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TOBACCO SMOKE EXPOSURE

3.1.3. Akciğer Embriyolojis

3.1.3.3. Akciğerlerin Olgunlaşması

Com o transcorrer do tempo, os camponeses do MST que haviam ocupado a propriedade da família Mutran passaram a participar cada vez mais ativamente da vida econômica e social de Marabá. Certa vez, a ocupação recebeu até mesmo um grande concerto do popular cantor e compositor Chico César, que atraiu diversos espectadores que a princípio nada tinham a ver com o movimento. Apesar de cobrir uma parcela ínfima do antigo castanhal Cabaceiras, o acampamento tornou-se referência na luta pela reforma agrária no sudeste do Pará por conta das milhares de pessoas que lá viviam e em razão da grande produção de gêneros alimentícios que abasteciam outros focos de resistência pela reforma agrária no sudeste do Pará, sem falar ainda nos acampados que vendiam parte da sua produção para hotéis e estabelecimentos comerciais de Marabá, conforme relata Glaison Marcos da Silva:

“Das primeiras vezes, nós estava no negócio da cesta básica mesmo. Aí, depois, quando nós entremos da última vez, que foi a terceira, decidimos fazer a roça. Fizemos uma roça, meu amigo... 16 alqueires. Todo mundo cultivou bacana. Em 2000, não teve uma crise mundial? Aqui nós não sofremos crise, não. Meu amigo, nós tivemos uma produção aqui, abóbora... nós tava sustentando os outros acampamentos tudo. Abastecendo todo mundo de legume, abóbora, arroz. Era uma roçona, 16 alqueires: arroz, milho, abóbora, pepino, feijão, tudo e quanto. E foi coletiva essa roça. Nós decidimos assim uma linha pra cada um, pra ficar organizado. Porque é o seguinte: no mutirão, não dava. Então, cada cabra cuida de uma linha, então vai cuidando e pronto, está resolvido.”

157 Correio do Tocantins. Autoridades se reúnem para pôr fim ao clima tenso na Cabaceiras. 24/08/2001. 158 Opinião. Integrantes do MST acusados de saquear a Cabaceiras. 14 a 15/01/2003.

No começo, o acampamento foi dividido em grandes grupos de 40 a 60 famílias. Também foram organizados setores para garantir assistência às famílias, como o de saúde (a fim de acessar o poder público em caso de necessidade), o de educação (para construir e organizar a escola), o de segurança (para garantir a integridade dos trabalhadores), sem falar nas atividades agrícolas propriamente ditas, necessárias à manutenção das famílias, divididas por grupo de famílias – que tinham liberdade para decidir sobre a própria organização do trabalho.

Foto 06 – A escola foi fundamental para a resistência do acampamento do MST na Cabaceiras

(Carlos Juliano Barros)

Certamente, um dos fatos que mais contribui para a consolidação da luta pela terra na Cabaceiras foi o reconhecimento oficial do governo municipal da escola montada no acampamento, como conta a coordenadora do assentamento e integrante da coordenação estadual do MST no Pará, Giselda Coelho.

“Ela (a escola) funcionou nos primeiros dois anos ainda numa negociação que a gente fez para que a documentação – para que as crianças não perdessem o ano – saísse pela escola aqui do assentamento 1º de Março. E, no segundo ano de acampamento, o município reconheceu a escola, registrou a escola. É uma das primeiras escolas dos acampamentos nossos que não é anexa, que não é vinculada a nenhuma outra escola. Ela foi registrada ainda no processo de acampamento. A primeira escola que é registrada onde a terra não está legalizada. (...) Significa que o município passa a ter mais responsabilidade com esses estudantes. Tem que manter educadores, pessoal de servente, manter vigia. (...) E todo material da secretaria, para parte de registro de matrícula, de boletim, essas coisas todas têm que ser mantidas pelo município. E a escola tem um nome, um registro, e ela mesma pode emitir a documentação dos próprios estudantes. (...) A escola acaba tendo essa centralidade na comunidade do ponto de vista da resistência também. Cumpre um papel importante.”

Num segundo momento, a organização interna do acampamento foi repensada. Os grupos iniciais de algumas dezenas de famílias foram reduzidos e se transformaram em

núcleos que reuniam de dez a 20 famílias. A coordenação também foi ampliada, no

sentido de fortalecer as células de base e de não sobrecarregar os que já estavam à frente da ocupação há mais tempo. A ideia era consolidar estruturas de organização já antevendo a futura constituição do assentamento. Mas, entre 2006 e 2007, a luta pela terra sofreria uma guinada completa. Como será visto no quarto capítulo, que trata do processo administrativo e judicial da desapropriação da Cabaceiras, o decreto presidencial que declarava a fazenda de interesse social para fins de reforma agrária foi publicado em outubro de 2004. Porém, a família Mutran conseguiu logo em seguida um mandado de segurança concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) suspendendo seus efeitos. Dessa forma, numa cartada para abreviar a disputa judicial que poderia se arrastar por muitos anos ainda, e para colocar ainda mais pressão a fim de que a desapropriação saísse enfim do papel, as pouco mais de duas centenas de famílias sem-terra que ainda resistiam acampadas contrataram por conta própria um topógrafo com a missão de fazer a divisão da Cabaceiras em lotes, no final de 2006. Cada uma delas desembolsou R$ 200,00 – totalizando um montante de aproximadamente R$ 40 mil. Os trabalhos do topógrafo foram acompanhados por uma comissão interna criada especialmente para esse objetivo.

