O modelo da Zona Agroecológica – FAO utiliza parâmetros de cultura, como o coeficiente de sensibilidade ao déficit hídrico (Ky) e coeficiente de colheita (Cc). Esses coeficientes foram calibrados para o conjunto de dados empregados no presente estudo. De acordo com Kaboosi e Kaveh (2010), os valores de Ky tem maior peso na estimativa da produtividade quando comparados aos de evapotranspiração da cultura, fazendo com que erros associados a tal coeficiente diminuam a eficiência do modelo de penalização da produtividade devido à ocorrência de déficit hídrico, desenvolvido por Doorenbos e Kassam (1979), o qual emprega os valores de Ky associados aos de evapotranspiração relativa (ETr/ETc).
Após a calibração do Ky e Cc obteve-se a produtividade estimada (PE) da cultura da soja para cada cultivar nos diferentes locais de cultivo. A relação entre a produtividade observada (PO) e PE utilizando o valor Ky calibrado (CF) e recomendado pela FAO (FF) por fase de desenvolvimento da cultura, e calibrado (CC) e o recomendado pela FAO (FC) para todo o ciclo são apresentadas na Figura 10. Pode se observar que para os diferentes valores de Ky a relação entre a PO e PE apresentou nível de significância de 1%, sendo que o Ky que foi calibrado por fase da cultura (CF) apresentou a menor dispersão (r² = 0,76), quando comparado com as demais valores de Ky, recomendado pela FAO por fase - FF (r² = 0,73), calibrado para todo o ciclo - CC (r² = 0,64) e recomendado pela FAO para todo o ciclo - FC (r² = 0,57).
Ao comparar o desempenho do modelo com Ky CF e Ky FF pode-se observar que o coeficiente linear foi maior quando a estimativa da produtividade foi realizada com o Ky FF, alcançando 852 kg ha-1, enquanto que quando empregando-se Ky CF foi de 774 kg ha-1. Quanto à inclinação da reta, os valores foram iguais a 0,78 e 0,79 para as estimativas feitas com Ky CF e Ky FF, respectivamente. As relações lineares mostraram que para as produtividades observadas menores as estimativas de PE tenderam a superestimar os valores, enquanto que para os valores mais elevados de PO observou-se o contrário, ou seja, houve tendência de subestimativas.
Para os modelos que empregaram Ky CC e Ky FC, com um único valor de Ky durante todo o ciclo de desenvolvimento da cultura, há uma maior dispersão dos dados. Com o Ky CC houve a mesma tendência observada para o Ky CF e o Ky FF, com superestimativa para os menores valores de PO e superestimativa quando PO é maior, apresentando coeficiente linear de 662 kg ha-1 e coeficiente angular de 0,82. Quando o Ky FC foi utilizado a relação entre PO
e PE demonstrou haver superestimativas, com coeficiente linear de 988 kg ha-1, resultando em inclinação da reta de 0,87.
A maior dispersão entre PE e PO quando foi utilizado apenas um valor de Ky para todo o ciclo se deu pelo fato de que durante o desenvolvimento da cultura a ocorrência de déficit hídrico pode resultar em perdas diferenciadas, dependendo da fase fenológica em que esse déficit ocorre. Durante a floração/enchimento de grãos a cultura é mais sensível quando comparado as demais fases de desenvolvimento (KARAM et al., 2005), particularidade esta considerada no modelo quando se utiliza os valores de Ky específicos por fase.
Fontana et al. (2001) verificaram que ao utilizar o modelo de Jensen penalizando a produtividade da cultura da soja no estado do Rio Grande do Sul pelo déficit hídrico durante todo o ciclo da cultura, o modelo de estimativa de produtividade obteve melhor desempenho do que quando a produtividade da soja foi penalizada apenas durante os meses em que a cultura se encontrava nas fases críticas de desenvolvimento, ou seja, floração/enchimento de grãos.
