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2.4. Verilerin Toplanması ve Analiz

3.1.4. Alt Problem e İlişkin Bulgular

A seção exposta na Serra do Rio do Rastro, SC (Figuras 4 e 5), referida como

Coluna White é um registro significativo das condições paleoambiental e

paleogeográfica do pacote gondwânico da Bacia do Paraná, no sul do Brasil.

Trata-se de uma sucessão contínua de afloramentos de rochas representativas das

supersequências Gondwana I e III, reconhecidas inicialmente por White no ano de 1908

em cortes de estrada ao longo da atual rodovia SC-438, próximo à cidade de Lauro

Müller, perfazendo cerca de 17 km de distância e atingindo espessura aproximada de

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1400 m (Orlandi Filho et al., 2009). O trabalho de White foi a base para estudos mais

detalhados realizados por Schneider et al. (1974) e Castro et al. (1994).

Figura 4 - Localização e foto da Serra do Rio do Rastro, na região da referida Coluna White,

localizada na Rodovia SC-438 – Orleans-Lauro Müller-São Joaquim, SC (Mapa modificado de

Orlandi Filho et al., 2009).

CRONO

ESTRATIGRAFIA

LITOESTRATIGRAFIA

CRETÁCEO

GRUPO SÃO

BENTO

FM. SERRA GERAL

JURÁSSICO

FM. BOTUCATU

PERMO-

TRIÁSSICO

PASSA DOIS GRUPO

FM. RIO DO

RASTO

MB. MORRO PELADO

MB. SERRINHA

FM. TERESINA

FM. SERRA ALTA

FM. IRATI

PERMIANO

GRUPO GUATÁ

FM. PALERMO

FM. RIO BONITO

MB. SIDEROPOLIS

MB. PARAGUACU

MB. TRIUNFO

PERMO-

CARBONÍFERO

ITARARÉ GRUPO

FM. RIO DO SUL

Figura 5 - Coluna estratigráfica das unidades aflorantes na área de estudo (Modificado de

Orlandi Filho et al., 2009).

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Na Coluna White, a Formação Rio do Sul (topo do Grupo Itararé) tem

aproximadamente 190 m de espessura e é base da seção estudada. No local ela é

representada por arenitos com estratificação plano-paralela (Figura 6) e cruzadas de

baixo ângulo, siltitos e folhelhos cinza escuros (Figura 7), turbiditos e diamictitos. O

folhelho e o siltito podem apresentar aspecto várvico e conter clastos caídos. Os

diamictitos contem clastos que variam de grânulo a matacões, a maioria deles de

granitoides (Figura 8). As rochas da Formação Rio do Sul são interpretadas como

formadas em ambientes glacial e periglacial (Rocha-Campos, 1967; Schneider et al.,

1974; Eyles et al., 1993; Santos et al., 1996), e sua idade foi determinada por

palinologia como Cisuraliano inferior a médio (Daemon e Quadros, 1970; Souza e

Marques-Toigo, 2005). Essas rochas sobrepõem em contato discordante o embasamento

local, um granito com textura fanerítica média a grossa (Figura 9), por vezes porfirítico,

apresentando frequentes veios pegmatíticos ou aplíticos, e é sobreposta, em contato

transicional ou localmente erosivo, por rochas da Formação Rio Bonito (Figura 7).

Figura 6 - Arenito da Formação Rio do Sul.

Altura da pá: 35 cm.

Figura 7 - Contato erosivo entre folhelho da Formação Rio do Sul (na base) e arenito da

Formação Rio Bonito (Membro Triunfo).

Altura do martelo: 30 cm.

