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C- Ulusal Hukuk Bakımından Hükümet Dışı Kuruluşlar

1. T C Anayasası, Madde 33

Como os concursos que analisamos são todos frutos de concorrências públicas, o instrumento convocatório, o edital, tem de se submeter à luz da lei 8.666/1993, portanto, presumiu-se imperativa a obediência a ele. Se variou o objetivo específico da concorrência, variaram também as prerrogativas específicas necessárias à obtenção do objeto e que definiram a conduta que deveriam assumir concorrentes e júris.

Quanto à composição dos júris, que também variou conforme os casos, em geral, além dos representantes das instituições promotoras, participaram também do IAB, de instituições correlatas como IPHAN, ou outros profissionais de notório saber correlato ao objeto da concorrência, entre arquitetos, magistrados, professores, historiadores, museógrafos, etc.

2.2.1. Os programas dos concursos:

Os concursos Sebrae demandaram projetos “sobretudo exequíveis” em que a viabilidade técnica e financeira fosse demonstrada através da obediência às determinações legais e programáticas, da apresentação das informações determinantes da implantação, do sistema construtivo, e das instalações prediais e especiais. Essas novas sedes seriam no Distrito Federal - num novo prédio de 10.000m² - voltado principalmente para funções administrativas, e outra em Minas Gerais - num edifício de 15.900m² adicionado a outro existente - cuja demanda era maior por ambientes de treinamento e capacitação do que por espaços administrativos. Realisados em duas etapas29, os finalistas tiveram direito a uma arguição e a depositar uma maquete na escala de 1:200 na segunda fase.

Assim como nas sedes do Sebrae, o concurso da Unicamp se deu em duas fases: primeiro em Estudos Preliminares apresentados em até 04 pranchas A1; e a de Anteprojetos em que 05 finalistas reapresentaram suas propostas em até 05 pranchas A0 e tiveram direito a uma arguição pelo júri. As propostas deveriam permitir uma ampliação futura de 50% na área original da edificação didático-cultural, que deveria ter áreas de exposições acadêmicas e científicas e abrigar os tradicionais espaços de exposições permanentes e temporárias de um Museu. Os espaços deveriam ser agenciados em 05

Pablo Sousa PPGAU/UFRN setores principais: exposição e atendimento; áreas de livre acesso; áreas externas; administração; e áreas técnicas.

A nova sede do IAB/TO também requereu uma construção que se desse em duas etapas: na primeira, de térreo mais um pavimento, executando-se um estrutura que permitisse verticalizar a torre até seu 8º andar.

A demanda por propostas “sobretudo exequíveis” pautou os programas da Confederação Nacional de Municípios30 e do Conselho Regional de Administração

de Santa Catarina. Nesse segundo, o edital foi enfático em determinar que se atendessem satisfatoriamente uma série de requisitos de sustentabilidade energética para que o edifício pudesse obter o selo PROCEL “A” de eficiência energética.

No Concurso de Ideias do Plano de Ocupação e Requalificação Espacial do Complexo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul – ALERGS – previu- se a reforma e ampliação da área construída existente através do projeto de novos fluxos e instalações, incorporando um terreno então utilizado para estacionamento, e a revitalização de áreas ajardinadas que funcionavam como uma praça que integra as várias edificações do complexo. Assim, o termo de referência previa o manejo dos espaços existentes para facilitar usos e acessos, transferindo funções ou reformando as instalações existentes, e que os espaços internos deveriam ser facilmente adaptáveis conforme os usos evoluíssem.

Ainda no Rio Grande do Sul, o concurso de Estudo Preliminar da Universidade Federal do Pampa– Unipampa –, solicitou a projetação de um anexo que expandisse o Campus Santana do Livramento.

2.2.2. As diretrizes de representação:

As etapas de submissão e formatos das entradas variaram conforme os concurso. Como podemos ver no

Quadro 04, as concorrências para os Sebrae e Unicamp se deram em duas fases, e na segunda, os finalistas puderam defender suas propostas numa explanação verbal auxiliar aos registros nas pranchas. Enquanto os concursos dos Sebrae permitiram a apresentação de maquetes, nos demais, a responsabilidade da defesa foi tarefa exclusiva das representações bidimensionais do projeto.

