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As tecnologias da informação, computação e telecomunicações acentuam o desenvolvimento científico e favorecem as práticas de mensuração da informação e seu fluxo:

Podemos considerar a la ciencia como un sistema de producción de información, en particular información em la forma de publicaciones, considerando publicación a cualquier “información registrada en formatos

permanentes y disponibles para el uso común”. Desde este punto de vista entonces, la ciência puede verse como una empresa com insumos y resultados. La medición de esas dos categorías – insumos y resultados – son la base de lós indicadores científicos. (SPINAK, 1998, p. 141).

Tague-Sutcliffe (1992, p. 1) define bibliometria como o “estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada. Ela desenvolve padrões e modelos matemáticos para medir esses processos, e usa seus resultados para previsões e tomadas de decisão”. Para ele, a cientometria “é o estudo dos aspectos quantitativos da ciência como uma disciplina ou atividade econômica. É um segmento da sociologia da ciência, sendo aplicada no desenvolvimento de políticas científicas.”

As atividades relacionadas às métricas, compilação, interpretação e disponibilização dos aspectos quantitativos da produção científica e tecnológica estão diretamente ligadas às fontes secundárias da informação. Destas podem ser citadas as bases de dados Web of Science, SCOPUS e Scientific Eletronic Library Online (SciELO), que apresentam recursos para tratamento de dados e disponibilização de indicadores bibliométricos da informação técnico-científica internacional e nacional. Marcondes e Sayão (2002, p. 47) corroboram com essa ideia:

A produção da ciência e a comunicação dos resultados de pesquisa na nossa sociedade se dão de forma dispersa, segundo dois eixos: dispersa

espacialmente pesquisadores em diversos locais geográficos produzem e

comunicam seus resultados de pesquisa por mecanismos de comunicação científica diferentes; dispersa temporalmente – pesquisadores produzem e comunicam seus resultados em momentos diversos. Neste contexto, os sistemas de informação desempenham um papel fundamental na economia da informação-conhecimento, agregando valor ao servirem como pontos focais, que concentram a informação científica, produzida, por natureza, de forma dispersa.

Com relação às métricas da informação relacionadas ao saber científico registrado e a evolução dos termos utilizados para designar as práticas de mensuração, Machias-Chapula (1998, p. 135) apresenta o seguinte panorama demonstrativo de termos e conceitos (TABELA 1), baseado em W. McGrath (1989):

Tabela 1 – Tipologia para definição e classificação da bibliometria, cienciometria e informetria

Fonte: McGrath33 (1989 apud MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 135).

Sabidamente os indicadores bibliométricos devem ser vistos à luz da relatividade e acompanhados, conforme argumenta Strehl (2005, p. 26), da:

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MCGRATH, W. What bibliometricians, scientometricians and informetricians study; a typology for definition and classification; topics for discussion. In: INTERNATIONAL CONFERENCE ON BIBLIOMETRICS, SCIENTOMETRICS AND INFORMETRICS, 1989, Ontario. Second Conference... Ontario: The University of Western Ontario, 1989.

[...] consciência sobre a capacidade limitada de apreensão da realidade desse tipo de instrumento de avaliação [...] devido à existência de outros fatores associados [...]. Caso contrário, as possibilidades de estabelecimento de condições injustas de avaliação ampliam-se e tornam- se obstáculo para o avanço científico nacional.

Assim, as bases de dados são importantes fontes de informação não só para os usuários finais nas pesquisas científicas, mas também como mecanismos de apoio às políticas científicas nas atividades de ranqueamento de instituições, países, universidades e pesquisadores. Para a construção dos indicadores dessa natureza, a coleta de dados, muitas vezes, não é feita nas próprias instituições analisadas e sim, por meio da coleta de dados e informações em bases de dados que efetuam análises bibliométricas.

