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Amerikan Parti Sistemine Yönelik Eleştiriler

D. AMERİKAN PARTİ SİSTEMİ VE SİSTEME YÖNELİK ELEŞTİRİLER ….41

2. Amerikan Parti Sistemine Yönelik Eleştiriler

A concepção de processo dispositivo, que relega ao juiz uma postura estática no processo, impedindo-o de determinar a produção de provas de 113 A expressão princípio dispositivo é comumente utilizada para representar uma dupla

perspectiva processual. A primeira delas refere-se a impossibilidade de o juiz dar início ao processo de ofício. Nessa acepção, mais adequado seria usar a expressão princípio da demanda. A segunda perspectiva, e que interessa diretamente ao presente estudo, refere-se à iniciativa probatória do juiz.

114Alfredo Buzaid, na exposição de motivos do CPC de 1973, já dizia: “O processo civil é um

instrumento que o Estado põe à disposição dos litigantes, a fim de administrar justiça. Não se destina a simples definição de direitos na luta privada entre os contendores. Atua, como já observara Betti, não no interesse de uma ou de outra parte, mas por meio do interesse de ambos. O interesse das partes não é senão um meio, que serve para conseguir a finalidade do processo na medida em que dá lugar àquele impulso destinado a satisfazer o interesse público da atuação da lei na composição dos conflitos. A aspiração de cada uma das partes é a de ter razão; a finalidade do processo é a de dar razão a quem efetivamente a tem. Ora, dar razão a quem a tem é, na realidade, não um interesse das partes, mas um interesse público de toda a sociedade”

ofício, tende a ser superada, à medida que se ultrapassa, gradualmente, a lógica do raciocínio privatista que lhe dá fundamento. De fato, o princípio dispositivo foi consagrado numa época em que prevalecia um individualismo liberal, em que se admitia a igualdade como sendo aquela puramente formal115.

Acontece que as concepções sociais de igualdade e de justiça evoluíram no decorrer do tempo, não havendo mais, como lembra Cândido Rangel Dinamarco, “clima para tanto predomínio do princípio dispositivo, que exclui os comportamentos inquisitivos do juiz no processo e na sua instrução. Aquela idéia radical é espelho das premissas privatistas do processo civil, que hoje é reconhecidamente informado pela natureza de instituto de direito público”.116

Com a publicização do processo, não mais se pode aceitar concepções que releguem exclusivamente às partes a atuação probatória. O processo, como atualmente concebido, deixou de ser exclusivamente um instrumento a serviço da parte, como um mecanismo de fazer prevalecer a sua razão, no seu único e exclusivo interesse, para servir, igualmente à sociedade, como um importante instrumento de manutenção da paz social.

O processo dos dias de hoje busca realizar a justiça, de modo democrático. Isto é, com a participação efetiva dos envolvidos – contraditório (art. 5, LV, CF/88) – e com demonstração social do acerto das decisões – motivação das decisões judiciais (art. 93, IX, CF/88). Tudo isso a contribuir

115 Sobre o assunto, Carlos Alberto Alvaro de Oliveira observa: “No tocante ao princípio da

colaboração ou da cooperação, não se pode deixar de perceber que a extensão dos poderes do juiz vincula-se estreitamente à natureza e à função do processo civil e à maior ou menor eficiência desse instrumento na realização de seus objetivos. Verifica-se com clareza essa conseqüência, ao se examinar, por exemplo, a concepção ínsita ao processo liberal. Esta ainda não imbuída claramente do caráter público do processo, não só atribuída às partes amplos poderes para o início e fim do processo e o estabelecimento de seu objeto, como também sujeitava a exclusiva vontade destas o seu andamento e desenvolvimento, assim como a própria instrução probatória, restringindo por via de conseqüência de maneira significativa os poderes do órgão judicial. Como em outros campos da vida em sociedade, acreditava-se no livre jogo das forças sociais, conquistando corpo a idéia de que o próprio interesse da parte litigante no direito alegado constituiria eficaz catalisador para a mais rápida investigação da situação jurídica.” (OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro. A garantia do contraditório. Revista

Prática Jurídica, Ano III, n. 25, Abril de 2004, p. 37).

116DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. V. III. São Paulo,

para a manutenção da paz social, com a transmissão de padrões de segurança jurídica, de eficiência das instituições e de imperatividade do direito.

Assim, podemos dizer que o processo serve as partes, assim como serve à sociedade, pois realiza a justiça, que é em essência um valor social.

Nesse contexto, o processo atua de modo que, na hipótese de desrespeito do direito, seja garantido à parte o resultado prático equivalente117

ao que se teria obtido caso a norma jurídica houvesse sido observada voluntariamente – efetividade do processo (art. 5º, XXXV, CF/88).

Não se pode perder de vista, pois, que as desigualdades econômicas e culturais, hoje perfeitamente identificáveis, são capazes de ensejar resultados distorcidos na tutela jurisdicional, simplesmente em virtude da insuficiência probatória decorrente da desídia daquele que não se defendeu de modo mais adequado porque não o pode. Neste contexto, coloca-se a questão de como garantir a pretendida paridade de armas, decorrente do princípio da isonomia (art. 5º, caput, CF/88) e identificada pela doutrina como elemento inerente ao contraditório (art. 5º, LV, CF/88)118.

