seus efeitos (depósitos) a métodos compartilhados pela geologia e pela física (análise petrográfica e mineralógica, sedimentologia etc) A geomorfologia ocupa, por conseguinte, um lugar original: é uma ciência geográfica, por seu objeto e por sua natureza, enquanto seus métodos fazem dela uma ciência física e química – e, de uma maneira mais geral, uma “ciência da terra”. (GEORGE, 1969, p. 31).

Para Mendonça, a geografia, é uma ciência de relações, porque utiliza resultados e metodologias correspondentes a outras ciências.

O fato de a geografia fundir os resultados e, por vezes, os métodos de um sem-número de outras ciências faz dela uma ciência de relações, não somente da já célebre relação entre o homem e o meio, a sociedade e a natureza. Mas uma ciência de estreita relação entre inúmeras outras ciências, de forma particularmente muito mais acentuada. Esta é uma das características particulares da geografia. (MENDONÇA, 2001, p. 12).

Não cabe aqui uma ampla discussão sobre se a geografia é uma ciência e por quê. A geografia é uma ciência física e humana, porque tem seus fundamentos enraizados no desenvolvimento de estudos ligados aos aspectos da natureza e do desenvolvimento das sociedades humanas.

Por manter relação direta com tantas outras ciências, a geografia apresenta grande maleabilidade metodológica conceitual. Destaca Mendonça (2001, p. 20) que, pela natureza bastante mutável e metodologicamente complexa de seu objeto de estudo, a maioria das definições aborda-o tanto do ponto de vista da Terra, quanto do ponto de vista antrópico, o que resulta nessa grande variação conceitual da ciência geográfica.

Bem como define Capel:

Otra definición muy extendida en la geografía destaca las peculiaridades "metodológicas" de esta ciencia. La geografía se caracterizaría por su "punto de vista", por la forma particular de considerar los fenómenos, distinta a la de las ciencias "afines". Normalmente esta definición va unida a unas afirmaciones correlativas sobre la amplitud y la complejidad de la tarea del geógrafo. Un buen reflejo de esta actitud pueden ser las palabras de Jean Dresch, presidente en los años 1970 de la Unión Geográfica Internacional: "El dominio geográfico aparece también gigantesco porque la geografía no puede, en definitiva, definirse ni por su objeto ni por sus métodos, sino más bien por su punto de vista".

Las dificultades surgen cuando se trata de precisar el contenido y el carácter de este punto de vista, ya que para unos consiste en la preocupación por establecer sistemáticamente "relaciones" y "conexiones" entre fenómenos que se dan en la superficie terrestre, mientras que para otros consiste, más bien, en plantear los problemas en términos de su distribución espacial”(CAPEL, 1983, p.3).

Nesse sentido, na divisão geral das ciências, a geografia se encontra entre as ciências humanas, haja vista ter como objetivo primeiro o estudo do jogo de influências entre sociedade e natureza na organização do espaço. Para Ross (2006), a definição e discussão sobre a conceituação de geografia é complexa, por isso esse autor prefere dizer que, no Brasil, por exemplo, parte significativa dos geógrafos enfatiza os aspectos da natureza, outra parte, os aspectos mais ligados à sociedade. Evita-se, portanto, enfatizar a dicotomia, por vezes pronunciada pelo contexto (MENDONÇA, 2001). Destaca-se ainda que: “Não existe geografia sem sociedade, pois é com base nesta que se elaboram as análises geográficas e se podem executar aplicações fundamentadas nos conhecimentos obtidos, mas que, entretanto, não é possível estudar o todo sem conhecer as partes” (ROSS, 2006, p. 13).

Capel (1983, p. 5) explica os dois principais problemas encontrados na ciência geográfica. De um lado, está a dificuldade de se diferenciar o espaço na superfície terrestre. De outro, está o problema em desvendar a relação entre o homem e o meio, sobretudo em relação aos ajustes às mudanças ambientais naturais, bem como a repercussão das ações humanas sobre o meio.

Segundo Mendonça (2000), a maleabilidade da ciência geográfica leva à dicotomia representada na divisão entre física ou humana, iniciada a partir da escola possibilista, no século XIX na França. A escola possibilista, apesar de considerar a geografia como uma ciência dos

lugares, evidenciou os aspectos humanos em detrimento dos aspectos físicos e também o distanciamento e o desenvolvimento distinto da geografia física, ou natural, e da geografia humana.

Na Alemanha, a concepção da ciência geográfica era voltada essencialmente ao determinismo geográfico, cujos criadores eram Humboldt e Ritter, os quais acreditavam que o meio físico determinava as atividades do ser humano. Nessa concepção, apesar da crença de que o meio influenciava diretamente na organização do espaço humano, havia certa correlação entre os aspectos físicos e humanos, demonstrada sobretudo nos estudos do naturalista Humboldt, em sua obra Cosmos.

