A história brasileira do início do século XX demonstra uma positividade econômica. Após as décadas de intensa e massiva imigração de fins do século XIX, fundamentalmente de mão-de-obra europeia, que propiciada pela produção da lavoura do café, estenderam-se pelas primeiras décadas do século XX, trazendo prosperidade, principalmente, ao eixo São Paulo e Rio de Janeiro. No século XX os governos republicanos seguintes continuaram o desenvolvimento.
O lema da Era Vargas (1930 a 1945), “desenvolver a indústria nacional, sem abrir mão do recurso de capitais estrangeiros”, acarretou a criação da Petrobrás e o estabelecimento do “monopólio estatal sobre a prospecção e o refinamento do petróleo (1953)”, assim como do “Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDE) em 1951” (FERREIRA, 1996, p. 373). Depois, com o
slogan "Cinquenta anos em cinco", do presidente Juscelino Kubitschek (1956 a
1961), o Brasil conseguiu um processo de rápida industrialização, tendo na indústria automobilística seu principal setor.
No período depois de JK, a propaganda revestia o aspecto econômico do país de uma áurea de prosperidade plena. Mesmo com o golpe militar de 1964, para os países vizinhos, o Brasil vivia anos de crescimento “descrito à época na imagem do ‘milagre econômico brasileiro’”76 (Macarin, 2000, p. 5)
76 O Milagre econômico Brasileiro: De 1969 a 1973. Período controverso. De um lado caraterizado por uma violenta repressão, pela tortura e o desaparecimento de milhares de pessoas e viu acentuar-se as grandes diferenças socioeconômicas, foi considerado pelos apologistas do processo como “o período de maior crescimento da história da economia brasileira”. Fundamentado principalmente na “disponibilidade externa de capital e a determinação dos governos militares de fazer do Brasil uma “potência emergente” viabilizaram- se “os investimentos em infraestrutura (rodovias, ferrovias, telecomunicações, portos, usinas hidrelétricas, usinas nucleares), nas indústrias de base (mineração e siderurgia), de transformação (papel, cimento, alumínio, produtos químicos, fertilizantes), equipamentos (geradores, sistemas de telefonia, máquinas, motores, turbinas), bens duráveis (veículos e eletrodomésticos) e na agroindústria de alimentos (grãos, carnes, laticínios)”, porém, foi o “setor de bens de consumo” durável o que mais se expandiu. Entre 1968 e 1973 a taxa média de crescimento do Produto Interno foi de 11,2%. Neste mesmo período, os índices de expansão da atividade industrial variaram, conforme o setor, entre 12 e 18 %. Este desempenho levou o período a ser conhecido no Brasil como "o milagre econômico". O auge do milagre econômico deu-se nos anos de 1972 e 1973. No final da década de 70 a inflação chega a 94,7% ao ano. Em 1980 bate em 110% e, em 1983, em 200%”. O Brasil mergulhou
que, assim como todos os milagres,”são promovidos mediante os meios de comunicação de massa para popularizar determinados aspectos da politica econômica, aos quais se atribui grande eficácia na promoção do crescimento” (SINGER, 1972, p. 5).
Visto pelos estrangeiros como um espaço onde se poderia viver em paz, despertou, em geral, no continente americano e especialmente junto aos países vizinhos, a expectativa de progresso e bem-estar. Frases como “A Copa do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa”77, “Ninguém segura esse país”78, nascidas do discurso politico de um Brasil Potência, fundamentado na economia de exportação, na abertura à recepção do capital estrangeiro e no surgimento do mercado de massas atuava como um forte chamariz para aqueles milhares de imigrantes aos quais se negava o futuro e a prosperidade.
Em 1972 e, apesar das “previsões sombrias”, o que, de acordo com os estudos de Singer (1973 p. 3), refere-se à “crise internacional de pagamentos [que], acabaria acarretando uma queda da demanda externa (no quadro de uma crise geral do comercio mundial) o que levaria a uma redução correspondente da nossa taxa de crescimento”. Como economia brasileira prosseguiu sua expansão, acreditou-se que o desenvolvimento continuaria. Porém, os sinais de declínio do sistema e da inflação reprimida, observados em 1972, voltaram, de forma aguda e generalizada, também no ano 73. O autor continua a expor:
Faltam à mesa do consumidor ao lado da carne, do leite (por um período) o feijão produtos considerados essenciais à dieta popular. Mas faltam também os automóveis: para certos tipos de carros, o consumidor tem que esperar dois meses e meio a
numa nova e profunda recessão cuja principal consequência foi o desemprego altíssimo e brutal. (PEREIRA, 2003).
