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Alansal ortalama yağışın hesaplanmasında kullanılan metotlar

5. ALANSAL YAĞIŞIN BULUNMASI

5.2 Alansal ortalama yağışın hesaplanmasında kullanılan metotlar

O sistema social moderno evoluiu na medida em que dois processos igualmente se desenvolveram: a racionalização, como ampliação do domínio da razão, e o engrossamento das relações internas do sistema social. Este conceito foi desenvolvido por Weber (2004), ao menos em suas premissas, ao estabelecer a ação humana, dotada de sentido, como fundamento de sua sociologia. Este aspecto fundamental do pensamento weberiano representa um rompimento com as concepções clássicas, que entend iam a sociedade como um organismo, do qual os indivíduos fazem parte, como partículas vivas componentes do todo social. Conforme Marramao destaca, “em Weber, a estrutura constitutiva dos laços sociais não é mais dada pela relação indivíduo-sociedade, mas sim pela relação entre racionalidade e forma de ação. O indivíduo não é mais, como na tradição clássica ocidental, a célula da sociedade” (1995, p.186, 187). A proposta conceitual apresentada por Weber rompe, portanto, com uma visão antropocêntrica da sociedade. A concepção moderna, reduzindo o ser humano a sujeito, como primeiramente em Descartes (2003), com o “penso, logo existo”, na verdade o esvazia como indivíduo-corpo-experiência e o transforma em ser pensante e

interlocutor de si mesmo, cuja experiência se dá fora de si, ou seja, fora do indivíduo de carne e osso, no domínio da razão que mensura, que calcula, que produz abstrações, que constrói imagens, que cria o mundo, que fabrica representações. Daí a possibilidade da alienação do sujeito de si mesmo e do mundo, tema central da crítica de Marx à sociedade capitalista. O ser humano é visto como um ser de relações, nas quais ele é movido a agir de forma racional. As motivações racionais da ação levam à construção de um sistema social governado pela ética capitalista, cujo valor não está na “cega ambição de ganho, não numa espontânea e anárquica acumulação de lucros, mas sim na ética da renúncia e do disciplinamento” (MARRAMAO, 1995, p.186).

Marramao analisou as relações entre poder e secularização na sociedade ocidental, à luz do seu desenvolvimento histórico, cujas concepções da temporalidade são determinadas pelas conjunturas sociais, e seus conteúdos conceituais. A racionalização, componente central e produtor da modernidade, é responsável pela trans formação do cenário político. A fundamentação do sistema de controle social é a força física, cuja utilização é de competência exclusiva do Estado, concebido como soberano. Para Marramao, o que deu uma nova fisionomia ao poder moderno foi o processo de racionalização, através do qual o sistema social passou a relacionar-se com o tempo de forma diversa do que se fazia até então, isto é, o passado e o futuro, ainda que sejam diferentes entre si, tornaram-se “articulações do presente” (1995, p.184). Isso se deve ao desenvolvimento e aperfeiçoamento do critério de escolha entre as múltiplas possibilidades de construção do mundo, critério esse que é a consideração dos fins como essencial à determinação dos meios. A multiplicação de possibilidades, característica básica do mundo moderno, torna necessária a escolha. Ao escolher, o ser humano opera uma exclusão de diversas possibilidades. Apenas uma delas se torna realidade. O passado é o resultado de uma escolha divina: dentre tantas possibilidades, Deus escolheu criar este mundo, excluindo, portanto, muitas outras possibilidades – raciocínio que levou Leibniz (1966) à conclusão que este só pode ser o melhor dos mundos. O excedente de possibilidades do passado é deslocado, na modernidade, para o futuro. Porém, o universo das muitas possibilidades que habitam no futuro é reduzido através da planificação. O presente, portanto, se adensa e se complexifica. Ele é o resultado do agir racional, que tem na seletividade uma de suas principais operações.