30 Citada no cita termo de referência como uma entidade representativa e apartidária que em nível nacional

Pablo Sousa PPGAU/UFRN Quadro 04: Formatos dos concursos

Ano Concurso Fases Pranchas Formato Etapa

2008 Sede Sebrae/DF 02 06 na etapa 1 A3 etapa 1 Etapa 1: Estudos preliminares 08 na etapa 2 A0 etapa 2 Etapa 2: Anteprojeto* 2008 Sede Sebrae/MG 02 10 na etapa 1 A3 etapa 1 Etapa 1: Estudos preliminares 10 na etapa 1 A1 etapa 2 Etapa 2: Anteprojeto* 2009 Assembleia Legislativa RS 01 08 A1 Estudos preliminares

2009 Museu Exploratório de Ciências da Unicamp 02 04 na etapa 1 A1 etapa 1 Não especificada 05 na etapa 2 A0 etapa 2 Anteprojeto 2010 Sede Comissão Nacional de Municípios em Brasília 01 06 A3 Estudo preliminar 2010 Sede do Conselho Regional de Administração SC 01 06 A1 Anteprojeto 2011 Sede do IAB do Tocantins 01 06 A2 Estudo preliminar 2011 Campus Santana do Livramento UNIPAMPA/RS 01 06 A1 Estudo preliminar *Obrigatoriedade de apresentar maquete física

Fonte: elaborado pelo autor com base na pesquisa.

Como mostrou o Quadro 04 embora os editais tenham solicitado anteprojetos ou estudos preliminares, o número e formato das pranchas variou bastante de caso a caso, – de quatro a dez pranchas e de A3 a A0 – e só isso já permitiu antever que as propostas que comparamos teriam os mais distintos formatos com relação ao nível de detalhamento, em parte diretamente imposto pela disponibilidade de espaço para a apresentação. Certamente, é possível presumir que um projeto como o do Sebrae/DF exposto em 08 pranchas de A031 será mais detalhado que outro exposto em 06 pranchas em A332, como o da Sede da Confederação Nacional de Municípios.

As determinações dos editais ao modo como os concorrentes deveriam submeter a representação de suas propostas variou conforme o caso: por vezes chegou ao detalhe de especificar quais peças gráficas deveriam ser submetidas em cada prancha, noutras, as especificações foram mais generalistas, como quando cobraram que memoriais descritivos fizessem parte das propostas – o que, inclusive, foi ponto comum em todos os casos. Comparamos os projetos considerando algumas semelhanças:

1) Como as da demanda: dos Sebrae/MG e DF, caracterizada pelo programa e pelas regras dos editais.

31 Sebrae/DF, 2008, maior quantidade de espaço em prancha dentre os casos 32 Sede CNM/DF, 2010, menor quantidade de espaço em prancha dentre os casos.

Pablo Sousa PPGAU/UFRN 2) Das respostas dos vencedores: como nos projetos CNM/DF e IAB/TO em que venceram projetos que deram preferência a representações de execução.

3) Pela versatilidade do emprego de peças gráficas específicas: como a das perspectivas que foram empregadas para responder a diferentes discursos, como ilustramos na análise dos projetos Unicamp e Unipampa.

Foram analisados em separado o projeto CRA/SC pela singular quantidade de áreas vazias, e o projeto ALERGS, pelo modo como se articularam representações gráficas e escritas.

Mesmo que tenham citado que os concorrentes teriam plena liberdade de proposta, os editais dos Sebrae podem ser citados como exemplos mais rígidos, que cuidaram em especificar as justas representações que deveria ser apresentadas prancha por prancha.

Maquetes foram requisitadas somente nos concursos para os Sebrae/DF e MG, nos demais, os editais determinaram que as representações fossem estritamente bidimensionais e estáticas, imagens e textos, impondo-se a desclassificação a quem apresentasse mais que isso. São esses exemplos que configuraram um cenário em que, por mais arrojadas que sejam as novas formas de representação, nos concursos só houve espaço para mídias 2D: estáticas além de planas.

Entre os menos rígidos, o edital da Unicamp determinou que a prancha 01 contivesse, necessariamente, uma síntese com os elementos essenciais e intenções fundamentais da proposta, enquanto as demais pranchas e representações ficaram a critério dos finalistas, com ampla liberdade para escolha das peças gráficas, escalas e técnicas de desenho. Já o edital do CRA/SC determinou unicamente que os concorrentes expusessem suas propostas em 06 pranchas de formato A1. E ainda, o do IAB/TO, também fez poucas diretrizes à representação, definindo basicamente que as pranchas fossem entregues em formato A2, em duas vias: uma física impressa e outra digital, ambas de igual teor.

Por sua vez, as diretrizes de apresentação do edital da CNM/DF distinguem- se entre os demais casos pela imposição de que as pranchas fossem depositadas exclusivamente em via digital no website do evento, excluindo a obrigatoriedade de envio

Pablo Sousa PPGAU/UFRN de pranchas impressas; e por ser o caso de menor área para apresentação: de apenas 06 pranchas de A3.

Os concursos do Rio Grande do Sul, o da Unipampa e o da ALERGS, solicitaram que o conjunto das pranchas formasse um painel único para facilitar a apreciação do júri. Enquanto o vencedor do primeiro ignorou essa diretriz de disposição, o da ALERGS, como analisado adiante, tirou partido disso para formar um conjunto tríptico em que a área de representação das pranchas foi maximizada uma com a das outras.

A seguir apresentamos, em pormenores, as respostas dos vencedores dos oito concursos.

Pablo Sousa PPGAU/UFRN