3.2. Gazzâli DüĢüncesinde Akıl
3.2.3. Aklın Mertebeleri
Este estudo, além de ter como objeto a compreensão leitora de histórias infantis, aborda também os procedimentos da criança durante a leitura, isto é, se ela desenvolve algum procedimento próprio para ler e responder às perguntas de compreensão e se esses meios a favorecem. Com esse interesse, procurou-se encontrar procedimentos de compreensão em leitura que viessem a contribuir para o desenvolvimento dos processos realizados pelos sujeitos durante o desenrolar desta pesquisa.
Estudos desenvolvidos por Moktari, Reichard (2002) e Bolivar (2002), entre outros, indicam que existem alguns procedimentos de metacognição que funcionam como auxiliares do leitor para resolver problemas de compreensão. Esses procedimentos são chamados de estratégias de leitura e possibilitam ao leitor ser o seu próprio incentivador e arguidor no processo de leitura, sem que necessariamente ele se dê conta disso.
Assim, o leitor cria seus procedimentos de leitura conforme suas necessidades. Se, por um lado, alguns lêem e conseguem entender o texto, marcando-o como material de suporte, material de referências, com grifos, entre outros, para compreender o que lêem, outros se apóiam em outras indicações, desenvolvendo outros procedimentos durante o ato de ler que os ajudam a compreender a leitura.
Para Pinnell, Lyons, de Ford, Bryk e Seltzer (1994), as crianças, quando estão iniciando a leitura, formam um esquema de operação mental que as auxilia na elaboração de um sistema de leitura individual, que comporta estratégias de leitura específicas para compreender o que lêem. São os procedimentos técnicos que o leitor usa para adquirir a informação. Para Pearson e Duke (2002), estratégias como predizer, pensar em voz alta, resumir o texto, estruturá-lo, fazer
questionamentos a respeito, são estratégias que podem auxiliar na compreensão. É fundamental que a criança selecione seus próprios procedimentos de leitura, pois se considera que assim ela terá maiores possibilidades de superar suas dificuldades pessoais e melhorar o seu desempenho leitor.
Relacionado ao monitoramento da própria leitura e aos procedimentos que o leitor faz para gerenciar a sua leitura, Vargas (1990) faz um comentário a respeito da forma como o leitor lê, como mexe a cabeça ou como ele se detém na leitura. Se o leitor se dedica a ler palavra por palavra, a sua leitura será mais lenta e as possibilidades de visualizar o texto globalmente, para sua melhor compreensão, será menor.
Para Vargas (1990, p.81), “a medida en que la persona lee, sus pupilas hacen pequeñas pausas, ligeros movimientos hacia a tras; el movimiento no es contínuo, hacia delante. Estas son las fijaciones que el lector hace”.
E segue o autor: “Si el número de fijaciones es mayor, la lectura será lenta.“(p.81). De acordo com Vargas (1990), quando o sujeito lê e não se detém fixamente na linha de leitura, fazendo movimentos com os olhos, ele terá mais dificuldade de fixar a leitura e levará mais tempo nessa prática.
Para discutir esse assunto, Ellis (1995) e Garcia (1998) propuseram um modelo cognitivista no qual destacam o reconhecimento visual e a decodificação fonológica para a aquisição da leitura. Essa decodificação deve ocorrer em um tempo mínimo que seja necessário para que a compreensão se efetive. Para os autores, esse tempo é de um quarto de segundo, no mínimo.
De acordo com Morais (1995), para o leitor competente, o processo a usar depende das características de estímulo e do processamento do leitor, já que as características linguísticas do estímulo, assim como o nível de competência são usados para desempenhar a compreensão da leitura.
Baseado no exposto por esses teóricos, pode-se explicar por que algumas crianças com a mesma faixa etária e mesma escolaridade têm desempenhos diferentes, mesmo que uma tenha lido mais rapidamente do que outras. Isso se explica porque o tempo de aquisição depende de cada um e o caminho utilizado no processo também varia. Segundo Morais (1995), a duração do tempo de
leitura de uma criança não depende unicamente da análise visual de todos os elementos gráficos que aparecem no texto que ela está lendo. Ela não decodifica pelos grafemas que apresenta, mas pela compreensão total do texto.