A intervenção judicial de iniciativa probatória adquire ainda maior relevância quando nos colocamos diante de um processo em que as partes pretendem se valer do Poder Judiciário para chancelar uma fraude à lei ou embuste a terceiros, com o fim de obter resultados ilegais (art. 17, III, CPC).

117

A idéia de resultado prático equivalente decorre do princípio da efetividade do processo. Conforme já se afirmou no presente trabalho (item 1.7), se a Constituição assegura o acesso ao Judiciário (art. 5º., XXXV), é porque está assegurando, igualmente, que o Judiciário dê uma resposta às pretensões que lhe são submetidas, resposta esta que deve ser eficaz o suficiente para garantir, na fórmula de chiovenda, “tudo aquilo e exatamente aquilo a que se tem direito”, ou seja, um resultado equivalente àquele que se obteria caso o direito houvesse sido respeitado, com o cumprimento voluntário da norma.

118Ver, por todos: NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios do processo na Constituição Federal. 5

Também não podemos perder de vista que a jurisdição é uma função pública por excelência119, estabelecida no interesse não só da parte, mas de

toda a sociedade.

Assim, não se pode desmerecer a atividade jurisdicional, exigindo do juiz uma postura estática e de conformismo frente às injustiças. De fato, não se pode pretender que o juiz lamente a injustiça, mas permita que ela prevaleça, como um dia já determinou a legislação brasileira, na Consolidação Ribas120.

Barbosa Moreira refuta de modo incisivo os fundamentos da concepção privatista de processo que dariam suporte a adoção irrestrita do princípio dispositivo:

Diz-se: se a parte pode dispor do seu direito, a tal ponto que lhe é livre a decisão de iniciar ou não iniciar um processo para postulá-lo, então, também é natural que se deixe ao cuidado da parte trazer para os autos as provas dos fatos que porventura lhe aproveitem, que sirvam de fundamento ao seu alegado 119

“DIREITOS CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. PROVA GENÉTICA. DNA. REQUERIMENTO FEITO A DESTEMPO. VALIDADE. NATUREZA DA DEMANDA. AÇÃO DE ESTADO. BUSCA DA VERDADE REAL. PRECLUSÃO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. INOCORRÊNCIA PARA O JUIZ. PROCESSO CIVIL CONTEMPORÂNEO. CERCEAMENTO DE DEFESA. ART. 130, CPC. CARACTERIZAÇÃO. DISSÍDIO CARACTERIZADO. PRECEDENTE. RECURSO PROVIDO.

I - Tem o julgador iniciativa probatória quando presentes razões de ordem pública e

igualitária, como, por exemplo, quando está diante de causa que tenha por objeto direito indisponível (ações de estado), ou quando, em face das provas produzidas, se encontra em estado de perplexidade ou, ainda, quando há significativa desproporção econômica ou sócio-cultural entre as partes.

II – Além das questões concernentes às condições da ação e aos pressupostos processuais, a cujo respeito há expressa imunização legal (CPC, art. 267, § 3º), a preclusão não alcança o juiz em se cuidando de instrução probatória.

III - Diante do cada vez maior sentido publicista que se tem atribuído ao processo

contemporâneo, o juiz deixou de ser mero espectador inerte da batalha judicial, passando a assumir uma posição ativa, que lhe permite, dentre outras prerrogativas, determinar a produção de provas, desde que o faça com imparcialidade e resguardando o princípio do contraditório.

IV - Na fase atual da evolução do Direito de Família, não se justifica inacolher a produção de prova genética pelo DNA, que a ciência tem proclamado idônea e eficaz.” (RESP 222445 - Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira - DJ 29.04.2002 p. 246)

120Após a independência, o Governo Imperial incumbiu o Conselheiro Antônio Joaquim Ribas

de elaborar uma consolidação das normas acerca do processo civil, onde ficou estabelecido que: “Achando o juiz que a causa está em termos de ser decidida, examinará atentamente todo o processo, e dará a sua sentença definitiva, segundo o que achar alegado e provado de uma e da outra parte, ainda que a consciência lhe dite outra coisa, e ele saiba que a verdade é o contrário do que no feito foi provado.”

direito. Se ela não o faz, é porque está dispondo do seu direito, o que lhe é lícito fazer. O raciocínio, além de assentar-se no que já mostrei ser uma premissa em grande parte falsa, porque no Processo Civil, repito, não se cuida somente de relações jurídicas disponíveis, é também sofístico: da circunstância de alguém poder dispor da relação jurídica de direito material controvertida, não se infere necessariamente que possa dispor da relação jurídica processual, que é distinta e que vive sob o signo publicístico, e não sob o signo privatístico.121

Por fim, cumpre observar que o argumento, por vezes utilizado, de que a iniciativa probatória do juiz quebraria a sua necessária imparcialidade, não é sustentável. Até porque o juiz, ao determinar a realização de provas, não tem como prever com certeza o resultado que delas advirá e qual parte será beneficiada por meio da prova produzida por sua iniciativa. O verdadeiro mecanismo para evitar a parcialidade do juiz é tornar efetivas as garantias constitucionais do contraditório e da motivação das decisões judiciais.122