Na certeza de que a estratégia seria bem-sucedida, o MST também dialogou com o Incra no sentido de garantir que o órgão reconhecesse a organização idealizada pelos próprios sem-terra quando o assentamento fosse oficialmente criado. Sobre esse assunto, analisa Giselda Coelho, coordenadora do assentamento:

“Seria uma forma de territorialização e de garantir de fato a conquista da área, porque estava no Supremo Tribunal Federal e podia ter aí até 18 anos para sair o decreto de desapropriação (...) Mediante isso, nós tivemos um debate interno no acampamento e decidimos fazer a topografia do assentamento, aonde todas as famílias iriam para os lotes. Seria uma forma de a gente também ocupar todo o espaço e, literalmente, não ter mais ninguém da fazenda na área.”

Já em 2008, as famílias que antes se encontravam aglomeradas no acampamento restrito a uma ínfima parte que lhes cabia do latifúndio decidiram se espalhar de fato pela Cabaceiras a fim de “territorializar” a ocupação, como definiu a liderança do movimento. O assentamento foi pensado para contemplar as 206 famílias que ainda resistiam acampadas. Para tanto, foi dividido basicamente em seis grandes vilas que, a princípio, deveriam abrigar as famílias organizadas sob os 21 núcleos de base constituídos na reta final do acampamento. Obviamente, cada vila abrigaria mais de um núcleo. Porém, durante o processo, foi necessário fazer novos arranjos, tanto que o 21º núcleo acabou extinto e incorporado a outros já existentes. Finalmente, a destinação dos 206 lotes foi realizada por sorteio – conforme iam sendo sorteados, os núcleos decidiam internamente como fariam a repartição dos lotes nas vilas selecionadas. A planta do assentamento foi concebida sob o formato de “raio de sol”159. As vilas funcionariam como uma espécie de

159

Sobre a organização do assentamento no formato raio de sol, comenta o agrônomo Fernando Michelotti, professor da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Pará (Campus de Marabá), em entrevista concedida a este autor: “Outro fato novo é a tentativa de organizar a distribuição de lotes no formato de raio de sol, dos núcleos. É um dos poucos da região. O MST está experimentando isso em outros lugares. Porque tem um grande debate aqui: morar em agrovila ou morar nos lotes? O movimento sindical tem uma tendência a preferir que as pessoas morem nos lotes e o MST teve uma tendência maior de privilegiar as agrovilas. A vantagem da agrovila é que você consegue escola, chegar eletrificação mais fácil, ter uma organização, as pessoas estão mais próximas, você também aproxima os problemas. Por outro lado, você também distancia muito o local de residência do local de produção. Porque, se o assentamento for grande, imagina está todo mundo concentrado na agrovila, mas o cara tem um lote na outra ponta, às vezes, o cara vai gastar uma hora entre a casa dele e o lote. Então, isso dificulta pra ele ter certos tipos de produção. (...) Esse que é o inovador deles [do PA 26 de Março]. O lado oposto da agrovila é cada um morar no seu lote. Então, está todo mundo perto da sua área de produção, mas existe uma dispersão muito

centro, onde seriam construídas as casas dos futuros assentados, reforçando os laços de companheirismo dos núcleos já formados. Os lotes é que foram divididos no formato propriamente dito de raio de sol, como mostra o quadro na sequência. Por uma questão de otimização da área do imóvel rural, algumas famílias foram instaladas nas beiras das vicinais já existentes. Assim, buscava-se garantir que cada grupo de famílias que havia construído conjuntamente a trajetória de luta durante os duros e longos anos de acampamento também seguiria unido na nova e almejada fase do assentamento.

Figura 04 – Planta do Projeto de Assentamento 26 de Março

Fonte: Incra/SR 27

grande que dificulta certas questões de organização da vida comunitária. Então, eles tentaram fazer essa coisa meio mista, que é dividir os lotes tipo uma pizza, raio de sol, aí você tem os vários núcleos de moradia, você forma pequenas vilas, mas todo mundo está no seu lote. Então, ele não está distante da área de produção dele, mas está todo mundo numa certa dinâmica de vila. Eu acho bem interessante, bem inovadora, mas é nova na região.”