A Formação Rio Bonito faz parte do Grupo Guatá e é dividida em três membros

que são concordantes e interdigitados: Triunfo, Paraguaçu e Siderópolis. O Membro

Triunfo tem aproximadamente 20 m de espessura e é representado principalmente por

arenitos e conglomerados. Folhelhos, argilitos e camadas de carvão podem ocorrer de

modo subordinado. Os arenitos são finos a grossos, argilosos e micáceos, com

estratificação plano-paralela (Figura 10). O Membro Paraguaçu também apresenta cerca

de 20 m de espessura e é caracterizado por uma sedimentação mais pelítica, sendo

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formado por siltitos cinza (Figura 11) e folhelhos, com finas lentes de arenito fino com

estratificação plano-paralela.

Figura 8 - Diamictito da Formação Rio do Sul.

Notar clasto de granitoide. Extremidade

metálica da lapiseira tem 1,0 cm.

Figura 9 - Embasamento local. Granito róseo,

com grãos médios a grossos de K-feldspato,

plagioclásio, quartzo e biotita. Altura do

martelo: 30 cm.

Figura 10 - Membro Triunfo (Formação Rio

Bonito), arenito micáceo com estratificação

plano-paralela. Altura da pá: 35 cm.

Figura 11 - Afloramento de siltito cinza do

Membro Paraguaçu (Formação Rio Bonito).

Altura do martelo: 30 cm.

O Membro Siderópolis apresenta cerca de 120 m de espessura e é basicamente

formado por arenitos intercalados com siltitos (Figura 12), folhelho e camadas de

carvão. Os arenitos são geralmente cinza amarelados, com geometria tabular e

laminação plana ou em onda. Os membros da Formação Rio Bonito representam um

sistema deltáico de domínio fluvial (Triunfo), recoberto por um sistema marinho

transgressivo (Paraguaçu), que por sua vez foi recoberto por um sistema costeiro

progradante (Siderópolis), mostrando a mudança de um sistema deposicional em

ambiente fluvial para um ambiente dominado por ondas (Schneider et al., 1974).

O Membro Siderópolis apresenta diversas intercalações de depósitos de cinza

vulcânica (tonsteins) descritas na literatura. Essas intercalações normalmente estão

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relacionadas às camadas de carvão e foram datadas por diversos autores (Guerra-

Sommer et al., 2005, 2008a, b, c; Rocha-Campos et al., 2006; Simas et al., 2012, Mori

et al., 2012; Cagliari et al., 2014). As idades obtidas variam entre 298,5 ± 2,6 Ma a

281,7 ± 3,2 Ma, o que posiciona cronoestratigraficamente o topo da Formação Rio

Bonito no Cisuraliano, entre os estágios Asseliano e Artinskiano.

No Grupo Guatá também está inserida a Formação Palermo, que ocorre em

contato transicional com o Membro Siderópolis (Formação Rio Bonito) e é representada

por cerca de 50 m de siltitos bioturbados (Figura 13) com finas lentes de arenito

conglomerático. O siltito apresenta estruturas wavy, linsen e flaser, e essa unidade é

interpretada como um sistema deposicional marinho trangressivo influenciado por

marés (Schneider et al., 1974; Lavina e Lopes, 1986; Assine et al., 2003; Milani e

Ramos, 1998). Sua idade baseada no estudo de palinomorfos é considerada como

Cisuraliana ao início do Guadalupiano (Daemon e Quadros, 1970; Souza e Marques-

Toigo, 2003, 2005).

Figura 12 - Arenito amarelado com

intercalação de siltito do Membro Siderópolis

(Formação Rio Bonito). Altura do martelo: 30

cm.

Figura 13 - Siltito da Formação Palermo.

Altura do martelo: 30 cm.

As formações Irati, Serra Alta, Teresina e Rio do Rasto fazem parte do Grupo

Passa Dois. Os contatos entre essas formações são todos transicionais, incluindo o

contato entre a Formação Irati e a Formação Palermo (Grupo Guatá). Ambas formações

Irati e Serra Alta são interpretadas como formadas em ambiente marinho calmo

(Schneider et al., 1974). A primeira tem aproximadamente 40 m de espessura, e é

formada por folhelhos negros pirobetuminosos (Figura 14) e argilitos com estratificação

plano-paralela, enquanto a segunda tem aproximadamente 100 m de espessura, é

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representada por folhelhos cinza escuros (Figura 15), e tem concreções carbonáticas.

