1. Alaşım ve Alaşım Metaller
1.4. Alaşım Metallerinin Çeşitleri ve Özellikleri
1.4.1. Altının Tabiatta Bulunuşu Ve Özellikleri
De acordo com o conceito de ethos assumido por Maingueneau tratado no primeiro capítulo e as implicações que as imagens discursivas trazem para a práxis enunciativa, podemos agora então mostrar o forte vínculo entre o conceito de ethos e o de gênero discursivo.
Vimos afirmando que a constituição do ethos nas atividades linguageiras está intimamente associada ao gênero discursivo por meio do qual os sujeitos da interação se representam. Assim, ao variar o gênero, cria-se a possibilidade de uma nova representação subjetiva. Portanto, a construção da identidade dos sujeitos se faz discursivamente à medida que o gênero discursivo varia. Maingueneau (2005, p. 74), por exemplo, mostra haver “uma diversificação do ethos em razão das especificidades dos tipos e dos gêneros de discurso”. A este respeito, Maingueneau (1998, p. 60) ainda declara:
As divergências entre os gêneros de discursos ou entre os posicionamentos concorrentes de um mesmo campo discursivo não são somente da ordem do conteúdo, eles passam também pelas divergências do ethos: tal discurso político possui um ethos professoral, tal outro o da linguagem livre do homem do povo, etc. Das citações acima, duas questões importantes se impõem e, em vista disso, merecem uma discussão mais detida. Essas questões são a estabilidade de um determinado ethos estar vinculado a um gênero específico e o posicionamento do enunciador pelo gênero.
Entre nós circulam com freqüência determinados tipos de gêneros que já parecem carregar junto a si a previsibilidade da representação do enunciador com um determinado tipo de ethos, o que Aristóteles, conforme Eggs (2005), já havia intuído, ao mostrar, dentro dos três gêneros retóricos, deliberativo, judiciário e epidíctico (celebrativo), que, em cada um deles, o orador se mostra de forma diferente. Da maioria dos gêneros jurídicos, esperamos de quem enuncia um tom enfático e assertivo, por exemplo. Reboul (1998, p. 152) comunga da mesma idéia, ao destacar que: “a escolha de um gênero não é apenas a escolha de um estilo,
de uma argumentação. É necessariamente uma escolha ideológica que acarreta certa visão do mundo e do homem”.
Em certa medida, Amossy (2005, p. 20) corrobora também esta tese de a imagem do enunciador se mostrar previsível no interior do gênero em que enuncia, quando, referindo-se ao estudo de Marc Angenot sobre a “imagem do enunciador” no gênero de discurso panfleto como estratégia de argumentação, afirma:
O panfleto distingue-se pela forte presença do enunciador no discurso, por “eu performativo”. A “consciência” que habita o discurso panfletário se inscreve em um conjunto de traços morfo-semânticos e no sistema doxológico de que o “eu” se apropria (os eununciados dóxicos se tornam suas opiniões). Mas essa onipresença do ego é também marcada por uma temática que desenha a imagem-tipo do panfletário: uma imagem de si tão genérica que acaba se tornando mais pessoal. O panfletário apresenta-se como marginal que se autonomeia (ele se exclui do sistema institucional), como homem que não possui nenhuma competência particular fora do poder da verdade que ele assume por necessidade interior, como solitário dotado de coragem intelectual, como homem de pathos e da indignação.
Noutro momento, Amossy (verbete ethos, in CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2004), ainda sobre essa questão, ressalta que:
Cada gênero de discurso comporta uma distribuição pré-estebalecida de papéis que determina em parte a imagem de si do locutor. Esse pode, entretanto, escolher mais ou menos livremente sua “cenografia” ou cenário familiar que lhe dita sua postura (o pai benevolente face a seus filhos, o homem de falar rude e franco etc.)