Figura 10 – Relação entre a produtividade observada (PO) e a estimada (PE) com o modelo da
Zona Agroecológica - FAO utilizando-se o Ky calibrado (CF, a) e recomendado pela FAO (FF, b) por fase de desenvolvimento, e calibrado (CC, c) e recomendado pela FAO (FC, d) para todo o ciclo da cultura da soja
Quando a PE foi obtida utilizando os valores de Ky CF o desempenho do modelo foi classificado pelo índice “c” como muito bom, apresentando erro médio de -0,2% e erro absoluto médio de 8,0% (Tabela 17). Para os valores de Ky FF o desempenho obtido foi bom,
apresentando erro médio de 2,9% e erro absoluto médio de 9,0%. Para as estimativas de PE utilizando-se apenas um valor de Ky durante todo o ciclo, o desempenho foi regular tanto para a condição CC como para a FC, cujos erros médios foram de 0,6 e 15% e os erros absolutos médios de 10,5 e 17,1%, respectivamente (Tabela 17). Esses resultados reforçam a importância da diferenciação das fases de desenvolvimento da cultura para a penalização da produtividade em função do déficit hídrico e da diferenciação entre cultivares quanto à tolerância ao déficit hídrico. Em relação às fases de desenvolvimento da cultura, Pereira (1997) verificou que quando o déficit hídrico na cultura da soja ocorreu no período vegetativo há tendência de redução da área foliar e do acúmulo de matéria seca, bem como menor alocação de fotoassimilados. Canfalone et al. (1998) verificaram que quando o déficit hídrico ocorreu na fase vegetativa da cultura da soja houve aumento na taxa de assimilação líquida no tratamento com déficit hídrico, compensando o menor índice de área foliar e menor interceptação de radiação solar, condição não verificada na fase reprodutiva.
Tabela 17 - Produtividade observada média (PO), estimada (PE), erro absoluto médio relativo (EAMR), erro médio relativo (EMR), coeficiente de determinação (r²), de exatidão (d), de precisão (c) e desempenho das estimativas para os dados referentes à calibração do modelo
Ky PO PE EAMR EMR r² d c Desempenho
kg ha-1 (%)
Calibrado Por Fase 3551 3544 8,0 -0,2 0,76 0,87 0,76 Muito Bom
Geral 3551 3572 10,5 0,6 0,63 0,81 0,65 Regular
FAO Por Fase 3551 3652 9,0 2,9 0,73 0,86 0,73 Bom
Geral 3551 4082 17,1 15,0 0,57 0,68 0,51 Regular
Considerando-se o melhor desempenho do modelo de estimativa de PE quando utilizado os valores de Ky CF, na Tabela 18 são apresentados os resultados específicos para cada uma das cultivares avaliadas. Para a produtividade potencial da cultura (PPF), a média foi de 5343 kg ha-1, variando entre 4235 e 6719 kg ha-1. Os valores de PPF se aproximaram de valores reais de PO relatados na literatura. Por exemplo, em Santo Augusto, RS, para a cultivar BMX Força RR, observou-se produtividade real de 6181 kg ha-1, representando 99,7% da PPF. Rambo et al. (2002) obtiveram produtividade para a soja irrigada no Rio
Grande do Sul da ordem de 5530 kg ha-1, enquanto que Ruviaro et al. (2011) obtiveram 4100
kg ha-1 para o mesmo estado. Camargo et al. (1988) para a região de Ribeirão Preto, SP, estimou a PPF da cultura da soja e alcançou produtividades da ordem de 4800 kg ha-1. Esses
resultados demonstram que a PPF estimada pelo modelo da Zona Agroecológica FAO esta dentro da faixa observada a campo, quando não há limitação hídrica e de outros fatores inerentes ao manejo da cultura.
