4.1 Araştırma Sorusu 1’e İlişkin Analizler
4.1.2 Araştırma Sorusu 1’e İlişkin Nitel Analizler
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A humanidade, desde os tempos mais remotos, sempre foi, e ainda o é hoje, dependente do ambiente para sua sobrevivência. O que torna a Terra habitável é a existência de ecossistemas que se encarregam de manter os ciclos biogeoquímicos e a biodiversidade.
As raízes econômicas da humanidade baseiam-se no uso do meio ambiente, principalmente por meio da exploração de produtos florestais, da agricultura e da pesca. Soma-se a esta questão o consumo de recursos naturais renováveis e não renováveis, como a água, os minérios, as fontes de energias, entre outros, pelo setor industrial. Dentro deste enfoque, destaca-se a dependência do processo de desenvolvimento na continuidade da existência dos ecossistemas e dos estoques de recursos naturais. Trata-se dos serviços que os ecossistemas fornecem à humanidade (MILLENNIUM ECOSYSTEM ASSESSMENT 2005).
A relação do homem com a natureza baseia-se em uma visão deturpada da natureza como fonte inesgotável de recursos.
Com a revolução industrial, esta intervenção humana passa a aumentar de forma significativa com o uso intensivo de grandes reservas de combustíveis fósseis para geração de energia. As atividades que antes preservavam certa ―capacidade de carga‖ do planeta passam a ameaçar a vida de todos na Terra. O grande problema atual relaciona-se com consumo desordenado dos recursos naturais de tal forma a impedir a renovação dos ecossistemas. ―Entre o final da Segunda Guerra Mundial e os últimos anos da década de 80, enquanto a população mundial apresentava um crescimento extraordinário de 120%, a produção global de bens conhecia um aumento ainda mais vertiginoso, de cerca de 400%‖ (PENNA 1999, pg. 28).
Como ressalta VIOLA (1987), o que a industrialização trás de novo não é o comportamento predatório, sempre existente, mas a escala com que a exploração passa então a atuar.
Estas alterações, apesar de trazerem benefícios econômicos em curto prazo, acabaram por impor, em um prazo mais longo, altos custos ao meio ambiente, tais como a erosão do solo, a poluição do ar e das águas, doenças e a redução da biodiversidade.
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A partir da década de 60, a problemática ambiental surge ligada à discussão sobre crescimento demográfico e suas conseqüências prejudiciais especialmente com as publicações de Paul Erlich (The population bomb, em 1968) e Garret Hardin (The tragedy of the commons, em 1968). A publicação que se segue, em 1972, intitulada The limits to growth (Os limites do crescimento), de autoria de um grupo coordenado por Donella Meadows, aparece como um marco que pautará todas as discussões ambientais durante toda a década de 1970 (NOBRE e AMAZONAS 2002).
A despeito de todas as críticas, o documento preparado pelo grupo de Meadows resultou em ampla divulgação da questão ambiental, com 12 milhões de cópias vendidas na Europa, durante o período de 1972 a 1989, servindo, além de marco a todas as discussões que se seguiram, como uma mudança da maneira de se ver o mundo a partir de então (NOBRE e AMAZONAS, 2002).
A partir desta publicação é publicamente questionada a primazia do desenvolvimento econômico vista como altamente responsável pela utilização ilimitada dos recursos naturais e degradação ambiental, focando especialmente no modo de desenvolvimento dos países desenvolvidos. O Estado, até então totalmente responsável pelas decisões políticas e tecnológicas, passa a ter que reformular suas bases e questionar seus limites (NOWOTNY et al. 2001).
Neste mesmo ano é realizada a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, mais conhecida como a Conferência de Estocolmo, cuja principal preocupação estava centrada no crescimento populacional, processo de urbanização e na tecnologia envolvida na industrialização (BELLEN, 2002).
Com a Conferência de Estocolmo a administração pública é obrigada a se preparar para a política pública de meio ambiente, através de uma visão mais integradora e abrangente da apropriação dos recursos naturais (RIBEIRO, 2005). Dessa forma, é criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA, em 1973, com competências especificas para proteção e melhoria do meio ambiente (RIBEIRO, 2005). As principais atribuições desta Secretaria, no início, eram o controle da poluição, o uso racional dos recursos naturais e preservação do estoque genético. A partir de 1986, além dessas atribuições, a
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Sema passa a promover maior disseminação da questão ambiental em âmbito estatal e interação das agências ambientais e comunidade científica (PELICIONI, 2004).
