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Amerika’nın Afganistan’daki Partilere Taliban’ı Yok Etmek İçin

4. BUGÜNKÜ AFGANİSTAN’IN ETNİK VE COĞRAFİ YAPISI

2.1. TALİBAN’IN ZAYIFLAMA SEBEPLERİ

2.1.2. Amerika’nın Afganistan’daki Partilere Taliban’ı Yok Etmek İçin

A política municipal compõe a célula básica do processo eleitoral brasileiro. É impossível falar de modernização política sem levarmos em conta a dinâmica municipalista.

Victor Nunes Leal assimilou essa dinâmica, dizendo:

“...o município é,. No Brasil, a peça básica das campanhas eleitorais. De uma parte, os habitantes do interior, que somam para cima de 80% da população nacional, estão muito mais efetivamente subordinados ao município do que ao Estado ou à União, dada a vinculação política das autoridades estaduais e federais com os dirigentes municipais; de outra, nenhuma parcela do eleitorado do interior está subtraída ao regime municipal, que cobre todo o território do país. Como, pois, considerar puramente administrativos os prefeitos, que tanta influência exercem sobre a massa de gente que fornece o maior contingente nas eleições...104”

No espaço político do poder, o município é margeado, tornando-se insignificante e irrelevante. A “célula” legitimadora da dominação política perde autonomia, sendo seu poder de decisão aniquilado. A força política do município, só é solicitada, durante os pleitos regionais e nacionais, em que se faz necessário as campanhas eleitorais.

Percebe-se que o município perdeu autonomia.

O ponto nevrálgico da autonomia dos municípios centralizam nas figuras do prefeito e do vereador.

O prefeito é o agente central na vida política do município. Deve ser técnico, especialista no ofício de dirigir os serviços públicos locais.

O prefeito representa os interesses do município perante o Estado, são núcleos naturais de arregimentação do partido governista. O prefeito é o chefe político. A prefeitura, tradicionalmente, ao lado da vereança constituem o primeiro degrau da carreira política brasileira.

As câmaras municipais são órgãos administrativos desprovidos de funções judiciárias.

A história política das municipalidades possuiu momentos distintos: o primeiro centralizado na pessoa do administrador, nomeado pelo governo regional, (interventores municipais) e o segundo, centralizado na pessoa do vereador.

Entre 1930 à 1964, tanto interventores municipais quanto vereadores foram responsáveis por arregimentar a dominação política dos governos regional e central.

Durante o período intervencionista, governo de Pedro Ludovico Teixeira , foram nomeados, para ocuparem as prefeituras, interventores municipais. Na sua maioria, eram tropeiros, proprietários de máquinas beneficiadoras de cereais, fazendeiros, farmacêuticos e médicos. Essa prática, de nomeações políticas, extrapolaram o intuito de racionalizar a saúde em Goiás. Primeiramente, Ludovico estatuiu uma relação de dependência com os chefes políticos locais, tolerando os chamados majores e coronéis. Essa tolerância devia-se a constituição de sua principal base eleitoreira.

“Superando a pressão federal que visava destronar as oligarquias”, o papel do médico seria significativo, cooptaria a ação dos grupos oligárquicos, revestindo-os com uma nova forma de poder, a racionalidade.

Pedro Ludovico conhecia a prática curativa, sabia da importância de um médico na prática politia105.

105É usado para indicar a constituição caracterizada pelo governo de muitos e bom. É de modo geral, uma

mistura de oligarquia e de democracia. São chamados politias os governos que se inclinam para a democracia, e de aristocracias os que se inclinam para a oligarquia. A politia é uma mistura de oligarquia e democracia. BOBBIO, Norberto. A Teoria das Formas de Governo. Ed. UnB. Brasília. 1980. P. 52.

O médico era o guardião da família, expressava força e confiança. As famílias confiavam, nesses personagens, assuntos confidenciais, revestindo-os com responsabilidade e moral.

O médico conhecia a todos. As cidades eram “medicadas e consultadas”, os incômodos eram tratados e extirpados com a ajuda do governo estadual.