Quanto à PO, que inclui além da PPF, fatores como o déficit hídrico e a tolerância da cultivar, considerados neste trabalho, e ainda a ocorrência de doenças, pragas e deficiências nutricionais, que foram consideradas não limitantes nestes experimentos, verificou-se valor médio entre 2741 e 4491 kg ha-1 (Tabela 18), com média de 3539 kg ha-1. O valor médio esta acima do observado pelo IBGE (2012) a nível de campo para os diferentes estados em que
foram desenvolvidos os experimento, que entre 2008 e 2010 foi de 2243 a 2808 kg ha-1. Tal
diferença entre a PO nos experimentos e a nível médio das propriedade rural está associada ao nível tecnológico e às condições especificas dos locais de cultivo. Lobell et al. (2009) apresenta que a PPF estimada por modelos de cultura é maior que a obtida em experimentos de campo, e esta é maior que a maior média obtida em propriedades rurais, que por sua vez é maior que a média geral obtida nas propriedades rurais.
Para os resultados de erro absoluto médio (EAM), os valores obtidos variaram entre 79 e 478 kg ha-1 (Tabela 18). Esses valores são menores do que os obtidos por Moraes et al. (1998) ao estimar a produtividade da cultura da soja em Ribeirão Preto, SP, cujos erros oscilaram de 322 a 994 kg ha-1. O erro absoluto médio relativo (EAMR), que considera o EAM em relação a média da PO, foi de 2 a 17% (Tabela 18). O erro médio apresentou valores
entre -239 e 308 kg ha-1 (Tabela 18), representando EMR de -6,4 a +7,4%, valores próximos
ao obtidos por Assad et al. (2007), que ao estimar a produtividade da soja com esse mesmo modelo, calibrado de forma regionalizada para o Brasil, encontraram EMR entre -5,81 a 5,48%.
Enquanto os erros demonstram a magnitude da diferença entre PO e PE, os coeficientes r², d e c, indicam respectivamente a precisão, exatidão e confiança das estimativas. Os índices r² e d quando associados resultaram no índice c, o qual apresenta uma classe de desempenho em função de seu valor, a qual pode ser observada na Tabela 18 de forma especifica por cultivar. Os resultados obtidos neste trabalho apresentam na maioria das cultivares desempenho melhor ao verificado por Moraes et al. (1998) ao estimar a produtividade da cultura da soja em Ribeirão Preto, SP, que obteve valor de “r2” de 0,62 a
0,87 e “d” de 0,71 a 0,86.
O desempenho da calibração realizada foi bastante satisfatório, com 85% das cultivares apresentando desempenho superior a bom (Tabela 19), o que demonstra que o modelo da zona agroecológica de Doorenbos e Kassam (1979) é capaz de estimar a
produtividade da cultura da soja e ser utilizado para a análise de datas preferências de semeadura em função do risco climático, empregando-se como variável de decisão a probabilidade de obtenção de produtividades acima de valores que cubram os custos de produção.
