O problema do envelhecimento preocupa cientistas e governantes. Estudam-se as dificuldades originadas pelo encargo dos idosos sobre as gerações futuras. Actualmente tem grande importância o desafio demográfico, isto é, as alterações da população. O Relatório Demográfico das Nações Unidas (2001) prevê uma redução da população na Europa uma vez que projecta uma descida significativa na maioria dos Países do Sul (28,2% na Itália, 22,4% na Grécia, 17,6 em Portugal, e nos países centro europeus, a Áustria 12,8%, Bélgica, 12 % e Alemanha, 10,7% (Osório, 2007). Com as taxas actuais (Nazareth, 2009) fazem-se projecções para 2050, prevendo mutações demográficas de grande amplitude que se traduzirão num envelhecimento da população europeia, cuja média de idades poderá passar de 39 anos, em 2004, para 49 anos, em 2050. O número de jovens com idades compreendidas entre 0 e 14 anos passaria de 100 milhões (índice de 1975) para 66 milhões, em 2050. O aumento do envelhecimento demográfico aparece assim como um dado irreversível para as próximas décadas. Em demografia, consideram-se dois tipos de envelhecimento: o envelhecimento na base
(quando a percentagem de jovens em relação à população total começa a diminuir) e no topo (quando o peso das pessoas de idade avançada aumenta em relação à população total). A visão prospectiva da base demográfica de Portugal concentra-se nas seguintes questões, como enumera Nazareth (2007): a regulação dos nascimentos e o planeamento familiar; a concentração urbana e a desertificação dos campos; a concentração da população portuguesa no litoral, onde vive quase de 80% da população.
O aumento das pessoas idosas não é uma consequência directa do aumento da duração média de vida e da melhoria das condições de saúde. O declínio da fecundidade reforça o aumento da idade média da população. São as crianças que estão a menos. Não são os idosos que estão a mais.
No estudo do envelhecimento, salientamos a teoria da transição demográfica
(TAD)8: É uma teoria estabelecida por demógrafos (Landry, 1982) para dar conta do processo de passagem, das populações humanas, de um regime demográfico caracterizado por uma taxa de natalidade e uma taxa de mortalidade elevadas para um regime demográfico caracterizado por uma taxa de natalidade e uma taxa de mortalidade baixas. Segundo o modelo mais geral, a mortalidade começaria por diminuir, provocando um excedente natural crescente, seguindo-se então, depois da diminuição da mortalidade, uma diminuição da natalidade, o que provocaria a perda do excedente natural cada vez mais baixo (Rollet, 2007).
A Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do Parlamento Europeu, no Projecto de Relatório do Parlamento Europeu (2004 – 2009) sobre o futuro demográfico da Europa, anota, com preocupação, as projecções demográficas para 2050, e alerta para a necessidade de se encontrar respostas que permitam manter a competitividade e o modelo social europeu no futuro. Refere essa Comissão que as causas das mutações demográficas (quebra da natalidade e envelhecimento da população) são fruto do progresso; que o prolongamento da esperança de vida é consequência dos progressos da
8 Teoria da Transição Demográfica sobre o processo de diminuição das taxas de mortalidade e de
ciência, higiene e do nível de vida. Sublinha também que a taxa média de natalidade é, na UE, de 1,5%.
Saliente-se que a solidariedade entre as gerações pressupõe a intervenção dos poderes públicos que devem disponibilizar serviços sociais de interesse geral, para as famílias e crianças, para o acolhimento e a prestação de cuidados a idosos e aos dependentes. Por isso, esta Comissão exorta ainda os Estados Membros:
1. A terem em conta que o envelhecimento abrange desigualdades regionais; 2. Propõe que a atribuição de fundos estruturais tenha em conta as necessidades
de investimento para o acolhimento e a assistência às pessoas idosas; 3. Recorda o princípio de solidariedade entre as gerações e entre os territórios. A Comissão das Comunidades Europeias numa comunicação intitulada: “O futuro demográfico da Europa: transformar um desafio em oportunidade” (Comissão
Europeia, Bruxelas, 12 de Outubro de 2006)9, define cinco domínios que respondem a uma perspectiva comum na execução das políticas dos Estados Membros:
1. Uma Europa que favorece a renovação demográfica;
2. Uma Europa que valoriza o trabalho: mais empregos e uma vida activa mais longa e com qualidade;
3. Uma Europa mais produtiva e com melhores desempenhos; 4. Uma Europa organizada para receber e integrar os migrantes;
5. Uma Europa com finanças públicas viáveis: garante de uma protecção social adequada e da equidade entre gerações.
O Relatório da Comissão de 2008 sobre a evolução demográfica da União Europeia refere que, em 2008, há um envelhecimento rápido da população europeia. Segundo projecções da população do Eurostat referentes a 2008, são os seguintes os números-chave:
- População em idade de trabalhar em 2050 (dos 20 aos 64 anos): 52% - População dos 15 aos 24 anos em 2050: 19%
- População com idade igual ou superior a 65 anos em 2050: 29% - Taxa de dependência em 2050: 50%
- Taxa de fecundidade em 2060: 1,68 filhos por mulher (limiar de renovação 2,1) - Esperança de vida das mulheres em 2060: 89 anos
- Esperança de vida dos homens em 2060: 84,5 anos - Saldo migratório em 2007: +1,9 milhões
O Relatório do Instituto da Política da Família, apresentado na União Europeia referente ao ano de 2008, mostra que a seguir a Portugal situa-se a Espanha onde a população mais está a envelhecer. A Irlanda é o país com a população mais jovem, com uma média de 35,1 anos. Em Portugal a média é de 40,5 anos.10 A estratégia internacional para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional centra-se em viabilizar a inclusão social deste grupo na comunidade. A Segunda Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada em Madrid em 200211, definiu os princípios básicos do envelhecimento activo e reconheceu que as políticas se devem basear nos direitos, necessidades, preferências e capacidades dos idosos (Kalache, Barreto e Keller (2005). Perante o envelhecimento há duas medidas a tomar. Uma é proporcionar o envelhecimento activo aos idosos. Outra é minorar o envelhecimento demográfico e a única saída é compensar o declínio demográfico e o envelhecimento com a imigração (Gaspar, 2008).