2. KURAMSAL ÇERÇEVE ve İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.2.4 Anne Tutumu ve Empati
No trabalho de Lave e Wenger (1991), os exemplos de comunidades de prática se referem a pesquisas etnográficas com pessoas de diferentes contextos, como já comentado anteriormente: alfaiates, parteiras, intendentes da marinha, alcoólicos anônimos e açougueiros. Em Wenger (1998), os sujeitos dos dados apresentados nas Vignettes trabalham em empresas. Os contextos de aprendizagem dessas pesquisas não fazem referência a ambientes formais de aprendizagem como instituições de ensino.
As salas de aulas não são um mero aglomerado de pessoas em um espaço comum.
Castanheira (2004) reconhece que “a sala de aula funciona como uma cultura na qual os
membros constroem formas padronizadas de se envolverem nas relações uns com os outros,
com objetos e em práticas culturais ao longo do tempo” (CASTANHEIRA, 2004, p. 45).
Segundo esse estudo, tais culturas orientam formas de fazer, de conhecer, de aprender e de participar no grupo. Nesse sentido, podemos compreender a sala de aula como uma comunidade. No entanto, seria possível pensar em salas de aula como comunidades de prática? Alguns aspectos das Cops são passíveis de ocorrer nesses espaços educativos, como negociação do significado, participação, reificação e, ainda, as dimensões que definem tais comunidades, a saber: o engajamento mútuo, o empreendimento conjunto e o repertório compartilhado. Estudos no campo da Educação Matemática (WINBOURNE; WATSON, 1998; FRADE, 2003, HEMMI, 2006; BACK; PRATT, 2007; WATSON; DAVID, 2008, RODRIGUES, 2010; GÓES, 2010) têm demonstrado possíveis interseções entre as Cops e a sala de aula. Ademais, pesquisas na área da linguagem e da educação trazem contribuições acerca dessas relações, como as de Barton e Tusting, 2005; Costa, 2007; Braga, 2007; Bohn, 2010. Cabe salientar que uma sala de aula não seria necessariamente uma Cop; isso depende da forma como se organizam as relações dentro da turma e não só, mas com grande importância, da proposta e da forma de engajamento do professor.
Destacamos Winbourne e Watson (1998) que caracterizam, a partir dos aportes teóricos de Lave e Wenger, as comunidades de prática na sala de aula de Matemática, denominando-as comunidades locais de prática (doravante Colps). Esse construto teórico, segundo os autores, é útil para se pensar sobre o ensino e a aprendizagem; o foco está mais estreitamente ligado a uma linguagem e um vocabulário que lhes capacita descrever o que designam como práticas compartilhadas locais ou Colps.
Os autores acreditam que é possível tratar as escolas, além da própria sala de aula, como comunidades locais de prática, como evidencia Lave (1993). Tais comunidades seriam
“locais” com relação ao tempo, bem como ao espaço: elas são locais no que diz respeito à
vida das pessoas, às práticas normais da escola e da sala de aula, e à filiação a uma prática. As Colps podem durar apenas uma aula ou muito tempo pode transcorrer, antes que elas sejam reconstituídas, o que não impede que efeitos sutis possam ser detectados e permaneçam no rastro das trajetórias dos aprendizes ou no desenvolvimento de outras práticas (WINBOURNE; WATSON, 1998).
Para caracterizar as Colps, Winbourne e Watson (1998, p. 103, grifo nosso) postulam os seguintes traços que consideram necessários para constituir uma Colp em uma sala de aula:
1. Os estudantes se veem “atuando” matematicamente e, para esses aprendizes faz sentido se verem como “matemáticos”, como parte essencial de quem eles são na sala de aula.
2. Por meio de atividades e papéis assumidos, há um reconhecimento público das competências em desenvolvimento na aula.
3. Aprendizes se veem trabalhando juntos com um objetivo, com vistas a atingir uma compreensão comum.
4. Há modos compartilhados de comportamento, linguagem, hábitos, valores e uso de ferramentas;
5. A aula é essencialmente constituída por participação ativa de estudantes e professores.
6. Aprendizes e professores podem, por um tempo, se verem engajados na mesma atividade.47
Como se pode depreender dos traços das Colps, notamos que eles se constituem como uma unidade de análise para eventos complexos de vivências de alunos e professores em aulas de Matemática. Descrever as Colps é um modo de descrever certas práticas de sala de aula que envolvem participação, engajamento, formação de identidades e, por isso, revelam-se como uma importante ferramenta de análise de eventos de sala de aula, a partir de uma visão situada da aprendizagem.
É válido ressaltar que, na concepção de Wenger (1998), a “comunidade de prática” é uma descrição iluminativa de uma situação, e não uma estrutura a ser aplicada com
expectativa de alguma ideia de melhoria (DAVID; WATSON, 2008, p. 35-36).
47
“1. Students see themselves as functioning mathematically and, for these students, it makes sense for them to
see their ‘being mathematical’ as an essential part of who they are within the lesson; 2. through the activities and roles assumed there is public recognition of developing competences within the lesson; 3. learners see themselves as working purposefully together towards the achievement of a common understanding; 4. there are shared ways of behaving, language, habits, values and tool-use; 5. the lesson is essentially constituted by the active participation of the students and teachers; 6. learners and teachers could, for a while, see themselves as engaged in the same activity.”
Usamos, aqui, a perspectiva e a teoria da prática social de Lave e Wenger (1991), Wenger (1998), Winbourne e Watson (1998) para examinar e dar estrutura ao nosso objeto de estudo. A prática que estamos analisando é a prática de pessoas exercendo/partilhando formação inicial de professoras de Espanhol e o uso de tecnologias nas disciplinas de Estágio Supervisionado de uma Universidade Federal. Pretendemos identificar as formas de participação das alunas na prática, com atenção especial nas práticas desenvolvidas em eventos de letramentos digitais. A noção de Cop e Colp nos fornece um nível apropriado para a análise.
Contudo, para refinarmos a análise e explorar ainda mais as formas de participação das alunas, levando em consideração as Colps, complementamos nossa análise na descrição da aprendizagem como participação na prática com a articulação dos conceitos de Greeno (1994, 1998) de affordances, constraints e attunements, que fornece subsídios teóricos úteis para um aprofundamento da compreensão sobre os eventos de letramentos digitais na formação inicial de professoras.