Manoel Luiz da Silva Brandão fala da importância do poder de cura em Inhumas, na legitimação política, dizendo:

“ O médico era mais fácil. Tinha facilidade porque médico montava a cavalo, e ia atender o sujeito lá na roça, então ele era compadre de todo mundo também. Era uma pessoa muito bem quista, uma casa aberta, não tinha telefone, não tinha nada né. O sujeito ia lá batia na porta, e o sujeito: ‘minha mulher está morrendo’. Do jeito que ele tava de pijama e descalço ele ia. Montava a cavalo. O sujeito já vinha da roça, já trazia o cavalo arriado, prá poder chegar aí e o Dr. Montar no cavalo dele e lá na roça fazer o parto da mulher dele. Então ele tinha livre trânsito na sociedade. Então não tinha dificuldade de indicar um médico pra candidato. A maioria dos candidatos eram médicos. Porque além de ser um protetor da família, no âmbito da saúde, ele era um amigo pessoal da família também. Ele ia pra cabeceira da sua cama, ele ia pro seu quarto que é o lugar mais sagrado de sua casa, é o lugar que quase ninguém entra é o seu quarto, ele ia prá li, ficava ali horas fazendo um parto. Ele passava a viver a intimidade daquela família, né. E ele era uma pessoa querida, quando tinha uma eleição todo mundo votava nele.106”

A nomeação de médicos para assumirem as interventorias municipais não foi um exclusivismo inhumense. Além do Dr. José de Arimathéia e Silva, Dr. Brasil Ramos Caiado representou a antiga Vila Boa, e o Dr. Gilberto Caldas, Itaberaí.

Os chefes políticos, prefeitos, eram homens de confiança do governo estadual. Reproduziam a cartilha intervencionista, auxiliando o governo nos projetos desenvolvimentistas em Goiás.

Com o intervencionismo a ação dos parlamentares municipais ficou restrita (fechamento das Câmaras Municipais).

Com o fim da política intervencionista, 1945, a prática arregimentadora do poder destinou-se aos vereadores, pois a representação de cunho nomeativo, patrimonialista, “desintegrou-se” com o Estado Novo.

Os vereadores tornaram-se alvos do governo estadual. Estes seriam os manipuladores da política local, estes sim, seriam a garantia da dominação política.

Manoel Luiz da Silva Brandão relata a importância dos parlamentares municipais na construção dos domínios políticos, dizendo:

“o segmento mais importante da política no município é o vereador. Porque ele é que realmente vai a casa do eleitor, então ele esta em contato direto. Politicamente ele é muito forte, infelizmente quanto o prefeito é eleito ele não da valor no vereador.

O vereador é isso, é a camada mais forte da política do município e que sempre foi muito desrespeitado pela autoridade, ninguém nunca deu valor ao vereador.

Porque é uma questão de unir força. Eles brigam mais, do que lutar pela valorização dá classe de vereador. Se juntassem todos os vereadores do Estado de Goiás, são 250 municípios e a cidade que tem menos vereadores tem 7, quer dizer então vai juntar mais de 3000 vereadores, se esse pessoal se unisse em classe, eles resolvesse defender o interesse do candidato eles derrubavam todos os prefeitos.

O vereador foi visto assim com um certo respeito na época da eleição. Que eles precisa do vereador prá poder fazer campanha política.

O prefeito, o candidato a prefeito, lança 30 candidatos a vereador, que são 30 cabos eleitorais que vão de casa em casa pedir voto prá ele. Então é forte isso. É nessa ‘’época que eles valorizam o vereador. Ele dá dinheiro pro vereador, o deputado chega aqui e precisa do apoio do vereador, porque se não ele não vai eleito. Um candidato a deputado tem condição de fazer visita de casa em casa num município? Ele tem que pedir voto em 20 municípios diferentes!. Então ele só vem, encontra o comício montado, prá ele pode fazer o discurso dele lá. Vereador já levou a propaganda dele, pras casas já passou nos município, nas roça, na vila, no bairro. Então todo mundo passa a conhecer

aquele candidato porque o vereador levou a propaganda dele lá. Ele não tem tempo de fazer isso. O candidato a senador pode visitar alguém?. Ele tem o Estado inteiro prá percorrer.

O governador poder visitar casas de familiares?. Quer dizer que quem faz isso são os vereadores107”.

Tanto prefeitos quanto vereadores contribuíram para a formação do sistema político, ocupando os cargos mais alvejados pela população. Ambos sentindo e vivenciando dificuldades, animosidades oriundas do meio socio- econômico goiano.

A política municipalista, no limiar da história, sofreu poucas alterações, no tocante à modernização das práticas e representações legitimadoras do poder.

