BÖLÜM 3 3 ARAŞTIRMA BULGULAR
3.1. Akşehir (KONYA) İlçesine İlişkin Genel Bilgiler
O pensamento do estabelecimento do curso de Engenharia foi o resultado de um processo iniciado pela Marinha do Brasil a partir da década 1950, com um projeto delineado visando atender os requisitos básicos da indústria de construção naval, além das necessidades da Marinha de Guerra. No mesmo período a criação do Curso de Engenheiros Navais e o Plano de Metas do Presidente JK se tornaram processos correlatos, concomitantes e complementares na medida em que o Plano de Metas fixava como um de seus objetivos a implantação da indústria naval (Meta nº 28) e a nacionalização do curso de engenharia naval seria o suporte para se atingir tal intento.
Telles (2001) aponta que durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956- 1961), podem-se destacar três medidas institucionais que alteraram a forma e a magnitude do aglomerado da indústria da construção naval no Brasil, seriam elas: a inclusão da Meta nº 11 – Marinha Mercante – e da Meta nº 28 – Construção Naval – no Plano de Metas; a criação do Grupo Executivo da Indústria da Construção Naval
(GEICON); e a aprovação do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e da Taxa de Renovação da Marinha Mercante (TRMM).
Segundo Santos (2008), com as medidas tomadas pelo governo Kubitschek na segunda metade dos anos 1950, estava inaugurada a nova fase de construção naval e lançadas as bases para o seu desenvolvimento. E a Marinha do Brasil estava atenta a esse momento ímpar, sendo o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) o catalisador desse processo para o setor naval militar. A partir de então, o Arsenal tornou-se participante do processo, servindo de suporte para os engenheiros recém- formados e ainda através da alocação de investimentos na Escola Técnica do Arsenal de Marinha, a fim de preparar o pessoal qualificado, bem como de sua estrutura, sendo, portanto, a mola propulsora da construção de navios de guerra.
Ainda com relação ao conjunto de medidas implementadas por JK, nota-se o Decreto n° 44.03172 de 9 de julho de 1958, que estabelecia as diretrizes básicas para implantação e desenvolvimento da indústria de construção naval. Destacam-se no próprio Decreto algumas finalidades diretamente relacionadas ao caráter militar, ensejando que a capacidade da referida indústria teria de levar em conta o atendimento às necessidades da defesa nacional, tanto na programação dos estaleiros civis quanto militares (GAMA, 1970).
Como o desenvolvimento da engenharia naval de uma nação só alcança pleno desenvolvimento em décadas, seria necessário que as organizações da engenharia naval brasileira buscassem, com criatividade e profissionalismo, englobar o aperfeiçoamento dos seus processos produtivos, estabelecendo assim, uma mudança de mentalidade, com a realização de investimentos para que o pessoal técnico pudesse ser mais bem qualificado e que o trabalho fosse exercido dentro de uma infra-estrutura industrial, competitiva e em continua evolução. Esses indivíduos, em função das características do trabalho a ser realizado, deveriam possuir, além das qualificações técnicas necessárias para realizar esse trabalho, o nível adequado de competências e o comprometimento com o processo desenvolvimentista do país.
Edamatu (2008) afirma que o desempenho da mão de obra é um dos fatores de produtividade de um estaleiro e que seria necessário praticar maciços investimentos na formação, treinamento e aperfeiçoamento de seus respectivos colaboradores, face aos novos métodos de projeto e construção naval.
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Decreto Federal que estabelecia as diretrizes básicas para a implantação e desenvolvimento das indústrias de construção e reparos navais e complementares.
Portanto, existia a necessidade de investimentos na capacitação do pessoal envolvido na construção naval, isso é verificado nos relatórios de 1959 do Ministro da Marinha, Almirante Matoso Maia que buscou envidar esforços para o fortalecimento do setor de ensino tanto no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, como na ETAM. O Ministro salientava que por motivos diversos, tais como idade avançada, níveis salariais, aposentadoria, entre outros, necessitava-se de indivíduos capazes para substituir os que deixavam o AMRJ, e também para estarem prontos para o novo cenário que se vislumbrava para a construção naval na Marinha e no Brasil. Consta ainda nos referidos relatórios uma percepção de que com a implantação da construção naval no país haveria um ponto também favorável ao AMRJ, em virtude de atividades extra-Marinha que este poderia executar tais como: docagens de navios civis, reparo e mesmo construção de embarcações mercantes, a fim de obter mais recursos para suas atividades de caráter militar. Vale dizer que outro motivo de inquietação do Ministro era com relação à questão salarial no AMRJ, ressaltando que a Marinha faria uso de dispositivos legais a fim de possibilitar o pagamento de gratificações adicionais às atividades dos trabalhadores do arsenal (CÂMARA, 2011).
