4. KURULUM, TAŞIMA VE DEPOLAMA 19
5.2.4 Arıza / Alarm Sıfırlama İşlemi
A dimensão econômica foi ressaltada como fator importante no surgimento dos CMP quando os respondentes retrataram que os programas devem ser autofinanciados a partir da cobrança de mensalidades, as quais são pagas pelos próprios alunos ou por meio de convênios com instituições do setor produtivo. Desta forma, o CMP é um curso ofertado para alunos que trabalham e que, portanto, têm condições de financiar o curso ou, ainda, de terem seu curso financiado pelas organizações nas quais atuam, conforme ilustrado a partir da fala de E2.
Eu acho que surgiu porque precisava aumentar o número de mestres no Brasil. O
governo não tinha dinheiro e inventou os mestrados profissionais para não dar bolsas [...]. Então seria um mestrado autofinanciado pelo próprio aluno e não um
mestrado oferecido pelo estado, pelo governo, então deram esse nome para pegar pessoas que tivessem condições de pagar e não estudantes, e é óbvio que para isso tem de ter salário, tem de estar no mercado, por isso o nome mestrado profissional. (E2)
A esse respeito, o artigo 11 da Portaria n. 17/2009 afirma: “salvo em áreas excepcionalmente priorizadas, o mestrado profissional não pressupõe, a qualquer título, a concessão de bolsas de estudos pela Capes” (BRASIL, 2009b). Por outro lado, Fischer (2010a) relata que o Plano de Desenvolvimento da Educação (2007) institucionalizou políticas e ações interligadas em todos os níveis de ensino. Isso demonstra que ainda há uma longa discussão a ser realizada em torno do financiamento da pós-graduação brasileira, a qual independe inclusive do momento econômico que vive o país em 2015.
Ainda em relação à dimensão econômica, mas em um sentido distinto do que foi abordado por E2, alguns respondentes relataram que os CMP têm um papel de substitutos dos cursos de especialização ofertados pelas universidades públicas, dos quais não é mais permitido pela legislação vigente a cobrança de mensalidades. Consequentemente, os professores que ministram aula nos poucos cursos de especialização ainda ofertados pelas universidades públicas não recebem mais qualquer benefício, a exemplo de bolsas, conforme apontam E1 e E5:
[...] porque havia convênios, os professores recebiam bolsa, o que depois foi desautorizado pela visão do sistema das universidades públicas. Então, encerrou essa possibilidade do professor que atuava no MP receber uma bolsa ou uma retribuição pela aula que dava no mestrado. (E1)
Bom, mas também houve uma questão que motivou muito o desenvolvimento que vieram a tomar os Mestrados Profissionais. Foi nas federais, nas Universidades Federais, porque foi por essa época, nos inícios dos anos 1990, que se criaram no Brasil os MBA, os chamados MBA, que são cursos de especialização em Administração e que o pessoal numa jogada de marketing pôs a mesma sigla do mestrado profissional americano e a coisa pegou, pegou e dava remuneração. Estou falando das federais onde há aquele esquema rígido para pagamento com recursos do Tesouro e essa coisa de recursos próprios, uma coisa muito complicada e tal. Então,
quando o Tribunal de Contas, os órgãos de controle interno do poder Executivo começaram a bater em cima das federais por causa disso, [referindo-se às especializações pagas] por causa dessa remuneração, [...] depois o controle interno do Executivo bateu em cima disso e o pessoal começou a correr para o mestrado profissional, [...] o que é importante notar aí é que já havia experiência no
Brasil consolidada de cursos de Administração de pós-graduação com característica profissionalizante [...]. E aí as federais, que eram as acadêmicas mais tradicionais e não sei o que, acharam que estavam fazendo uma coisa muito nova, certo? E que depois o tempo tá mostrando [...]. (E5)
A partir destes enunciados, é possível perceber que o fator econômico foi marcante para o surgimento dos CMP, especialmente nas universidades públicas. O motivo ressaltado por E1 e E5 gira em torno da remuneração para docentes dessa modalidade. Tal questão gera discussões ideológicas dentro das instituições públicas de ensino, pois há uma corrente de
docentes claramente contrária ao recebimento de qualquer provento advindo deste tipo de curso, em função de se alinhar ao pensamento do ensino público e gratuito.
Por fim, os achados dessa primeira categoria foram sumarizados no Quadro 5.
Quadro 5 - Síntese dos achados da categoria ‘Surgimento dos CMP’
DIMENSÕES ACHADOS DISCURSOS
Legal Resgate do Parecer Sucupira, lembrado como o primeiro documento a abordar a educação profissional como uma necessidade.
“Essa coisa costuma ser retomada do ponto de vista institucional, essa coisa de mestrado profissional, a partir do famoso Parecer Sucupira de 1965, o 977, não é? Esta coisa em que ele começa a falar de pós-graduação e prática, e práticas profissionais”
Social Necessidade social do país em aumentar o número de pessoas mais bem qualificadas a partir da ampliação do número de mestres;
Política pública a fim de atender a necessidade das organizações e melhorar sua gestão.
“[...] missão de política pública, é o surgimento para colaborar na melhoria da gestão da organização dos setores produtivos [...]”
Econômica Programas autofinanciados pelos próprios alunos ou por suas organizações;
Remuneração para docentes que atuam em instituição pública.
“Então seria um mestrado autofinanciado pelo próprio aluno e não um mestrado oferecido pelo estado, pelo governo [...]”
“[...] houve uma questão que motivou muito o desenvolvimento que vieram a tomar os Mestrados Profissionais. Foi nas federais, [...] nos inícios dos anos 1990, que se criaram no Brasil os MBA [...] e a coisa pegou, pegou e dava remuneração [...]. Quando o Tribunal de Contas, os órgãos de controle interno do poder Executivo começaram a bater em cima das federais por causa disso, por causa dessa remuneração, [...] e o pessoal começou a correr para o mestrado profissional [...]”.
Fonte: Elaboração própria, 2014.
Pelo que foi observado nessa primeira categoria de análise, o surgimento dos CMP, especificamente na área de Administração, sofreu influência das dimensões histórico-legal,
sociocultural e econômica. Este surgimento ocorre apoiado no Parecer Sucupira, que data de 1965, de uma necessidade social do Brasil em aumentar os índices de qualificação profissional e também da real necessidade das organizações em ter profissionais mais qualificados para atender suas demandas.
Apesar da necessidade do governo de aumentar o número de mestres, as agências de financiamento dos cursos de pós-graduação não arcaram com o financiamento dos CMP, baseadas numa legislação que exige que esses cursos sejam autofinanciados. Além disso, a propulsão desses cursos nas universidades públicas ocorreu em substituição aos cursos de especialização que eram ofertados por elas, dada a possibilidade de os docentes receberem o pagamento de bolsas pelo trabalho prestado a estes cursos, o que não era mais possível com as especializações.