Tabela 18 – Produtividade potencial (PPF), observada (PO) e estimada (PE) por cultivar, erros absoluto médio (EAM), médio (EM) e absoluto médio relativo (EAMR), coeficiente de determinação (r²), índices de Willmott (d) e de confiança (c), desempenho (Des.) e número de amostras (n) das estimativa de PE empregando-se a calibração de Ky por fase de desenvolvimento da cultura da soja
(continua)
Cultivar PPF PO PE EAM EM EAMR r² d c Des.¹ n
kg ha-1 5D660 RR 5806 3513 3477 272 -36 8% 0,89** 0,97 0,92 OT 6 5D688 RR 5866 2868 2892 144 24 5% 0,99** 0,98 0,98 OT 4 5D690 RR 5245 3316 3294 292 -22 9% 0,75** 0,93 0,80 MB 6 5D711 RR 4235 2741 2767 82 26 3% 0,96** 0,99 0,97 OT 4 A 4725 RG 5583 3785 3656 330 -128 9% 0,72** 0,91 0,77 MB 8 A 7321 RG 5439 3202 3233 165 31 5% 0,88** 0,97 0,91 OT 6 A6411 RG 5930 3800 3710 167 -90 4% 0,93** 0,98 0,94 OT 11 BMX Ativa RR 5609 3444 3680 424 236 12% 0,63** 0,86 0,68 BM 9 BMX Energia RR 5847 3882 3724 329 -158 8% 0,83** 0,94 0,86 OT 13 BMX Força RR 5542 3908 3830 352 -78 9% 0,85** 0,94 0,86 OT 17 BMX Potência RR 5744 3966 3818 242 -148 6% 0,83** 0,94 0,86 OT 16 BMX Titan RR 5004 3519 3504 254 -15 7% 0,84** 0,95 0,87 OT 17 BMX Turbo RR 6719 3714 3638 355 -76 10% 0,65* 0,89 0,72 BM 5 BRS 232 5881 4038 4048 478 10 12% 0,17ns 0,66 0,27 PE 9 BRS 242 RR 5116 3344 3406 260 62 8% 0,72* 0,91 0,77 MB 5 BRS 243 RR 5324 3434 3580 272 147 8% 0,79** 0,92 0,82 MB 16 BRS 244 RR 5750 3631 3574 323 -58 9% 0,66** 0,89 0,73 BM 17 BRS 245 RR 4749 3425 3384 230 -41 7% 0,80** 0,92 0,82 MB 6 BRS 246 RR 5497 3525 3586 271 61 8% 0,66** 0,90 0,73 BM 16 BRS 247 RR 5180 3473 3746 337 273 10% 0,72* 0,89 0,76 MB 5 BRS 255 RR 5301 3411 3377 270 -35 8% 0,72** 0,92 0,78 MB 16 BRS 256 RR 4865 2826 2986 173 160 6% 0,95** 0,96 0,93 OT 4 BRS Cambona 5090 3556 3510 369 -45 10% 0,39* 0,11 0,07 PE 6 BRS Charrua RR 5689 3346 3431 243 85 7% 0,92** 0,97 0,93 OT 9 BRS Estância RR 5630 3516 3479 148 -36 4% 0,91** 0,97 0,92 OT 6 BRS Macota 5559 3912 3836 377 90 10% 0,02ns 0,61 0,09 PE 5 BRS Pampa RR 5602 3143 3079 315 -63 10% 0,62** 0,88 0,69 BM 12
Tabela 18 – Produtividade potencial (PPF), observada (PO) e estimada (PE) por cultivar, erros absoluto médio (EAM), médio (EM) e absoluto médio relativo (EAMR), coeficiente de determinação (r²), índices de Willmott (d) e de confiança (c), desempenho (Des.) e número de amostras (n) das estimativa de PE empregando- se a calibração de Ky por fase de desenvolvimento da cultura da soja
(continuação)
Cultivar PPF PO PE EAM EM EAMR r² d c Des.¹ n