A ação orientada pela racionalidade no interior da sociedade ocidental fez com que esta seja pensada como um sistema de ações dotadas de sentido. Essa definição weberiana da estrutura constitutiva dos laços sociais tem implicações decisivas para o pensamento político. A sociedade governada pelo princípio da racionalidade desemboca no sistema capitalista, que

é, em sua essência, uma forma de organização social e de produção que deixa para trás o modelo orgânico-comunitário, que tem por base a relação indivíduo-sociedade. O capitalismo funciona por meio de dois processos: separação (ou cisão) e formalização. Pelo primeiro, o ser humano é separado ou alienado do produto de seu trabalho. Pelo segundo, a organização das ações e das relações humanas é regrada como por uma máquina, isto é, através de mecanismos sociais que seguem regras determinadas, formalmente constituídas. A observação weberiana desse processo de desenvolvimento da racionalização na constituição da sociedade moderna assume um tom de prognóstico tingido de juízo de valor de impressionante relevância no mundo atual, ao utilizar a imagem da “prisão de ferro”, ou “jaula de aço” (WEBER, 2003, p. 135). O mundo moderno, dominado pela ética racional, construiu uma ordem econômica que se impõe irresistivelmente sobre todas as pessoas, esgotando as fontes de matéria-prima do planeta e governando tirana e cegamente a todos. E não se trata de um poder exterior simplesmente e somente, mas também interior, uma vez que “os bens materiais adquiriram um poder crescente e inexorável sobre a vida do homem, como em nenhum outro período histórico” (WEBER, 2003, p. 135).

Nesse esquema weberiano, o poder, como resultado da racionalização, assume a forma de uma máquina estatal burocraticamente automatizada e impessoalmente conduzida. Entretanto, deve-se salientar que Weber não elimina a possibilidade da irrupção de agentes criativos levantando-se contra o sistema da “prisão de ferro”, movidos por “idéias e ideais” novas, profetas carismáticos, no final do “tremendo desenvolvimento” do domínio da racionalização moderna.

2.1. Dominação burocrática

A dominação burocrática, característica da modernidade racionalizada, não se resume, em Weber, em uma estrutura verticalizada, na qual o poder é exercido de cima para baixo. Como observou Marramao, a autonomia do poder político vai além da classe política, localizada no vértice da pirâmide. Ela se estende para todas as esferas e níveis do sistema social, tendo como ponto de partida o nível da economia. Daí a utilização que Weber faz de termos emprestados da economia, tais como “expropriação política”, “monopólio da força física legítima”. As relações de poder, que permeiam toda a sociedade, são dominadas pela lógica do poder, cujos parâmetros são dados pela economia. O líder político é, na realidade, um empreendedor e sua ação assemelha-se à de um líder empresarial, cuja função desestabiliza a ordem preconizada pela própria dominação burocrática, ao desequilibrar as

relações entre produção-distribuição-consumo. É na tensão existente dentro do sistema governado pela racionalidade que se deve entender a concepção weberiana de ordem política. A tensão interna ao sistema social regido pela racionalidade é conotada na imagem da “prisão de ferro”, que deveria ser um simples “manto”, que podemos atirar fora a qualquer momento que quisermos. Weber deixa transparecer que o desenvolvimento do mundo moderno regido pelo processo de racionalização é um caminho sem retorno, irreversível, um “destino” do nosso tempo (2003, p. 135), que tem construído uma ordem universal ligada à produção pelas máquinas e suas condições técnicas e econômicas, que se impõe irresistivelmente a todos, ainda que conteúdos não-racionalizados reprimidos possam dar origem a movimentos carismáticos, reações a um mundo sem coração, dominado por “especialistas sem espírito”.

Há diversos elementos característicos da dominação burocrática apontados por Weber que é importante abordarmos aqui:

Na dominação burocrática, há um quadro administrativo burocrático, composto por funcionários individuais, não por grupos de decisão (colegiados). Weber descreveu a estrutura e o funcionamento do tipo de dominação burocrática na sua forma mais pura, a monocrática, como a expressão mais racional de exercício de dominação,

porque nele se alcança tecnicamente o máximo de rendimento em virtude de precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiabilidade – isto é, calculabilidade tanto para o senhor quanto para os demais interessados - , intensidade e extensibilidade dos serviços, e aplicabilidade formalmente universal a todas as espécies de tarefas (2004, v.1, p. 145).

