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biológicas que quando estão em equilíbrio permitem o satisfatório crescimento e desenvolvimento das plantas, para que completem seu ciclo, sob as condições climáticas de um determinado local.

Além dos micronutrientes (Fe, Zn, Mn, Cu, B e Mo), três elementos químicos existentes em maior ou menor quantidade no solo são relevantes para as plantas: Nitrogênio, Fósforo e Potássio. Os solos do semiárido são muito diversificados química e fisicamente. No entanto os solos deste ambiente possuem em sua grande maioria baixos teores de fósforo e nitrogênio no seu perfil o que constitui uma certa dificuldade para o desenvolvimento de práticas agrícolas. Além desses elementos, a presença de baixos níveis de matéria orgânica nos solos do semiárido é fator altamente limitante para o estabelecimento e crescimento das espécies vegetais, pela consequente baixa disponibilidade de nutrientes importantes para as culturas em geral, inclusive para a mandioca (SANTOS et al., 2014).

Segundo Brady (1983), os resíduos orgânicos, também conhecidos como excrementos, já eram comuns nas atividades agrícolas há bastante tempo, no entanto, os fertilizantes minerais tiveram início para a melhoria do crescimento vegetal há pouco mais de um século. As consequências da adição indiscriminada de fertilizantes químicos têm suscitado dúvidas quanto às interferências que estes possam ter nos sistemas naturais. Com isso, nas últimas décadas, a adição de fontes orgânicas de nutrientes para as culturas tem sido levado em consideração e um número maior de pesquisas na área tem corroborado com essa prática.

Sistemas de base ecológica preveem sustentabilidade em médio e longo prazo, conseguida com uma série de práticas ajustadas para cada situação, levando em consideração a redução de uso de insumos e energia; diminuição das perdas de nutrientes com contenção da lixiviação, escoamento e erosão; melhoraria na reciclagem de nutrientes com uso de leguminosas; adubos orgânicos; compostos, etc. Também são pressupostos deste sistema o estímulo à produção local de cultivos adaptados ao sistema ambiental e socioeconômico, manutenção da produção líquida sustentável, mediante a preservação de recursos naturais e minimização das perdas de solo, redução de custos, aumentando a eficiência e viabilidade econômica das propriedades de pequeno e médio porte, promovendo um sistema agrícola diversificado e flexível (ALTIERI, 2004).

Os perfis analisados nas áreas do trabalho revelaram diversas informações que podem colaborar nas explicações dos resultados dos ensaios. Na comunidade do Vira Beiju, por exemplo, pode-se observar um perfil com características

específicas na área de Caatinga preservada. O solo nesse local foi classificado ARGISSOLO AMARELO Eutrófico plíntico A fraco, textura arenosa/média, fase caatinga hiperxerófilas7, relevo plano e possuía uma vegetação do tipo Caatinga hiperxerófila arbóreo-arbustiva pouco densa, com a presença de catingueira, faveleira, umburana, pereiro, umbuzeiro, malva, jurema preta, pinhão, xique-xique, macambira, dentre outras espécies (Figura 55).

Figura 55. Perfil de solo (A) analisado na área de caatinga preservada ao lado do ensaio, com detalhe da caatinga ainda presente (B) na comunidade Vira Beiju, Petrolina- PE, 2016.

Foto: Alineaurea F. Silva (2016)

Na área experimental da mesma comunidade (Vira Beiju) também foi aberto um perfil classificado como ARGISSOLO AMARELO Eutrófico plíntico A fraco, textura arenosa/média fase caatinga hiperxerófila, relevo plano (Figura 56). Nesse local havia anteriormente também a mesma massa vegetal do perfil da caatinga preservada (Caatinga hiperxerófila arbóreo-arbustiva pouco densa, com catingueira, faveleira, umburana, pereiro, umbuzeiro, malva, jurema preta, pinhão, xique-xique,

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Os perfis de solo apresentados no presente trabalho foram caracterizados pelo Dr. Tony Jarbas (Embrapa Semiárido).

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macambira), porém atualmente estava presente nesse local o cultivo de mandioca, na forma de ensaio conduzido para obtenção dos dados da tese.

Figura 56. Perfil de solo (A) analisado na área experimental, com detalhe do ensaio presente (B) na comunidade Vira Beiju, Petrolina-PE, 2016.

Foto: Alineaurea F. Silva

Tomando como base os dois perfis de solo examinados acima pode-se inferir algumas considerações. Ao comparar-se as condições físicas presentes em cada um é possível observar que enquanto no perfil da caatinga as raízes eram muitas, grossas, médias e finas ao longo de todo o perfil, no perfil da área cultivada eram poucas, finas e muito finas no horizonte A, raras no restante do perfil. Esse aspecto denota claramente as condições que podem manifestar-se num solo em uso e que poderão ter consequências negativas para os cultivos que serão ali instalados. Nesse caso, as raízes interferem diretamente na porosidade que foi observada em ambos os casos, e apesar de mostrarem uma denominação semelhante nos dois casos, como sendo poros comuns médios e pequenos no horizonte A, BA e Bt1 e comuns pequenos e muitos pequenos no restante dos horizontes, sabe-se que a presença de raízes nas áreas cultivadas é muito mais efêmera, podendo desencadear processos de compactação e posteriormente erosão do solo com muito mais facilidade.

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O impacto do uso nas condições químicas do solo também são visíveis ao longo do perfil, conforme detalhada na Tabela 11. O perfil analisado na Caatinga preservada apresenta menores teores de alguns elementos que são adicionados na área cultivada, como cálcio, magnésio e potássio, porém também mostra pH em água abaixo dos valores encontrados no perfil da área cultivada. Este aspecto, associado com a maior saturação de bases verificada na área cultivada, remete a uma preocupação comum no semiárido brasileiro que é o processo de salinização, no caso em questão podendo ser mais acelerado com práticas de manejo comuns ao longo dos anos de cultivo. Daí mais uma vez o reforço em observar a importância de praticar alguns princípios usados nos sistemas de base ecológica, como uso de matéria orgânica, com vistas a retardar um pouco esse processo natural em regiões com baixa pluviosidade.

Tabela 11. Análise química do perfil do solo nas áreas da caatinga e área de cultivo na comunidade Vira beiju, Petrolina –PE. Fonte: dados da pesquisa

Como pode ser observado na Figura 53, a pluviosidade no período dos ensaios foi muito baixa, e a área que teve maior índice pluviométrico pouco ultrapassou 350mm em um ano. Essa condição de chuva associada ao regime climático de baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas na região desanima a