5. SONUÇ ve ÖNERİLER
5.2. Öneriler
5.2.2. Araştırmacılara yönelik öneriler
Quando ingressei na graduação tinha dezessete anos; saí do ensino médio e fui direto para o ensino superior. Hoje, depois de quatro anos, estou no final do curso e acredito que consiga concluí-lo, pois não tem nada pendente. Antes de entrar na licenciatura eu só estudava mesmo, e também fazia aulas de inglês e algumas atividades extras, como aulas de música. Não fiz cursinho.
Estou cursando licenciatura plena em matemática, no período integral, sem aulas à noite e nem no final de semana. Aqui a gente entra no curso de matemática como núcleo geral, então todos entram juntos, tanto os que optaram pelo bacharelado quanto os que optaram pela licenciatura. Passamos por três períodos, três semestres tendo as mesmas matérias iguais e, depois desse tempo, do terceiro para o quarto período, a gente faz a opção pela licenciatura ou pelo bacharelado.
Durante esses três semestres, a gente tem... a gente tinha duas disciplinas, hoje acho que só podemos contar como uma, que é a Introdução aos Estudos da Educação, que é feita com esse núcleo geral. Não é nada muito específico de pedagogia, a gente conversa sobre problemas na educação, pensamentos pedagógicos, mas tudo bem geral. É uma introdução mesmo, para puxar os alunos para a licenciatura até; para mostrar que ao chegarmos todos juntos, tendo umas quinze matérias de
65 Na intenção de não nos estendermos por páginas em demasia, optamos por utilizar a fonte no tamanho 11 nos discursos em primeira pessoa, nas transcrições e nos quadros apresentados nas seções deste capítulo.
matemática, é bom que tenhamos alguma de educação. Antigamente, no ano em que ingressei, a gente tinha também MEB, que é Matemática do Ensino Básico, uma Análise Crítica, acho que era esse o nome... servia tanto para rever os conteúdos do ensino básico quanto para olhá-los criticamente. A gente aqui, por exemplo, via a demonstração do teorema de Pitágoras, discutindo porque a gente não viu isso lá atrás ou mesmo porque os professores não passaram isso pra gente. Também resolvíamos inequações em módulo, e começamos a ver, com um olhar mais matemático, coisas que a gente só aprendia mecanicamente.
Atualmente temos a disciplina Fundamentos para a Matemática do ensino superior, e então ficou mais com essa carga de revisão do que de fazer a crítica; em questão de conteúdo é o mesmo, mas às vezes algumas discussões não são mais feitas. Essa disciplina de Fundamentos é no primeiro semestre e a de Introdução aos Estudos da Educação é no segundo. No terceiro semestre não tem nenhuma de educação, e aí os alunos fazem a opção por bacharelado ou licenciatura. A partir do quarto semestre já existem mais matérias voltadas para a licenciatura, para aqueles que optaram por este curso.
É interessante lembrar que até o primeiro, segundo colegial, eu pensava que ia fazer Psicologia, pois gostava muito dos assuntos desta área, mas não me via trabalhando com isso. Além disso, tinha muita facilidade com as matérias de exatas, gostava das aulas. Aí os meus amigos também começaram a me procurar, quando, às vezes, o professor pedia um trabalho, uma lista de exercícios para entregar ou mesmo em vésperas de prova, eles me pediam para ajudá-los. Então, ajudando meus colegas com essas matérias que eu ia bem eu falei: "Olha, isso é legal... é um negócio que eu sei fazer". Teve vezes até de eu ensinar os meus colegas, fazer uma revisão e eles irem melhor do que eu. Então eu falei: “Olha, alguma coisa aí tem...” Aí eu me via trabalhando assim, coisa que não me via com a Psicologia... eu gostava dos assuntos, mas não me via trabalhando com isso. Então eu falei: "Olha, isso eu gosto, parece que eu sou bom nisso, então vou seguir essa área". Pode-se dizer que já tive experiência como professor desde o ensino médio... Teve vezes até de meus amigos me arrumarem uma sala de aula mesmo, com lousa e giz.