O ano de 1959 apresentou pelo menos dois registros importantes. O primeiro foi a criação do Instituto de Pesquisa da Marinha (IPqM) em 14 de julho, que seria uma instituição voltada para a área de pesquisa e desenvolvimento na Marinha. O segundo foi a colação de grau da primeira turma de engenheiros navais cursados no Brasil, resultado das aproximações entre a Universidade de São Paulo e a Marinha, fruto de objetivos similares na busca pelo progresso do país fundamentado no conhecimento técnico-científico. Afinal, para as forças navais a tecnologia é de extrema relevância em virtude do seu caráter não natural da guerra no mar, assim, tamanha é a importância e necessidade dessas plataformas tecnológicas, na forma de navios de guerra, a fim de possuir capacidade de combate (BLACK, 2004).
O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ) reiniciou então suas atividades como órgão construtor de navios de guerra ao final da década de 1960, por meio dos seis navios-patrulha costeira da classe Piratini que eram navios de projeto norte- americano. Em seguida iniciou-se o projeto, no próprio arsenal, de um navio patrulha para a calha principal da bacia Amazônica, e assim foram construídos o navio patrulha fluvial Pedro Teixeira e o Raposo Tavares. Cabe ressaltar também que o Programa
Decenal de Renovação dos Meios Flutuantes da Marinha de Guerra de 196773 previa ainda a aquisição de Fragatas. Esses navios deveriam ser os mais modernos até então. Desse modo foi assinado um contrato com a Inglaterra para o projeto e construção de seis navios, dois dos quais construídos no arsenal. Este receberia planos, outros documentos, alguma assessoria, treinamento para os técnicos e os materiais do estaleiro inglês (ARSENAL DE MARINHA DO RIO DE JANEIRO, 1983).
Santos (2008) sublinha que a construção naval militar teve um grande impulso no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, com o início, em 1972, da construção das duas fragatas classe Niterói, a última das quais concluída em 1980. Tratavam-se de navios modernos, com complexos e sofisticados sistemas de armas, máquinas e sensores, cuja construção representou um grande desafio e um enorme avanço tecnológico.
De acordo com Telles (2001) a Fragata Independência pode ser considerada como o primeiro navio de guerra complexo construído no Brasil depois de 28 anos de interrupção e a corveta Inhaúma, lançada ao mar, também pelo Arsenal de Marinha, em 1986, foi o primeiro verdadeiro navio de guerra de projeto nacional, depois do cruzador Tamandaré de 1890, quase 100 anos depois. Com o renascimento da construção naval militar, se pode dar um salto de qualidade em relativo espaço curto de tempo, projetando e construindo navios modernos e inclusive, passando o Brasil a ingressar no seleto grupo de países do mundo capazes de construir submarinos.
Sem dúvidas os reflexos do desenvolvimento na década de 1970 obtidos pela construção naval no país foram marcantes, em especial os de caráter militar. É importante salientar que o Brasil alcançaria um patamar inédito de atividade industrial em seus estaleiros, atingindo o lugar de segundo maior produtor mundial de navios. E nesse processo a Marinha de Guerra consolidaria um amplo plano de projeto de construção de navios de guerra a partir das fragatas, corvetas e ainda, a construção do Navio-Escola Brasil nos anos 1980.
Desse modo, diversas iniciativas e parcerias a fim de promover a pesquisa seriam organizadas neste período, envolvendo o Departamento de Engenharia Naval da USP, a seção de Engenharia Naval do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em São
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O Programa Decenal de Renovação dos Meios Flutuantes previa a incorporação de 20 fragatas anti- submarinas, 60 navios-varredores de minas, 6 submarinos, 50 navios-patrulha e vários outros navios auxiliares. Outra importante mudança que o programa trouxe foi o fato de que tinha como uma diretriz fundamental a nacionalização dos meios flutuantes para diminuir a dependência brasileira nos meios navais em relação aos Estados Unidos (Vidigal, 1985:100; Ministério da Marinha, 1969:7-8).