77 Musica emblema do futebol brasileiro, foi composta seguindo a temática e ritmo de uma marchinha de carnaval e traspassa toda a euforia, e porque não dizer a catarse, perante o triunfo da seleção brasileira no Mundial de Futebol de 1958 na Suécia. Autores: Wagner Maugeri, Maugeri Sobrinho, Victor Dagô, Lauro Müller. Disponível em
https://www.google.com.br/#q=quem+%C3%A9+o+autor+da+frase+a+copa+do+mundo+%C3% A9+nossa Acesso em 22 de novembro de 2014.
78 Frase cunhada para uma campanha publicitaria que o General. Emílio Garrastazu Médici veiculou pela TV com o intuito de reforçar o clima de satisfação e alegria pelo inicio de uma nova fase de prosperidade, segurança e fartura fruto das melhorias advindas do Golpe de 1964.
entrega, a não ser que pague “um extra” o que indica que está se constituindo verdadeiro mercado negro de veículos (SINGER, 1973, p.4).
No âmbito da política, o país vivia sob o governo militar de Garrastazu Médici, considerado pelos outros generais como “linha dura”. O seu mandato destacou-se por um forte autoritarismo, concretizado na implantação e pleno uso do AI-579 (D´ARAUJO, M. 2014 p.1), outorgado em 1968, que possibilitou aplicar um férreo controle sobre a oposição e todos os meios de comunicação existentes, tanto escritos quanto radiofônicos e televisivos. Amparado no mesmo Ato, o governo exerceu a perseguição, encarceramento, tortura e morte sobre boa parte dos seus jovens intelectuais das mais diversas aéreas e tendências muitos dos quais, para escapar da prisão e/ou morte certa, buscaram a proteção e asilo em países de Europa como a França e Itália, ou em países de América Latina como o Chile que a época vivia sob o governo de Allende (1970-1973). Entre os casos de exilio brasileiro chileno pode-se citar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao ex-governador de São Paulo, José Serra, entre outros muitos políticos de destaque.
O auge e o desenvolvimento apregoados por meio da “propaganda oficial e oficiosa” (SINGER P. 1973 p. 59) do regime não declararam nem o forte controle econômico nem as tensões sócio-políticas que na época viviam- se no país, especialmente, as relacionadas ao setor sindical e aos trabalhadores. O fato é que “o Milagre Brasileiro” e os “Anos de Chumbo”80
foram simultâneos” (GASPARI, 2002 p.1281) e, não obstante, ambos os
processos compartilharem espaço-tempo, conviveram negando-se e omitindo- se.
79 AI-
5: “O Ato Institucional nº 5, AI-5, assinado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva foi a expressão mais acabada da ditadura militar brasileira (1964-1985). Vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados”. (1994 p. 336 ).
80 Período em que esteve no poder o General Médici.
Essa imagem positiva do apogeu econômico brasileiro aconteceu no exato momento em que, para os povos da América do Sul, fecharam-se as portas do desenvolvimento e abriram-se as comportas do desrespeito e da violência, que caracterizaram os governos ditatoriais da segunda metade do século XX. Dessa forma, despertou nos vizinhos do Brasil, o desejo de buscar o futuro e o progresso no “gigante do Cone Sul”, aumentando a imigração de latino-americanos para o Brasil.
Com o resultado do golpe militar de 1973 no Chile, a situação político- social no vizinho país se inverte. Os exilados brasileiros, assim como outros muitos estrangeiros que lá residiam, foram forçados a abandonar o país para escapar do regime ditatorial chileno que inicialmente sustentado pelo discurso liberal da direita conservadora, terminaria num regime autoritário de fato, inclusive mais violento do que o vivido pelos brasileiros. Nesta conjuntura se inicia também um intenso processo imigratório da mão-de-obra chilena especializada que, atraída pelo “promissor mercado econômico brasileiro”, enfrenta o desafio de uma nova cultura.
