3.2. İÇ DENETİMİN İL ÖZEL İDARELERİNDE YAPILANMASINA VE İŞLEYİŞİNE YÖNELİK ALAN ARAŞTIRMASI
3.2.4. Araştırma Sonuçlarının Analiz ve Yorumları
Segundo Murray (2010, p. 27), os sacerdotes se viam como iguais, enquanto Cherng ainda estava vivo. Segundo o sacerdote Hamilton Fonseca Filho (Fāng Érhé), Cherng o escolheu oralmente como sucessor antes de morrer, devido ao seu conhecimento de fǎ (magia) e aprofundamento em meditação (idem). Com o falecimento da sua liderança, os sacerdotes tiveram que escolher uma nova liderança, e muitos tiveram resistência em aceitar o novo líder, havendo desentendimentos. Muitos acreditavam que Francisco Alves Mourão Neto, um dos mais ativos membros da STB no seu início, seria o sucessor. E, posteriormente, também houve desentendimentos entre o novo regente e professores da escola Wǔ Cháoxiàng (C1, 08/12/2013). Nessa época muitas pessoas se afastaram, segundo diversos relatos. Uma das queixas era o novo modelo de organização, que seria centralizado no novo regente e muito focado nos aspectos ritualísticos e mágicos.
Apesar dos desacordos, Hamilton Fonseca Filho, a partir de agora somente Hamilton, com 32 anos de idade seguiu sendo o novo sacerdote-regente da STB, conforme aprovação do Conselho da STB em 200487. Com essas mudanças, foi necessária uma reestruturação da instituição. Um ano depois desses eventos, em 2005, foi criada uma nova publicação oficial da STB chamada Sob o Céu – Revista da Sociedade Taoísta do Brasil88, que até onde sabemos teve somente uma edição.
Em um artigo dessa revista, nas páginas 8 e 9, são esclarecidas quais serão as novidades dessa nova fase da STB. Primeiramente, (1) assim como ocorreu com seu mestre, agora alguns sacerdotes viajariam para Taiwan para “treinamento e atualização” a partir de 2006. Segundo, (2) agora iriam dar mais “relevância à transmissão dos ensinamentos das práticas taoistas” que tem como objetivo “o fortalecimento espiritual dos praticantes”, ou seja, ênfase nas práticas mais propriamente religiosas. Terceiro, (3) textos que selecionados por Cherng começaram a ser traduzidos, já que “um dos maiores sonhos do mestre era que os
87 Cf. http://sociedadetaoista.com.br/rj/?page_id=349
ensinamentos fossem passados sem a barreira da língua”. Em quarto lugar, (4) criação de um novo site para que “pessoas possam estudar e praticar taoismo à distância (on line)”, e não precisem ficar presas ao eixo Rio/São Paulo. Quinta novidade: (5) houve mudança na estrutura do altar no Rio, e o altar de São Paulo ganhou mais imagens.
Vamos entender mais de perto cada um desses pontos. (1) Em 2006, três sacerdotes da direção da STB – Hamilton, Wagner Canalonga e Luciano Villanova – viajaram para Taiwan com a missão de renovar os vínculos institucionais que existia através de Cherng. Eles realizaram treinamentos com seu novo mestre de ritual, Lǚ Chénróng, responsável pela formação da parte litúrgica na Sociedade Daoista de Taiwan. Todos os três receberam o título de Gāo gōng fǎshī (alto sacerdote) pelo presidente da Sociedade Daoista de Taiwan, Zhāng Chéng. Este título era o mesmo nível de sacerdócio no Caminho da Ortodoxia Unitária que Cherng estava.
Este é um dos pontos mais relevantes nessa nova fase da STB: a busca por novas referências. Devemos lembrar que essa nova fase dessa instituição é caracterizada pela liderança total de brasileiros, algo inédito para a história do Caminho da Ortodoxia Unitária. Destarte, os brasileiros sentiram necessidade de encontrar outros mestres chineses vivos que para continuarem aprendendo, e, logicamente, como forma de legitimação. Conforme a descrição do Hamilton no site oficial, ele se tornou discípulo de novos mestres89: o já citado Lǚ Chénróng para rituais, e Gé Lián, da Escola Oeste de Alquimia Interna. Este último mestre reside na cidade de Sìchuān na China continental, e está ligado especificamente a Hamilton, que faz a ponte de conhecimentos para a STB. Isso significa que mais viagens foram realizadas pelo novo regente ao longo dos anos.
Notem que os dois novos mestres são exatamente das mesmas tradições daoistas que Cherng praticava e divulgava. Isso entra no segundo ponto: (2) sob a liderança de Cherng a STB ofertava várias práticas, e o leque de atividades era amplo e tendia a aumentar a diversidade. A orientação do novo regente foi justamente no caminho de fortalecer os aspectos mais propriamente religiosos, em especial os ritos litúrgicos e o treinamento de alquimia interna. Conforme já relatamos, já na época da liderança de Cherng a STB oferecia rituais abertos ao público e particulares. Em especial, o que é chamado de “os três ritos básicos” da ordem Ortodoxa Unitária – purificação, oferta e distribuição – continuaram a ser realizados, bem como os rituais de proteção como o fúfǎ. Sob a nova direção, a STB ampliou ainda mais esse leque de rituais. Por outro lado, as artes daoistas que eram ofertadas antes
continuaram a existir em parte, mas novas atividades como cursos de teologia daoista e vivencias começaram a existir. Iniciações também continuaram, incluindo a formação de novos sacerdotes.