Esta estereotipia do ethos vinculado a um gênero específico encontra, por vezes, em alguns gêneros literários, um forte reconhecimento, se considerarmos que, na esfera da literatura, há algumas formas “genéricas” rotuladas com um nome que já sinaliza para o caráter da obra e do seu autor (romance picaresco, poesia intimista, comédia, poema burlesco etc.). Sobre isso Maingueneau (2001c, p. 93) sublinha: “De fato, as obras literárias adotam na maioria dos casos o ethos associado aos gêneros aos quais pertencem”. Bakhtin (1997, p.119), por seu turno, declara que, nas obras literárias, “nós advinhamos os acentos do autor”. Em vista disso, o gênero cria uma identidade social, e, daí, determinados tons, para aquele que se exercita habitualmente na produção de um determinado gênero discursivo. Para ficar no campo literário, citemos os seguintes casos: identifica-se, por exemplo, Carlos Drummond como poeta (juntamente com o seu veio satírico e questionador da ordem estabelecida), Machado de Assis como romancista (e o seu acento irônico), Stanislaw Ponte Preta como cronista (e o seu tom humorístico) e, por que não dizer, Jesus como “parabolista” (e o ethos da sapiência e a imagem de um enunciador enigmático), identificação gerada pela freqüência
com que usa o gênero parábola para interagir com os seus interlocutores. (“E sem parábolas nunca lhes falava [...]”. Mc.4:34). Assim, na ambiência literária, muitas vezes, o gênero discursivo define o discurso a que pertence esse gênero, criando uma identidade para aquele que enuncia. Nos termos utilizados por Maingueneau, pode-se afirmar que, nesse caso, a cena genérica faz nascer a cena englobante, ambas incidindo sobre a contrução do ethos dos interlocutores.
Segundo Maingueneau (2005, p. 221) “[...] o simples fato de que um texto pertence a um gênero do discurso ou a um certo posicionamento ideológico induz expectativas em matéria de ethos”. No prolongamento dessa idéia, Amossy (verbete ethos, in CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2004) ressalta que “cada gênero de discurso comporta uma distribuição pré-estabelecida de papéis que determina em parte a imagem de si do locutor”. Desta forma, os gêneros discursivos, de certa maneira, prevêem determinado ethos (ethos prévio) e excluem outros.
Por outro lado, cabe o reconhecimento de que existe intrinsecamente nos gêneros dos discursos – em alguns mais, em outro menos – a possibilidade de a maneira de os locutores se representarem ser subvertida em relação à imagem que se mostra usualmente por meio de um gênero particular. Fairclough (2001, p. 63) parecer corroborar com esta idéia quando diz:
Um gênero tende a ser associado com um estilo particular, embora os gêneros freqüentemente possam ser compatíveis com estilos alternativos – por exemplo, as entrevistas podem ser “formais e ‘informais”.
Numa audiência, por exemplo, se espera do juiz que ele se mostre com um caráter sério, firme, impositivo. Entretanto o mesmo poderá escolher adotar um tom suave e sereno com gestos moderados e brandos durante todo o desenrolar do evento. Um último exemplo que podemos dar, sobre este ponto, está em Maingueneau (1998, p. 38):
Um enunciado “livre” de qualquer coerção é utópico. Uma boa ilustração deste fato decorre de um texto que B. Gard examinou; trata-se de um folheto sindical que pretende ser um depoimento “autêntico” sobre a realidade do trabalho em uma linha de montagem. As coerções do gênero “depoimento” exigem a utilização de um “falar popular” que supostamente é capaz de liberar um discurso imediato, reflexo da situação social do operário não qualificado. No entanto, testemunhar consiste em ostentar as marcas de uma enunciação sem maneirismos, sem afetações; o que pressupõe, exatamente, que haja conformidade ao gênero de palavras sem artifícios, à linguagem dita “popular”. De tal forma que, por uma virada lógica, o depoimento “autêntico” transforma-se em um texto que parece proceder diretamente de um romance de Céline.
É preciso dizer, todavia, que a própria subversão dessas representações éticas pressupõe uma certa estabilidade, sem a qual não haveria a consciência do desvio. Além do mais, como afirma Maingueneau (2001a, p. 71), “a inovação no gênero tem um alcance relativo”. Há que se considerar, ademais, o que Bakhtin (2000, p. 71) diz nesse sentido.
