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Akıllı Kadastro 360 Derece

Freguesias

População Escrava

Homens Mulheres

Cidade 1864 1807

Santana dos Ferros 591 575

Joanésia 145 124

Antonio Dias 204 184

Alfié 210 220

São Domingos do Prata 585 458

São José da Lagoa 446 398

Cuieté - -

Total 4.045 3.766

Fonte: APM, Seção Provincial. Mapa Demonstrativo das Freguesias, Quarteirões, Lojas, Boticas,

Tavernas, Engenhos e mais como do mesmo se vê pertencente ao Município de Itabira que presta o Juiz Municipal do mesmo Município á Excelentíssima Presidência da Província. 1855. SP 570 [403].

A ausência de dados relativos à freguesia de Cuieté é justificada pelo Juiz Municipal em virtude da grande distância em que este se encontra da sede do município, de forma que uma viagem ao mesmo para coletar esses dados não seria possível de se realizar em tempo hábil de redigir e enviar o relatório ao Presidente da Província. Sobre tal freguesia, aponta que:

Este Distrito que pertencia a cidade de Mariana, foi do mesmo desmembrado e passou a pertencer a este Município pelo artigo 8º da Lei Provincial de número 271 de 15 de abril de 1844, ficando preservadas suas divisas, com a alteração de pertencer a Freguesia de Santana do Alfié os moradores do lugar chamado Matipó, no Rio Doce. Este Distrito, pela grande distância que o separa dessa cidade e pela difícil comunicação, por depender de viagem pelo Rio quase que nada de positivo se poderá dizer a seu respeito, ali jamais parece chegar a força da Justiça e quando chega não pode ter feliz resultado, quase que pode-se dizer que o povo deste Distrito vive sobre si, e quase em estado independente. Sou informado que existem ali alguns criadores de gado vacum, mas o gado é consumido no mesmo Distrito por falta de estradas por onde o possão tirar e levá-lo á venda, é assim insignificante o Distrito, e por isso pouco sei quase nada para adiantar e pouco desenvolvimento terá tido a todos os respeitos.40

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Antes de seguir nossa análise, torna-se oportuno tecer algumas considerações acerca das limitações dos números aqui apresentados. Utilizar esses dados em conjunto para apresentar os números populacionais referentes às Minas do Ferro, a princípio, pode parecer equivocado, uma vez que é preciso considerar as alterações ocorridas nas fronteiras administrativas destas áreas. Contudo, conforme observado anteriormente, o que segmenta nosso espaço de análise não são esses limites administrativos de municípios e distritos, mas as características geográficas e socioeconômicas que permitiram o desenvolvimento da produção e da transformação do ferro nesta porção do território da Província de Minas. Em outros termos, se uma dada freguesia que estava sob jurisdição de Itabira passa a pertencer a Santa Bárbara, uma vez que estamos utilizando os dados desses dois núcleos, continuamos cobrindo a região das Minas do Ferro. Trabalhando em conjunto estes três momentos, 1833, 1855 e 1872, podemos apresentar algumas estimativas quantitativas e qualitativas das características dessa área, tomando por base seus dois núcleos principais: Itabira e Santa Bárbara.

Podemos perceber as características da população livre de um dos pontos de grande concentração de forjas e tendas de ferreiro no século XIX; o município de Itabira (ver tabela 9). Num total de 22.295 habitantes, entre brasileiros e estrangeiros. Estes últimos, provavelmente ligados às companhias de mineração, como já observava Saint-Hilaire. 41 Nota-se, reforçando essa ideia, que a maioria dos estrangeiros, 11 dos 20 apresentados pelo relatório, estavam instalados na sede do município.

Os números totais para a população de Itabira, no ano de 1855, indicam a presença de 30106 habitantes, entre livres e escravos.

Na cidade de Itabira, há certo equilíbrio entre os números relativos às populações do sexo masculino e feminino, com pequena maioria de mulheres (3697 homens para 3844). Como este conjunto não está dividido entre brancos, pardos e negros, conforme feito no censo de 1833, não podemos afirmar as proporções desses segmentos, mas podemos levantar algumas questões. Embora o

41 A serra da Conceição era umas das áreas exploradas por companhias estrangeiras, no caso, de ingleses. Cf: SAINT-HILAIRE, op. cit, p. 120-124.

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equilíbrio das razões de sexos já pudesse ser observado em 1833 entre a população branca e entre os pardos livres, para os dados de 1855, o fim do tráfico internacional a partir de 1850, com a Lei Euzébio de Queiroz pode ter acentuado essa tendência. Considerando o que diz a bibliografia, poderíamos atribuir esses números às características comuns aos centros mais urbanizados. Paiva afirma que para as áreas de ocupação mais antiga, como é o caso do Município de Itabira, há o predomínio das mulheres entre a população livre. Isso pode indicar uma participação de pardas e negras livres na proporção final dessa população. Contudo, o fato da população livre estar descrita em conjunto dificulta maiores conclusões.

Ao compararmos os índices da cidade com as demais freguesias (tabela 9), observa-se certa similaridade entre os números de homens e mulheres na maioria das áreas. Embora com uma diferença pequena, as mulheres são a maior parte da população livre em praticamente todas as freguesias do município de Itabira. Na cidade, entre os brasileiros, que somam 7541 indivíduos, os homens perfazem 49,03% e as mulheres 50,97% desse contingente populacional. Em Santana dos Ferros, os homens são 49,3% da população e 50,7% da mesma se refere ao elemento feminino entre os 4361 indivíduos brasileiros indicados para este distrito (tabela 9). Em Alfié, o terceiro maior índice de população livre do Município de Itabira, entre os brasileiros (2935 indivíduos) as mulheres também são maioria, sendo os índices relativos a população do sexo feminino maiores que em Itabira e Santana dos Ferros (46,3% da população é composta de homens e 53,7% de mulheres).

