2.10. Pop Art’ın Tanımı ve Özellikleri
2.10.1. Pop Art’ın Başlıca Sanatçıları
2.10.1.1. Andy Warhol (1928 – 1987)
Concebida por Bourdieu (2010:56) como instituição escolar encarregada de perpetuar e transmitir o saber erudito conferido aos herdeiros da cultura legítima da qual a linguagem constitui “a parte mais inatingível e a mais atuante da herança cultural”, a universidade recebe atualmente alunos pertencentes a classes sociais distintas, logo, detentores de capital cultural em níveis que podem ou não coincidir com o capital necessário para o sucesso no curso.
No Brasil, as licenciaturas, entre as quais se situa o curso de Letras, estão entre os cursos de menor prestígio social, atraindo geralmente estudantes pertencentes às camadas inferiores da sociedade, cujo perfil condensa elementos que configuram seu baixo capital cultural, conforme demonstra o estudo de Brito (2007:418), onde a autora nos fornece uma síntese das características predominantes dos estudantes de Licenciatura que participaram do ENADE 2005 (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes 2005), destacando, dentre outras: a jornada de trabalho semanal excessiva (de quarenta horas semanais); o conhecimento praticamente nulo em inglês e espanhol; a baixa frequência de leituras voluntárias (de 2 a 5 livros ao ano, excetuando-se os livros escolares) dos graduandos.
A pesquisadora destaca, ainda, em relação à formação geral desses estudantes por área e organização acadêmica da Instituição (Universidade, Centro Universitário, Faculdades Integradas, Faculdades, Escolas e Institutos Superiores e Centros de Educação Tecnológica) que o melhor desempenho de Licenciatura em História, Filosofia, Pedagogia e Letras é dos alunos matriculados nas Universidades.
Mesmo no interior de uma universidade bem reputada como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), verificam-se as hierarquias com maior prestígio dos cursos de
Medicina, Direito, Odontologia, Economia, Veterinária e alguns ramos da Engenharia do que os cursos de licenciaturas. De acordo com a pesquisa realizada por Braga e Peixoto (2006:70):
Cursos de baixo prestígio social, como os de licenciatura e a grande maioria dos cursos noturnos, admitem um alunado que pode ser classificado como de classe média baixa, com renda familiar média inferior a 10 SM, sendo mais de 2/3 egressos da rede pública do Ensino Médio, mais de 1/3 se declara negro e cerca da metade trabalha.
Há poucos dados disponíveis, no momento, sobre as características específicas do perfil social dos estudantes recrutados pelo curso de Letras no Brasil. De acordo, porém, com o mesmo estudo de Braga e Peixoto (2006), no caso da UFMG, esse recrutamento parece se dar tanto nas frações inferiores e superiores das classes médias, especialmente no turno diurno, quanto nas frações superiores das classes populares, especialmente no curso noturno. Consequentemente, é possível supor que o processo de formação leitora será vivenciado de modos distintos pelos graduandos, sendo que os mais familiarizados com o universo literário terão mais possibilidades de êxito, enquanto os mais distanciados desse universo buscarão formas de ajustar sua pouca ou nenhuma familiaridade às expectativas do curso.
É tendo em vista esses elementos mais gerais que nos propusemos aqui a realizar uma reflexão acerca dos fatores que influenciam as práticas de leitura literária dos estudantes de Letras. Diversas pesquisas mostram que os indivíduos menos capitalizados tendem a adquirir um “reconhecimento sem conhecimento” da cultura literária, interiorizando um sentimento de “blefe cultural” e desenvolvendo uma relação dominada, tensa e pouco autônoma com essa cultura, vista como um ideal inatingível (BATISTA, 2004 e 2007).
Pesquisas, porém, evidenciam também que outras propriedades sociais, como gênero, assim como processos e condições sociais organizados em torno das relações entre famílias e educação são determinantes seja na formação de leitores (GARBE, 1994), seja na longevidade escolar de indivíduos de meios populares (VIANA, 2009).
Há estudos em desenvolvimento que buscam extrapolar a constatação dos efeitos desiguais da formação universitária, concentrando-se na análise das estratégias que os agentes de grupos sociais desfavorecidos desenvolvem para a aquisição das diferentes espécies de capital cultural envolvidos nessa formação, de modo a agregar valor ao diploma (BATISTA, 2008, 2010).
Assim, cabe indagar: que estratégias e esforços os estudantes realizam para ajustar suas condutas aos ideais organizados em torno do campo acadêmico e literário? Que relações
estabelecem com o cânone literário e com as formas legítimas de sua recepção? Que disposições e competências desenvolvem nesse processo? Como leem os textos em suas práticas de leitura?
A reflexão realizada até aqui sobre essas experiências nos permite constatar que as práticas de leitura literária, ao exigirem do leitor certa familiaridade com um universo de significação baseado no próprio texto literário, em suas propriedades formais e em suas relações com todo um universo textual, afastam de si os leitores comuns, cujas leituras são geralmente ancoradas no próprio contexto da obra e do leitor, conforme observa Coulangeon (2005).
Portanto, a intenção de basear nosso estudo das relações dos estudantes de Letras nas suas apropriações da leitura literária, de preferência a outras práticas de leitura, fundamenta-se em nossa constatação de que há um afastamento entre as práticas de leitura dos leitores comuns e as validadas pela instituição denominada literatura.
Se a leitura, “por um lado, é prática criadora, atividade produtora de sentidos singulares, de significações de modo nenhum redutíveis às intenções dos autores de textos ou dos fazedores de livros”; por outro lado, ela postula um leitor que é sempre “pensado pelo autor, pelo comentador e pelo editor como devendo ficar sujeito a um sentido único, a uma compreensão correta, a uma leitura autorizada” (CHARTIER, 1990:123). Decorre daí uma tensão entre “a irredutível liberdade dos leitores e os condicionamentos que pretendem refreá- la”. Essa tensão torna-se mais intensa no caso dos estudantes de Letras em decorrência da função mediadora entre graduandos e leitura literária atribuída à instituição universitária.
Tendo em vista que o sucesso ou o fracasso dessa mediação dependerá do volume de capital literário incorporado dos alunos, de suas relações com a cultura que podem ou não responder às exigências objetivamente inscritas nos textos e na instituição, e que a extração social de parte importante dos graduandos em Letras permite supor que possuam um baixo capital literário, um dos interesses deste estudo consiste na apreensão das relações que esses graduandos estabelecem com a leitura legítima, reveladas por meio de testemunhos de suas leituras efetivas e de seu processo de formação.
Portanto, o papel da universidade como mediadora das leituras literárias consideradas válidas no universo acadêmico e a assimetria entre o capital literário exigido na realização de leituras especializadas e a distribuição desigual de capital cultural dos alunos em face das configurações do curso justificam nosso estudo das relações dos graduandos em Letras com a leitura, na medida em que esses fatores os submetem a uma tensão maior do que aquela que se verifica nos leitores comuns.
Além disso, a seleção de graduandos em Letras como sujeitos de nossa pesquisa, ao confrontar leitores reais com as relações de poder exercidas nos campos acadêmico e literário, pode, a nosso ver, contribuir para o avanço das discussões acerca da lutas travadas nesses campos em torno da imposição (ou da manutenção) de uma definição da literatura legítima.