3. ATLANTİK KÖLE TİCARETİNİN ORTAYA ÇIKIŞI VE GELİŞİMİ
3.1. Özgür İşgücü ve Yerli Kölelikten Zenci Köleliğine
O processo de formatação de uma pesquisa deve levar em conta o objeto pesquisado, suas características intrínsecas e o contexto onde ele ocorre. Naturalmente, sem um referencial teórico que lhe dê suporte e sem evidências objetivas que o confirmem, o trabalho nada mais é do que uma reportagem, eventualmente, uma crônica.
A cultura tem merecido cada vez mais a atenção política e acadêmica de que precisa para reforçar os laços sociais e colocar-se como forma de expressar o desenvolvimento humano. (...) Encontram-se na forma de expressão cultural, elementos que tornam compreensíveis o desenvolvimento humano de uma sociedade, justificando-o ou explicando sua resiliência. (MELTRAME, 2005, p. 66)
A produção acadêmica brasileira sobre o assunto “cinema”, pelo menos em relação às dissertações de mestrado, aparentemente tem abordado com mais freqüência os aspectos relacionados à história, contexto cultural e ideológico, políticas, expressão estética, linguagem e teoria do cinema, técnicas e tecnologias, mas analisando muito discretamente aspectos econômicos da atividade.
Essa predileção talvez encontre relação com os resultados obtidos por Souza (2003), em balanço realizado a partir de pesquisas, via Internet, em bancos de dados de universidades brasileiras, relativamente ao período que vai desde meados da década de 1950, até o ano de 2002. Seu trabalho conseguiu identificar 476 produções sobre cinema brasileiro, com objetivo de titulação em mestrado, doutorado e livre docência. Desse total, 254 foram produzidos por estudantes de cursos de Comunicação, 143 por estudantes de Filosofia, Letras e Ciências
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Humanas, além de 24 trabalhos provenientes de cursos como Educação, Arquitetura e Urbanismo, Direito e até mesmo Medicina. Aquele autor não identificou a área de origem dos 55 trabalhos restantes.
Ainda que não seja intenção analisar a produção acadêmica brasileira sobre cinema, mas com o objetivo de justificar o interesse do presente trabalho por um tema pouco explorado, cabe uma referência ao resultado obtido pelo pesquisador, na ferramenta de busca e consulta a informações sobre teses e dissertações defendidas junto a programas de pós- graduação do país, existente no sítio eletrônico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Embora trate-se apenas de uma busca textual, sem rigor acadêmico, seu resultado é trazido aqui a título de ilustração.
Considerando que as palavras-chave que poderiam ter relação com o tema desta pesquisa, são basicamente “cinema” e “filme”, foi realizada uma busca associando-se cada uma das duas palavras referidas, a outras, pertinentes ao foco do trabalho, tendo sido obtido os seguintes resultados: cinema+bilheteria (1 ocorrência); cinema+lucro (0 ocorrência); cinema+receita (0 ocorrência); cinema+renda (4 ocorrências, sendo duas na área de saúde); cinema+distribuição (17 ocorrências, todas sobre cinema); filme+bilheteria (0 ocorrência); filme+lucro (0 ocorrência); filme+receita (3 ocorrências na área de química); filme+renda (6 ocorrências, nenhuma sobre cinema); filme+distribuição (90 ocorrências, sendo 9 sobre cinema). Sobre indústria cinematográfica foram 24 ocorrências.
A leitura dos resumos constantes no banco de teses da CAPES, sobre cada uma das ocorrências, permitiu identificar dois trabalhos que poderão, num outro momento, serem analisados em conjunto com a presente pesquisa, de modo a abrir seu foco. São eles: “Análise Competitiva da Indústria Cinematográfica Brasileira no Mercado Interno de Salas de Exibição, de 1994 a 2003”, de João Paulo Rodrigues Matta e “Apuração do Resultado Contábil da Cinematografia: Uma Contribuição do Aprimoramento da Informação Contábil”, de Ricardo Lopes Cardoso.
As escolas de negócios, notadamente as norte-americanas, têm se debruçado na questão da aplicabilidade de modelos baseados em variáveis quantitativas, de conhecimento posterior à finalização do filme, mas prévio ao seu lançamento, para predição da renda bruta de bilheteria. Igualmente, existem pesquisas no sentido de construir modelos comportamentais capazes de contribuir para as mesmas predições.
A pesquisa empreendida aqui assumiu como principal marco de apoio teórico, o artigo de Simonoff e Sparrow (2000), Predicting movie grosses: winners and losers, blockbusters
capaz de predizer a renda bruta de bilheteria de filmes exibidos no mercado norte-americano em 1998. Na sua pesquisa co-relacionou quatorze variáveis, das quais doze eram conhecidas na fase anterior ao lançamento do filme e as outras duas após o primeiro fim de semana da estréia.
Nos Capítulos 2 e 3 deste trabalho o assunto será abordado mais extensamente.
Abraham Ravid (1999), em seu artigo Information, Blockbusters, and Stars: a study of
the film industry, seguiu caminho paralelo, aprofundando a análise com relação ao papel dos
astros – entendido aqui como atores e atrizes famosos – na renda de filmes e no retorno sobre o investimento. Outro artigo que trata da predição de renda bruta de bilheteria a partir de modelos matemáticos, foi escrito por Sawhney e Eliashberg (1996) e denominado A
parsimonious model for forecasting Gross Box-office revenues of motion pictures, cuja
abordagem leva em consideração aspectos comportamentais dos consumidores, relacionados ao processo de decisão em assistir ou não a um filme.
Na mesma linha comportamental, Eliashberg et al. (2000) discutiram um sistema de suporte à decisão, que possibilita uma avaliação prévia da aceitação pelo mercado, anterior ao lançamento do filme, em Moviemod: an implementable decision-support system for
prerealease market evaluation of motion pictures. Outros textos serão referenciados no
Capítulo 2, a seguir.
A opção pelo trabalho de Simonoff e Sparrow (2000) como referencial a priori, decorreu do fato de que as variáveis consideradas, em boa parte coincidiram com a percepção de profissionais do mercado cinematográfico e foram identificadas nas entrevistas em profundidade realizadas pelo pesquisador, entre outubro de 2006 e janeiro de 2007, conforme descrito no Capítulo 3.
O experimento desenvolvido aqui buscou identificar as correlações existentes entre a quantidade de espectadores, ou simplesmente, público29, e as variáveis submetidas ao tratamento estatístico, conforme será detalhado mais adiante. Da mesma forma que o experimento dos autores norte-americanos, se buscou identificar possíveis tendências preditivas nas variáveis estudadas, de modo a construir um modelo matemático capaz de sugerir o número de espectadores em lançamentos futuros.
A sua eventual aplicabilidade à realidade do setor cinematográfico brasileiro, em vista de aspectos como o da utilização de recursos provenientes de renúncia fiscal na produção dos
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Neste trabalho a expressão “público” será utilizada para designar a quantidade de espectadores de um filme, ao invés de “freqüência”, palavra utilizada pelo mercado cinematográfico, tendo em vista o fato de que se trata de termo da estatística, o que poderia causar confusão no entendimento.
filmes – o que difere do processo industrial nos Estados Unidos, que adota prioritariamente o modelo de financiamento privado – poderá auxiliar os formuladores de políticas públicas de fomento da atividade no Brasil, a compreender melhor o resultado econômico de um projeto.
No Capítulo 4, além das conclusões, são apresentadas recomendações e sugeridas novas abordagens e extensões dos estudos feitos aqui.