3. TEORĠK VE AMPĠRĠK LĠTERATÜR
3.2 Ampirik Literatür
De acordo com nosso planejamento inicial, a coleta de dados deveria ter início em maio ou junho de 2014, quando seriam distribuídos os questionários nas escolas, de modo que a análise dos dados começaria a ser feita no segundo semestre de 2014. No final do segundo semestre, já seriam realizados os grupos focais, visando aprofundar os dados levantados a partir dos questionários.
Entretanto, devido ao atraso na aprovação pelo Comitê de Ética, essa data acabou sendo prorrogada, tornando-se um desafio reorganizar o tempo a fim de garantir que todas as escolas fossem convidadas a participar da pesquisa por meio dos questionários; e, posteriormente, tornou-se difícil encontrar condições adequadas e professores que tivessem disponibilidade para fazer parte dos grupos focais.
Recebemos a aprovação Comitê de Ética (Processo nº. 767.870) em 27 de agosto de 2014, depois de entrarmos em contato com a coordenadora responsável pelo Comitê no Instituto de Biociências da UNESP - Rio Claro, e termos informarmos nossa preocupação com o grande atraso.
Assim, encaminhamos a documentação à Secretaria Municipal de Educação de Rio Claro (SME), solicitando autorização para convidarmos as escolas municipais a participarem de nossa pesquisa. Em 16 de setembro de 2014, recebemos autorização da SME, o que possibilitou o início de nossas visitas.
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Dessa forma, o material foi organizado para a coleta de dados, sendo que essa teve início na primeira semana de outubro de 2014.
Outra importante decisão a ser tomada nesse período foi com relação ao tipo de
material a ser entregue aos professores. Usaríamos questionários impressos para serem
respondidos à mão ou enviaríamos por e-mail um link que levaria ao questionário a ser
respondido virtualmente?
Certamente seria melhor para a análise de dados que os questionários fossem respondidos pelo computador, pois já teríamos os dados digitalizados, compatíveis às nossas necessidades de organização e análise. Contudo, vivenciamos uma experiência anterior que nos mostrou a preferência dos professores pelos questionários impressos.
Em minha última pesquisa de iniciação científica que também constituiu meu trabalho de conclusão de curso (ARNOSTI, 2012), ofereci essas duas opções nas 10 escolas participantes: preparei os questionários em um programa de computador próprio para isso, de modo que os professores poderiam ter acesso a ele a partir de um link que lhes seria enviado. Ao mesmo tempo, levei como opção a versão impressa. Nenhuma escola ou sujeito optou pela versão online. E, por meio da versão impressa, obtivemos um bom retorno: 72 questionários foram distribuídos e 55 foram devolvidos devidamente preenchidos (retorno de aproximadamente 76,39%).
Entretanto, considerando que na pesquisa de Mestrado teríamos um volume de dados muito maior, nossa ideia original era priorizar a versão online. Iríamos divulgar o link de acesso e convidar os professores a participar para, posteriormente, conferir se tivemos um bom retorno. Se necessário, poderíamos assumir um segundo plano redistribuindo os questionários em versões impressas, a fim de obter maior retorno.
Mas o atraso em nossos prazos nos fez optar pela versão impressa: pautados por nossa experiência anterior, consideramos que teríamos maior aceitação e melhores condições de retorno dos dados. O questionário impresso estaria em mãos, podendo ser respondido a
qualquer momento, não dependeria da disponibilidade do professor ligar o computador,
lembrar-se de nossa pesquisa e acessar o link que lhe fora enviado. Ficamos preocupados em optar pela versão online, obter um retorno muito baixo e não termos tempo para novamente entrar em contato com as escolas e professores, redistribuindo o material. Escolhemos o que nos pareceu mais seguro e garantido em termos de adesão dos participantes.
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Estávamos conscientes que essa escolha nos faria dispor de um longo tempo para a transcrição desses dados, pois seria inviável trabalhar com sua organização e sistematização utilizando somente os questionários impressos.
Com isso, preparamos as cópias dos materiais a serem distribuídos nas escolas e dei início ao processo de coleta. Consultei o site da SME para obter os endereços e telefones de todas as escolas municipais, além de informar-me quanto às séries que essas atendiam. Visitei 52 escolas2, sendo que eu sempre solicitava a presença da coordenação, da vice direção ou da
direção, explicando brevemente a proposta da minha pesquisa e em que consistia o questionário a ser respondido pelos professores que aceitassem participar.