Após a Conferência de Estocolmo, por iniciativa da ONU, são realizados diversos encontros de âmbito internacional, podendo se destacar a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), ocorrida no Rio de Janeiro, em 1992, conhecida informalmente por Cúpula da Terra; as conferências sobre os assentamentos humanos – Habitat I, em 1976 e Habitat II, em 1996); a Cúpula da Terra +5, realizada em Nova York, em 1997; a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +10), realizada em Johannesburgo, África do Sul, em 2002. Passados 20 anos desde a CNUMAD, está prevista a realização da Rio +20, que ocorrerá no Rio de Janeiro em 2012.
Esses encontros mundiais, além de constituírem marcos importantes na evolução da questão ambiental, trazem consigo as diretrizes e princípios que irão orientar as políticas públicas ambientais. Destacam-se os princípios da Conferência de Estocolmo, de 1972 e da Conferência do Rio de Janeiro, de 1992, que indicam a necessidade e urgência do estabelecimento de políticas ambientais tanto no âmbito internacional, quanto nacional, regional e local (PHILIPPI JR e BRUNA, 2004).
No Brasil, podem ser citadas algumas leis que se destacam por manifestarem políticas públicas ambientais em nível nacional: Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81); Política Nacional de Saúde (Lei nº 8.080/90); Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97, alterada pela Lei nº 9.984/00); Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795/99); Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (Lei nº 10.257/01); Política Nacional de Saneamento (Lei nº 11.445/2007); Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). A Constituição Federal do Brasil, de 1988, possui um capítulo inteiro dedicado à questão ambiental.
De acordo com PHILIPPI JR e BRUNA (2004), embora haja um período grande entre as primeiras legislações ambientais e as últimas, houve neste intervalo um crescente despertar de consciência da sociedade para as
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questões ambientais, que é expresso, tanto nos dispositivos constitucionais, quanto, por exemplo, na Agenda 21 brasileira, resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de 1992.
Entendem também os citados autores que a Política Nacional de Meio Ambiente foi construída sob a perspectiva da sustentabilidade, estabelecendo relações de acompanhamento, cooperação e avaliação de sua interação com as demais políticas públicas a serem implementadas pelo Sistema Nacional de Meio Ambiente – Sisnama, bem como estabelece diretrizes para o país e instrumentos e estruturas de gestão para os três níveis da administração pública.
PHILIPPI e BRUNA (2004), no entanto, citam alguns problemas a serem ainda enfrentados pela política ambiental, como desvios de funções entre organismos e entidades executoras da política ambiental; intromissões de índole partidária que impedem a implementação de políticas ambientais; substituição de políticos nas trocas de mandato que dificultam continuidade; falta de políticas setoriais nacionais de apoio para cobrança da população.
A solução destes problemas pode dar-se com um maior apoio dos estados e municípios no sentido de adaptar as necessidades para as características demográficas e de recursos naturais de cada região, bem como no estabelecimento de regras mais restritivas pelos municípios, se houver necessidade. Destacam, ainda, a importância de cobrança por parte da população na criação, implementação e acompanhamento de políticas públicas ambientais, como direito do cidadão (PHILIPPI e BRUNA, 2004), que é exercido por meio de representantes, especialmente votados, nas câmaras de deputados e vereadores.
Como um ―caso emblemático‖ a ser citado, o processo de modificação do Código Florestal brasileiro (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965), através do projeto de lei n lei 1876/99, de autoria do deputado Sérgio Carvalho, vem se arrastando há onze anos na Câmara dos Deputados e, recentemente, obteve aprovação da Câmara dos Deputados.
O Projeto de Lei introduz profundas alterações na legislação ambiental em vigor, notadamente no Código Florestal, na Lei da Política Nacional do Meio
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Ambiente e na Lei de Crimes Ambientais, em total discrepância, entendem seus opositores, com os cuidados necessários que devem ser adotados em relação à proteção ambiental.
O que interessa destacar nesse caso é a posição da comunidade científica nesse processo de aprovação do projeto de Lei. Sem pretender-se aprofundar a questão, na tentativa de se obter aprovação do projeto, há intensa discussão sobre o envolvimento do setor acadêmico, visto por alguns como orientador desinteressado, visto por outros como ―certificador‖ de uma situação que se quer normatizar.
Cite-se apenas como elemento de reflexão o título de matéria constante no dia 17/07/2011, na página web da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, por ocasião de seu 63º Encontro Anual: ―Ciência sob encomenda baseou alterações no Código Florestal‖.
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2.3. Redes
(...) la historia sólo está comenzando, si por ella entendemos el momento en que, tras milenios de batalla prehistórica con la naturaleza, primero para sobrevivir, luego para conquistarla, nuestra especie ha alcanzado el grado de conocimiento y organización social que nos permitirá vivir en un mundo predominantemente social.
Manuel Castells