Nesta seção, busca-se identificar e apresentar algumas variáveis ambientais que podem afetar a eficiência municipal na geração de bem-estar social, destacando- se, entre elas, as variáveis relacionadas à previdência social.
De acordo com Rayp e Van de Sijpe (2007), a eficiência na administração pública é determinada principalmente pelas variáveis estruturais ou econômico- financeiras e pelas variáveis sociais, como escolaridade da população. Segundo os referidos autores, uma elevada taxa de analfabetismo pode contribuir para a redução dos níveis de eficiência. Outro fator apontado como indutor do aumento da eficiência do setor público é o grau de urbanização, que facilitaria a prestação de serviços de forma eficiente. Além disso, a proximidade da população com a gestão pública poderia contribuir para uma boa governança, favorável à alta eficiência. Assim, pela proximidade da gestão pública municipal com a população, pode-se esperar uma redução na ineficiência.
Afonso, Schuknecht e Tanzi (2006) e Ribeiro (2008), analisando os fatores determinantes da eficiência no setor público por meio da análise comparativa de países, destacam, entre as variáveis ambientais que podem afetar o nível de eficiência do setor público, os seguintes indicadores: Produto Interno Bruto (PIB) per capita; direitos de propriedade (indicador do grau de dificuldade do governo em extrair renda do setor privado); competência dos funcionários públicos (indicador de produtividade do setor público); tamanho da população (quanto maior, maior o desafio das políticas públicas); e anos médios de escolaridade (indicador do nível educacional da população).
No âmbito da literatura brasileira, Lubambo (2006) argumenta que alguns estudos sobre o que determina o sucesso de um governo local sinalizam na direção de fatores estruturais. Diante da pressuposição de que as variáveis estruturais afetam a eficiência municipal, predomina a noção de que, nos municípios menos desenvolvidos, onde a receita per capita é reduzida, predominaria um baixo desempenho dos governos. Nesse sentido, a eficiência municipal seria positivamente
afetada pela variável “base econômica”, na medida em que essa base define o
volume de riqueza a ser taxada e, portanto, a base fiscal do nível de governo em questão. Neste artigo, para verificar os efeitos de fatores estruturais sobre o desempenho municipal na geração de bem-estar, foram utilizados os seguintes indicadores: (i) o PIB municipal per capita, (ii) a participação do PIB
agropecuária no PIB municipal total e (iii) Índice de Desenvolvimento Tributário e Econômico (IDTE).
Além dos indicadores econômicos financeiros, outros fatores que podem afetar a eficiência municipal estão associados diretamente ao nível e à natureza das demandas sociais apresentadas pela população. Dessa forma, a análise dos atributos da população municipal torna-se uma variável importante a ser considerada, dado que quanto maior a população, maior o desafio para as políticas públicas e quanto maior o grau de urbanização, maior a facilidade na prestação dos serviços públicos. Ademais, conforme apresentado por Rayp e Van de Sijpe (2007), quanto menor a população, maior a proximidade com a administração pública e maior a governança. Então, para avaliar os efeitos dos fatores associados à população sobre a eficiência municipal na geração de bem-estar social, foram utilizadas as seguintes variáveis: (i)
população, (ii) taxa de urbanização e (iii) razão de dependência demográfica41. Entre outros fatores importantes para a determinação dos níveis de eficiência municipal na geração de bem-estar social, destacam-se os sociais. Para analisar os efeitos dos fatores sociais sobre a eficiência municipal, foram utilizados os indicadores: (i) escolaridade (Taxa de analfabetismo) e (ii) de renda familiar
(Renda familiar per capita)42.
41 A razão de dependência demográfica parte do pressuposto de que as populações jovem, 0 a 14 anos,
e idosa, 65 anos e mais, podem ser consideradas dependentes da população em idade ativa, 15 a 64 anos.
42 Como as variáveis taxa de analfabetismo e renda familiar per capita são informações provenientes
Além dos fatores acima mencionados, outro que pode afetar significativamente a eficiência municipal na geração de bem-estar social está associado aos pagamentos de benefícios da previdência social. Isso porque o volume de benefícios oriundos da previdência social, em geral, supera a principal fonte de arrecadação da grande maioria dos municípios brasileiros, o FPM. Ademais, conforme apresentado por Ferreira e Souza (2008) e Reis, Silveira e Braga (2010), os benefícios da previdência social representam a base de sustentação da economia de um grande número de municípios de baixa renda, que, em geral, são municípios de menor porte.
A fim de investigar os efeitos da previdência social sobre a eficiência municipal na geração de bem-estar, utilizou-se a variáveil valor per capita dos benefícios da previdência social recebidos nos município.
O Quadro 2 resume todas as variáveis discutidas anteriormente e apresenta a relação esperada dessas variáveis com a variável dependente (Escore de eficiência Municipal).
Variáveis ambientais Sinal Esperado
PIB municipal per capita +
Participação do PIB agropecuária no PIB municipal -
Índice de Desenvolvimento Tributário e Econômico (IDTE) +
População (número de habitantes) -
Taxa de urbanização (%) +
Razão de dependência demográfica (%) -
Escolaridade (Taxa de analfabetismo) +
Renda familiar per capita +
Valor per capita dos benefícios da previdência pagos nos municípios +
Fonte: Elaborado pelo autor.
Quadro 2 – Descrição das variáveis ambientais utilizadas no modelo 4 Resultados e Discussão
Os resultados estão analisados em três seções. Na seção 4.1, são apresentados alguns dados sobre a participação da previdência social na economia dos municípios de Minas Gerais. Na seção 4.2, discute-se a análise da eficiência na geração de bem-
para os anos 2000 e 2010. Nesse sentido, os valores para o período de 2004 a 2010 foram obtidos por meio do cálculo de uma taxa média geométrica de crescimento anual (TMCA) entre os anos 2000 e 2010. Por se tratar de variáveis que não apresentam grandes variações em curtos períodos de tempo, acredita-se que o uso da TMCA seja uma opção aceitável.
estar social entre os municípios pesquisados. Finalmente, na seção 4.3, são investigados os efeitos dos fatores determinantes da eficiência municipal, com destaque para a verificação dos efeitos dos benefícios emitidos pela previdência social, objeto deste estudo.