A maior parte desses gêneros (primários e secundários) se presta a uma reestruturação criativa (de um modo semelhante aos gêneros literários e, alguns deles, num grau mais acentuado), mas um uso criativo livre não significa ainda a recriação de um gênero para usá-los livremente, é preciso um bom domínio dos gêneros.
O próprio Maingueneau (2001b, p. 101), analisando o gênero “resenha” de filmes, mostra que uma desses tipos de resenha pode, de um lado, respeitar o contrato genérico imposto pelo gênero, acompanhado de um tom de seriedade do enunciador-resenhista, mas, por outro, pode existir também uma resenha que “se afasta do ethos habitualmente associado a esses gêneros de discurso”.
O que toda essa discussão acaba por revelar é uma relação de tensão entre estabilidade/instabilidade na caracterização dos gêneros discursivos, aqui exemplificada com a construção do ethos, e tão bem percebida por Gomes-Santos (2003, p. 39) ao ressaltar que:
O sujeito que enuncia não é anulado nesse processo de constituição dos gêneros tampouco é a fonte de que eles decorrem. Eis porque podemos afirmar que, embora tendo um caráter normativo, os gêneros são atualizados em cada novo evento enunciativo que os engendra – atualizado, nesse sentido, traz bem a noção de algo que guarda ecos de enunciações anteriores ao mesmo tempo em que cria condições para a constituição de um horizonte enunciativo novo.
Com certa linha de continuidade ao que foi dito acima, Maingueneau (1997, p. 36) afirma:
A cada gênero associam-se momentos e lugares de enunciação específicos e um ritual apropriado. O gênero, como toda Instituição, constrói o tempo-espaço de sua legitimação. Estas não são “circunstâncias” exteriores, mas os pressupostos que o tornam possível.
Para encerrar esta questão aqui, concedemos a palavra a Faïta (1997, p. 171) que, apoiado no pensamento bakhtiniano, traz-nos um exemplo revelador dessa relação paradoxal e híbrida do caráter estável e instável da constituição dos gêneros, mostrando que, embora o enunciador esteja preso às coerções “genéricas”, ele dá ao gênero seu estilo, sua maneira singular de enunciar.
Retomamos nossa sugestão de um locutor que adote um tom douto numa conversação familiar, exprimindo com uma mímica engraçada a distância em
relação à realidade: ele manifesta então sua consciência do desvio feito em matéria de relações entre o uso da linguagem e o campo de atividades.
O domínio de que faz prova consiste em referir-se a um gênero conhecido, diferente do gênero parodiado por uma característica perceptível do tema (mímica, entonação), ou ainda em entregar-se à criação de um gênero novo pelo antigo... Nesse exemplo hipotético, nenhuma lingüística da língua poderá dar conta do funcionamento de troca verbal, na sua incapacidade de definir a relação enigmática estabelecida pelo “déjà-là” dos gêneros e a singularidade, a “não reiterabilidade dos temas”.
Podemos observar a relação entre ethos e gêneros discursivos nas reflexões de Maingueneau quando o autor adota a idéia do “posicionar-se pelo gênero”. Acerca desse conceito, Maingueneau (2001a, p. 68-9) ressalta que:
Posicionar-se é colocar em relação a um certo percurso dessa esfera com o lugar que, por sua obra, o autor se confere no campo. Escrevendo “baladas”, Victor Hugo volta, para além do classicismo, a um gênero medieval, traça como que um percurso na esfera literária afirmando-se como “romântico”59.
A fim de precisar o termo, o autor, em seguida, esclarece que está tomando-o em dois sentidos: “o de uma “tomada de posição” e o de uma ancoragem num espaço conflitual (“fala- se de uma “posição militar”). (op. cit., p. 69).