A minha maior pretensão ao iniciar o curso era mais estudar mesmo. Eu não tinha ideia de como seria o curso, acho que a grande parte dos alunos que entra na matemática não sabe. Então eu queria, era o que eu gostava, eu queria... Eu olhava mais pra depois do curso. Aqui, durante, seria o tempo que eu ia passar, estudar o que fosse pra depois ser professor, pois já entrei no curso com a ideia de ser professor. Mas confesso que fiquei tentado a seguir o bacharelado, a partir do segundo semestre... eu fiquei muito tentado. Até hoje não sei direito o que me fez manter minha convicção pela licenciatura, porque eu estava bem dividido mesmo... No terceiro semestre eu estava começando a combinar com um professor para dar início à iniciação científica e eu até fiz depois, na matemática pura, a iniciação. Eu estava gostando mesmo da matemática pura, mas aí eu falei: "Não, eu vim aqui pra quê, né?" Era isso mesmo que eu queria seguir; depois eu até poderia terminar o bacharel, mas eu ia terminar primeiro a licenciatura, me decidi por isso. Não que eu não possa seguir com o bacharelado
depois e ter os dois títulos, pois isso é possível. Na realidade, o mais comum é o contrário, ou seja, o cara termina o bacharel e só depois pega mais um ano e termina as obrigatórias da licenciatura. É raro alguém terminar a licenciatura e voltar para o bacharel, mas é possível... o mais comum é o contrário... É interessante dizer que antes de ingressar no curso não conversei com ninguém que já cursava, não fui em feira de profissão a respeito disso; eu fui mais pela opinião dos meus professores do ensino médio. Eles não falaram muito de como seria o curso. Eu imaginava que ia ser difícil, isso era a única ideia que eu tinha. Mas a estrutura do curso, os conteúdos que eu iria ver, eu não imaginava. Nem a ementa na Internet eu peguei para dar uma olhadinha... Fui com a cara e com a coragem...
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Pretendo atuar como professor da educação básica, mas atualmente só tenho contato com os alunos através dos estágios e o PIBID66, como emprego ainda não. Mas, terminando agora, eu já quero
pegar um emprego, ano que vem, em alguma particular; também estou vendo de prestar o concurso que vai ter numa cidade aqui perto para professor efetivo do Estado, me interessou bastante. Então é isso que eu quero seguir mesmo, já tenho essa convicção de que serei professor.
Não sei se o que me inspirou foi somente aquela visão que tinha no início, pois eu gostava de ensinar, mas eu ensinava porque meus amigos precisavam aprender. Agora, nesses últimos anos e com mais matérias pedagógicas, com as práticas, eu vejo outros motivos reais para ensinar, além do que as pessoas precisam aprender. Eu vejo que o ensino pode ser benéfico, que pode mudar o jeito de pensar da pessoa. É ativamente bom o estudo...
Além disso, vejo que na posição de um professor de matemática, não vamos inventar a roda; já existem as orientações curriculares, já existe uma tradição de conteúdos a serem passados e a gente tem que ensinar esses conteúdos. Aí a gente tem que fazer o melhor com esses conteúdos para motivar os alunos e trazer uma ação mais ativa deles. É certo que os conteúdos já estão meio que prontos, mas o que vejo, o melhor que a gente pode fazer, são as maneiras de se fazer isso. Inovar as maneiras de se ensinar, mais propostas construtivistas... acho que é aí que a gente tem que focar mais como professores.
Quanto à escolha dos conteúdos, a gente acaba tendo que ensinar o que precisa, mas também é legal ensinar o que a gente acha interessante, ter a influência do professor no currículo. Ter o currículo base, mas ter uma influência nossa também às vezes... não sei... É que agora eu estou vendo Estatística com o PIBID e eu acho essa área bem interessante, só que no currículo tradicional não vemos muito de Estatística; vemos como calcular os parâmetros e tal, mas têm muitas aplicações que
66 Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) é um programa que oferece bolsas de iniciação à docência aos alunos de cursos presenciais (em especial, os de licenciatura) que se dediquem ao estágio em escolas públicas e que, quando graduados, se comprometam com o exercício do magistério na rede pública. Segundo o Ministério da Educação, o objetivo deste programa é antecipar o vínculo entre os futuros professores e as salas de aula da rede pública.
eu, quando professor, gostaria de passar. Só que isso ultrapassa um pouco o currículo base, então acho que devemos fazer nossos acréscimos.
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Pensando em meu curso hoje, considerando-o por inteiro, eu vejo que tem uma espécie de opção que é feita, de entrarmos como núcleo geral e depois optarmos pela licenciatura. Então a gente passa um ano e meio só mais mergulhado na matemática... Então se instaurou em mim uma dúvida do que eu queria e às vezes eu penso que se fosse já separado a gente já podia começar o primeiro ano com as matérias pedagógicas, já pensando nesses assuntos. Só que daí você fica... O pessoal do bacharel não vai ter nenhum contato também, com a educação, se eles já estiverem separados. Então não é que seja ruim, mas é uma opção que foi feita. Mas acho que seria legal manter essa opção do núcleo geral, mas trazer mais algumas matérias pedagógicas, ter pelo menos uma por semestre, enquanto for núcleo geral.
Falando em bacharelandos e pensando na relação deles com o pessoal da licenciatura, em minha época, dois mil e oito e dois mil e sete, até existia uma espécie de divisão entre quem era do bacharel e quem era da licenciatura. O pessoal da licenciatura era meio que mal visto: "Não aguentou o curso da pura e foi pra licenciatura". Então eu tinha essa visão, que para o bacharel iam os bons, aqueles que eram bons em matemática. Mas hoje eu vejo, nos anos mais agora, dois mil e dez, dois mil e onze, que isso está bem raro, essa divisão... Enfim, é essa imagem que tenho do meu curso... agora eu sei os conteúdos que são passados...