A forma monocrática é preferível à colegiada, para os fins a serem atingidos na administração burocrática, segundo as exigências modernas. Há uma tendência para a monocracia que pode se verificar em vários países, por causa do “interesse numa administração rápida, inequívoca e por isso independente de compromissos e variações de opinião da maioria” (WEBER, 2004, v. 1, p. 145).

Os funcionários, na associação de administração burocrática12: - Obedecem somente às obrigações objetivas de seu cargo;

- São nomeados numa hierarquia rigorosa dos cargos. Funcionários nomeados estão sujeitos mais rigorosamente a uma disciplina de função e dependem unicamente do superior que os nomeou, enquanto que funcionários que são eleitos podem se valer de sua eleição para prevalecer. Nomeação é, para Weber, um

12 Essas injunções, observa Weber, aplicam-se tanto às associações políticas como às hierocráticas, ou religiosas.

No capítulo 5, mostraremos como este modelo desenhado por Weber se aplica a alguns grupos neopentecostais em sua estrutura administrativa.

elemento essencial da burocracia moderna, em virtude de sua maior adequação aos objetivos da associação ou empresa.

- Devem apresentar uma qualificação profissional, legalmente reconhecida, cujo grau cresce continuamente na burocracia. A qualificação profissional está ligada ao domínio do conhecimento específico que a sua função exige. É em virtude do conhecimento que a administração burocrática tem um caráter racional, e, portanto, moderno. É do conhecimento que vem o poder da burocracia, que é ainda mais fortalecido pelo saber prático de serviço: “o conhecimento de fatos adquirido na execução das tarefas ou obtido via ‘documentação’” (2004, p. 147). - Têm competências funcionais fixas.

- São remunerados com salários fixos, de acordo com a sua posição na hierarquia, a responsabilidade do cargo e a correspondência à posição social.

- Exercem seu cargo como profissão única ou principal.

- Têm a perspectiva de uma carreira: progressão por tempo de serviço e/ou eficiência.

- Estão submetidos a um sistema rigoroso e homogêneo de disciplina e controle do serviço.

- Trabalham absolutamente separados dos meios administrativos e não se apropriam do cargo.

Somente o dirigente da associação burocrática não está sujeito às regras às quais todos os funcionários se sujeitam. Em outras palavras, aquele que ocupa a posição mais elevada na administração burocrática não ocupa uma função puramente de natureza burocrática. Ele não precisa ter uma qualificação profissional, ou conhecimento específico. Somente ele, o empresário capitalista, isto é, aquele que se serve da burocracia, está acima dessa exigência do conhecimento burocrático racional. Ele também não é contratado ou nomeado, para a sua função. Sua posição é adquirida através de apropriação, ou eleição ou designação da sucessão. Sua competência não é profissional, mas legal.

Essa concepção de poder na sua forma mais moderna, isto é, racional, elaborada por Weber, foi discutida, trabalhada e ampliada por outros autores, tais como Parsons e Luhmann. As observações desses pensadores da sociedade tomam a concepção weberiana como ponto de partida, aprofundam um ou outro aspecto, e, sinteticamente falando, parecem considerar o esquema weberiano como simplista demais. As reflexões posteriores tenderam a complexificar o resultado das análises de Weber, chamando a atenção para a necessidade de se pensar a relação do sistema social com o ambiente, que é constantemente mutável, plural e

crescentemente complexo. Interessa-nos, para esta análise das transformações sociais do mundo moderno e sua influência sobre o fenômeno do poder e suas diversas formas de expressão e sua fragmentação no campo neopentecostal, as propostas teóricas de Foucault, as quais, por serem mais recentes, refletem o próprio desenvolvimento do objeto em estudo. Em outras palavras, o desenvolvimento do conceito de poder não revelaria simplesmente uma progressão de conhecimento sobre um objeto estável e imutável que é revelado aos poucos, mas revelaria em si mesmo já as transformações que esse objeto de estudo tem sofrido enquanto sobre ele se pensa e se estuda.