F- TEMEL POLİTİKA VE ÖNCELİKLER
III- AMAÇ VE HEDEFLER
A característica essencial de uma economia monetária de produção é a não- neutralidade da moeda. O elemento chave para se compreender essa característica é o princípio da incerteza.
A moeda representa um refúgio contra as inquietações decorrentes do futuro incerto. O atributo de liquidez e depositário ideal de riqueza da moeda permite flexibilidade de ação frente a imprevistos, funcionando como um hedge contra a incerteza. A moeda torna-se algo desejável por si mesma; sua retenção moeda é um comportamento racional frente ao nosso desconhecimento sobre o amanhã.
Na Teoria Geral, Keynes apontou três motivos pelos quais os agentes podem demandar moeda: motivo transação, motivo precaução e motivo especulação
O motivo transação diz respeito à retenção de moeda para operações de compra e venda de bens e serviços por parte de firmas e família, sendo uma proporção estável da renda Este motivo tem relação com a moeda enquanto meio de troca. O volume demandado é determinado por atividades rotineiras, previsíveis e é gasto integralmente no período em que a renda é recebida. Neste tipo de demanda, a incerteza não tem relevância.
No motivo precaução, o volume de moeda demandado é função direta do grau de preferência pela liquidez. Ao contrário da demanda por transação, onde as despesas e recebimentos são, de certa forma, previsíveis, a demanda por precaução decorre da incerteza. A retenção de moeda visa segurança para atender a despesas inesperadas ou o aproveitamento de oportunidade de negócios lucrativos27. A demanda por precaução está
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Um negócio lucrativo pode surgir, por exemplo, quando eventualmente um agente possuidor de bens de capital tenha que se desfazer de seus ativos em face à necessidade de adquirir liquidez imediata. A permuta de ativos de baixa liquidez por moeda implica em perdas de capital por parte do vendedor (o dono dos bens de capital) e ganhos de capital pelo comprador ( o detentor de moeda)
relacionada à incerteza, no entanto, ela também é uma função estável da renda. (AMADO, 2000)
O motivo especulação diz respeito ao comportamento apostador dos agentes interessados nos ganhos de capital oriundos da retenção de um ativo ou outro. Na atividade especulativa, os apostadores não estão interessados no valor absoluto dos títulos e sim na mudança dos preços dos mesmos. Eles buscam antecipar mudanças na taxa de juros provocadas por oscilações nas expectativas, visando ganhos de capital.
Na teoria clássica, a taxa monetária de juros é o custo pela aquisição do crédito necessário para realizar seus investimentos. A taxa de juros corrente iguala a oferta e a demanda por crédito, isto é, poupança e investimento. Seu nível de equilíbrio depende das preferências intertemporais entre consumo e poupança dos agentes e da produtividade marginal do capital, ou seja, a taxa de juros é uma variável real.
Para Keynes e pós-keynesianos, a taxa de juros não é, como para a teoria clássica, o prêmio pela poupança. A poupança, sendo originada pela renúncia ao consumo, não pode ser influenciada pela taxa de juros, pois o juro é a recompensa pela renúncia à liquidez e não ao consumo.
Keynes define a taxa de juros como
[...] a recompensa da renúncia a liquidez, uma medida de relutância dos que possuem dinheiro alienar o seu direito de dispor do mesmo. A taxa de juros não é o preço que equilibra a demanda de recursos para investir e a propensão de abster- se do consumo imediato. É o preço mediante o qual o desejo de manter a riqueza em forma líquida se concilia com a quantidade de moeda disponível. (KEYNES, p. 122, 1936)
Assim, na teoria keynesiana, a taxa de juros é um fenômeno monetário, psicológico, subjetivo. Sendo o prêmio que deve ser oferecido pela renúncia à liquidez, a taxa de juros é um barômetro de nossas inquietações frente às incertezas quanto ao futuro.
No capítulo 17 da Teoria Geral, Keynes adapta a teoria da preferência pela liquidez para uma teoria em que os agentes escolhem seus portfólios com base na precificação de ativos, onde é analisada a taxa de juros própria para cada ativo. A idéia da taxa própria de juros se baseia no fato de que todo ativo está sujeito a um contrato à vista e a termo. A taxa própria de juros do ativo é dada por r = a + q – c + l, onde a é o valor de mercado do ativo, q é o rendimento esperado pela posse do ativo, c é custo de carregamento e l é o prêmio de liquidez.
A teoria da precificação de ativos caracteriza a demanda pelos diferentes ativos em termos do trade-off entre os rendimentos ( a + q – c) e o prêmio de liquidez que oferecem. A peculiaridade da moeda é que a sua taxa própria de juros, isto é, a taxa monetária de juros é mais resistente à queda que qualquer outro ativo (c = 0; q é desprezível e l é elevado).
Neste contexto, a especulação depende da chamada “taxa de juros normal ou convencional”, ou o nível da taxa de juros subjetivamente estabelecido como seguro. O comportamento convencional é uma das formas de lidar com a incerteza. Os agentes agem pautando-se nas ações dos outros agentes, pois consideram que é melhor errar com o mercado que errar sozinho. Os indivíduos que apresentam comportamento jogador acreditam que suas apostas são mais corretas que as do mercado como um todo. Se, por exemplo, um especulador considera que a taxa de juros está alta e possui uma expectativa que ela irá cair, então ele acredita que o preço corrente do título associado a essa taxa de juros é baixo e no futuro, este preço vai aumentar. Dessa forma, o especulador reduzirá sua demanda de moeda, trocando-a por títulos a fim de vendê-los novamente quando seu preço subir. Do mesmo modo, se o especulador espera que o preço do ativo irá cair, ele venderá o ativo, demandando moeda pelo motivo especulação. (AMADO, 2000; CHICK, 1983)
Por ser um ativo alternativo aos demais, a demanda por moeda afeta a demanda por outros ativos. Quando as expectativas quanto ao futuro se tornam pessimistas, os agentes desviam a demanda por serviços, produtos ou bens que ofereçam rendimentos para a moeda. Contudo, os meios de produção e mão-de-obra tornados disponíveis pela redução da demanda por ativos reproduzíveis não são deslocados para a produção de moeda, a moeda apresenta negligenciáveis elasticidades de produção e substituição. (CARVALHO, 1989). Desse modo, a retenção de moeda provoca vazamento do fluxo circular da renda, afetando o ritmo e a natureza da acumulação de capital, pois a moeda não gasta em consumo não é usada, automaticamente, em gastos com investimentos. O entesouramento implica na falsificação da Lei Say e na possibilidade de equilíbrio macroeconômico aquém do nível de pleno emprego. Neste cenário é impossível conceber a moeda como um elemento neutro, seja no curto ou no longo prazo.