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O método de pesquisa que melhor se adequa aos objetivos deste trabalho é o estudo de caso. Esta escolha é justificada com base na definição proposta por Yin (2010), uma investigação de natureza empírica que estuda um fenômeno contemporâneo, dentro de um contexto real de vida, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto em que ele se insere

não são claramente definidas. Em outras palavras, trata-se de uma análise aprofundada de um ou mais objetos (casos), para que permita o seu amplo e detalhado conhecimento acerca de um problema não suficientemente definido (BERTO; NAKANO, 1999; VOSS; TSIKRIKTSIS; FROHLICH, 2002; NAKANO, 2012).

Segundo Miguel (2007) o conteúdo do estudo de caso deve estar estritamente relacionado ao referencial teórico, possibilitando a identificação de lacunas de pesquisa e provar a questão que servirá para a condução do caso. Com base no levantamento bibliográfico feito anteriormente foi possível identificar estudos que justificam a escolha do método de estudo de caso. A contemporaneidade do tema de pesquisa no Brasil pode ser encontrada nos trabalhos de Rabechini Jr., Maximiano e Martins (2005), Padovani et al. (2008), Padovani, Carvalho, Muscat (2010), Castro e Carvalho (2010a e 2010b). Os trabalhos de Cooper, Edgett e Kleinschimidt (1998, 1999, 2000 e 2001), Kerzner (2006), Killen, Hunt e Kleinschimidt (2008), Killen et al (2012) e Killen (2013) apresentam práticas e ferramentas sobre a gestão do portfólio de projetos adaptadas a cada realidade organizacional. Nota-se também uma discussão mais intensa na literatura sobre o tema ao longo das últimas décadas.

Cabe destacar que a literatura aborda o tema de gestão de portfólio de projetos segundo diferentes vertentes, sejam teóricas ou empíricas (MIGUEL, 2008). Nesse sentido, o presente trabalho pretende trazer uma contribuição empírica, conforme traçado nos objetivos.

Segundo Nakano (2012), muitos dos conceitos contemporâneos desenvolvidos na área de gestão de operações e engenharia de produção foram desenvolvidos por meio de estudos de caso, mas o desenvolvimento de forma adequada não é uma tarefa trivial, necessitando a classificação das abordagens de pesquisa e o desenvolvimento de um protocolo de pesquisa que guiará o pesquisador no desenvolvimento do trabalho (Apêndice A). A Figura 4apresenta um diagrama representativo do método de pesquisa do estudo de caso. Os próximos tópicos apresentarão os objetivos e a abordagem da pesquisa e as técnicas e instrumentos para coleta e análise dos dados.

Figura 4 – Diagrama representativo do método de pesquisa do estudo de caso

Fonte: Elaborado pelo próprio autor

4.2.1. Objetivos e Abordagem da pesquisa

Segundo Yin (2010) e Voss, Tsikriktsis e Frohlich (2002), a pesquisa pode ser classificada em relação ao conteúdo e objetivo final (exploratório, explanatório ou descritivo). Este trabalho será um estudo descritivo, buscando descrever o comportamento das variáveis envolvidas, identificando situações, atitudes e opiniões presentes na população do estudo (MARTINS; MELLO; TURRIONI, 2014). Essa classificação é justificada, pois há poucas informações disponíveis sobre a utilização das práticas de gestão de portfólio de projetos no contexto brasileiro (CASTRO; CARVALHO, 2010a).

Um projeto pode ser classificado também de maneiras distintas quanto a sua abordagem de pesquisa, podendo seguir abordagem qualitativa, quantitativa, ou uma mescla das duas. Este trabalho faz uso da abordagem qualitativa por pretender estudar um fenômeno amplo e complexo, adotando um questionário flexível que contará com o bom senso do pesquisador em sequenciar ou eliminar questões dependendo do conhecimento ou receptividade do entrevistado (BRYMAN, 1989). Este mesmo autor apresenta como características da abordagem qualitativa a ênfase na interpretação subjetiva dos indivíduos, múltiplas fontes de evidência, importância da concepção da realidade organizacional, delineamento do contexto do

ambiente de pesquisa e o uso de uma abordagem não muito estruturada. Neste tipo de abordagem os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais a serem abordados (MARTINS, 2012)

4.2.2. Técnicas e instrumento de pesquisa

Conforme apresentado anteriormente, para se realizar o estudo de caso é necessário extrair dados de múltiplas fontes de evidências onde qualquer fato relevante à corrente de eventos que descrevem o fenômeno é um dado potencial para análise (MIGUEL, 2007). Desta forma foram desenvolvidos dois tipos de instrumentos de pesquisa: questionário estruturado e um roteiro de entrevista semiestruturado.

O questionário estruturado foi desenvolvido, com base no modelo conceitual e seus pressupostos, com o intuito de quantificar as opiniões dos atores envolvidos a respeito das práticas adotadas de gestão de portfólio de projetos e seus benefícios e os fatores organizacionais que as afetam. Foi desenvolvido um questionário para cada nível hierárquico das instituições analisadas. Eles foram preenchidos via eletrônica (utilizando a ferramenta Google Docs) e estão apresentados no Apêndice B.

Em paralelo foi desenvolvido um roteiro de entrevista semiestruturado, utilizando como base os fatores identificados na literatura e as percepções levantadas com as respostas dos questionários estruturados. Este roteiro foi preenchido pelo pesquisador em conjunto com o entrevistado e só participaram dessa etapa os atores dos níveis: coordenação e institucional. Este procedimento tem a vantagem de permitir flexibilidade no sequenciamento das questões propostas. A entrevista presencial apresenta a vantagem de resultar em maior taxa de respostas úteis por parte das pessoas abordadas, além de possibilitar a obtenção de informações suplementares (FORZA, 2002). O roteiro de entrevista está apresentado no Apêndice C.

4.2.3. Análise dos dados e a conclusões tiradas

Por meio da triangulação dos dados obtidos pelos dois instrumentos de pesquisa, foi realizada uma descrição de cada caso (instituição) e uma análise cruzada das instituições.

Segundo Yin (2010), a adoção da abordagem descritiva para a apresentação dos casos permite identificar a unidade incorporada de análise (cada instituição dentro do seu ambiente) e o padrão geral de complexidade que, por fim, pode ser utilizado para explicar os fatores comuns apresentados entre os grupos analisados.

Segundo Yin (2010) o estudo de caso deve ser pautado na confiabilidade, por meio de um protocolo de pesquisa para a realização da coleta de dados e na validade dos dados coletados e analisados, usando a lógica de replicação para analisar os múltiplos casos existentes. Para a realização dos casos foi elaborado um protocolo de pesquisa (Apêndice A), contendo os procedimentos e as regras gerais que foram seguidas para a seleção dos casos e as unidades de análise. O protocolo de pesquisa é uma das principais táticas para aumentar a confiabilidade e a validade da pesquisa de estudo de caso (YIN, 2010).

Benzer Belgeler