BÖLÜM 2. ALMANYA’YA GÖÇ
2.2. Almanya’daki Türkler
2.2.1. Almanya’daki Türk Toplumu
2.2.1 O perfil da escola, dos alunos e dos professores
A escola EEFM João Mattos onde esta pesquisa foi realizada está localizada no bairro Montese na cidade de Fortaleza, CE. O Montese é um bairro de classe média à classe média baixa, porém a escola abrange a demanda de matrícula de todos os bairros adjacentes e recebe, até, alunos que residem em bairros ainda mais distantes. Os estudantes de lá, portanto, são de classe média baixa, tendo a família renda mensal de até dois salários mínimos, aproximadamente. Muitos moram próximo à instituição educacional, porém outros pegam até dois transportes públicos para chegar ao colégio2.
O João Mattos tem, no ano de 2016, aproximadamente 780 alunos distribuídos nos três turnos de ensino: são dois nonos anos (Ensino Fundamental), três primeiros, três segundos e três terceiros (Ensino Médio) no turno da manhã, turno este em que há o maior número de matrículas; dois nonos, três primeiros, dois segundos e dois terceiros à tarde; e dois primeiros, dois segundos e dois terceiros à noite, sendo polo no turno da noite, pois várias escolas próximas fecharam esse turno. Em cada turma, há aproximadamente trinta alunos, e na escola há uns cinquenta professores. A maioria dos docentes são efetivos da rede estadual de ensino e possuem especialização, são poucos os que ainda não possuem esse título, muitos são mestres ou mestrandos, e alguns são até doutores nas suas respectivas áreas. Enfim, são professores capacitados, comprometidos com o trabalho docente e responsáveis.
A escola possui, de certa forma, uma boa estrutura física, apesar do pequeno espaço. Há laboratórios de Ciências, de Informática e até laboratório de Humanas, não são por completos equipados, porém funcionam diariamente. Existe apenas uma sala de multimeios,
2
Esses dados foram recolhidos por meio de questionários sociais produzidos pela própria pesquisadora e
aplicados aos alunos que participaram da pesquisa. Esses questionários estão disponíveis nos anexos desta pesquisa.
que deve ser previamente reservada pelo professor, mas, como a demanda é muito grande, muitos professores são desprivilegiados, faltando espaço e equipamento para que os docentes deixem suas aulas mais criativas. A biblioteca, apesar de ser também pequena, é um espaço bastante frequentado por alunos e professores. A biblioteca é o único espaço físico disponível para leitura, além da sala de aula e dos murais distribuídos pela escola, e dispõe aproximadamente de 1.800 exemplares. Os alunos que mais procuram a biblioteca espontaneamente são os do Ensino Médio, eles procuram bastante os best sellers (Harry Potter, Crepúsculo, A culpa é das estrelas...). Nesse ambiente, no contexto da pesquisa, trabalham oito pessoas (sendo seis delas professores de Língua Portuguesa readaptados por problemas de voz) que são responsáveis pela organização dos livros, pelo atendimento aos alunos e dos professores e pelos projetos realizados por meio da biblioteca para a escola.
2.2.2 O material didático, as avaliações internas e os projetos de leitura desenvolvidos na escola João Mattos
2.2.2.1Os recursos didáticos
O primeiro e o mais utilizado recurso didático é o próprio livro adotado, em três e três anos, pelos professores, de acordo com o PNLD3 (Programa Nacional do Livro Didático). O livro didático do Ensino Fundamental II é o Vontade de aprender português da editora FTD, cujas autoras são Rosemeire Alves e Tatiana Brugnerotto. Esse livro é bem contextualizado, porém com muitas questões ainda tradicionais; cada unidade traz textos com temas próximos uns dos outros e de diferentes gêneros; a seção destinada especificamente à leitura traz questões que trabalham mais as informações explícitas do texto. Os livros didáticos do Ensino Médio são da coleção Linguagens em conexão da editora Leya, cujas autoras são Graça Sette, Márcia Travalha e Rozário Starling. O livro traz a divisão entre Literatura, Gramática e Produção Textual, cujos títulos são, respectivamente, “Literatura e leitura de imagens”, “Gramática e estudo da língua” e “Produção de textos orais e escritos”. Só pelos títulos da divisão, já percebemos que há uma abordagem mais moderna em relação ao uso da língua, valorizando textos multimodais e também a linguagem oral e suas variações.
3
Esse programa, executado em ciclos trienais alternados, tem como principal objetivo subsidiar o trabalho
pedagógico dos professores por meio da distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação básica. Após a avaliação das obras, o Ministério da Educação publica o Guia de Livros Didáticos com resenhas das coleções aprovadas. O Guia é encaminhado às escolas que escolhem, entre os títulos disponíveis, aqueles que melhor atendem seu projeto político pedagógico.
De fato, esse livro usado nas séries do Ensino Médio é bastante atualizado, principalmente na parte gramatical, pois traz questões atualizadas que trabalham os aspectos linguísticos para a produção do sentido global do texto. Na parte destinada à Produção Textual, trabalha-se o gênero e o contexto de produção e valoriza a sequência didática e a revisão do texto escrito. Nos capítulos da Literatura, trabalha-se com muitos textos, e estes textos são sempre relacionados a imagens e a outros textos.