Maingueneau (2000a, p.177) mostra bem a imbricação entre ethos e posicionamento, ao afirmar que:
Um posicionamento implica igualmente um investimento imaginário do corpo, a adesão “física” a um certo universo de sentido. As “idéias” se apresentam aí através de uma maneira de dizer que é também uma maneira de ser [...] Através desse ethos, o enunciador se investe de uma identidade e confere uma a seu ouvinte/leitor. Do cruzamento desses conceitos “posicionar-se pelo gênero”, “posicionamento”, “ethos”, fica a idéia de que o ethos determina uma posição dentro da esfera discursiva em que o gênero se realiza60. O posicionamento cria, pois, a identidade do produtor através do gênero, do que se conclui que todo ethos se enuncia em pregnância a um determinado gênero, pelo qual há um posicionar-se do enunciador, pois, “mesmo que o leitor não saiba nada de
59 Ainda que o autor, nesta obra, prestigie na sua análise os gêneros literários, o conceito de “posicionamento
pelo gênero” é perfeitamente aplicável, sem nenhum prejuízo, ao estudo de outras ordens de gêneros discursivos.
60Refletindo sobre o conceito de formação discursiva em Pêcheux, Baronas (2004), apoiado em Branca, propõe
um redimensionamento desse conceito, para um uso prático, em Análise do Discurso a partir do posicionamento subjetivo e ideológico e do conceito de gênero do discurso de Bakhtin, para o que toma em consideração a intrpretação que faz do conceito pêcheutiano de FD como “aquilo que pode e deve ser dito (articulado sob a forma de arenga de um sermão, de um panfleto, de uma exposição, de um programa etc.) a partir de uma posição na conjuntura social”. Diante disso, o autor o autor conclui que: “Essa articulação proposta por Branca permite que a constituição-bordamento exterior da formação discursiva não seja reescrita em termos de conteúdo temático, estilo verbal e estrutura composicional. Dito de outro modo, além do posicionamento ideológico, os elementos que constituem o gênero possibilitam uma espécie de trajeto de interpretação para o sujeito”. (p. 57).
previamente sobre o caráter do enunciador, o simples fato de que um texto pertence a um gênero do discurso ou a um certo posicionamento ideológico induz expectativas em matéria de ethos”. (MAINGUENEAU, 2005, p. 71).
Além disso, podemos dizer com Maingueneau, 1998, p. 74 que “o gênero do sermão não é investido da mesma maneira por um padre integralista e por um padre progressista” ou, como ressalta, em concordância, Almeida (2003, p. 76) que: “Cada tipo de discurso comporta no seu interior gêneros, nos quais se encontram definidos os seus papéis e suas condições de leitura”. Sob esta perspectiva, Amossy (verbete ethos, in CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2004), interpretando a proposta de Maingueneau sobre o ethos, mostra como se impõem ao ethos as coerções genéricas e cenográficas: “o ethos é condicionado pela cena da enunciação, ela própria considerada na distribuição dos papéis implicada pelo gênero de discurso e pela cenografia”.
Noutro instante, Maingueneau (2001) acentua a forte relação entre ethos e o que ele chama de cena genérica, que seria, como vimos no primeiro capítulo, a cena enunciativa mobilizada pelo gênero discursivo, através do qual o enunciador mostraria sua imagem ao co- enunciador pelo tipo de contrato discursivo estabelecido pelo gênero. Dessa forma, Maingueneau (1997, p. 155-156), discutindo sobre a construção ethos da doçura na cena enunciativa mobilizada pelo discurso religioso do humanismo devoto, mostra a conjunção que o ethos tem com o gênero:
O termo doce, já examinado, não constitui apenas um predicado da devoção no humanismo devoto (“a verdadeira devoção é doce”) que se opõe aos predicados de outras formações discursivas, mas diz igualmente ao “tom” do enunciador legítimo (que deve expressar-se “docemente”) seu “caráter’, o gênero de cenas enunciativas requeridas (cartas, conversas familiares) [...]”.
Esta idéia estabelece pontos de intersecção com o que afirma Verón (1980, p. 220).
A ordem do imaginário é a ordem própria da estrutura do dispositivo da enunciação. Dito de outra maneira, todo discurso se enuncia no imaginário. Só que este imaginário é socialmente construído e específico de cada tipo de discurso.
Gregolin (2001, p. 65) chega mesmo a ressaltar que as representações do imaginário coletivo se alimentam e/ou se reproduzem dos gêneros discursivos a que estão atrelados, enquanto Piris (2005, p. 731) conclui que “a construção do ethos se submente a um conjunto de regras ideológicas e enunciativas, cuja predominância de uma sobre a outra pode variar conforme o gênero discursivo”.
