A intervenção compreendeu a fase de linha de base (pré-teste), capacitação, follow-up (acompanhamento ou pós-teste), e teve duração de sete meses – período de 11.01.2011 a 29.07.2011, em um total de 25 encontros, com aproximadamente 100 horas, conforme mostra o quadro abaixo:
Quadro 07 - Estrutura do programa de intervenção
Fase Número de encontros Duração (total)
Linha de base 8 4 horas cada (32 horas)
Capacitação 11 + 2 (apoio social) 4 horas cada (52 horas) Follow-up
(acompanhamento + medição final)
4 4 horas cada (16 horas)
Total 25 encontros 100 horas
Fonte: Elaborado pela autora.
Vale ressaltar que o programa de capacitação iniciou com atraso12 (em 24.03.11) por motivo de doença da criança. Durante o transcorrer da intervenção, o cronograma sofreu algumas alterações a fim de adequar-se aos imprevistos.
a) Linha de base:
Essa etapa foi realizada em oito visitas à residência da família, com duração de quatro horas cada. Congregou as ações de coleta de dados que antecederam a capacitação, descritas a seguir:
1) Consentimentos e questionários: Inicialmente, foi apresentado o projeto e o aceite do Comitê de Ética aos pais de Júlio. Em seguida, foram coletadas assinaturas dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido e autorização das filmagens. A pesquisadora, acompanhada pela mãe, realizou uma visita à creche que a criança frequentava no horário da manhã. As professoras e coordenadora da escola foram incentivadas a participar da capacitação para aplicarem as estratégias também na creche, mas recusaram.
2) Avaliação inicial: Foi solicitado à mãe responder ao questionário M-CHAT (LOSAPIO, 2008), um questionário com informações sobre a família e a criança, elaborado pela pesquisadora, para coletar informações sobre o desenvolvimento da criança.
3) Observação: Observou-se a dinâmica familiar, incluindo as preferências (objetos, alimentos, atividades) da criança e das cuidadoras, os jogos e atividades de rotinas especificamente realizadas, bem como os horários (de alimentação, trabalho etc.) da família. Percebeu-se que a rotina da criança consistia em ir à creche no horário da manhã e, já retornando “almoçado e sonolento”, tirar o cochilo da tarde até às 15h. Desse modo, organizou-se o cronograma, para trabalhar com as cuidadoras os aspectos teóricos e conceituais no tempo que a criança estivesse dormindo, e ao acordar, filmar as interações das díades.
12 Tendo em vista o fato de a criança está com sono e o humor estabilizado, a mãe reduziu a
dosagem da medicação NEOZINE, provocando efeito rebote, desestabilizando-a novamente, que passou a apresentar insônia e exacerbada irritação (mordendo, beliscando, batendo a cabeça, pulando no trampolim).
4) Avaliação da criança: As cuidadoras foram videogravadas separadamente, interagindo com a criança nos diversos ambientes da casa, no decorrer de distintas atividades. As filmagens tinham duração de 5 minutos. Nesse período, foi observada preferência por atividades de jogos sociais (cócegas, brincar com massinha, almofadas, ou outra do interesse da criança) tanto das cuidadoras, quanto da criança. Seguindo orientação do Comitê de Ética em Pesquisa de não expor a família a situações constrangedoras, quando a criança chorava ou se irritava (mordia/beliscava), suspendia-se a filmagem, até “os ânimos se acalmarem”, de modo que as cuidadoras conseguissem reengajar a criança nas atividades ou ela mesma iniciasse a interação. Nessa fase também foi aplicada a escala CARS (PEREIRA, 2008).
5) Filmagens: Com o objetivo de garantir que houvesse intervenções (com as estratégias que seriam avaliadas) de, no mínimo, 12 horas semanais, solicitou-se que as cuidadoras filmassem diariamente, pelo menos uma hora de interações de cada díade (mãe-criança e babá-criança), em cenas de cinco minutos de cada evento, nas diversas rotinas. As atividades realizadas no período dessas duas horas foram denominadas de atividades planejadas, por serem preparadas antecipadamente (por exemplo, refletir sobre as brincadeiras e músicas, selecionar quais atividades e brinquedos/objetos iriam reutilizar). As cuidadoras foram orientadas a realizar as filmagens ao longo do dia, em pequenos intervalos. A fim de possibilitar maior consistência aos dados, apenas as seguintes atividades foram analisadas:
a) Atividades de cuidados: alimentação e banho;
b) Atividades de Jogos - brincadeiras que tivessem contato corporal (ex. dedo mindinho, cócegas/); rabiscar/desenhar; encaixes e/ou figuras com letras e números; computador (programas/slides com sons e imagens), e vídeos (televisão).