Paulo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros órgãos públicos. É importante sublinhar que esses programas de pesquisa beneficiariam a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos para o projeto dos submarinos e de sistemas de informática. Assim, houve proposta de alteração curricular em função do momento de retomada da construção de meios navais mais modernos e de alta complexidade pela Marinha, exigindo uma demanda cada vez maior de pessoal capacitado, conforme destaca o documento de criação de novas cátedras da Escola Politécnica da USP:
(...) em futuro bem próximo uma carência aguda de elementos com elevado preparo a fim de compor equipes, de capacidade diversificada, mas também capazes de perfeito entendimento mútuo, pelo conhecimento homogêneo do objeto central do trabalho, que é o navio de guerra. Este sistema flutuante tem como característica básica o elevado grau de auto-suficiência e operam num ambiente particularmente hostil e mutável tais sistemas tem por finalidade não apenas o transporte marítimo, mas a garantia de uso e soberania no mar. E ainda devem operar por extensos períodos de tempo, dependendo de subsistemas específicos para mobilidade, disponibilidade de energia para as funções de governo e controle, comunicações, conforto e de combate. Por isso, tem interesse particular em que uma variante do curso de Engenharia Naval seja criada, com um complemento na área de sistemas, oferecendo os recursos que sejam necessários para tal, em adição de novas disciplinas (...) o problema básico com que se defronta a Engenharia Naval é, hoje em dia, o de poder conciliar a expansão notável e seu campo de atuação, acompanhando o crescente interesse do homem pelo mar, e a variedade e complexidade também cada vez mais crescente das componentes dos sistemas que a Engenharia Naval deve projetar e construir para atender aos interesses do país74(...).
Nota-se, portanto, que havia um despertar da área científica para os desafios que advinham do projeto e construção de navios de guerra. Manning (1964) havia a necessidade de especial atenção a formação profissional, experiência e organização do pessoal que estaria envolvido com esse tipo de empreendimento. Segundo o autor, inicialmente aponta para uma distribuição do trabalho tal que a equipe de projeto deve contar com engenheiros navais, organizados pelas seções de casco (setores) a fim de realizar cálculos relativos à estabilidade, estudos de hidrodinâmica, arranjos de compartimentos, estruturas, equipamentos de convés e acessórios. Somados a isso não se deve esquecer que em um navio de guerra todos os principais sistemas (como a geração de energia, a propulsão e o governo do navio, dentre outros) devem ser duais, ou seja, devem ser duplicados a fim de possibilitar a máxima segurança em condições
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Extrato do documento (D 60/72) de solicitação de novas cátedras em virtude da ampliação das demandas do curso de Engenharia Naval. Arquivo Histórico da Escola Politécnica da USP.
de combate ou adversas. Estes aspectos serão mais bem detalhados posteriormente ao longo do trabalho.
O importante é enfatizar que a construção de um navio de guerra se difere da construção de um navio de transporte ou mercante, haja vista que este é entregue
praticamente “vazio”, enquanto aquele é entregue carregado e pronto com os diversos
sistemas necessários ao cumprimento de suas tarefas.
Cabe assinalar que, excetuando-se uma minoria de funcionários civis, a maior parte dos engenheiros envolvidos no processo de construção dos modernos navios da força Naval do país nas décadas de 1970 e 1980, seria constituída de militares de carreira da Marinha, corroborando, assim, a ideia de que o envolvimento da Marinha para o aprimoramento do seu pessoal foi fundamental para o êxito alcançado na construção militar naval no período. Somam-se a isso as condições favoráveis para a realização desse projeto, sobretudo, no aspecto industrial e de fomento da indústria naval em geral, fruto dos mecanismos de incentivo da implantação desta a partir da segunda metade dos anos 1950.
Pode-se intuir que o conjunto de medidas implementadas ainda na década de 1950 por JK, a despeito da conjuntura internacional com o cenário da Guerra Fria, e a contínua preocupação das autoridades navais na recuperação da capacidade de construção naval militar e mercante no país, foram fatores que contribuíram para o retorno da construção naval militar no Brasil. Nota-se que, apesar de todas as dificuldades, a nação brasileira e em especial a sua Marinha, conseguiu resgatar e aprimorar sua capacidade de construir navios de guerra no estado da arte.
CAPÍTULO 3
A Indústria de Construção Naval como uma necessidade
estratégica ao desenvolvimento
3.1 Aspectos relevantes para a indústria de construção naval militar no país e seu