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3. MATERYAL METOT

3.5. AraĢtırmanın Sınırlılıkları

Para alimentar o site Ecodebate, a interação da equipe é virtual. Eles estão espalhados no nordeste, Porto Alegre e no interior do Rio de Janeiro. Henrique Cortez, coordenador, ressalta que no grupo nunca houve conflitos, mas que as vezes as pessoas reclamam de não cobrirem fatos políticos. “A nossa pauta é marginal, não queremos cobrir o que a grande mídia pauta”, responde Henrique. Isso denota que, nos processos de convencimento para a formação de uma crença, no âmbito do coletivo-autor do Ecodebate, pela própria origem contextual de cada membro (suas experiências colaterais fundadas em vivências da questão ambientalista), existe uma coesão conceitual em torno de valores que decidem pelos fluxos informacionais, comprovada pela informação de que “nunca tiveram conflitos”. O que resulta em uma boa organização estrutural capaz de publicar grandes volumes de dados.

Henrique explica que, como o Ecodebate não tem fins comerciais, as regras de publicação muito estritas, o que dificulta contratos com anunciantes. Por outro lado, as assessorias de imprensa enviam 30 a 40 releases por dia. Ele faz uma triagem do que publicar, textos de empresas só publicam se for de utilidade pública. Geralmente renunciam os eco-fashions:

os eco-fashions, que gostam de mandar releases todos os dias, nós recusamos. Quando uma empresa vem nos dizer que inventou um sapato que reduz o carbono, isso entra no green-wash, o marketing verde mais do que a atitude verde, a publicidade verde, quando percebemos que é de verdade, podemos até publicar, mas normalmente é só marketing. (informação verbal)152

Para Henrique, a principal vitória do EcoDebate é ter conseguido quebrar a lógica da internet de que todos os textos precisam ser curtinhos:

gostamos de fazer conteúdos profundos de 12 laudas, não temos horóscopo, nem charge [...] Tentamos evitar textos em estilo web, se o cara tem tempo de ficar 7 horas por dia no Facebook, ele pode perder 20 minutos lendo coisas mais sérias, esse é o nosso público, do eu leio depois, o cara que administra o horário que lê a informação. (informação verbal)153

Ele afirma que havia uma ideia original de criar um púbico leitor, ajustar uma pauta reflexiva, que não fosse apocalíptica. Hoje conseguiram, segundo ele, o leitor

151 A idéia de que povos nativos precisaram comprar sua própria terra de volta é completamente perversa.

Mas a coisa importante é que eles a conseguiram de volta. Isso é causa de grande celebração. (Tradução nossa)

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Henrique Cortez, em entrevista

militante, engajado, que comenta, acrescenta dados à matéria. Tem uma visitação de 170 a 180 mil IPs únicos por mês, o que comprova a existência de uma via informacional habitada por sujeitos já habituados, fortalecendo a crença do regime da informação da ecologia social. Boletins de informação (newsletters) retornam a visitação ao site, e o retorno é medido a cada semana.

O Racismo Ambiental envia boletins para oito redes, de químicos e mineração às redes indígenas, o que é um índice da diversidade desse sujeito informacional. Tânia Pacheco, a fundadora do site, é pesquisadora e coordenadora do projeto da Fiocruz ‘Mapa da Injustiça Ambiental no Brasil’. O site é a maior fonte de informação para alimentar esse mapa e, por outro lado, além das informações que levanta em seu mapa ela também replica no blog. Isso comprova a fluidez, cada vez maior, entre os espaços profissional e militante na vida de um pesquisador.

Para eleger as informações publicadas, Tânia escolhe entre conteúdos que recebe de colaboradores e denúncias anônimas: “dos estados como Rondônia e Amazonas, muita pessoas enviam denúncias, dizendo que sofreram algo, ou sabem de alguém que sofre”, disse ela em entrevista para essa pesquisa.

