BÖLÜM III: MODERN KENT MEKANLARI
3.1 MODERN KENT MEKANLARINDAN GÜVENLİKLİ SİTELER, AVM’LER VE
3.1.2 Alışveriş Merkezleri
Consoante dito alhures, o Biodireito emerge das reflexões, do questionamento e da problematização realizadas pela Bioética no campo das Ciências da vida, sendo, portanto, através da Bioética que ele lastreia os seus próprios fundamentos e princípios que lhes dão respaldo enquanto nova disciplina jurídica em construção.
Portanto, essa é uma construção de mão dupla, recursiva, como diria Morin (2010), a Bioética também ampara-se, hologramaticamente, no Biodireito a fim de que suas reflexões e questionamentos não se quedem inócuos na sociedade; a valoração dessas questões por parte da Bioética leva o Biodireito, enquanto ramo jurídico, a estabelecer diretrizes normativas coercitivas.
Mostra-se, pois, a indissociável ligação entre o Biodireito e a Bioética, como assevera Séguin (2005, p.44):
A bioética procura respostas morais a interrogações técnicas da medicina e da biologia, com um cunho educativo, de garantia ao acesso à informação e à sensibilização do público em geral para estas questões. Caberá ao Biodireito impor condutas e sanções pelo seu descumprimento.
Desse modo, a eficácia da Bioética nos procedimentos que envolvam a vida humana depende do Biodireito (JUNGES, 1999), o qual vem aos poucos se estabelecendo como uma nova área das Ciências Jurídicas e a sua consolidação vem atender às necessidades de se regulamentar e responder às questões decorrentes das transformações sociais provocadas pelo desenvolvimento biotecnológico.
Para esse autor, assim como a Bioética significou uma dinamização teórica e prática da ética em geral, conforme discutimos no capítulo anterior, também o Direito passa a ser desafiado pela Bioética, de forma que esta o impulsionará a uma reformulação teórica e prática dos seus pressupostos jurídicos para poder se chegar a um Biodireito, o que estamos abordando aqui, neste trabalho, como crise paradigmática do Direito moderno.
Assim, constata-se a inarredável interface entre o Biodireito e a Bioética, retratada nas palavras de Diego Gracia (apud D’AGOSTINO, 2006, p.85), o qual assevera com total propriedade que “o Biodireito sem a Bioética é cego, e a Bioética sem o Biodireito resulta vazia”.
Nesse contexto, resta claro que as confluências entre essas áreas do conhecimento auxiliam o “despensar” do Direito moderno tradicional, porquanto rompe com dogmas jurídicos de visão linear e positivista e faz com que as “certezas” buscadas por ele concedam lugar às “possibilidades” proporcionadas por outro Direito: o Pós- moderno.
Dessa forma, percebe-se que o Biodireito é uma das novas disciplinas jurídicas que integram esse Direito Pós-moderno, onde este último, assim como aquele, ainda encontra-se em construção e seu futuro é incerto, porquanto, “as transições paradigmáticas se estendem por muito tempo, por várias décadas e, às vezes, por mais de um século” e “depois de começadas, são indeterminadas, caminham para resultados desconhecidos e se abrem para futuros alternativos” (SANTOS, 2009).
Por essa razão, é de destacar que em face do Biodireito ainda estar se estruturando como área do saber, a doutrina a ele pertinente é muito tênue e fragmentária. Na identificação e revisão da literatura consultada, constatou-se a abordagem de temas variados e dispersos, podendo-se elencar como áreas pontuais de estudo a reprodução humana assistida, o direito à morte digna, a experiência científica em seres humanos, transplantes de órgãos humanos, entre outros, de modo que não foi encontrado um aprofundamento teórico mais detalhado sobre o Biodireito em si, ou seja, enquanto ramo jurídico e campo do saber.
Com efeito, evidencia-se a parca discussão teórico-doutrinária em relação ao Biodireito enquanto disciplina jurídica. Naves (2002, p.129) é categórico ao afirmar que ele ainda não ocupou seu devido lugar nem nos currículos das faculdades jurídicas, nem na própria dogmática porquanto “seu estudo é normalmente setorial, não havendo quem procedesse à formulação de uma teoria geral, regente dos conceitos, princípios e fundamentos desse ramo jurídico”.
