8. TRANSATLANTİK KÖLE TİCARETİNİN SONA ERMESİ
8.2. Amerikan İç Savaşı
3.2.1 Método utilizado
Um experimento, segundo Malhotra (2006, p. 217), é um “processo de manipulação de uma ou mais variáveis independentes e medição de seu efeito sobre uma ou mais variáveis dependentes, controlando ao mesmo tempo as variáveis estranhas”.
Ainda segundo o autor, as variáveis independentes são manipuladas e seus efeitos medidos e comparados, de modo a permitir a compreensão da ocorrência de determinados fenômenos. Por sua vez, as variáveis dependentes “medem o efeito das variáveis independentes sobre as unidades de teste”, entendidas aqui, como o conjunto de 87 filmes estudados. Finalmente, as variáveis estranhas são aquelas que, não sendo independentes, podem afetar o resultado do experimento, alterando as medidas da variável dependente até o ponto de enfraquecer ou invalidar os resultados obtidos.
As variáveis utilizadas neste experimento foram de quatro tipos: a) quantitativas, com escala de razão variando de zero a infinito; b) categóricas nominais; c) ordinais, em que são estabelecidas hierarquias; e d) dummies, também chamadas binárias ou dicotômicas, assumindo valores 0 ou 1, correspondendo, respectivamente, a “não” e “sim”.
O método utilizado nesta pesquisa foi, primeiramente, constituído da análise da matriz de correlação das onze variáveis disponíveis antes da data de estréia do filme e de três variáveis disponíveis após o primeiro final de semana de estréia, tendo como variável explicada a quantidade de público de cada um dos filmes estudados.
No caso específico do público total do filme, tendo em vista a variável mostrar-se unicaudal de projeção longa à direita, variando de 823 espectadores para o filme “2000 Nordestes”, até 4.693.853 espectadores para “Xuxa Abracadabra”, optou-se por adotar seu logaritmo ao invés do seu número absoluto – idêntico critério utilizado por Simonoff e Sparrow (2000) ao tratar de renda bruta de bilheteria. Pelas mesmas razões, também foi utilizado o logaritmo das variáveis: público da abertura; número de salas da abertura; recursos incentivados federais; e recursos provenientes do artigo 3º da Lei do Audiovisual.
Numa escala logarítmica a distância entre dois pontos é proporcional à variação do logaritmo dos valores correspondentes a esses pontos. Isso significa, que utilizando-se o logaritmo na base 10, a cada zero acrescido à escala de grandeza do público total, corresponde na escala logarítmica, uma unidade. Sem prejuízo do rigor matemático, a utilização da escala
proporciona uma melhor visualização gráfica dos efeitos na quantidade total de público, conforme mostra a figura a seguir, além de vantagens em cálculos com grandes números.
Figura 10 – Escala logarítmica na base 10
Fonte: http://virtual01.lncc.br/~rodrigo/links/pre1/a05_expo_log.html
Assim, por exemplo, para representar o número correspondente ao público total de um determinado filme, é utilizado: Logaritmo do público total Y, na base 10, será o número x ao qual deveremos elevar a base 10 para obtermos Y.
Isto é: Se Log b Y = x, então bx = Y
Por meio do software Statistical Package for the Social Science - version 13.0 (SPSS 13.0) for Windows, foram geradas estatísticas que são mais detalhadas no item “3.4 Análise dos dados”.
3.2.2 Tipo de corte
Para um experimento que tinha a pretensão de identificar relações causais entre público total de filmes e um conjunto de variáveis escolhidas, necessariamente teve que levar em consideração o total de público obtido pelo filme ao longo de sua carreira, independentemente de ele ter sido resultante da exibição em mais de um ano civil.
Por uma questão de rigor metodológico, os filmes considerados neste trabalho foram agrupados inicialmente por data de lançamento, com corte anual, resolvendo, assim, as situações em que um filme foi lançado na semana de Natal e permaneceu em cartaz por diversas semanas do ano seguinte. Vale destacar aqui, que o critério “ano de lançamento” refere-se ao ano civil em que o filme teve sua primeira exibição comercial e que, eventualmente, não coincide com o ano em que o filme teve seu melhor resultado de público.