Todavia, como registrado em páginas anteriores, com o resultado da politica econômica aplicada, o Brasil de 1973 defrontava-se com um forte “desabastecimento” (SINGER. P, 1983 p. 64), que arrefecido pela falta de mão de obra, inclusive a qualificada, provaria uma baixa na qualidade de algumas funções, particularmente, as vinculada ao atendimento bancário. Além disso,
“o pagamento de salários superiores” ao mínimo a serventes da construção e a antecipação de reajustamento salarial por parte das empresas que enfrentava a ameaça de certos trabalhadores que se recusam a fazer horas extras indicam claramente que se criou uma situação de insuficiência generalizada de oferta no mercado de trabalho, que poucos acreditariam possível num pais de enorme excedente “estrutural” de mão-de-obra, com o Brasil (SINGER, 1983, p. 7- 8,( grifos do autor).
Para fazer frente à situação encorajou-se a mobilidade de recursos de acordo com os requerimentos da indústria da época de uma maneira paulatina e sequencial, assim, primeiro recorreu-se à transferência “dos mobilizáveis”, depois se incentivaram “as migrações internas e mesmo internacionais e se atrai a força de trabalho que estavam fora dela: donas-de-casa, aposentados,
estudantes”, setores que até essa época estavam fora do campo laboral Todavia, ainda com tudo isso, a falta de trabalhadores continuou intensa e surgiu a necessidade “de uma “mão-de-obra especializada” cuja qualificação requer longo período de aprendizado” (SINGER, 1973, p. 64).
Então, a conclamação de profissionais ultrapassou as fronteiras. Este é o momento em que, como Miguel Ahumada conta, muitos profissionais chilenos vão até a Embaixada de Brasil em Santiago para ver as listas de emprego para profissionais:
Claro porque na época, por exemplo, o Brasil, o ano mais ou menos 74 até 79/80, Brasil precisava bastante de técnicos, e isso... as pessoas que iam à Embaixada… em Santiago, eles tinham uma lista das pessoas que o Brasil precisava, e:::... é impressionante que o processo hoje em dia é assim. O Brasil precisa de novo de mão-de-obra qualificada (Entrevista, agosto de 2014).
Assim, as dificuldades econômicas imperantes no Chile, bem como, a falta de percepção da rigorosidade do regime no Brasil, atraíram cada vez mais os chilenos. Sobre essa severidade, o imigrante Daniel, residente desde 1976, baixando o tom da voz e balançando a cabeça declara: “Não, aqui eu não senti a dureza do regime porque lá... bom... para nós... lá:::... ((respirou fundo)) era bem pior”, evidenciando, dessa maneira, algumas situações difíceis que foram vividas ou por ele ou por alguém próximo. Então, instigados pela necessidade de sair, iniciou-se um intenso processo imigratório da mão-de-obra chilena especializada que, atraída pelo “promissor mercado econômico brasileiro”, enfrentando o desafio de uma nova cultura. O locutor e diretor da Radio Latina, Miguel Ahumada, contou:
Existiam pessoas que chegavam com documentação, chegavam:::... chegavam ao céu [...] mais::... haviam uns problemas de rejeição ao chileno que estava de forma ilegal... e isso foi:::.... foi muito marcante (Entrevista, 2014).
Os registros oficiais da época falam em aproximadamente 17.000 chilenos em São Paulo, porém, de acordo com informações obtidas junto à coletividade, os dados ultrapassam largamente essa cifra. Segundo Miguel, locutor e integrante da Organização Paz instituição orientada ao apoio e
inserção dos imigrantes no Brasil, durante a década de 70/80, a presença chilena era significativa. Suas palavras:
Chegamos a 50.000, 60.000. Claro. Claro, porque na época, a época dos anos 80, era uma coisa impressionante, era... era como a situação dos bolivianos hoje. Você caminhava pela rua e encontrava chilenos, ia buscar trabalho e se encontrava com chilenos, era assim, então...claro...eh...por isso, diferenciando porque todas essas pessoas que saíram, saíram porque eram técnicos, que sabiam, tinham estudado no Chile e não tinham mais espaço porque...era, era, o emprego mínimo e eles tinham que, havia que fazer algo, alguma forma de crescer, de pensar um pouco diferente e saíram por isso... (Miguel, Entrevista, 06/2014)
Depois desse comentário, o nosso depoente silencia relembrando momentos da sua própria vinda, da sua inserção à nova sociedade brasileira, revivendo “dentro da história cronológica, outra história mais densa de substância memorativa no fluxo do tempo” (BOSI, 2004, p. 23), aquele tempo em que ele, assim como tantos conterrâneos, viveu e sofreu.
