Osmanlı İhtilaller
2.3. Ali Reşad Bey’in Tarih, Eğitim, ve Kültür Anlayışı
Analisando questões relacionadas ao processo de passagem de uma obra para outro
meio, Adami (2000, p.73) afirma que adaptar “é principalmente, atualizar o texto em outra linguagem”. Tudo isso parece ser muito simples, porém, tem provocado profundas discussões entre escritores, roteiristas, diretores. De acordo com o autor, “o que deve ser
preservado é a espinha dorsal do texto original, o espírito do escritor, de modo a
percebermos nas entrelinhas a trama central”. (ADAMI, 2000, p.68).
O escritor e roteirista de televisão Rey (1989), entende que uma adaptação é um
roteiro original, porque “não precisa necessariamente conter tudo que está no livro”.
Quanto às críticas negativas com que a adaptação é julgada, Rey diz:
Quase perplexos constatamos que a palavra adaptação não consta do vocabulário de muita gente supostamente possuidora de bagagem cultural, como professores e jornalistas. Daí estar ela exposta a julgamentos apressados e superficiais, naturalmente injustos. (REY, 1989, p.63).
Diante do exposto, percebemos que, tanto Adami quanto Rey, abordam o traço mais polêmico entre as obras e suas adaptações: o sentimento de perda, quando não de destruição, que autores, críticos e às vezes até o público consideram ocorrer nesse processo. Lins (1977, p.61), analisando a relação entre a literatura e os meios de
comunicação, entende que a adaptação “surge aos olhos desavisados do público como uma
promoção, uma sagração, envolvendo-a em uma aura de prestígio”.
Dois autores que enfocaram a relação literatura e adaptação televisual em suas análises apontaram aspectos negativos. Averbuck (1984), no estudo sobre a telenovela
“Selva de Pedra”, obra adaptada do romance de Lígia Fagundes Telles, ao comparar as
que, por meio da obra adaptada, não se realiza o desejo do escritor. O sonho de “levar sua
palavra a milhões de possíveis leitores, se apresenta como uma ilusão, e seu desejo de
diálogo permanece ao fim irrealizável”. (AVERBUCK, 1984, p. 202).
Chegando a conclusões também negativas em relação à obra adaptada para a TV, Sodré (1978), analisando a adaptação televisiva do conto “A Cartomante”, de Machado de
Assis, diz que o teledrama subverte a intenção do conto e dele “resta um puro efeito de
prestígio – uma aura literária, um nome: Machado de Assis”. (SODRÉ, 1978, p.23).
A essas visões negativas, Figueiredo (1995) apresenta uma contrapartida: a possibilidade de, ao menos, tornar mais conhecidos autores e obras. Enfatiza a socialização da obra que, com a televisão, torna-se mais disponível ao grande público. Segundo a autora, a televisão, ao levar ao grande público uma obra da chamada literatura culta, constitui-se em veículo socializador e democrático. Esse aspecto não pode ser desconsiderado em um país como o Brasil, em que poucos leem obras de ficção.
Segundo PIZA (2010, p. 10), “no mundo inteiro, inclusive no Brasil, são lidos mais
livros de não-ficção do que de ficção”. Houve um tempo, como sabemos, em que a narrativa ficcional ocupava o centro da cultura. No século XIX, por exemplo, o grande
romance dava a medida de uma civilização. ”Hoje não mais”, complementa o autor. Para
Piza (2010), pode-se atribuir a perda da importância da leitura de ficção “à explosão de outros meios e linguagens, à concorrência de formatos audiovisuais, à internet, que têm uma eloquência mais direta; e todos eles não exigem o grau de concentração que os
clássicos”.
Não preocupado em confrontar e discutir os valores da obra literária e os da obra adaptada, é Comparato que, estudando a adaptação, de forma didática, apresenta suas características e seus diferentes graus. Sua concepção do que é adaptar aproxima-se da visão de autores que veem a obra adaptada como algo original:
Uma transcrição de linguagem que altera o suporte linguístico utilizado para contar a história. Isto equivale transubstanciar, ou seja, transformar a substância, já que uma obra é a expressão de uma linguagem. Portanto, já que uma obra é uma unidade de conteúdo e forma, no momento em que fazemos nosso conteúdo e o exprimimos noutra linguagem, forçosamente estamos dentro de um processo de recriação e
transubstanciação. [grifos do autor]. (COMPARATO, 1995, p.330).
Buscando maior especificidade ao emprego do termo adaptação às obras produzidas para a TV, Reimão (2004) afirma que:
A adaptação do texto literário para um programa televisivo e, em primeira instância, um processo de mudança de suporte físico. Trata-se de uma passagem de sinais e símbolos gráficos assentados em papel para um conglomerado de imagens e sons captados e transmitidos eletronicamente. (REIMÃO, 2004, p. 107).