Não há, porém, no livro didático do Ensino Médio, um trabalho voltado somente para a compreensão textual, para a aula de leitura propriamente dita, o que pode ser considerado uma falha, pois a compreensão textual somente é explorada na leitura dos textos literários ou quando o texto é pretexto para o ensino das categorias gramaticais, ou, ainda, o texto é lido para que sirva de modelo para a produção de um gênero específico.
Além dos livros didáticos, não há outro material utilizado, pois poucos são os materiais produzidos pelos professores, e os motivos são vários, dentre eles: falta de tempo para o planejamento e falta de apoio financeiro da escola, porque a xérox, na maioria das vezes, só é liberada para a reprodução das avaliações bimestrais. Quando os professores querem utilizar um material de produção própria, eles mesmos devem arcar com os custos ou pedir para cada aluno xerocar o material, o que não é muito produtivo e recomendado por se tratar de uma instituição pública. Para escapar dessa problemática, são usados projetores, mas, para toda a escola, só existem dois disponíveis os quais devem ser previamente reservados na sala de multimeios e, por isso, muitos professores não conseguem a locação desse instrumento para a data solicitada.
A biblioteca da escola também é um espaço bastante explorado, tanto por professores quanto por alunos. Muitos professores indicam livros para que os alunos leiam, porém os docentes têm dificuldade de desenvolver esse tipo de trabalho porque não há, em quantidade suficiente, o mesmo título de livro para contemplar toda a turma. Como cada aluno lê um título diferente, o professor não consegue fazer um efetivo trabalho de leitura em sala de aula.
2.2.2.2 As avaliações internas
As notas dos alunos são compostas por somatórios entre as notas parciais e as bimestrais. As avaliações parciais são livres, cada professor faz a sua de acordo como achar melhor. Muitos preferem até pedir um trabalho em grupo para compor essa nota. Alguns docentes dividem a nota parcial em três: nota do trabalho ou da prova parcial (feita na própria aula da disciplina), nota pelas atividades realizadas durante todo o bimestre letivo (o que é
bastante válido, pois o aluno não será avaliado somente por uma prova, mas por um conjunto de ações observadas durante as aulas) e até nota por comportamento.
Já as avaliações bimestrais são realizadas em datas específicas, e todas as turmas fazem a prova no seu respectivo turno. Essas avaliações são elaboradas pelos professores que dividem a tarefa uns com os outros, depois as questões são unidas em um caderno por área. Na área de Linguagens e códigos, o caderno tem 30 questões, sendo 15 de Português, 5 de inglês, 5 de espanhol e 5 de Educação Física. Todas as questões são elaboradas na perspectiva do Enem.
Os resultados das avaliações parciais são satisfatórios, porém os das avaliações bimestrais são sempre insuficientes (cabe até uma pesquisa na área para descobrir o porquê de tão baixos índices). Sendo arbitrária, risco em dizer que a causa de notas tão baixas pode ser a não relação das aulas com o estilo das questões cobradas. O conteúdo pode até ser dado, porém a forma de cobrar esse conteúdo em sala de aula e até no livro didático ainda não condiz com as necessidades exigidas pelo Enem. Isso tudo se complica ainda mais no nível Fundamental, pois é a primeira vez que os alunos do nono são avaliados com esse tipo de avaliação.
2.2.2.3 Os projetos de leitura desenvolvidos na escola
Há alguns projetos de leitura que são desenvolvidos na EEFM João Mattos, como o financiado pelo PJF (Projeto Jovem de Futuro), intitulado “Os livros que eu não li”. Esse projeto foi iniciativa de um grupo de alunos do 3º ano que catalogaram todos os livros que eles leram durante um ano e fizeram uma relação de todos aqueles que eles e outros alunos gostariam de ler, mas que não existiam na biblioteca. Com isso, viabilizado pelos funcionários da biblioteca e pela verba do PJF, esse projeto foi de grande utilidade para aumentar o acervo da biblioteca, pois os livros solicitados pelos alunos foram comprados com a verba que foi para a escola através do projeto.
Outro projeto de leitura realizado na escola é iniciativa de alguns professores de Língua Portuguesa e funciona da seguinte forma: os professores pedem para as bibliotecárias separarem alguns livros de gêneros diversos de acordo com o objetivo da aula; na sala de aula, os alunos escolhem os exemplares; os alunos têm duas semanas para lerem o livro; e, na terceira semana, escrevem uma resenha para ser entregue e apresentada. Os pontos positivos desse projeto são: os alunos leem no mínimo um livro por mês; eles têm a
oportunidade de escolher o livro que vão ler; além da leitura, os alunos exercitam a escrita e trabalham o gênero resenha e desenvolvem a habilidade oral da língua; e os alunos trocam entre si as experiências de leitura e a opinião sobre os livros por eles lidos. Já os pontos negativos desse projeto são: alguns alunos não leem o livro por inteiro; pegam resumos na internet e os entregam como resenhas; e muitos não querem apresentar por vergonha de falar em público.
Como podemos perceber, há poucos projetos na escola voltados para a leitura, e o ambiente da escola para leitura se resume na biblioteca, nos flanelógrafos espalhados pelos corredores que são utilizados como quadros de avisos e nas salas de aula, geralmente só nas aulas de Língua Portuguesa.