É preciso registrar que o Brasil na época vivia, assim como o Chile, um período de torturas e desaparições. Que o sistema imperante no país era a ditadura que, semelhante ao Chile, exercia o poder por meio de uma censura férrea e uma perseguição impiedosa. Resulta, pois, curioso que tantos imigrantes chilenos optaram por aqui se aventurar a estruturar suas vidas. Sobre esse aspecto, ao abordarmos essa temática específica, ou seja, se em algum momento eles sofreram com a situação imperante em solo brasileiro naqueles anos, Daniel é categórico ao afirmar “Não, não em nenhum momento sentimos o peso da situação” e Gustavo agrega: “Não, de nenhuma maneira. Para nós passou despercebido porque lá, lá sim que era terrível”.
A necessidade de mão de obra especializada era evidente e isso, propiciou a vinda dos profissionais chilenos. Em relação a esse aspecto, o nosso depoente Miguel Ahumada declara que “a oportunidade de trabalho que o desenvolvimento oferecia para os profissionais chilenos da época era considerável”, e completa:
Claro porque nessa época, por exemplo, Brasil no ano mais o menos 74 até 79/80, Brasil precisava mu…bastantes técnicos e isso, as pessoas que iam à embaixada…em Santiago, eles
tinham uma lista das pessoas que Brasil precisava, (…) na época o Brasil começou a ter sérios problemas porque não tinha pessoal técnico para trabalhar, e...isso abriu, não somente aos chilenos, senão abriu num contexto. Precisávamos técnicos para trabalhar. E na época América Latina, Chile era o país que mais, era o que mais formava técnicos através das suas escolas industriais da INACAP82 e
assim foram-se criando técnicos e as escolas técnicas formaram os primeiros mecânicos, outras escolas formavam eletricistas, eletrotécnicos e foram chegando ao Brasil porque tinham conhecimentos (Miguel, Entrevista, 2014).
As profissões que o Brasil requeria estavam relacionadas em uma “lista”83 que o governo brasileiro mantinha no Consulado do Brasil em Chile, e
à qual as pessoas tinham acesso se assim o requeressem.
Para esses imigrantes ávidos de trabalho e em busca de oportunidades de vida e realização profissional, o progresso econômico divulgado pela imprensa brasileira, e muito especialmente a de São Paulo, era promissora. Essa terra dinâmica, auspiciosa representava para esses imigrantes a oportunidade de se assentarem para alcançar o crescimento e um “futuro melhor”.
A “lista”, tão constantemente mencionada entre os residentes da década de 1970, refere-se a uma relação de diversas indústrias brasileiras que ofereciam oportunidades de emprego a nível nacional e foi fundamental para a saída de uma multiplicidade de profissionais tanto universitários quanto técnicos, que a estas terras se dirigiram para compor o polo de desenvolvimento paulista e brasileiro como um todo.
A existência de um emprego no Brasil possibilitava o ingresso ao país e a posse de um contrato de trabalho já tramitado garantia a quem possuísse esse documento não só a permanência tranquila em solo brasileiro, senão também, a subsistência e a moradia. Os que assim chegaram ao país tinham uma condição claramente superior em relação a aqueles que aqui chegavam como turistas.
82 INACAP – Instituto Nacional de Capacitación Profesional. 83
De acordo com informações recolhidas no Consulado de Brasil em Santiago a “lista” não é acessível ao público, haja vista que, os documentos tem uma vida útil de 5 anos, após os quais, são submetidos a um processo de destruição por motivos de segurança. Informação recolhida quando da visita a esse consulado em julho de 2013.
Ingressar no Brasil significava perfazer um longo caminho. O primeiro passo era conseguir o visto de entrada em território brasileiro, o que, tendo em vista a sua condição de turistas só oportunizava a outorga por prazos reduzidos, assim, uma vez que se ingressava ao país iniciava-se um longo peregrinar atrás dos “papéis” que incluía uma única estadia renovável dentro do país84 sujeita ao pagamento das taxas de recolhimento de acordo com as
instruções da Policia Federal. Em termos de imigração, imperava a “Lei nº 6.815, de 19 de agosto de 1980”85, que embora possua alguns artigos que já
sofreram alterações legais, ainda permanece ativa e vigente para as imigrações atuais.
Essa jornada em busca dos documentos levou os chilenos por percursos insuspeitados, de muito esforço, muito medo e grandes penúrias. Entre os primeiros abalos estavam a exiguidade dos prazos de permanência que as autoridades concediam ao turista e, principalmente, a quem chegava ao país por vias terrestres. Esse prazo reduzido dava origem a uma corrida contra o tempo, uma vez que, para se obter os documentos de residência era imprescindível se ter um emprego fixo e, para se conseguir um trabalho, era indispensável possuir os papeis.