Trata-se de uma definição que aponta para um sentido mais amplo do termo, assim
como para a expressão “tradução intersemiótica”, de Jakobson (s.d, p. 65), e adotada por
outros pesquisadores para designar o processo de adaptação – o trabalho de passar signos verbais para o sistema de signos não-verbais. Além disso, estão subjacentes a esse processo questões complexas e polêmicas como: autoria, audiência, participação e recepção.
Nesse processo, não podemos negar as diferenças básicas entre o meio pelo qual a mensagem da obra original e da obra adaptada é passada, mesmo em se tratando de um
mesmo texto. Nesse sentido, Adami (2000) ressalta que “adaptar talvez seja pegar as várias
leituras do mesmo texto e transformar em imagem, respeitando o que basicamente o autor
imaginou”. Um exercício de leitura e reconstrução de sentido de um texto. Assim sendo,
não há como admitirmos a existência de fórmula para a reconstrução de uma obra literária em texto fílmico ou televisivo. É uma trajetória marcada pela sensibilidade do autor, aquilo que está subjacente, metaforizado na obra de origem. Cabe ao adaptador, navegar entre a palavra-imagem.
As relações do autor com o universo da televisão significam um grande desafio a ser enfrentado pelo intelectual. Nessa operação é preciso decifrar a imagem como se decifra um texto, ou seja, encontrar um sentido, significações fornecidas pela imagem. Na TV possuímos os dois – texto e imagem. Isso requer uma nova leitura, diferente da leitura de um romance e de uma fotografia. Daí ser necessária uma releitura, pois estamos lidando com um novo texto, em que há a coexistência desses dois elementos responsáveis pelo dinamismo da televisão.
Walter George Durst (apud ADAMI, 1995), experiente adaptador e roteirista, lembra que, para uma boa adaptação, é necessário que seja lido o maior número de obras e informações possíveis sobre o autor, se possível, respirar, inclusive, o mesmo ar do autor, quando esse escreveu o texto de partida – o texto literário. “O essencial é captar a essência e as nuanças do autor e não fugir do proposto. É conhecer a sua obra e passar a visão do
Adami (op. cit.) ressalta que é errado pensar que os textos literários são um roteiro, faltando apenas enumerar as cenas. O principal motivo para essa visão está na diferença das linguagens. O texto televisual precisa ser sequencial, linear, apresentar as ações dos personagens, além da incursão dos elementos sonoros, musicais e imagéticos imprescindíveis na televisão. O autor continua lembrando que as contradições são o que realmente marcam uma narrativa ficcional, são elas as responsáveis pelo poder
dramatúrgico de um texto. Para ele, “adaptar é mais que simplesmente copiar em uma outra linguagem, é reconstruir, desconstruir um texto” (ADAMI 1995, p. 14).
No caso de uma adaptação, Adami (idem) acredita haver, no mínimo, três planos: o da história, o do discurso e o da narração, pois é dentro desses universos de partida que
“recriamos, construímos e desconstruímos situações, ações, vida de personagens, espaços”.
Por isso, é importante saber manipular a carga ideológica que o texto de partida traz consigo, que é percebida pelo universo imagético-discursivo, que o autor construiu, utilizando, também, o tempo e o espaço como fundamentação da sua história.
Sabemos que o elemento “tempo” é essencial na construção de qualquer narrativa, seja literária, fílmica, televisual. Esse fator acaba modificando os caminhos de todas as estruturas de um texto, internas ou externas a ele. O tempo é, portanto, um agente de muita importância para a realização de uma adaptação, por ser o responsável pela melhor compreensão da dimensão ficcional. O tempo é inseparável do mundo imaginário, vez que acompanha o estatuto irreal dos seres, objetos e situações.
Nesse contexto, a transposição de uma obra literária para a televisão, quanto aos aspectos estéticos, é marcada por diferenças entre a linguagem escrita e a audiovisual. Lembraremos, neste trabalho, três dessas diferenças, por consideramos fundamentais. A primeira, e mais evidente, é que na linguagem televisiva toda informação deve ser visível/audível. Isso parece óbvio, porém, quem escreveu um roteiro sabe como é difícil
evitar a tentação de escrever. Vejamos um ligeiro exemplo na seguinte frase: “João acorda e lembra de Maria”. Isso é muito fácil de escrever, porém, difícil de filmar. Palavras como “pensa”, “sente”, “esquece”, “lembra” e “percebe”, presentes em qualquer romance, são
complicadas para o roteirista, que só pode escrever o que é visível. A segunda diferença, e que diz respeito à natureza dessas linguagens, refere-se ao conhecimento prévio que o leitor tem da realidade, base estruturante de toda narrativa. Isso significa que na literatura, o escritor nos informa apenas aquilo que julga ser necessário, enquanto o leitor imagina todo o resto.
Na televisão, os roteiristas e cineastas precisam fazer grande parte do trabalho do leitor. Qual é a cor das paredes do quarto? Como é a luz do quarto? Há uma janela? A luz entra pela janela? Através das cortinas? Há móveis no quarto? A cama é de madeira? Há lençóis? O cineasta precisa, imediatamente, tomar essas decisões, enquanto o autor poderá adiá-las. Vimos, portanto, que a ordem em que as informações são liberadas na televisão ou na literatura é bem diferente.