A nomeação de prefeitos em Goiás, reproduz a prática das oligarquias. Foge dos padrões estatuídos pela dominação racional (regras e normas impessoais, escolha por qualificação técnica e profissional), e aproxima-se dos padrões tradicionais de dominação (ausência de regras, normas ditadas pela força da tradição, patrimonialidade, prebendismo, etc.). Os prefeitos nomeados foram investidos de um poder tradicional, ou seja, são os coronéis do Estado burocratizado, moderno. Octavio Ianni ressalta:

“...o poder privado dos ‘coronéis’ – que a instituição dos prefeitos de nomeação, doutrinariamente, visava destruir – não desapareceu: acomodou-se para sobreviver. A morte aparente dos ‘coronéis’ no estado novo, não se deve pois, aos prefeitos nomeados, mas à abolição do regime representativo em nossa terra. Convocai o povo para as urnas, como sucedeu em 1945, e o ‘coronelismo’ ressurgirá das próprias cinzas, porque a seiva que o alimenta é a estrutura agrária do país 108“

107Depoimento de Manoel Luiz da Silva Brandão. Citado 108LEAL, Victor Nunes. Op. cit. P.160.

Victor Nunes Leal afirma com veemência que as velhas prática políticas oriundas do coronelismo permaneceram durante o processo de redemocratização do país.

Em Inhumas a prática política tradicional permaneceu até a década de 60. O sistema mais utilizado foi o compadrio. Essa prática política foi citada por Manoel Luiz da Silva Brandão, que disse:

“ houve um fato muito disagradável nessa política, que quase morreu muita gente aqui na época, porque um irmão do Sizelísio109 espancou na porta da Igreja, uma moça que nós criávamos, junto com minha irmã. ‘Infelizmente’ ele não bateu na minha irmã. E nós fizemos barricada prá poder ter, prá quantos aparecer, morrer. Era uma guerra. E aí felizmente as mulheres, era quase todo parente, tinha mais sensibilidade né. O padre, fizeram um consenso e fez desaparecer aquela intriga...

...meu pai ganhava a eleição, meu pai era um farmacêutico, andava em todas as casas, ele dava remédio prá todo mundo, era compadre, meu pai tinha naquela época mais de 400 compadres, né, aqui no município de Inhumas110.”

No depoimento, percebemos a manutenção das práticas e valores políticos tradicionais por famílias tradicionais com influência estadual.

O discurso da manutenção coronelística nas municipalidades, permeia no cotidiano inhumense, durante e após o governo de Pedro Ludovico

Lúzio de Freitas Borges vislumbra a política inhumense pelo mesmo prisma que Manoel Luiz da Silva Brandão, dizendo:

“ a política era do tipo coronelística. Aqui quem era da UDN, do PSD.

Mas, e era, o sujeito votava no líder né. Quem era do Elpídio votava no candidato do Elpídio (PSD), quem era do

109Coronel Sizelísio Simões de Lima era filho de Salatiel Simões de Lima, foi Presidente do Estado de Goiás

por 2 mandatos, entre os períodos de 1914 – 1915 e 1917.

Sizelísio votava no candidato do Sizelísio (UDN), era um curral.

Os chefes políticos faziam os quartéis.

Quartel era onde recebia o eleitor, aí o eleitor vinha da roça e ia pro quartel, ali tinha baile, tinha comida, tinha tudo quanto há. E ocê ia prá lá, ali você almoçava, jantava, dormia, ficava na farra, no baile, direto, bailão.

Então quando os caras estavam divertindo alí, eles estavam dominando e conversando os eleitores.

E ali o eleitor saia prá urna e voltava e voltava pra festa. Isso durou até 1960, ainda tinha isso...

...era o coronelismo, era isso aí. O sujeito lá da roça queria. O Nelo111 deve ter um 300 afilhados aí, o Otávio Nascimento112, 300 a 400, prá poder ganhar voto. Pra ter seguro aquela família do lado dele. Era o coronelismo, mais nada do que isso. 113.”

A dinâmica política municipalista mantêm-se “encantada”. Os planos racionalizadores não rompem os limites impostos pelas familiocracias. Em Goiás, as raízes do coronelismo estarão fixadas nas “células legitimadoras da dominação

política, ou seja nos municípios.

111

Nelo Egídio Balestra, prefeito municipal de Inhumas durante 1962. Pai do deputado federal, eleito por 4 legislaturas, Roberto Balestra

112 Otaviano do Nascimento foi vereador durante três legislaturas em Inhumas. Pai do atual prefeito de

Inhumas, Luiz Otávio do Nascimento.