Filmes lançados na semana de Natal, muitas vezes permanecem em cartaz por várias semanas no ano seguinte, onde contabilizam uma receita maior do que no ano do seu lançamento.
Os distribuidores adotam como critério, incluir na relação de lançamentos de determinado ano, os filmes que estrearam no Natal do ano anterior, o que também é seguido pela empresa Filme B, por exemplo, em sua publicação anual denominada Database Brasil, que na tabela Ranking do ano corrente, não inclui os resultados de filmes lançados no mês de dezembro. A informação de público correspondente a esses lançamentos, entretanto, é contabilizada no público total do ano corrente. (FILME B, 2005a)
Após a coleta de dados, foi observado que por meio de qualquer um dos critérios que fosse adotado, o ano de 2003 foi aquele em que seus lançamentos obtiveram o maior público no período compreendido entre 1995 – “Retomada do Cinema Brasileiro” – e 2005, último ano do levantamento efetuado pelo pesquisador. Em 2003, mais de 22 milhões de espectadores assistiram filmes brasileiros.
Uma vez identificada a “melhor safra”, pelo menos do ponto de vista de público total, havia a necessidade de ampliar o corte, com o objetivo de reunir um número maior de filmes. A opção adotada foi a de recuar o levantamento até 2001, o que significou uma amostra de 87 filmes, pelo critério “ano de lançamento”, sendo 28 em 2001, 31 em 2002 e 28 em 2003, conforme é apresentado na tabela 7.
A pesquisa em diferentes fontes, conforme é descrito no item “3.3. Coleta de dados”, também permitiu identificar no ano de 2001, a exibição de alguns filmes cujos dados não foram possíveis de serem levantados, como os casos de “Os Xeretas”, “Mater Dei”, “Urbania”, “Tortura Selvagem – A Grade” e até mesmo o relançamento de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, todos distribuídos pelos próprios produtores.
Embora compreendendo três anos consecutivos, a análise não foi feita de forma comparativa por período, objetivando a captação de variações ao longo do tempo, pois evidentemente, a população não é a mesma – trata-se de diferentes filmes. A análise dos dados feita neste trabalho levou em consideração o conjunto da população nos três anos, submetidas às mesmas variáveis.
Tabela 7 – Filmes brasileiros lançados no período 2001 - 2003
2001 2002 2003
1 2000 Nordestes 29 A Paixão de Jacobina 60 Acquaria 2 A Hora Marcada 30 Abril Despedaçado 61 Amarelo Manga
3 A Partilha 31 As Três Marias 62 Apolônio Brasil - O Campeão 4 Amores Possíveis 32 Avassaladoras 63 As Alegres Comadres 5 Anésia - Um Vôo no Tempo 33 Bellini e a Esfinge 64 Banda de Ipanema - Folia... 6 As Feras 34 Cidade de Deus 65 Carandiru
7 Babilônia 2000 35 Dias de Nietzsche em Turim 66 Casseta & Planeta: A Taça... 8 Barra 68 36 Duas Vezes Com Helena 67 Cristina Quer Casar
9 Bicho de Sete Cabeças 37 Edifício Master 68 Desmundo 10 Brava Gente Brasileira 38 Eu Não Conhecia Tururu 69 Deus é Brasileiro
11 Bufo & Spallanzani 39 Gregório De Mattos 70 Didi: O Cupido Trapalhão 12 Caramuru: A Invenção... 40 Houve Uma Vez Dois Verões 71 Dois Perdidos Numa Noite Suja 13 Condenado à Liberdade 41 Janela da Alma 72 Dom
14 Copacabana 42 Lara 73 Durval Discos 15 Domésticas 43 Latitude Zero 74 Ilha Rá-Tim-Bum 16 Lavoura Arcaica 44 Madame Satã 75 Lisbela e o Prisioneiro 17 Memórias Póstumas 45 Nem Gravata Nem Honra 76 Maria: A Mãe do Filho... 18 Netto Perde a Sua Alma 46 O Invasor 77 Nelson Freire
19 O Casamento de Louise 47 O Príncipe 78 O Caminho das Nuvens 20 O Chamado de Deus 48 Onde a Terra Acaba 79 O Homem do Ano 21 O Grilo Feliz 49 Ônibus 174 80 O Homem Que Copiava 22 O Sonho de Rose - 10 Anos... 50 Poeta das Sete Faces 81 Os Normais
23 O Xangô de Baker Street 51 Rocha Que Voa 82 Paulinho da Viola 24 Senta a Pua! 52 Sonhos Tropicais 83 Rua Seis Sem Número 25 Tainá: Uma Aventura... 53 Surf Adventures 84 Seja o Que Deus Quiser! 26 Tônica Dominante 54 Timor Lorosae 85 Separações
27 Tributo a Nelson Gonçalves 55 Uma Onda no Ar 86 Um Passaporte Húngaro 28 Xuxa e os Duendes 56 Uma Vida em Segredo 87 Xuxa Abracadabra
57 Viva São João! 58 Xuxa e os Duendes 2
59 Zico
Fontes: FILME B (2005a); SEDCMRJ; elaboração do autor.