Sobre a tradução de textos deixados por Cherng (3), não temos conhecimento de material publicado. Conforme relatado à Murray (2010, p. 50) em sua vinda em dezembro de 2009 ao Brasil, nenhum membro se comunica em mandarim, e somente um sacerdote estava estudando essa língua nessa época. Mas também lhe foi dito que um dos mestres de Taiwan orientou os sacerdotes a traduzir os textos para o português para as pessoas entenderem melhor a religião e o que está escrito (idem, p. 51). No entanto, os dirigentes do Rio e São Paulo (Hamilton e Wagner) disseram que preferiram manter os cantos e mantras na língua original, já que teriam mais força e energia de todos os séculos de prática.
A solução encontrada pelos sacerdotes-regentes foi a seguinte: mantinham os cantos e mantras na língua original, mas inseriram o sistema pīnyīn de transliteração fonética e a tradução abaixo dos ideogramas no mesmo texto. Importante frisar que esses cantos e mantras são disponibilizados quase exclusivamente para iniciados, que tem acesso à tradução e explicação de cada um deles através de aulas e atividades para, e de iniciados. Mais recentemente a STB disponibilizou três mantras usados nos rituais no site da sede do Rio90, bem como, nos rituais públicos pessoas não iniciadas podem ter acesso aos cantos e mantras biligues durante o ritual. Até onde sabemos, estes textos já estavam traduzidos por Cherng, e somente lhe foram acrescentados a transliteração pīnyīn. Assim, as traduções deveriam servir para ajudar a explicar o conteúdo dos rituais, fazendo parte dos esforços de Cherng para que o público brasileiro tivesse mais acesso e conhecimento sobre Daoismo (Murray, 2010, p. 51).
O novo site (4), “sociedadetaoista.com.br”, tem as primeiras postagens em 2012. Sabemos que houve outro site antes, mas não tivemos contato com ele. O site apresenta um conteúdo geral, incluindo transcrições do jornal Tao do taoísmo, biografias resumidas e matérias jornalísticas antigas. Também conta com uma divisão: uma página da sede e templo do Rio, e outra página da sede e templo de São Paulo, ambas com menus próprios e independentes. Seu conteúdo é inédito no Brasil, pois apresenta elementos desconhecidos até hoje a parte significativa dos brasileiros em relação ao Daoismo, incluindo descrições sobre o Cânon e como montar um altar. Por outro lado, deixa a desejar em relação a promessa feita na revista Sob o Céu (“estudar e praticar taoísmo à distância, online”), já que não há cursos ou atividades com transmissão ao vivo, apenas conteúdos fixos e descritivos.
Figura 17: Altar do Templo da Transparência Sublime, na época de Cherng (esquerda) e sob a nova regência (direita).
Fontes: https://www.flickr.com/photos/sociedadetaoista/1362051766/ e
http://sociedadetaoista.com.br/rj/?page_id=28
O altar (5) no Rio sofreu poucas modificações além da mudança de lugar. Destacamos que agora há maior predominância da cor vermelha, e que alguns elementos laterais foram retirados, como as armas de gōngfū (kungfu em WG) e os quadros com talismãs do mestre celestial, deixando-o levemente com menos informações visuais. A frente do altar também foi modificada, como pode ser vista na imagem. Com pequenas alterações ao longo dos anos, permaneceu sua estrutura: a Tríplice Transparência acima; Lǎojūn no centro das divindades do “mundo manifesto”; Zhāng huí, Guāndì, Xuándì, Zēng (General) Zào, Zhāng Dàolíng, à esquerda, e Lǚdòngbīn e Dòu Mǔ à direita de quem está de frente ao altar; abaixo está o General Wàng (Murray, 2010); instrumentos, candelabro, flores, velas, incenso, oferendas, banco para ajoelhar e material litúrgico estão abaixo e ao lado.
Além do altar principal, há também mais elementos iconográficos. Por exemplo, o símbolo da STB parece ter sido inspirado em imagens usadas pelo pai de Cherng (ver figura abaixo). Outra novidade que foi noticiada ainda com Cherng vivo, foi que a STB recebeu a doação de um terreno de 6 mil metros quadrado na cidade de Embu (SP). Os líderes brasileiros pensam em fazer lá um centro de meditação, e erguer as construções conforme as regras do fēngshuǐ (Tao do Taoísmo, n. 20, 2004; Murray, 2010, p. 27).
Figura 18: Iconografias do Templo da Transparência Sublime; à Esquerda, altar para Guāndì; acima, bandeira-símbolo, onde está escrito 巴西道教会 / Sociedade Taoísta do Brasil em torno do tàijí tú; à direita e abaixo, “quadrado mágico” que serve como talismã de proteção.
Fontes: https://www.facebook.com/SociedadeTaoistaDoBrasil/photos_stream e Murray (2010)