kg ha-1 BRS Taura RR 5684 3545 3447 403 -98 11% 0,50** 0,83 0,59 RG 13 BRS Tebana 5299 3615 3718 326 103 9% 0,61ns 0,78 0,61 RG 5 BRS Tertúlia RR 5246 3363 3371 202 8 6% 0,81** 0,95 0,85 MB 16 BRS Tordilha RR 5314 3296 3156 271 -140 8% 0,68* 0,89 0,74 BM 6 CD 202 5165 4144 4452 408 308 10% 0,48* 0,78 0,55 RG 8 CD 206 RR 5433 3198 3467 436 269 14% 0,68* 0,87 0,72 BM 6 CD 212 RR 5570 3322 3228 217 -94 7% 0,87** 0,96 0,90 OT 6 CD 213 RR 5231 3434 3424 248 -10 7% 0,81** 0,95 0,85 MB 18 CD 214 RR 5343 3344 3470 217 126 7% 0,87** 0,94 0,88 OT 12 CD 216 4810 3942 3810 284 -132 7% 0,73** 0,76 0,65 RG 7 CD 219 RR 6078 3145 3047 368 -98 12% 0,57** 0,86 0,65 RG 14 CD 221 4714 3542 3458 175 -84 5% 0,53ns 0,80 0,59 RG 5 CD 225 RR 5000 3536 3552 277 16 8% 0,74** 0,92 0,80 MB 16 CD 226 RR 5116 3293 3273 234 -20 7% 0,88** 0,95 0,89 OT 19 CD 231 RR 5573 3367 3345 312 -22 9% 0,67** 0,89 0,73 BM 18 CD 232 5185 4112 4167 117 55 3% 0,99** 0,98 0,97 OT 4 CD 233 RR 4764 3278 3264 261 -14 8% 0,71** 0,91 0,77 MB 16 CD 235 RR 5053 3495 3419 326 -76 9% 0,69** 0,90 0,75 BM 16 CD 236 RR 5079 3166 3146 235 -19 7% 0,70** 0,91 0,76 MB 12 CD 238 RR 5455 3259 3443 297 184 9% 0,80** 0,92 0,82 MB 6 CD 239 RR 5241 3483 3618 290 135 8% 0,82** 0,93 0,85 MB 15 CD 241 RR 4417 3724 3757 149 33 4% 0,68ns 0,91 0,75 BM 4 CD 248 RR 5426 3121 3267 360 147 12% 0,75** 0,88 0,76 MB 6 CD 249 RR STS 5676 3289 3440 247 151 8% 0,97** 0,93 0,92 OT 5 CD 250 RR STS 5428 3064 2942 182 -122 6% 0,92** 0,97 0,93 OT 5 CEPCD 41 4899 3744 3586 278 -158 7% 0,16ns 0,54 0,21 PE 4
Don Mario 5.8i RR 5270 3709 3602 266 -107 7% 0,84** 0,95 0,87 OT 10
Don Mario 6200 RR 5218 3793 3641 353 -152 9% 0,62** 0,87 0,69 BM 13
Don Mario 7.0i RR 5242 4046 3903 345 -143 9% 0,63** 0,87 0,69 BM 19
EMBRAPA 48 5061 3541 3593 440 53 12% 0,08ns 0,60 0,17 PE 5
FEPAGRO 36 RR 6015 3685 3659 247 -26 7% 0,85** 0,96 0,88 OT 11
FEPAGRO 37 RR 6466 3700 3686 157 -14 4% 0,91** 0,98 0,93 OT 7
Tabela 18 – Produtividade potencial (PPF), observada (PO) e estimada (PE) por cultivar, erros absoluto médio (EAM), médio (EM) e absoluto médio relativo (EAMR), coeficiente de determinação (r²), índices de Willmott (d) e de confiança (c), desempenho (Des.) e número de amostras (n) das estimativa de PE empregando- se a calibração de Ky por fase de desenvolvimento da cultura da soja
(continuação)
Cultivar PPF PO PE EAM EM EAMR r² D c Des.¹ n
kg ha-1 FPS Netuno RR 5108 3756 3707 181 -49 5% 0,92** 0,98 0,94 OT 18 FPS Urano RR 5057 4095 4060 329 -35 8% 0,81** 0,95 0,85 MB 11 FTS Arapoty RR 5548 3553 3537 133 -15 4% 0,96** 0,99 0,97 OT 5 FTS Cafelândia RR 5424 3912 3826 205 -86 5% 0,96** 0,98 0,96 OT 5 FTS C. Mourão RR 5451 3616 3377 455 -239 13% 0,55** 0,82 0,61 RG 18 FTS Cascavel RR 5541 3465 3470 203 6 6% 0,92** 0,97 0,93 OT 17 FTS Caxias RR 5373 3325 3292 235 -34 