Alguns estudiosos vêm defendendo a criação de corredores ecológicos no Distrito Federal, como Lima (2003) que desenvolveu, como dissertação de mestrado do Departamento de Botânica da Faculdade de Engenharia Florestal da UnB, a proposta da utilização dos eixos rodoviários como corredores ecológicos. O alvo da sua análise foi uma porção do território marginal à rodovia DF-001, que circunda toda a bacia do Lago Paranoá e pode servir como ligação entre os três remanescentes de maior importância – Parque Nacional de Brasília, APA Gama- Cabeça de Veado e Estação Ecológica de Águas Emendadas.
Lima ressalta que corredores ecológicos rodoviários, conceito defendido internacionalmente, atravessam topografias e ambientes diferentes dos corredores hídricos naturais. Não que se conteste a validade dessas informações, no entanto, na nossa visão, numa área não tão vasta como a da rodovia DF-001 só estaríamos conectando remanescentes localizados numa mesma bacia hidrográfica, a do Lago Paranoá.
Para um maior sucesso dessa estratégia na conservação do bioma, dentro da perspectiva do planejamento biorregional, o desejável é que esse tipo de esforço pudesse ser adotado em caráter regional, estendendo-se a outras rodovias que atravessam o cerrado, aproveitando-se a ligação dessas outras vias à DF-001. Além disso, pode-se facilmente inferir que outras ações estruturais e não-estruturais seriam fundamentais para que essa estratégia pudesse alcançar êxito.
Dentre os pontos a serem discutidos e observados no trabalho de Lima estão o fato de que as nossas rodovias não apresentam conservação e sinalização adequada para admitir o trânsito de animais, os nossos motoristas nem sempre estão conscientes da conduta necessária no caso de utilização de rodovias como corredores ecológicos.
Não há estudos suficientes a respeito dos corredores ecológicos rodoviários no Brasil para que se possa compreender como isto influenciaria o comportamento da fauna local. A adaptação ocorrida em rodovias japonesas e australianas, onde a fauna atravessa as rodovias em locais pré-definidos, utilizando adaptações subterrâneas ou elevadas e o cercamento que impede seu trânsito em outros pontos, fez com que fossem modificados os padrões de predação da fauna local.
No caso do Japão e da Austrália, diversas comunidades de animais deixaram de ter de caçar e outras tiveram seu índice de mortalidade por predação aumentado diminuindo as possibilidades de troca genética entre essas comunidades ao invés de aumentá-lo. Criou-se um desequilíbrio ecológico muito maior do que o esperado pela adoção de uma estratégia de conservação que não contemplou a avaliação adequada de todas as conseqüências e implicações envolvidas.
Mesmo com relação à dispersão de sementes e espécies vegetais, a utilização das vias de transporte como Corredores Ecológicos é bastante discutível e deve ser exaustivamente avaliada antes de sua defesa. Drew (1994) aponta o caso das ferrovias inglesas que serviram à dispersão de sementes de espécies exóticas invasoras e mesmo de nativas mais resistentes a certas condições estabelecidas às margens das ferrovias e que tiveram estabelecida a sua dominância, alterando as características da vegetação em escala regional.
Segundo as conclusões do estudo, os resultados encontrados na análise realizada durante a pesquisa confirmaram a diversidade biológica e genética dos remanescentes na faixa de domínio da Rodovia DF-001. Foi encontrado um baixo índice de similaridade da composição florística entre os 10 remanescentes amostrados (num total de 3.461,29 m² que pode dever-se a diversos fatores bióticos (como a geologia, relevo, condições edáficas) e abióticos (como a incidência de queimadas, desmatamento, nível de poluição e outras perturbações) que o autor recomenda que sejam melhor estudados.
Os estudos de Lima apontam espécies adequadas à estratégia de implantação de corredores ecológicos rodoviários e recomenda as ações de manutenção necessárias, dentre as quais se destacam algumas de caráter estrutural, como o cercamento da faixa de domínio e a implantação de aceiros paralelos ao traçado da
rodovia com largura variável (entre 2 e 5 m) em função das espécies plantadas adicionados de aceiros perpendiculares a cada 500m em média. Segundo o estudo a manutenção dos aceiros deve ser anual e o combate às formigas e a verificação do estágio de desenvolvimento das mudas deve ter periodicidade mensal.
O estudo não se deteve em estabelecer os custos dessa manutenção e nem tampouco apontar as possíveis fontes de recursos financeiros para tal. Estudos adicionais sobre o envolvimento da comunidade e a adesão de proprietários seriam necessários para que se pudesse chegar a uma conclusão mais concreta quanto à viabilidade desse tipo de proposta do ponto de vista da sustentabilidade das ações e governabilidade do projeto.
Não se pode esquecer ainda que as ocupações irregulares em muitos casos se estendem às faixas marginais das rodovias, especialmente quando estas atravessam perímetros urbanos o que aponta para a demanda desse tipo de investigação no caso de adoção de corredores ecológicos rodoviários.
Embora a finalidade da pesquisa tenha sido a investigação da potencialidade da utilização dessa estratégia, atendo-se a uma porção da Rodovia DF-001, a replicação dessa proposta a outras vias rodoviárias no Distrito Federal poderia incrementar as propostas para corredores ecológicos. O estudo de Lima aponta esses outros caminhos para o fluxo gênico embora não se tenha detido na avaliação de remanescentes nessas outras áreas. No entanto isso requer estudos específicos cuidadosos já que os maiores pontos de conflito para a conexão de remanescentes de biodiversidade encontram-se hoje nos cruzamentos das rodovias pela fauna em trânsito.
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A proposta abarca uma área quase coincidente à Bacia Hidrográfica do Lago Paranoá uma vez que se concentra na Rodovia DF-001.
Concentra não só UC’s como áreas de APM entrecortadas por vetores de crescimento da expansão urbana e grandes áreas que demandam regularização fundiária e controle do uso do solo. Abriga remanescentes vegetacionais significativos e influencia diretamente a Bacia do Rio São Bartolomeu.
Abrange ainda o Perímetro da Área Tombada pelo IPHAN e o Lago Paranoá, fundamental ao controle térmico de Brasília.
LOCALIZAÇÃO
PROPOSTA 1 - CORREDORES ECOLÓGICOS RODOVIÁRIOS NO DISTRITO FEDERAL
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ssertação de Mestrado em Botânica elaborada por Danilo Cruz de Lima, orientador: PhD. Manoel Cláudio da Silva Júnior, 2003 Fonte da Imagem: MIRANDA, E. E. de; COUTINHO, A. C. (Coord.). Brasil Visto do Espaço. Campinas: Embrapa Monitoramento por Satélite,
2004. Disponível em: <http://www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br>. Acesso em: 3 abr. 2005. Fonte do Limite do Distrito Federal: Base Sicad
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4.2.2. Proposta 2 – Corredores Ecológicos na Bacia do Rio Maranhão