Mesmo após a decadência da escola possibilista, o entrave divisório continuou, porque persistiam abordagens específicas dos aspectos físicos e humanos, principalmente pela atuação de Emanuel De Martone, que desenvolvia uma geografia física em detalhes e enfatizava o estudo específico do quadro natural como objeto mais importante. Enquanto isso, Max Sorre influenciava a produção da geografia humana, enfatizando as idéias da escola possibilista, que tinha o homem, como centro das atenções. Nessa concepção, evidenciava a influência humana sobre a natureza. No mesmo período, Elissé Reclus criou a concepção de geografia social, que poderia ter evitado a ocorrência da dicotomia geográfica se não tivesse sido tão perseguida pelos dermatonianos e lablachianos franceses.

Para Sauer e Hartshorne, havia três grandes linhas de desenvolvimento: a geografia como ciência da diferenciação espacial, a geografia como ciência da integração de fenômenos heterogêneos e, em particular, da vida orgânica do meio físico (ciências da terra, estudos de áreas, relação homem-natureza), uma tradição espacial, por influência da revolução quantitativa.

Para Capel (1983), o século XVIII foi o momento decisivo para o desenvolvimento da ciência geográfica, porque, a partir de então, as especificidades dos estudos começaram a gerar ciências mais especializadas, voltadas aos estudos detalhados de aspectos antes considerados próprios da geografia. Entre essas novas ciências, podemos citar a cartografia, a geologia, a ecologia, algumas dessas anteriormente integrantes dos estudos geográficos.

Segundo o mesmo autor, desde o final do século XIX, Hettner e La Blache impulsionaram o estudo da geografia regional desde a perspectiva neokantiana, espiritualista e historicista, que insistia na singularidade da região e o caráter ideográfico do estudo. Durante a

revolução quantitativa, a abordagem corológica sofreu uma forte desvalorização e se deu lugar, em parte, à abordagem espacial. Entretanto, a mudança, conheceu um grande desenvolvimento com os pressupostos positivistas no campo da ciência regional. O novo interesse que existe hoje pela obra de Vidal e pela concepção regional como um todo está voltado a uma nova valorização dos estudos regionais.

As viagens de descobrimentos e reconhecimentos científicos desenvolvidas pelos europeus até o começo do século XIX acabaram por produzir uma geografia excepcionalmente descritiva e narrativa dos lugares, verdadeiros “retratos escritos”. Naturalistas, principalmente alemães como Kant, Ritter, Humboldt etc., desenvolveram muito bem essas atividades e nos legaram importantes documentos. Esses documentos se caracterizam como as primeiras bases de formação da geografia como ciência e, conseqüentemente, como base também para a geografia física (MENDONÇA, 2001, p. 30).

A tradição paisagística tem precedentes nas preocupações humboldtianas com a paisagem e a fisionomia da natureza. Mas, sobretudo, no início do século XX na Alemanha com a obra de Shlulter e de Passarge, claramente historicistas, e na França com os autores ligados a concepção regional vidaliana. Nos Estados Unidos, Carl Sauer e a escola de Bekley constituem um bom exemplo dessa tendência. Muito influenciado por Schluter e Passarge, Sauer enfatizou o estudo das paisagens culturais e destacou a dimensão temporal, que é chamada de “quarta dimensão em geografia”, e o estudo do desenvolvimento histórico das paisagens passou a ser primário. Em sua valorização da história, chegou a criticar fortemente Hartshorne, por considerar que este não enfatizava suficientemente essa dimensão.

Durante os anos 1950 e 60, os geógrafos quantitativos abandonaram o estudo da paisagem, o qual, porém, continuou recebendo atenção por parte de alguns geógrafos físicos que, com base em uma formação regional-historicista, tentaram modernizar a análise, implantando termos pretensamente sistêmicos. Mais recentemente, os estudos de topofilia passam a ser principais nos aspectos subjetivos, que influenciam na composição e valorização das paisagens.

Outra concepção desenvolvida a partir da preocupação com o estudo da natureza foi a ecologia. A tradição ecológica traz à geografia, de maneira clara, o resultado do impacto do evolucionismo darwiniano. Ratzel, que tinha boa formação naturalista e que havia estudado com Haeckel, deu a sua obra uma dimensão decididamente ecológica apoiada em sua teoria

1920, essa mesma linha de investigação, com ênfase evolucionista e positivista. As obras de Barrows, de Max Sorre e de Carl Troll estão ligadas à concepção regional-paisagística e apresentam traços historicistas. Durante a revolução quantitativa, essa tradição foi defendida abertamente por E. Ackerman, que propôs a reestruturação dos estudos com base na teoria geral

dos sistemas.