Em relação à compreensão global do texto, há uma relação antagônica entre os discursos de Goodman (1986) e Morais: para o primeiro a compreensão total do texto compreende a percepção do texto a partir de seus elementos isolados até a compreensão total, incluindo o universo visual, enquanto o segundo afirma que a criança não decodifica pelos grafemas que apresenta, mas pela compreensão total do texto, embora concorde que a criança analisa visualmente todos os elementos gráficos que aparecem no texto, mas para o autor o tempo de leitura não depende dessa análise.
Outro recurso utilizado pelos estudantes durante a leitura, segundo Morais, é o recurso de acompanhar a leitura com o movimento dos olhos, que é chamado de movimento oftalmográfico e consiste justamente na técnica de acompanhar os movimentos oculares durante a leitura. Ele mostra que, durante a exploração de uma linha de texto escrito, o movimento dos olhos não é contínuo. Assim, o movimento dos olhos permite um processamento por captações sucessivas, ocorrendo de uma linha para outra ou, ainda, de uma página para a outra. Isso ocasiona um movimento de ida e volta durante o qual os olhos não conseguem recolher informação da página impressa, mostrando que a velocidade da leitura também pode ser fator de influência no contexto.
Outro fator importante para a compreensão da leitura tomando por base o tempo em que ela se realiza diz respeito à leitura silenciosa ou oral. A leitura silenciosa é comprovadamente cerca de três vezes mais rápida do que a leitura em voz alta conforme a afirmação de Cohen e Mauffrey (1983).Para estes teóricos, a forma eficaz é aquela em que o acesso ao significado das palavras é conseguido diretamente a partir da representação mental da imagem gráfica e não por interposição da imagem acústica. De acordo com a teoria explicitada por autores como Morais, que contraria Cohen e Mauffrey, a imagem gráfica e a imagem visual são os elementos usados para a compreensão total do texto.
Quanto ao tempo de leitura, os dados apresentados foram considerados para definir o tempo que os estudantes levaram para ler e o resultado final da leitura.
O leitor economiza tempo na leitura quando ele reduz incertezas sobre o texto lido; ou seja, se, ao processar a informação visual, ele procura servir-se da informação anterior ou da próxima para processar a informação, ele estará, assim, economizando esforços. Ao percorrer cada linha do texto com os olhos, o leitor lê até que se detém em um ponto específico, que pode ser uma imagem. É nesse momento que ele faz a seleção dos índices sobre a leitura para a compreensão. Isso é feito a partir dos conhecimentos linguísticos ou extralinguísticos e dos procedimentos que ele usou na compreensão.
Assim o leitor vai criando expectativas sobre o que ele vê ou imagina ver. Se essas expectativas apresentam um sentido incompatível com o que ele tinha lido, o leitor volta atrás no texto até descobrir o ponto de conflito e retoma a partir daí. Se ao retomar, o sentido torna-se aceitável, ele é agregado ao anterior, surgindo novas expectativas sobre o texto. Então, a interferência do tempo pode, de certa forma, auxiliar na compreensão e, nesse caso, a observação da imagem visual pode funcionar como auxiliar na compreensão e não como um fim em si mesma.
A leitura direcionada à faixa dos 8 aos 11 anos de idade da criança é um bom suporte para que ela se mantenha ativa no desenvolvimento leitor. A leitura de histórias infantis, por exemplo, proporciona aos leitores uma viagem de sonhos e de magia a um lugar maravilhoso onde eles podem ir e vir. Essa mesma caminhada pode ser criada em relação à história que lê no momento, através das expectativas que tem da leitura, usando seus próprios procedimentos de leitura para compreender e sentir prazer com o que lê.
Quanto aos procedimentos de leitura, as pesquisas sobre esse assunto, no Brasil, apontam, de acordo com Joly & Noronha (2004), para o fato de que os instrumentos para analisá-los precisam ainda de desenvolvimento com apoio de outras áreas do conhecimento. Para ler e compreender, os leitores envolvem-se
em atividades sociais e vão desenvolvendo alguns procedimentos próprios para compreender o texto lido.
Certos procedimentos de leitura são criados pelo leitor de forma a levantar hipóteses e pistas para a compreensão, porém existem outros que são comportamentais, produzidos para orientar o entendimento, como, por exemplo, usar a mão ou o dedo para indicar a leitura seguindo a linha do texto. Nesta pesquisa foram feitas observações sobre os procedimentos das crianças durante a leitura( manuseio do livro) e o tempo utilizado por elas em cada situação de leitura, porque se acredita que esses procedimentos são fatores que estão associados à compreensão leitora e à satisfação com a leitura de histórias infantis.