Na esfera do discurso bíblico, a respeito da relação entre ethos e gêneros do discurso evocado por Maingueneau acima, Ricoeur (s/d, p. 128) é elucidativo, para os nossos propósitos de análise, ao mostrar como o ethos da figura de Deus se representa de formas variadas a partir de diferentes gêneros – a que o autor rotula de formas de discurso – em que essa imagem aparece.
De fato, seria necessário explorar outras formas de discurso e talvez outros contrastes significativos, por exemplo, o da legislação, ou ainda do hino e do provérbio. Através de todos estes discursos, Deus aparece sempre de um modo diferente: como Herói da Gesta da Salvação, o da cólera e da compaixão, Aquele a quem nos dirigimos, numa relação do tipo Eu-tu, Aquele que apenas encontramos numa ordem cósmica que me ignora.
Seguindo com a orientação de Maingueneau para o ethos em relação com os gêneros discursivos, consideremos um último tópico. Ao discutir sobre as condições de êxito para a concepção de um gênero, Maingueneau (2001b) arrola uma série de elementos imprescindíveis para a existência prática e efetiva dos gêneros do discurso, tais como: o fato de o gênero precisar de uma finalidade reconhecida, ter lugar e momentos legítimos, necessitar de suporte material para vinculação, possuir uma organização textual e, por fim, haver um estatuto de parceiros legítimos. Dentre esses elementos citados, ganha maior importância para nossa discussão o status respectivo dos enunciadores e dos enunciatários61. Ora, o reconhecimento do ethos por parte dos interlocutores parece ser um desses elementos estatutários para legitimação da troca lingüística por meio dos gêneros, pois, conforme assegura Maingueneau (1997, p. 102):
[...] um gênero de discurso, como já vimos, não é apenas um conjunto de propriedades textuais, pois estas últimas estão ligadas a condições de enunciação de diferentes ordens, desde o estatuto do enunciador até o ethos.
A respeito do que se está comentando, há um exemplo esclarecedor dado pelo próprio autor:
Um curso universitário deve ser ministrado por um professor, que supõe deter um saber e seu devidamente autorizado para exercer o ensino superior; deve ser dirigido a um público de estudantes que, supostamente, não detém esse saber. (MAINGUENEAU, 2001b, p. 66).
Nesse sentido, há uma espécie de contrato éth-ico entre os co-enunciadores para a validação da cena genérica em que cada um reconhece e assume seu papel nessa interação.
61 Bakhtin (2000, p. 301) já havia chamado atenção para isso ao sublinhar que: “o querer-dizer do locutor se
realiza acima de tudo na escolha de um gênero do discurso. Essa escolha é determinada em função da especificidade de uma dada esfera de comunicação verbal, das necessidades de uma temática (do objeto de sentido), do conjunto constituído de parceiros, etc”. (O destaque é meu)
Assim, o ethos se constitui em um dos elementos do ritual genérico, na medida em que todo gênero prevê e exclui para os interactantes uma incorporação de um determinado ethos, que é, por assim dizer, das formas “genéricas” uma das suas instâncias legitimantes.
Em consonância com isso, Maingueneau ainda (2001a, p. 65) declara:
Qualquer enunciação constitui um certo tipo de ação sobre o mundo cujo êxito implica um comportamento adequado dos destinatários, que devem poder identificar o gênero ao qual ela pertence.
Arriscaríamos a dizer, face a esta questão, que a construção do ethos dos/pelos enunciadores e enunciatários nos gêneros discursivos compõe uma das facetas da economia cognitiva dos gêneros – a que se referiu Bakhtin (2000, p. 32)62– haja vista que os gêneros também se estabilizam por uma espécie de relação contratual tácita de papéis e máscaras que os interlocutores assumem e representam na enunciação. Na opinião de Bronckart (1999, p. 101):
O gênero adotado para realizar a ação de linguagem deverá ser eficaz em relação ao objetivo visado, deverá ser apropriado aos lugares sociais e aos papéis que este gera, e, enfim, deverá contribuir para promover a “imagem de si” que o agente submete à avaliação social de sua ação.