As únicas duas escolas nas quais não estive presente foram alcançadas por meio da gestão, já que eu mantinha contato constante com uma gestora de cada uma delas. Expliquei as principais ideias e objetivos que englobavam a pesquisa a tais gestoras e perguntei se elas poderiam abrir-me um espaço nas escolas em que trabalhavam. Ambas preferiram receber os questionários, de modo que elas mesmas conversariam com os professores e entregariam o material.
Assim, realizei 140 visitas nas escolas, sendo que em algumas duas visitas eram suficientes – uma para explicar a proposta, fazer o convite e deixar os questionários; outra para recolher os questionários e agradecer. Contudo, em outras escolas houve mais visitas, pois às vezes a gestão/coordenação não estavam disponíveis para me atender; às vezes era necessário mais que uma conversa com a equipe gestora; em outras escolas a equipe gestora pedia um tempo para conversar com os professores e verificar quantos aceitariam participar; em outras preferiram que eu mesma falasse com os docentes, escolhendo o melhor momento para isso.
Como se nota, houve diferentes reações por parte das escolas, sendo que procurei atendê-las da melhor maneira possível, buscando realizar todo o processo de acordo com o que elas preferissem.
Em algumas a pessoa que me atendia, seja coordenador(a), vice-diretor(a) ou diretor(a) já pedia para que eu deixasse determinada quantidade de questionários, pois eles mesmos entregariam para os docentes e explicariam a minha proposta.
Algumas escolas não quiseram receber a quantidade de questionários correspondente à quantidade de docentes que nela lecionava, pediam menos questionários e diziam que se
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mais algum desejasse participar, entrariam em contato para que eu fornecesse mais formulários.
Algumas coordenadoras preferiram conversar com o(a) diretor(a) antes de assumirem um posicionamento e pediam para eu retornar em outro dia ou entrar em contato por telefone.
Houve aquelas que pediram para eu ir até o Horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC) para explicar minha proposta aos professores e deixar as cópias com eles. Enquanto outras me deram maior abertura no HTPC, pude falar sobre o projeto de pesquisa e os professores puderam responder às questões no mesmo momento, sendo que saí da escola com os questionários preenchidos.
Outras preferiram que eu falasse com os professores no horário de café, na saída ou Horário de trabalho pedagógico individual (HTPI), pois nesse as crianças estão com outros professores – de Educação Física, Artes, projetos diversos – enquanto o professor polivalente tem disponibilidade para estudar, planejar aulas e realizar outras funções necessárias ao seu trabalho.
Apenas uma escola não aceitou participar da pesquisa, não permitiu que eu apresentasse a proposta aos seus professores. Apenas uma delas não contava com professores, pois atendia somente a salas de berçário.
Nesse sentido, apesar da rede pública municipal possuir 54 escolas, apenas em 52 foram entregues os questionários. Em dezembro de 2014 havia 1114 professores lecionando nas escolas dessa rede (segundo informações oriundas da própria SME), de modo que foi possível distribuir 770 questionários entre os meses de outubro e dezembro. 278 questionários foram recolhidos, mas seis foram invalidados porque os respondentes não assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Assim, aproximadamente 70% dos professores da rede tiveram acesso ao questionário, enquanto obtivemos um retorno de 35,32% com relação aos que receberam o material. De modo que os 272 respondentes representam 24,42% do total de professores que lecionavam na rede em 2014.
Dessa forma, esta pesquisa analisa os dados contidos em 272 questionários, que foram considerados válidos. 270 foram preenchidos por professores que estavam atuando em sala de aula, enquanto dois foram respondidos por uma diretora e uma coordenadora. Apesar do convite ter sido feito aos professores que atuavam em sala de aula, essas profissionais também manifestaram o desejo em participar.
Dentre as 52 escolas que receberam questionários, cinco não os devolveram, mas algumas delas se justificaram dizendo que seus professores já haviam respondido em outra
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escola na qual lecionam no período oposto. Isso porque evidenciei, durante a conversa inicial, que os questionários não deveriam ser respondidos duas vezes pela mesma pessoa, que se o professor já tivesse respondido em alguma outra escola, ele não deveria responder novamente.
Essa questão pôde ser conferida por meio dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, pois esses traziam o nome completo e o número do documento de identidade dos sujeitos (RG), o que nos permitiu verificar que não houve duplicação de dados, isto é, não houve dois ou mais questionários respondidos pelo mesmo professor.