7% 0,93** 0,95 0,92 OT 6 FTS Ipiranga RR 5800 3191 3205 326 15 10% 0,83** 0,92 0,84 MB 13 FTS Realeza RR 5581 2848 2943 470 95 17% 0,44* 0,79 0,53 RG 10 FTS Rolândia RR 6042 3131 3129 355 -2 11% 0,79** 0,89 0,79 MB 12 FUNDACEP 39 5327 3157 3180 175 23 6% 0,86* 0,90 0,83 MB 4 FUNDACEP 53 RR 5502 3680 3618 273 -62 7% 0,82** 0,95 0,86 OT 15 FUNDACEP 54 RR 6003 3233 3058 262 -175 8% 0,79* 0,92 0,82 MB 4 FUNDACEP 55 RR 5550 3657 3660 172 2 5% 0,91** 0,98 0,93 OT 12 FUNDACEP 57 RR 5578 3211 3499 445 288 14% 0,79** 0,89 0,79 MB 7 FUNDACEP 58 RR 5250 3145 3278 245 133 8% 0,83** 0,93 0,84 MB 8 FUNDACEP 59 RR 5536 3462 3503 274 41 8% 0,75** 0,93 0,80 MB 16 FUNDACEP 61 RR 5711 3649 3709 107 60 3% 0,99** 0,99 0,99 OT 5 M-SOY 5942 5195 3471 3390 93 -82 3% 0,95** 0,97 0,94 OT 5 M-SOY 6101 5070 3781 3746 288 -36 8% 0,83** 0,93 0,85 MB 6 M-SOY 8001 6057 3449 3325 149 -124 4% 0,82* 0,89 0,81 MB 4 NA 4990 RG 5706 3752 3742 363 -10 10% 0,20ns 0,71 0,32 PE 8 NA 5909 RG 4815 3935 3987 290 51 7% 0,75** 0,93 0,80 MB 17 NK 3363 5127 4491 4467 423 -24 9% 0,71* 0,90 0,76 MB 5 NK 412113 4974 3723 3736 273 13 7% 0,67* 0,90 0,73 BM 6 NK 7054 RR 5477 3517 3468 403 -49 11% 0,65** 0,88 0,71 BM 13 NK 7059 RR 4979 3667 3760 344 93 9% 0,63** 0,88 0,70 BM 18 NK 8350 4752 3866 3883 155 17 4% 0,84** 0,94 0,87 OT 5 RA 516 4894 3633 3676 193 44 5% 0,90** 0,97 0,92 OT 6 RA 518 5302 3710 3908 280 198 8% 0,88** 0,92 0,86 OT 6 RA 626 5301 3384 3416 79 32 2% 1,00** 1,00 1,00 OT 5 RA 628 5294 3721 3869 290 147 8% 0,84** 0,95 0,87 OT 5
Tabela 18 – Produtividade potencial (PPF), observada (PO) e estimada (PE) por cultivar, erros absoluto médio (EAM), médio (EM) e absoluto médio relativo (EAMR), coeficiente de determinação (r²), índices de Willmott (d) e de confiança (c), desempenho (Des.) e número de amostras (n) das estimativa de PE empregando-se a calibração de Ky por fase de desenvolvimento da cultura da soja
(conclusão)
Cultivar PPF PO PE EAM EM EAMR r² D c Des.¹ n
kg ha-1 RA 728 5346 3529 3644 197 116 6% 0,95** 0,96 0,94 OT 6 Roos Avance RR 4388 3408 3347 203 -61 6% 0,90* 0,89 0,85 MB 4 Roos Camino RR 5240 3985 3865 399 -120 10% 0,38* 0,79 0,49 RU 12 SYN 3358 RR 5115 3597 3525 340 -72 9% 0,66** 0,90 0,73 BM 14 SYN 9053 RR 4814 3172 3245 379 74 12% 0,62** 0,88 0,69 BM 15 SYN 9070 RR 5712 3806 3791 226 -16 6% 0,90** 0,97 0,92 OT 11 SYN 9074 RR 5193 3735 3756 198 22 5% 0,94** 0,98 0,95 OT 9 TMG 1066 RR 4285 3959 3912 94 -46 2% 0,94** 0,97 0,94 OT 6 TMG 4001 RR 5132 3477 3462 265 -15 8% 0,79** 0,94 0,84 MB 16
¹OT: ótimo; MB: muito bom; BM: bom; RE: regular; RU: ruim; PE: péssimo; n: número de amostras; Nivel de significância r²: ns não signifactivo a 5%, * e ** significativo a 5% e 1%, respectivamente.