Sob esse influxo, poder-se-ia atribuir essa situação em que se encontra o Biodireito ao processo de transformação paradigmática que atualmente ocorre e está ainda a ocorrer com a Ciência jurídica, pois, como bem assevera Santos (2009), as transições de paradigma estendem-se por muito tempo, perdurando às vezes por mais de um século.
Ademais, como bem aponta Godoy (2005), o Direito moderno foi montado com base na valorização das normas de tal modo que as elevavam à condição de autossuficientes, refletindo o excessivo apego aos textos legais, os quais foram canonizados e imaginados como depósitos de verdades absolutas, o que, por conseguinte, dá-se continuidade ao projeto kelseniano de redução científica do Direito à normatividade.
Sem embargo, partindo-se da premissa que o Biodireito possui como um dos focos principais responder juridicamente aos dilemas dos novos tempos, ocasionados pela biotecnologia nas Ciências da Saúde e tais dilemas, conforme visto alhures, decorrem principalmente do surgimento de técnicas avançadas de interferência no corpo humano, o dogmatismo moderno tradicional por não privilegiar o diálogo entre o Direito e as outras áreas do conhecimento, tem prejudicado sobremaneira o desenvolvimento do Biodireito enquanto disciplina jurídica, mormente no tocante a sua teorização.
Com efeito, no momento em que ainda hoje se concebe o projeto kelsiano de “pureza do direito”, resta prejudicado o desenvolvimento do Biodireito enquanto disciplina jurídica, considerando que é principalmente através do seu diálogo com a Bioética que se fomentam as discussões e possíveis soluções para os problemas contemporâneos, fato que o auxilia e dá respaldo enquanto campo jurídico em construção.
Assim, a concretização de uma teoria geral para o Biodireito e o seu firmamento enquanto disciplina jurídica vai se construindo efetivamente na transição para o modelo pós-moderno; nesse processo vai se modificado a visão positivista,
reducionista e linear da Ciência Jurídica, substituindo-a por um diálogo com outros campos do conhecimento.
Assim sendo, para atingir seu propósito humano protecionista, o Biodireito precisa dialogar com outras áreas do saber e a sua interseção com a Bioética permitirá que seja realizada a reflexão hologramática proposta por Morin (2010), em que não apenas a parte esteja no todo, mas também o todo esteja em cada parte reflexiva, proporcionando, dessa forma, uma melhor análise das questões contemporâneas decorrentes do avanço da ciência.
Nesse contexto, o próprio Morin (2008) assevera que os conhecimentos fragmentados só fazem sentido quando utilizados tecnicamente, de forma que separados não conseguem conjugar-se para alimentar um pensamento capaz de considerar a situação humana no âmago da vida, na terra, no mundo, bem como de enfrentar os grandes desafios da contemporaneidade.
Portanto, resta claro que o Biodireito e a Bioética isolados não conseguem alcançar os propósitos de proteção da vida humana, o que somente pode ocorrer através da interseção, da troca de informações, enfim, de uma relação interdisciplinar entre ambos.
Com efeito, acerca da relação interdisciplinar existente entre a Bioética e as Ciências Jurídicas, Loureiro (2009) esclarece que, por um lado a Bioética abre caminhos para a discussão e a tomada de decisão na sociedade pluralista e por outro, o direito retrata os valores dominantes da sociedade, de forma que a lei sempre é invocada para organizar a conduta humana, no respeito dos valores que servem de arrimo para a civilização.
Nesse contexto, diversas diretrizes (códigos, leis, resoluções, declarações internacionais), as quais são objeto do Biodireito são fortemente influenciadas pela Bioética, particularmente através dos seus princípios clássicos (autonomia, beneficência, não maleficência e justiça), de modo que a seguir destacaremos alguns dispositivos contidos naquelas que claramente evidenciam esse influxo.