As matérias que não selecionadas para os boletins diários estão no Facebook, que tem mais de 500 amigos e no twitter, com 914 seguidores e mais de 11 mil tweets postados. São cerca de 20 mil acessos semanais, sem nenhum patrocinador, o que denota um público quase predominantemente brasileiro, segundo a entrevistada. Isso comprova nossas observações sobre o trânsito dos fluxos informacionais da ecologia social serem mais em português.

Questionada se concorda com isso, Tânia afirmou sim, que não se relacionam com ONGs internacionais, porque “os estrangeiros têm outros mecanismos, preferem quem tem um perfil institucional mais estruturado”, disse Tânia.

Nos sites da ecologia social, as controvérsias estão expostas nos próprios comentários do site. Tânia conta que recebem muitos ‘xingamentos’:

As pessoas levam de fato à sério, hoje em dia, que o blog é um instrumento de luta. Mas eu também sou xingada, se falamos dos guaranis kaiowas, somos xingados. Na campanha contra o amianto, fomos xingados, dependendo do nível do xingamento, se não tem palavrão, nós publicamos. (informação verbal)154

Percebe-se que os diálogos no site do Racismo Ambiental têm sempre predomínio de secundidade, ou seja, de conflito entre diversos atores que se manifestam. Isso pode ser considerado um padrão nos sites do cluster da ecologia social de esquerda, principalmente nos clusters a1 e a3. Mesmo em assuntos que existe já um consenso

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científico comprovado, como o risco de contaminação com o amianto (que pode-se dizer, tem predomínio de terceiridade, pois já é uma verdade incontestável), eles recebem comentários como esse:

Edinilson Honório Machado says: 29/10/2012 at 16:24 Boa Tarde! Lamentável essa discussão, a atividade industrial com o Amianto Crisotila, está dentro do mais alto padrão de qualidade quando o assunto é: respeito ao ser humano e ao meio ambiente; Muita demagogia quando se fala em paralisar uma atividade como essa; Uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil nos últimos anos; O sonho de muitos que trabalha outras atividades industriais é um dia ter a oportunidade de trabalhar na Mineradora SAMA (Extração do Amianto), justamente pela forma como é conduzida suas atividades, com respeito, dignidade e valorização do ser humano, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável; 32.000 pessoas serão afetadas imediatamente caso venha proibir essa atividade; Tem famílias chorando antecipadamente; Um apelo pelo AMOR A DEUS, antes de tomar qualquer decisão, visite a nossa cidade, visite a empresa que estrai o Amianto…. Encarecidamente Edinilson Honório (MACHADO, 2012, on-line)155

O que para uns significa ‘contaminação’, para outros é ‘respeito, dignidade e valorização do ser humano’. A crença não fica bem formada, pois ainda é território em disputa.

Por outro lado, se nas redes que saltam dos comentários existe discussão e conflito, os actantes da ecologia social costumam se citar e validar as informações uns dos outros, o que configura seu regime informacional. A maior conquista do site, para Tania Pacheco, foi quando foram citados pela CPT, no relatório anual Conflitos de Terra no Brasil, como fonte primária de informação, no quesito violências e mortes no campo. “É a CPT reconhecendo o nosso trabalho, fiquei muito orgulhosa”, conta Tânia. Esses processos de semiose deslanchados pelo Racismo Ambiental alimentam a formação das crenças da CPT. E o contrário ocorre, Tânia se sente motivada a continuar seu trabalho com essa citação e isso reforça o valor do reconhecimento entre os actantes da rede. Para ela, nos últimos anos, a situação tem melhorado:

Os povos indígenas e quilombolas, antes, eram totalmente marginalizados, índio precisava ir pra cidade e fingir não ser índio, essas duas figuras nos últimos 20 anos são protagonistas de uma luta política, ninguém tira mais isso deles. Quando o guarani kaiowa berra, o pais escuta. O fato deles virarem protagonistas, de poderem falar, no lugar de um intelectual falando por eles, significa muito. (informação verbal)156

Benzer Belgeler