Com relação aos prazos da pesquisa, pode-se observar no Quadro 01 que os últimos questionários foram recolhidos em 30 de dezembro, algo que prorrogou o processo de transcrição e análise dos dados para o início deste ano (2015).
No mês de janeiro foi realizada a transcrição dos 272 questionários válidos recebidos, sendo que, como previsto, esse processo foi bastante moroso, assim como o processo de organização e sistematização dos dados, devido ao volume de informações e à ausência de um software adequado para nos auxiliar nessa empreitada. Dificuldades essas que serão melhor discutidas no tópico 2.4. Forma de análise dos resultados.
No quadro abaixo consta que 47 escolas devolveram pelo menos um questionário respondido. Mas não é possível afirmar que nas outras não houve respondentes, já que muitos professores lecionam em dois períodos e podem atuar nas instituições em que, aparentemente, não houve nenhum representante.
O Quadro 01 sintetiza as diferentes informações que foram acima apresentadas:
Escolas Municipais
(E.M.): Como foi o processo? VE QE DR QR
01 Escola C01 Só há salas de berçário. Não há professores lecionando. 1 ---- --- 0 02 Escola FI01 Não aceitou que os professores fossem convidados a participar. 2 ---- --- 0
03 Escola F01
Questionários foram entregues diretamente à gestão, que repassaria para todos os professor. 2 36 11/12 21 04 Escola F02 2 25 04/12 14 05 Escola F03 2 31 11/12 08 06 Escola F04 3 16 04/12 05 07 Escola F05 3 30 16/12 03 08 Escola FI02 0 15 10/12 06 09 Escola I01 3 14 16/12 08 10 Escola I02 2 25 11/12 11 11 Escola I03 3 25 18/12 05 12 Escola I04 2 30 11/12 03 13 Escola I05 2 17 04/12 05 14 Escola I06 4 23 --- 0 15 Escola I07 2 31 10/12 27 16 Escola I08 2 02 19/12 01 17 Escola C02 2 2 --- 0
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18 Escola C03 2 09 --- 0
19 Escola C04 1 2 17/12 02
20 Escola C05 2 03 26/11 02
21 Escola F06 Questionários foram entregues diretamente à gestão, que repassaria para os professores interessados. 4 06 15/12 04 22 Escola F07 4 4 11/12 01 23 Escola FI03 0 12 17/12 07 24 Escola FI04 3 12 07 25 Escola F08
Questionários foram entregues diretamente à coordenação, que repassaria para todos os professores. 3 20 11/12 07 26 Escola F09 2 25 --- 0 27 Escola F10 4 13 18/12 03 28 Escola F11 2 30 18/12 08 29 Escola I09 4 25 18/12 10 30 Escola C06 1 05 --- 0 31 Escola C07 3 03 16/12 03 32 Escola C08 2 06 30/12 01 33 Escola C09 2 02 17/11 02
34 Escola F12 Questionários foram entregues diretamente à coordenação, que repassaria para os professores interessados.
4 05 10/12 01
35 Escola FI05 4 08 19/12 05
36 Escola F13 Questionários entregues à coordenação e gestão, que possibilitaram o preenchimento em HTPC.
3 36 17/11 07
3738 Escola FI06/FI07 3 14 26/11 11
39 Escola F14 Explicação da proposta e distribuição dos questionários diretamente aos professores (no intervalo ou na saída).
8 09 19/12 07
40 Escola C10 2 06 18/12 06
41 Escola C11 2 03 18/12 02
42 Escola C12 2 02 23/12 01
43 Escola F15
Explicação da proposta e entrega dos questionários em HTPC. 3 34 18/12 01 44 Escola F16 4 25 19/12 02 45 Escola FI08 4 48 22/12 02 46 Escola I10 5 13 19/12 08 47 Escola I11 3 14 04/12 04 48 Escola I12 --- 6 15/12 02 49 Escola C13 5 08 22/12 02
50 Escola C14 Explicação da proposta e preenchimento
dos questionários em HTPI. 4 03 28/10 02
51 Escola C15 2 02 16/12 02
52 Escola F17 Explicação da proposta e preenchimento
dos questionários em HTPC. 2 13 17/11 11
53 Escola FI09 2 14 10/11 14
54 Escola I13 2 08 11/11 08
Total 140 770 --- 272
Quadro 1: Distribuição dos questionários por escola.
Legendas:VE: quantidade de visitas à escola; QE: Quantidade de questionários entregues; DR: Data do recolhimento do último questionário na determinada escola; QR: Quantidade de questionários recolhidos e devidamente preenchidos.