Para Mendonça (2001), embora a geografia física, como conhecimento científico ,tenha suas origens entre os naturalistas dos séculos XVII e XIX, foi com o aparecimento da geografia regional de Vidal de La Blache, na França do século XIX, que ocorreu realmente a concretização da geografia física como ramo de estudos específicos da ciência geográfica. Bem como resume Monteiro (2001, p. 21):

A geografia ciência, do seu nascedouro alemão, ingressa no novo século oscilando na querela determinismo (Ratzel) – possibilismo (de La Blache) enquanto se geram as escolas nacionais européias e norte-americanas, mediante a institucionalização da disciplina nos currículos universitários. Os estudos de geografia física fornecem as bases aos estudos regionais, onde a ação do homem é apreciada em suas relações com a natureza. O estudo dos gêneros de vida nos grandes biócoros guarda muito de ilustração etnográfica na emergente Antropologia. Após o legado de Surell e Davis, a geomorfologia continua a evoluir preocupada em distinguir da erosão normal aquelas das regiões áridas (PASSARGE, 1904) e glaciais de montanha (PENCK, 1924). Mais adiante, Cotton (1942) tenta completar o quadro dos Climatic Accidents in Landscape Making. O estudo dos climas repousa nas bases traçadas pelo austríaco Julius Hann (l903) com definição caracterizada pela abstração dos estados médios da atmosfera sobre os lugares. Ao final da guerra, W. Köppen (1917) propõe o seu sistema de classificação, segundo a concepção estatística de Hann, ilustrada por seu continente hipotético louvado como tentativa de universal científica por Schaeffer (MONTEIRO, 2001, p. 21).

Naquela época, o meio natural era abordado nos estudos regionais e em comparações com os demais elementos sem a utilização de um método específico. Isso resultou em um caráter restritivo da abordagem em níveis regionais mais abrangentes e em analogias em escalas de maiores dimensões. Dessa forma, a geografia física ficou fadada a acabar, caso não ocorresse uma subdivisão em estudos mais específicos de cada aspecto do meio natural.

Essa subdivisão está caracterizada pelo enfoque dado aos estudos regionais da abordagem naturalista e possibilista dos componentes naturais individualmente, tais como o clima, a morfologia do relevo, a vegetação, as bacias hidrográficas, os solos, entre outros. Dessa

forma, surgiram os estudos individualizados e específicos denominados de climatologia, geomorfologia, biogeografia, hidrografia, pedologia, que se fortaleciam baseadas em outras ciências, tais como a meteorologia, a geologia, a biologia. Essas áreas específicas passaram a constituir as subdivisões específicas da ciência geográfica, mais especificamente da geografia física.

A geomorfologia, que constitui um dos resultados da subdivisão da geografia física, surgiu então com forte influência da geologia estrutural, e manteve-se muito correlacionada aos preceitos geológicos, aos quais Davis (1899), geólogo americano foi um dos geomorfólogos precursores, com a teoria do ciclo erosivo, um modelo teórico que trata de explicar as formas superficiais como resultado de um processo erosivo de caráter progressivo e seqüencial.

Nessa teoria, o relevo e sua evolução estão condicionados a fases de erosão representadas por fases de juventude, maturidade, senilidade, voltando a um novo ciclo ao termino de cada. Entretanto, apesar de muito difundida e aceita, sobretudo na França por alguns anos, com o passar do tempo surgiram novos estudos sobre relevo. Sua teoria foi posteriormente considerada como simplista e redutivista, porque não servia para explicar todos os ciclos erosivos, sobretudo pela falta de consideração do clima como elemento chave nesse contexto.

A epistemologia geográfica passou também a se desenvolver com base em aspectos geoecológicos, e com maior influência da climatologia. Novos conceitos e métodos de trabalho foram realizados. W. Penck (1924) passa a considerar o clima como elemento responsável pela morfogênese diferencial resultante dos processos endógenos e exógenos na superfície da Terra

Segundo Abreu (1983), houve a evolução diferenciada das análises entre os conceitos anglo-saxônicos, de um lado, com teorias e métodos de análises quantitativas, como a contraposição de instrumentos de pesquisa, e os germânicos, por outro lado, que criaram basicamente um sistema de classificação conceitual do objeto da geomorfologia expresso em suas divisões formais. Assim, desenvolveram-se, paralelamente, um método de pesquisa que valoriza, mormente, a cartografia geomorfológica e uma disciplina que incorpora parte do conteúdo formal de seu campo em um sistema de análise ambiental voltado para o homem e que surge como instrumento de articulação teórica com a geografia.

A evolução dos estudos sobre a evolução geomorfológica regional levou à descoberta de que as variações climáticas influenciam fortemente na erosão e na transformação do modelado. Essa constatação resulta no surgimento da geomorfologia climática.

Benzer Belgeler