3.2.3 Tipo de pesquisa
Uma vez definidos o problema de pesquisa e a abordagem do tema, a etapa seguinte foi sua classificação. O objetivo dessa etapa foi traçar com nitidez o caminho a ser adotado na condução da pesquisa, elemento fundamental ao rigor acadêmico prescindido por uma dissertação de mestrado e predicativo da relevância do trabalho para a indústria cinematográfica nacional e para os que vierem a estudá-lo.
A concepção da pesquisa adotada aqui, em seu sentido mais amplo, é a que Malhotra (2006, p. 99-102) define como “conclusiva” e mais especificamente, do tipo “causal”. A
escolha por este tipo de pesquisa é justificada pela intenção em estabelecer possíveis relações de causa e efeito entre a receita bruta de bilheteria obtida ao longo do período de exibição de um filme e as diversas variáveis disponíveis no momento que antecedeu o seu lançamento. A pesquisa, como pode ser visto mais adiante, buscou, também, verificar a capacidade de predição do modelo matemático resultante – todavia, sem deixar de levar em consideração suas limitações.
A pesquisa concebida neste trabalho teve por característica principal, a manipulação de variáveis independentes e o controle de variáveis intermediárias, utilizando-se do método da experimentação. O conceito de causalidade, do ponto de vista científico, pressupõe algumas condições: “variação concomitante; ordem temporal da ocorrência de variáveis; e
eliminação de outros possíveis fatores causais”. (MALHOTRA, 2006, p. 215).
O conceito de causalidade que permeia toda a pesquisa deve ser compreendido em sua dimensão científica, tomando-se o cuidado de evitar a conclusão simplista, e equivocada, de que a ocorrência de uma causa X pode explicar os efeitos em Y. Em verdade, para o cientista, o máximo que poderá ser afirmado é que a ocorrência de X poderá aumentar a ocorrência de Y.
O presente trabalho valeu-se, ainda, de uma série de 8 pesquisas em profundidade, com notórios especialistas do setor cinematográfico e cujo objetivo foi o da validação das variáveis escolhidas, bem como a identificação de eventuais novas variáveis explicativas para o fenômeno a ser estudado.
3.2.4 Limitações do método
A natureza causal da pesquisa, restringiu-se aos efeitos causados pela ocorrência de certos determinantes que influenciaram o comportamento das variáveis consideradas, no período de 2001 a 2003, para um número determinado e conhecido de filmes. Generalizações e extrapolações devem ser feitas com cuidado, pois o modelo matemático de predição de público mostrou-se pouco determinante.
As avaliações subjetivas realizadas por pequenos grupos de executivos das empresas distribuidoras, conforme relatado por Machado (2006), Saturnino (2006), Wainer (2006) e De Luca (2007), conferem aos filmes determinados atributos, cuja interpretação na forma de
variáveis, reveste-se de grande complexidade subjetiva e não foram consideradas neste experimento.