EscolaC corresponde a creches; EscolaI corresponde a escolas que atendem à Educação Infantil; EscolaFI
corresponde a escolas que atendem à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental I; EscolaF corresponde a escolas que atendem ao Ensino Fundamental I.
Considerando as 53 escolas que, direta ou indiretamente podem ter tido participação nesta pesquisa, temos um conjunto de: 17 escolas que atendem o Ensino Fundamental I (primeiro ao quinto ano); nove escolas que atendem Ensino Fundamental I e Educação
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Infantil (maternal I ou maternal II até o quinto ano); 13 escolas que atendem Educação Infantil (maternal I ou maternal II até infantil II); 14 Creches (berçário I até maternal I ou maternal II).
Algumas dessas escolas atendem turmas de Educação de Jovens e Adultos no período Noturno, algumas também possuem salas do Projeto Recriando (projeto em tempo integral), nas quais há alunos que ficam no período oposto ao das aulas em sala regular, passando dois períodos na escola.
As classes das Creches contam com o professor polivalente e um professor que trabalha com um projeto específico (em quatro aulas por semana), podendo ser esse um projeto de musicalização ou artes. Nas Creches as crianças podem ficar das 7h00 às 17h00, sendo que ficam com professores e monitores no período matutino (das 7h30 às 11h30) e somente com monitores no período vespertino.
As classes das escolas de Educação Infantil contam com o professor polivalente, o professor de Educação Física (em três aulas por semana) e o professor que trabalha com um projeto específico (em uma aula por semana), sendo que esse pode ser de musicalização, artes ou raciocínio lógico matemático. As crianças dessas classes ficam na escola durante 20 horas por semana (das 7h30 às 11h30 ou das 13h00 às 17h00), com exceção daquelas que frequentam o Projeto Recriando, que são atendidas em ambos os períodos.
As salas de aula de primeiro e segundo ano do Ensino Fundamental I contam com o professor polivalente, professor de educação física (em duas aulas por semana), artes (em duas aulas por semana) e um professor que trabalha com um projeto de leitura (geralmente é um pedagogo que leciona uma aula por semana em cada classe). As salas de terceiro a quinto ano contam com todos esses, além de um professor de inglês (nesse caso há apenas uma aula de artes por semana e acrescenta-se uma aula de inglês).
As crianças do Ensino Fundamental I ficam na escola durante 22 horas e meia por semana (das 7h00 às 11h30 ou das 13h00 às 17h30), com exceção daquelas que frequentam o Projeto Recriando, que são atendidas em ambos os períodos.
Os professores das creches e de classes da Educação Infantil cumprem uma jornada semanal de 27 horas aulas, sendo 18 com os alunos; quatro de Horário de Trabalho Pedagógico Individual (HTPI); duas de Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) e três de Horário de Trabalho Pedagógico Livre (HTPL). Os professores do Ensino Fundamental I cumprem uma jornada semanal de 30 horas aulas, sendo 20 com os alunos; cinco de Horário de Trabalho Pedagógico Individual (HTPI); duas de Horário de Trabalho
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Pedagógico Coletivo (HTPC) e três de Horário de Trabalho Pedagógico Livre (HTPL) (RIO CLARO, 2012).
De acordo com a Lei Complementar nº 70 (Rio Claro, 2012), o HTPC destina-se ao planejamento, preparo do trabalho pedagógico, reuniões pedagógicas, estudo, articulações com a comunidade, avaliação do trabalho e também deve ser configurado como um espaço de formação continuda. Os professores, a coordenação e a equipe gestora devem se reunir nesse momento para que as atividades se desenvolvam de forma coletiva. Geralmente o HTPC acontece depois que terminam as aulas do período verspertino (após as 17h30).
O HTPI destina-se ao preparo de aulas, material didático, correção de tarefas, diálogo com as famílias, integração com os pares, orientações do gestor ou do professor coordenador, entre outras tarefas definidas pela escola (RIO CLARO, 2012). Também se recomenda que esse se configure como um espaço de estudo e formação continuada. Esse momento é realizado no período em que o professor leciona, enquanto os alunos estão tendo aulas com outros professores.
O HTPL ocorre em local de livre escola do docente, podendo ser utilizado para pesquisa e seleção de materiais pedagógicos, planejamento e preparo de aulas, avaliação do trablaho dos alunos, estudo, entre outras atividades pertinentes à sua função (RIO CLARO, 2012).