A classificação de desempenho inferior a regular para 15% das cultivares (Tabela 19) pode estar associado aos erros experimentais ou de manejo das áreas, os quais não são considerados. Além disso, erros na amostragem de dados e o número variável de experimentos de algumas cultivares (ANEXO A) podem influenciar os erros de estimativa. Tabela 19 – Percentual de cultivares em cada grupo de desempenho obtido pelo índice de
confiança “c”, quando empregou-se a estimativa da produtividade da cultura da soja com a calibração do modelo da Zona Agroecológica penalizado pelo déficit hídricos com Ky específico por cultivar e por fase de desenvolvimento
Desempenho % de cultivares Desempenho % de cultivares
Ótimo 39,6 Regular 7,9
Muito Bom 28,8 Ruim 0,9
Bom 16,9 Péssimo 5,9
Outro aspecto a ser considerado é a variabilidade dos dados, já que dependendo do número de amostras pode-se ter poucos dados, que mesmo estando próximos da linha 1:1, com índice “d” elevado, podem apresentar um “r2” muito baixo, o que irá impactar o valor do
índice “c”, o qual indicará desempenho insatisfatório, porém com erros aceitáveis. Tal situação pode ser exemplificada com os resultados das cultivares BRS Tebana, que possui
desempenho regular, mas EAMR de 9%, e a Cultivar FTS Rolândia com desempenho muito bom e EAMR de 11%. Assim, reforça-se a importância de utilizar diferentes índices estatísticos para avaliar o desempenho do modelo de estimativa de produtividade em relação aos dados de produtividade observados a campo.
Para a validação do modelo de estimativa de produtividade da soja, empregando-se os valores de Ky calibrados, utilizou-se dados independentes. Os resultados para as quatro formas de determinação do Ky, para penalização da PPF pelo déficit hídrico, demonstraram desempenhos semelhantes aos obtidos durante o processo de calibração. Os valores de r² variaram de 0,69 a 0,68 para as estimativa de PE feitas com o Ky CF e o Ky FF, respectivamente, com a inclinação da reta sendo de 0,78 e 0,79, e coeficiente linear
respectivamente de 745 e 823 kg ha-1 (Figura 11). Para as estimativas que empregaram o Ky
CC e o Ky FC, os valores de r² foram de 0,63 e 0,65, com inclinação da reta de 0,87 e 0,95 e coeficiente linear de 475 e 631 kg ha-1.
Figura 11 – Relação entre a produtividade observada (PO) e a estimada (PE) com o modelo
da Zona Agroecológica - FAO utilizando-se o Ky calibrado (CF, a) e recomendado pela FAO (FF, b) por fase, e calibrado (CC, c) e recomendado pela FAO (FC, d) para todo o ciclo
O desempenho do modelo para estimativa da produtividade (PE) com dados independentes foi bom quando se utilizou o Ky por fase, tanto para a CF como para a FF, enquanto que o desempenho das estimativas com um valor de Ky por ciclo foi regular (Tabela 20). Os erros absoluto médio relativo (EAMR) e médio relativo (EMR) foram no
máximo de 15,47% e 12,74%, respectivamente, ambos para o Ky FC. Esses resultados reforçam a importância de realização da calibração do Ky por cultivar, dentro de cada fase de desenvolvimento, o que melhora o desempenho das estimativas do modelo, identificando particularidades de tolerância ao déficit hídrico.
Tabela 20 – Produtividade observada média (PO), produtividade estimada (PE), erro absoluto
médio relativo (EAMR), erro médio relativo (EMR), coeficiente de determinação (r²), de exatidão (d), de precisão (c) e desempenho para os dados referentes a validação dos modelos
Ky PR PE EAMR EMR r² d c Desempenho
kg ha-1 (%)
Calibrado Por Fase 3627 3583 10,19 -1,22 0,69 0,84 0,70 Bom
Geral 3627 3627 11,16 -0,01 0,62 0,80 0,63 Regular
FAO Por Fase 3627 3685 10,33 1,60 0,68 0,84 0,70 Bom
Geral 3627 4089 15,47 12,74 0,65 0,73 0,59 Regular