Zircões de uma camada de cinza vulcânica da Formação Irati foram datados por

SHRIMP em 278,4 ± 2,2 Ma (Santos et al., 2006), colocando essa unidade no Permiano

Médio (Cisuraliano).

Figura 14 - Folhelho negro pirobetuminoso da

Formação Irati. Altura do martelo: 30 cm.

Figura 15 - Folhelhos cinza escuros da

Formação Serra Alta. Afloramento tem cerca

de 10 m de altura.

A Formação Serra Alta é sobreposta por argilitos cinza esverdeados, folhelhos e

siltitos (Figura 16), intercalados com arenitos finos, todos apresentando estruturas

flaser, wavy e linsen da Formação Teresina, que tem aproximadamente 75 m de

espessura e é interpretada como um depósito formado em ambiente marinho raso, com

influência de ondas e marés (Schneider et al., 1974). A Formação Teresina é sobreposta

pelo Membro Serrinha (Formação Rio do Rasto), que tem cerca de 90 m de espessura e

é representada por arenitos finos bem selecionados, intercalados com siltitos e argilitos

cinzas (Figura 17), que apresentam estratificação cruzada e estruturas flaser, wavy e

linsen. Rocha-Campos et al. (2006) dataram zircões de uma camada de cinza vulcânica

dessa unidade por SHRIMP e obtiveram a idade de 275,1 ± 5,4 Ma.

A porção superior da Formação Rio do Rasto, Membro Morro Pelado, é formado

por 30 m de arenitos avermelhados (Figura 18) com estratificação cruzada e

intercalações de siltitos e argilitos. A Formação Rio do Rasto é interpretada como uma

planície de maré progradante (Membro Serrinha) que transiciona para um ambiente

fluvial-deltaico (Membro Morro Pelado) (Schneider et al., 1974).

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Figura 16 - Siltito cinza esverdeado da

Formação Teresina. Altura do martelo: 30 cm.

Figura 17 - Argilito do Membro Serrinha

(Formação Rio do Rasto). Altura da caderneta:

14 cm.

O Grupo São Bento é constituído pelas formações Botucatu e Serra Geral

(Figuras 19 e 20). A Formação Botucatu sobrepõe em contato erosivo a Formação Rio

do Rasto, tem cerca de 70 m de espessura é formada por arenitos finos a médios,

localmente grossos, com grãos bem selecionados e bem arredondados (Figura 21).

Apresenta camadas tabulares e lenticulares, com estratificações cruzadas de grande

escala e é interpretada como formada em ambiente eólico (Schneider et al., 1974). A

Formação Serra Geral tem aproximadamente 650 m de espessura e consiste em basaltos

cinza escuros a pretos, com textura afanítica. A idade dessas rochas vulcânicas está bem

definida como Cretácea por meio de idades Ar-Ar em 134,6 ± 0,6 Ma (Thiede e

Vasconcelos, 2010) e idades U-Pb em zircões e badeleítas em 134,3 ± 0,8 Ma (Janasi et

al., 2012), sugerindo que o evento vulcânico perdurou por um curto período de tempo.

Figura 18 - Arenito avermelhado do Membro

Morro Pelado (Formação Rio do Rasto).

Altura do martelo: 30 cm.

Figura 19 - Contato discordante entre os

arenitos da Formação Botucatu (abaixo) e os

basaltos da Formação Serra Geral (acima).

Altura do martelo: 30 cm.

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Figura 20 - Detalhe do contato entre a

Formação Botucatu e a Formação Serra Geral.

Ponta metálica da lapiseira tem 2,0 cm.

Figura 21 - Detalhe do arenito da Formação

Botucatu. Extremidade metálica da lapiseira

tem 1,0 cm.

3. Materiais e métodos