No projeto do estudo, a modalidade de cuidados (alimentação e banho) não estava incluída como cenário de intervenção. Durante a fase de linha de base, no entanto, percebeu-se que o ambiente estruturado das refeições (a criança sentada na cadeira de refeição ficava frente à frente com a cuidadora) poderia favorecer à interação, assim como seu comportamento durante as refeições. Desse modo, foram incluídas, também, como atividades que seriam submetidas à intervenção.
Tendo em vista a grande quantidade de vídeos, adotou-se alguns critérios para seleção das filmagens a serem pontuadas: (a) vídeos com 5 minutos de interação; (b) com boa qualidade de imagens, tais como: sem tremor, focalização das díades contemplando as expressões faciais, movimentos corporais e som audível; e (c) 40% dos vídeos pontuados seriam as filmagens realizadas pela pesquisadora nos encontros de capacitação, e 60% das filmagens realizadas pelas díades no decorrer da semana. No entanto, na fase de linha de base as filmagens realizadas pela cuidadoras ainda não tinham uma boa qualidade de imagens. Por isso, nessa fase, foram selecionadas apenas 25% das filmagens realizadas pelas cuidadoras (dois vídeos de cada variável) e 75% (seis vídeos de cada variável), das filmagens realizadas pela pesquisadora. Nas fases de capacitação e follow-up, atendeu-se o planejado de 40% / 60% (cuidadoras / pesquisadora).
b) Capacitação:
A capacitação, realizada na residência de Júlio, aconteceu em treze encontros, divididos em dois momentos, apenas com as cuidadoras (enquanto a criança dormia) e filmagens das interações das díades. No primeiro momento, discutiam-se conceitos sobre as características da criança e do TEA, em apresentações preparadas em Power Point. Instalava-se o notebook na televisão da sala e os temas/conteúdos eram discutidos. Apresentavam-se os vídeos como exemplos das estratégias, previamente selecionados. Os vídeos das discussões tanto podiam ser filmados pela pesquisadora, quanto filmagens realizadas pelas cuidadoras, no decorrer da semana. A cada encontro, a pesquisadora levava cartazes com os tópicos das estratégias descritos. A mãe, orientada pela pesquisadora, colava os cartazes na parede do quarto, da cozinha e da sala, onde a criança brincava a maior parte do tempo. Outros cartazes com rotinas também eram desenvolvidos por iniciativa da mãe. As Figuras 1 e 2, abaixo, mostram exemplos de cartazes pregados no quarto e na cozinha, respectivamente.
Figura 01- Cartazes preg
Fonte: Elaborado pela autora
Também foram p álbuns de família em Po fotografias da criança, comunicação da criança O segundo mom ocorriam as filmagens d pesquisadora não interag c) Follow-up13
Após término da família (follow-up) pelo p avaliar (medição final ou cuidadoras, nas iniciati cuidadoras. Nas visitas d interagirem com a crianç filmou as sessões, se feedback para as cuidad quatro visitas domiciliar questionário Verificação pela cuidadora primária ( 13 Essa fase também pode se
gados no quarto Figura 02 - Cartazes p da cozinha
a . Fonte: Elaborado pela a
produzidos pela mãe, sob orientação Power Point, e cartões com figuras de aç
a, para auxiliar no processo de de a durante as atividades rotineiras.
mento iniciava quando Júlio acordava das interações das cuidadoras. Deve-s agia diretamente com a criança nesses mo
a capacitação, a pesquisadora afastou-s período de quatro semanas, retornando ou pós-teste) a manutenção do uso das tivas e respostas da criança e na re de medição final, a pesquisadora pediu a nça nas rotinas treinadas e não treinada sem oferecer nenhuma orientação, mo adoras a respeito do uso das estratégias. iares, coletados os vídeos realizados pe
o de Aprendizado das Cudiadoras (Apênd (mãe).
er denominada de Acompanhamento ou Medição
s pregados na geladeira
autora .
o da pesquisadora, ações, objetos, e/ou esenvolvimento da va. Nesse período, se registrar que a momentos. se do convívio da do em seguida para as estratégias pelas responsividade das as cuidadoras para as. A pesquisadora odelo ou fornecer . Foram realizadas pelas cuidadoras e ndice A), respondido