brasileiro que anda muito baixa (OPÇÃO, 20 a 27/06/2004, s/p).
A Feira do Livro se mostrou um importante canal de escoamento da produção literária de Goiás, atestando para seus organizadores que seria possível a realização de uma Bienal no estado. Ainda mais pela presença do público e pela participação das livrarias e editoras que responderam bem ao evento e tiveram suas expectativas financeiras correspondidas.
Através da Feira, foi possível perceber que Goiás possui mercado para produtos literários e um público interessado por consumir as obras produzidas no estado. Ademais, a busca pelo público infanto-juvenil, através de espaços, palestras, contadores de histórias, apresentações teatrais e muitos títulos direcionados a esta faixa etária, foi outra decisão acertada. Estima-se que sete mil pessoas por dia passaram na Feira, dentre estas, 800 estudantes do ensino fundamental e médio.
A relação entre Educação e Cultura também pôde ser atestada. Os dois órgãos responsáveis pelo evento, a Secretaria de Educação do Estado de Goiás (SEE) e a Agência Goiana de Cultura (AGEPEL), mantiveram o diálogo e puderam construir um evento com geração de mais valias para a sociedade goiana. Mas notamos que, ao contrário da Bienal do Livro, os organizadores da Feira não mantiveram o diálogo com a prefeitura local na tentativa de se organizarem para levarem, sem ônus de transporte, os alunos de escolas públicas de Goiânia (O POPULAR, 30/04/2005, s/p).
Outro ponto negativo é que a percepção que tiveram alguns editores e livreiros em relação ao choque de eventos, Agropecuária e Feira do Livro, não foi levada em consideração pelo então presidente da Agência que acredita que os públicos são distintos. Realmente são, mas não se deveria oportunizar a todos a participação nas mais variadas formas de expressão cultural do estado? O diálogo neste ponto não existiu e quem perdeu foi o público da Exposição.
2.3.6. Documentologia Goiana / Goiás: 1722-2002
A parte de documentação, historiografia de Goiás, registro, “resgate” e preservação de documentos históricos durante a gestão de Chaul foi extremamente forte.
Seguindo a lógica da política cultural embasada na trilogia patrimônio, memória e história, dois projetos de documentação, em especial, se destacam.
É o caso do livro organizado pelo próprio presidente da AGEPEL e por Paulo Bertran, com textos de escritores, entre eles o arqueólogo Altair Salles Barbosa, os arquitetos Élder Rocha Lima e Aracy Berocan, o bibliotecário Lula Lima, os historiadores Paulo Bertran (org.) e Ramir Curado, a antropóloga Selma Sena, o naturalista Binômino da Costa, o economista Luís Estevam, o geólogo Tadeu Veiga e os escritores Gil Perini e Jacy Siqueira (O POPULAR, 17/02/2002, s/p). O livro intitulado
Goiás: 1722-2002 (2002), que reúne informações históricas, geográficas,
antropológicas, sociológicas e literárias do estado, foi dividido em duas partes:
A primeira parte será dedicada a informações sobre a geologia, o aparecimento do homem e o cerrado goiano. A obra também conta com textos sobre a história e a economia do Estado, além de um ensaio da professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Selma Sena, sobre os aspectos antropológicos do sertanejo goiano (O POPULAR, 17/02/2002, s/p).
A segunda parte é composta pela historiografia e atrativos turísticos das regiões de Goiás. O livro teve a colaboração ainda do artista plástico Amaury Menezes que selecionou as fotos ilustrativas. Entre estas está o acervo de Rui Faquini com 800 imagens disponibilizadas por ele para o projeto (O POPULAR, 17/02/2002), que teve como produtor executivo o arquiteto e urbanista Marcelo Sáfadi e como diretor de arte, o artista plástico Wagner Hermuche.
O livro, em edição de luxo, foi lançado em março de 2002 com uma tiragem inicial de dois mil exemplares. A principal contribuição do projeto, além de levantar informações historiográficas e ilustrativas sobre Goiás, sobre sua cultura, literatura, geologia etc, foi a distribuição gratuita destes exemplares para escolas públicas, bibliotecas e universidades de todo o estado (O POPULAR, 17/02/2002, s/p).
Outra importante ação voltada para a parte documental foi a digitalização de três das principais publicações que circularam em períodos distintos da história goiana: o jornal Matutina Meyapontense (1830-1834), a Revista Informação Goyana (1917- 1935) e a Revista Oeste (1942-1945). O projeto foi intitulado Documentologia Goiana e teve por objetivo a transformação dos referidos jornal e revistas para CD ROM.
Cada coleção, com as edições completas, deu origem a um CD-ROM. O trabalho foi realizado a partir das edições fac-similares dos periódicos. Desenvolvido pelo escritor Jacy Siqueira, a pedido da Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico (Agepel), o projeto recebeu o nome Documentologia Digital Goiana e será lançado na primeira quinzena de março (O POPULAR, 17/02/2002, s/p).
Nasr Chaul, no mesmo artigo, relembrou que a coleção faz parte de um “resgate” de toda a documentação importante sobre Goiás, afirmando que os CDs serão uma rica fonte de pesquisa para estudantes e pesquisadores. Sua idéia inicial foi facilitar a pesquisa e permitir que um maior número de pessoas tenha acesso a estas informações. Quando perguntado, em entrevista ao jornal Opção, sobre o que lhe deu mais orgulho de publicar, ele respondeu que fora o Livro de Goiás e a documentologia goiana:
Euler de França Belém — O que lhe deu mais orgulho de publicar, pela relevância? O Livro de Goiás, coordenado por mim e pelo historiador Paulo Bertran. Decidimos escolher as pessoas que tinham a paixão pelos assuntos abordados na obra. E é um livro graficamente fantástico, com a coordenação fotográfica de Rui Faquini. Outro projeto relevante, também motivo de muito orgulho, é a documentologia digital goiana. Colocamos em CD-Rom toda a coleção das revistas Oeste e Informação Goiana e também do jornal Matutina Meiapontense, além de documentos do Museu Pedro Ludovico e do arquivo pessoal do primeiro prefeito de Goiânia, Venerando de Freitas Borges. A publicação dessas obras em CD-Rom facilita enormemente a tarefa dos pesquisadores (OPÇÃO, 09/04/2006, s/p).
Os eventos e projetos, apesar de serem nominados por esta pesquisa de menor porte, certamente tiveram grande importância para a movimentação da cultura regional. Nesse período, o setor foi “sacudido” por uma série de apresentações, lançamentos, shows, feiras, exposições, obras de restauração e reformas etc., dos quais detalhamos apenas alguns dos que consideramos de maior relevância para o estado. É claro que existiram diversos outros projetos com desdobramentos significativos para a cultura goiana, a exemplo dos relacionados nas tabelas anteriores. Mas, observamos que todos eles foram colocados em prática, como já dissemos, com base na observação aleatória do que se julgava faltar na área. A reclamação dos artistas é que não houve um
diálogo entre artistas e os gestores de cultura para construírem um planejamento realmente democrático para a cultura do estado24.