84 O prazo de estada máximo de um estrangeiro no Brasil, em viagem de turismo (Visto de Turismo – VITUR) ou viagem de negócios (Visto Temporário de Negócios – VITEM II), é de 90 dias concedidos na entrada, com a possibilidade de uma prorrogação de (até) outros 90 dias, totalizando o máximo de 180 dias por ano. A prorrogação NÃO É AUTOMÁTICA, tendo o estrangeiro que comparecer a uma unidade da Polícia Federal, onde deverão ser apresentados determinados documentos, bem como o comprovante de pagamento da taxa correspondente. Será dado inicio ao procedimento administrativo, podendo, ao final, ser prorrogado prazo de estada do estrangeiro. 1. Documentos necessários: Formulário de Prorrogação de Prazo de Estada devidamente preenchido - Documento de viagem válido: Passaporte, Cédula de Identidade (para cidadãos do MERCOSUL e Estados Associados); Cartão de Entrada e Saída, recebido e preenchido na chegada ao país; Outros documentos e comprovantes que o agente de imigração entender necessários (comprovante de local de hospedagem, comprovação de meios de subsistência no prazo em que pretende ficar no país, passagem de volta, etc.) 2. Pagamento da taxa correspondente recolhida em qualquer instituição bancária, casas lotéricas, agências dos Correios e correspondentes bancários, por meio de GRU (Guia de Recolhimento da União), obtida aqui. O processo para solicitação de prorrogação de prazo só é feito pessoalmente, na Polícia Federal mais próxima do local onde se encontra o interessado. (BRASIL, 2014). O comparecimento à PF para a solicitação da prorrogação do prazo de estada tem que ocorrer, obrigatoriamente, antes do fim do prazo concedido na entrada no país. A concessão ou não da prorrogação é ato discricionário do policial que analisar a situação migratória do estrangeiro.
85 Esta lei no momento encontra-se em revisão e tem sido levada ao Congresso da República a fim de que se possa emitir uma nova lei mais moderna e adaptada aos novos aspectos da imigração globalizada. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6815.htm Acesso em 15 de outubro de 2014.
Há de se explicar que, os prazos de permanência, além de serem reduzidos, somente poderiam ser renovados uma única vez dentro do Brasil e isso mediante o pagamento de uma taxa paga antes de findar a primeira permanência, depois haveria a necessidade de sair do território nacional para fazer um novo ingresso como se nunca tivesse visitado, ou permanecido, em solo brasileiro. As taxas e as viagens requeriam dinheiro, mas a falta de documentos dificultava bons empregos e bons salários, motivo pelo qual, deixava-se de recolher os encargos e cruzavam-se as fronteiras atrás de novas autorizações. Dado o exposto, surgia o círculo, pelo qual um número inimaginável de imigrantes enfrentaram múltiplas dificuldades para permanecer no país, sendo que muitos deles acabaram em situação de irregularidade e ilegalidade.
Frente a estas dificuldades, muitos, lembrando o auxílio recebido através da Igreja chilena, concretamente, o trabalho realizado pela Vicária86, quer dizer, a defensa dos desvalidos, desaparecidos e torturados pela ditadura imperante no país, que recorrem a Igreja Nossa Senhora da Paz para, num primeiro momento, nela encontrar auxílio material e espiritual nesse novo espaço “Ocupando o e, sobretudo, instalando se” (ELIADE, M., 2001. p. 22) no seio desta metrópole e, entendendo como tal, a instalação já não provisória, senão, permanente.
A Igreja da Paz, “construída pela comunidade italiana”, situada na região do centro da cidade e encravada na baixada do Glicério, encontra-se vinculada à Região Episcopal da Sé87. Essa igreja acolheu “primeiro aos migrantes
internos, sobretudo vindos do Nordeste do Brasil, em seguida, aos imigrantes coreanos”. Posteriormente e, a partir da década de 1980, começam a chegar, em grande número, os “imigrantes vindos de outros países da América do Sul, como, paraguaios, bolivianos, chilenos, peruanos” bem como, os provenientes
86 Vicaria: Arzobispado
87 Região Episcopal Sé: Divisão geográfica criada com a finalidade de melhor atender aos fiéis