O terceiro aspecto a ser considerado é quanto à realização do trabalho. A televisão é um trabalho coletivo, ao contrário do texto escrito, quase sempre expressão de um indivíduo. Configura-se, assim, uma questão de autoria. Em um roteiro para televisão,
temos que considerar o “olhar” do diretor de imagem, quando sublinha ou acrescenta esta
ou aquela cena, amplia ou reduz certo personagem, em especial. Sendo assim, a autoria é multiplicada, dada a participação da equipe envolvida na realização da obra.
A passagem de um texto literário para um texto televisivo pressupõe uma operação intertextual específica. Para tanto, objetivamos definir a intertextualidade, segundo Bakthin
(1992), como o “diálogo de um texto com outros”. Porém, um leitor só irá notar a presença
da intertextualidade, seja na literatura, na televisão e no jornalismo, se possuir leituras anteriores dos originais, que forneçam subsídios na identificação dos cruzamentos dos textos, caso contrário, podem não notá-los.
Quando explicitada nos próprios créditos, a adaptação revela a sua condição de obra resultante do que podemos chamar de uma relação intertextual. Mas, pode ocorrer dos adaptadores fazerem apenas referência à obra original, sem o uso do termo. Em ambos os casos, os realizadores se reservaram certo direito à liberdade na adaptação e, nesse sentido, deixaram claro que se trata de uma relação intertextual menos comprometida do que se
espera, quando os créditos dizem: “adaptação de...”. Qualquer que seja a gradação explícita
nos créditos, irá sempre diferenciar a obra adaptada da original.
Tratando-se de uma prática que atravessa os tempos e se mantém constante, não é, pois, de admirar, que a adaptação literária tenha despertado interesse à televisão e que, ainda hoje, motive diversas produções nesse domínio.
Seguindo linhas de investigação diversas, é significativo notar que existem várias abordagens teóricas relativas à adaptação literária, fenômeno tão vasto e com implicações de natureza diversa. Bulger (2004) refere-se a esse processo como sendo “transtextualidade literária ou adaptação”, o que considera como sendo um território de diversidade analítica,
no qual é difícil chegar a consensos, seja em relação a normas, metodologias e classificações tipológicas.
Por essa razão, Bello (2005, p. 156) considera mais prudente falar de “tipos de
adaptações”, em vez de usar o termo geral “adaptação”, uma vez que, para a autora, a palavra “adaptação” pode reportar-se a processos de transposição intersemiótica
substancialmente diferentes. Tendo noção de que a adaptação é um processo complexo de
dialogismo intertextual, Comparato (1995, p. 133) considera mais prudente falar de “graus de adaptação” do que em apenas adaptação, em sentido geral. Consideramos que o
fundamental da catalogação da adaptação em diversas tipologias é que o ato interpretativo de concretização de uma obra em um novo meio pode assumir diversas formas, dependendo da condição inventiva de quem redimensiona o texto original em um novo produto.
Sendo assim, podemos entender a transmutação do texto escrito para o produto audiovisual como uma interação dinâmica, ou, nos termos de Souza (2000), como um
fenômeno “muldimensional capaz de gerar novas funções sígnicas e de conferir, por
transfiguração/reconfiguração, mobilidade semiótica nas marcas pragmo-semânticas do texto literário”. (SOUZA, 2000, p. 67). Em um sentido semelhante, Xavier (2000) destaca que passaram a dar primazia ao diálogo inter-artes e à interpretação livre aos romances.
Observamos, por conseguinte, que é mais provável pensar a adaptação como processo dinâmico ou dialogismo intertextual, do que continuar seguindo as abordagens que associam a adaptação a termos como fidelidade e tradução. Na verdade, lidamos com um processo que implica na relação inter-artes que, todavia, não destrói e nem transforma a integridade de nenhuma das linguagens envolvidas, mas situam-se em domínios distintos.
Concordamos, então, na esteira de Bello (2005, p.160), que a adaptação é um
processo de regeneração ou um “encontro renovado” entre formas de expressão diferentes,
porém, julgamos significativo observar que todas as transformações geradas no seio da adaptação literária se processam levando-se em conta alguns aspectos fundamentais, como as características específicas de cada meio, e outros filtros, como as questões político- ideológicas, imposições de produção, considerações econômicas, motivos tecnológicos, todos eles envolvidos na gramática transformacional da adaptação.
Como vimos, a adaptação ocupa um lugar em um determinado contexto sociocultural que a determina e envolve uma diversidade de interesses, sendo, por isso, um processo estético que mediatiza motivações ideológicas, crenças, valores, sistemas de
ideias, atitudes e padrões comportamentais. É, portanto, um fenômeno cultural abrangente, pois na criação resultante da transformação, haverá espaço para uma referência inevitável ao texto original, e mesmo aqueles que nunca leram a obra escrita, são remetidos para ela através do produto adaptado.