No curso, em muitas disciplinas, não há a apresentação das contribuições que elas poderiam trazer para nossa prática docente. As de matemática pura mesmo, de jeito nenhum. Tirando MEB, que a gente fazia essa ligação, as outras como Cálculo, Álgebra, de jeito nenhum. Era só o conteúdo de matemática mesmo... Essa ligação era por conta de quem se interessava, não havendo relação com o professor. “Se você quer ver alguma ligação, então procura...”. Nas aulas não eram passadas explicitamente. Até mesmo nas ementas dessas disciplinas, nos objetivos, não nos foram apresentadas essas contribuições; nas disciplinas de matemática pura, essas que a gente faz com o bacharel, não.
Já as que são voltadas para a licenciatura, aí sim tem alguma coisa, tanto na apresentação da disciplina quanto no decorrer das aulas. Inclusive acho que a gente vai falar mais pra frente, da Análise para Licenciatura. Então, foi algo contínuo assim... Falando nisso, aqui a gente tem Análise I e II para o bacharelado e Análise para Licenciatura, para a licenciatura. Mas, voltando ao assunto, nas matérias pedagógicas é sempre discutida a prática. Nenhuma matéria pedagógica foi vista isoladamente, como só pesquisa. Sempre foi discutida a prática.
Quanto a essa questão de ir atrás dessas contribuições das disciplinas para a prática pedagógica, formalmente eu não fui um daqueles que me interessei em procurar relação em tudo. Às vezes eu imaginava alguma coisa assim: “Olha, eu vi isso, é legal...” Mas foi somente nesse nível, não teve nada formal, nenhuma pesquisa de fato; alguma coisa assim que a gente percebia e falava: “Olha,
se eu passar assim para o meu aluno vai ser mais fácil de ele entender...” Eram todas observações pessoais, mesmo...
Acredito que se essas contribuições fossem apresentadas, seria melhor ainda para a formação do professor de matemática. Mas é que tem gente que acha que não precisa fazer as matérias da matemática se vai ensinar só o que viu até o ensino médio. Isso eu acho um erro muito grande, porque se você passar tudo o que foi ensinado para você até o ensino médio, vai ser da mesma maneira que você aprendeu. Então eu acho que a gente precisa ir um pouco além da questão de conteúdo matemático para fazer esse retorno do nosso jeito, para ver: “Olha, meu professor passou assim, mas...” Na verdade, é assim: “Ele passou desse jeito. Será que não é mais interessante eu passar desse?” Então eu acho interessante ver os conteúdos matemáticos, mesmo que não sejam diretamente aplicáveis, mas só em questão de conteúdo isso já ajuda. Se tiver essa ligação com a sala de aula, melhor ainda. Essa opinião é compartilhada por outros colegas meus... Porém, têm outros que acham que não, que as matérias da matemática só serviram para eles passarem mesmo e só vão ensinar do jeito que eles viram no ensino médio... tem essa divisão mesmo. Acredito que eu não vá ensinar meus alunos da maneira que aprendi no ensino médio.
Sobre o que irei utilizar de meu curso em minha prática pedagógica, acredito que dos conteúdos de matemática eu vou usar bastante o que eu aprendi de funções, coisas que não ficavam claras que o meu professor do ensino médio resolvia... o logaritmo por exemplo. Ou então as inequações em módulo, que temos em MEB, que eu sabia resolver, mas não sabia o que estava acontecendo; então isso vai mudar o jeito que eu vou ensinar as funções, as inequações... A Teoria dos Conjuntos também me esclareceu bastante coisa, mas eu não sei se vou querer passá-la para os alunos da escola básica; ela facilita muito as notações, mas não sei se as ideias com conjuntos ficam claras. E Álgebra também foi bem interessante nesse sentido, de coisas que eu fazia no ensino médio, contas que eu fazia e não sabia por que davam certo... talvez passar mais esclarecimento para os alunos. Nem tanto, porque não é preciso chegar a tanta explicação, mas dar alguns esclarecimentos, não ficar só num modo de fazer, num modo de entender um conceito...
Já das matérias pedagógicas, acredito que irei utilizar tudo, desde aprender planejar aulas, procurar material, ver o que é melhor com relação aos parâmetros curriculares, com as nossas próprias convicções. Como sempre nas disciplinas a gente foi discutindo a prática, então acho que têm muitos benefícios assim... Ressalto que quando digo que não é necessário que o aluno chegue a tantas explicações, acredito que nem todos vão para essa área, para a área de exatas. Então, às vezes, para uma educação básica, para uma educação geral, não seja necessário. Se eu sentir que tem alunos que têm essa habilidade com exatas e que estão interessados, sem problemas em aprofundar. Mas acho que em um planejamento, em um primeiro momento, não pensaria em passar; só se a necessidade fosse surgindo no decorrer das aulas.