Seguem algumas bases de dados presentes no Portal de Periódicos da CAPES, que cumprem tanto a função da pesquisa científica, quanto a de disponibilização de análises bibliométricas:

1) Base de Dados Web of Science

Base multidisciplinar que indexa somente os periódicos mais citados em suas respectivas áreas. É também um índice de citações, informando, para cada artigo, os documentos por ele citados e os documentos que o citaram. Possui hoje mais de 12.000 periódicos indexados. Composta por: Science Citation

Index, Social Science Citation Index e Arts and Humanities Citation Index. A Web of Science traz também um índice de citações na web, onde além de

identificar as citações recebidas, referências utilizadas e registros relacionados, pode-se analisar a produção científica com cálculo de índices bibliométricos e o percentual de autocitações, assim como a criação de

rankings por inúmeros parâmetros.

2) Science Citation Índex

Produzido pelo Institute Scientific Information (ISI) utiliza os recursos da bibliometria e cientometria para criar e atribuir indicadores de qualidade aos periódicos indexados: fator de impacto (FI) de periódicos.

Lançada no ano de 2004 pela editora Elsevier Plublishing é uma base de dados bibliográficos multidisciplinar de resumos e de citações da literatura científica e de fontes de informação de nível acadêmico na Internet. Indexa mais de 15 mil periódicos, 18 milhões de patentes, além de outros documentos. Cobre as áreas de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Físicas, Ciências Sociais.

4) Scientific Eletronic Library Online

Resultado de um projeto de pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), a Organização Panamericana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde. Além do Brasil essas iniciativas, de livre acesso ao texto completo dos periódicos, foram estendidas, posteriormente, para outros países da América Latina como Chile, México, Cuba e Venezuela.

Disponibiliza os seguintes recursos de análise: relatórios de utilização do site

– acessos às revistas, acessos aos fascículos, acessos aos artigos; relatório

de coautoria – revela o grau de cooperação entre autores de diferentes países

em uma determinada revista ou área do conhecimento; relatório de citações de revistas – dados fonte, FI em um período de dois anos, FI em um período

de três anos, vida média, citações recebidas, citações concedidas (GOLDENBERG; CASTRO; AZEVEDO, 2007). De acordo com a FAPESP a SciELO Brasil continua na liderança entre os maiores portais de informação científica em acesso aberto e gratuito no mundo. A confirmação foi feita pelo novo Ranking Web of World Repositories, conhecido como Webometrics, que mede a visibilidade de repositórios de informação científica nos principais mecanismos de busca da internet.

5) Produtividade de periódicos

O FI originalmente desenvolvido pelos fundadores do ISI, Ingrid Sher e Eugene Garfield em 1955, é um conceito extremamente relevante na análise de citações. Formulado por Garfield para constar das análises realizadas pelo ISI, esse conceito consiste em dividir “o número total de citações dos artigos

publicados nos dois anos anteriores, pelo número total dos artigos presentes no periódico no mesmo período”.

O Journal Citation Reports (JCR) do ISI disponibiliza anualmente três indicadores por título de periódico: índice de citação imediata (Immediacy

Index), meia-vida das citações (Cited Half-Life) e FI (Impact Factor). Esses

indicadores são calculados nas bases de dados Science Citation Index (SCI) e o Social Science Citation Index (SCCI) e publicados no JCR.

6) Produtividade de autores

O Índice H – reflete o impacto da produção científica individual, ou institucional. A “[...] bibliometria, ao longo de sua evolução, contudo, acabou se apropriando do conceito para a análise de autores, correlacionando índices absolutos de citação à quantidade de trabalhos citados” (ARAÚJO, 2006, p. 19). Assim, o Índice H, criado por Jorge Hirsch em 2005, é calculado pelo maior número de artigos de um determinado autor ou instituição que tem pelo menos o mesmo número de citações e é igual ao número de artigos com citações maiores ou iguais a esse número (ARAÚJO, 2006, p. 46).

7) QUALIS34

Conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Tal processo foi concebido para atender as necessidades específicas do sistema de avaliação e é baseado nas informações fornecidas por meio do aplicativo Coleta de Dados. Como resultado, disponibiliza uma lista com a classificação dos veículos utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção. A classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade – A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C – com peso zero.

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Benzer Belgeler