Difere deste quadro apenas a freguesia de São José da Lagoa, onde o número de homens é bem maior que o de mulheres (1208 homens para 774 mulheres, isto é 60,95% da população livre, entre brasileiros, é composta por homens e 39,05% por mulheres). Sobre esse distrito, o relatório aponta que “o estado da indústria no distrito de São José da Alagoa é pouco lisonjeiro, constituindo a principal na feitura de chapéus de palha de Indaiá, contudo exporta 60:000$000 e importa pouco mais ou menos 22:000$000”.42 O que

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sugere se tratar de um distrito pouco desenvolvido, mas pelos números de população do sexo masculino poderia estar recebendo migração de homens.

Entre os escravos há maior proximidade entre os números de homens e mulheres. Na cidade de Itabira os escravos do sexo masculino perfazem um total de 50,8% e as escravas são 49,2% dos cativos. Em Santana dos Ferros a razão de sexos entre os escravos permanece equilibrada: 50,7% desses são homens e 49,3%, mulheres. Para a freguesia de Alfié, os homens são 48,84 do total da população cativa e as mulheres 51,16% da mesma. A maior diferença encontra-se na freguesia de São Domingos do Prata (onde os homens compreendem 585 indivíduos e as mulheres 458; uma diferença de 127 indivíduos do sexo masculino).

A Câmara Municipal de Santa Bárbara enviou ao inquérito provincial de 1855 uma relação nominal de lojas, engenhos, boticas e “outros negócios”, também separada por seus distritos. 43 Este documento será analisado no item seguinte deste capítulo, onde trataremos das formas de utilização da terra e dos recursos da natureza nessas Minas do Ferro.

O último conjunto de informações censitárias para a Província de Minas Gerais no século XIX faz parte do recenseamento de 1872. Deste, retiramos as informações referentes à paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Itabira e da paróquia de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara.

O quadro populacional da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Itabira, nos apresenta informações a respeito da composição dessa população por cor e condição. Acrescenta em relação aos levantamentos de 1833 e 1855, o fato de registrar o número de população cabocla, indicando a presença da miscigenação do elemento indígena. Para o total da população da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Itabira, em 1872, temos 7810 habitantes. Não se trata da população do município, mas de seu núcleo urbano, na cidade de Itabira.

43 São eles: Distrito da Vila de Santa Bárbara, Distrito do Brumado, Distrito de São Miguel do Piracicaba, Distrito de Catas Altas, Distrito do Socorro, Distrito de São João do Morro Grande,Distrito de Cocais e Distrito de São Gonçalo do Rio Abaixo.

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Entre os livres, aponta um total de 5989 (3051 homens e 2938 mulheres), entre brancos (65,79%), pardos (24,5%), pretos (8,6%) e caboclos (1,1%). A população escrava, distribuída entre pardos e pretos compreende 1821 indivíduos (55,96% de homens e 44,04% de mulheres). Ao contrário do quadro apresentado no início do século, vê-se que a população desta paróquia é em sua maioria composta por homens e mulheres livres, entre os quais, temos 1467 pardos e 515 pretos.

Tabela 11 - População da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Itabira. 1872. (números absolutos)

Fonte: APM, Recenseamento da População do Brasil de 1872, Minas Gerais, Quadro Geral da

População da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Itabira.. Cx. 03 [160-165].

A possibilidade de alforrias aí se faz presente. Como não temos a distribuição etária dessa população de cor entre a camada dos livres, não podemos afirmar ainda a que se deve tal processo. Se resultado da legislação que ao longo do século tendeu a conceder a liberdade a crianças e idosos, como as Leis do Ventre Livre e dos Sexagenários, ou se fruto da possibilidade de compra de alforria que a vida na cidade permitia a esses escravos, sobretudo aos que estivessem envolvidos no trabalho nas atividades de transformação.

A razão de sexos aparece menos equilibrada entre a população livre neste levantamento (de 1872), em relação aos anteriores (1833 e 1855, já discutidos), embora o número de homens e mulheres se mantenha próximo entre brancos e pardos livres. Entre os escravos, os pretos – ou africanos- continuam sendo

Condições Sexos Almas

“Raças”

Brancos Pardos Pretos Caboclos

Livres Homens 3051 1845 848 322 36 Mulheres 2938 2095 619 193 31 Soma 5989 3940 1467 515 67 Escravos Homens 1019 - 267 752 - Mulheres 802 - 237 566 - Soma 1821 - 504 1317 - Soma Geral 7810 3940 1971 1832 67

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homens em sua maioria. Os pardos escravos apresentam maior similaridade entre os indivíduos do sexo masculino e feminino.

Observa-se também a importância da população de cor (pardos e pretos) entre livres e escravos. Compreendem 3803 indivíduos, correspondendo a 48,70% da população. É claro que esses dados são relativos, pois compreendem uma área restrita do município. Ainda assim, são significativos, uma vez que demonstram que cerca da metade da população era composta por homens e mulheres de cor.

Trataremos agora os dados extraídos do recenseamento de 1872 para a Paróquia de Santo Antonio do Ribeirão de Santa Bárbara (ver tabela 12). A partir dela, observa-se o total da população da paróquia em 4382 indivíduos, entre brancos, pardos, pretos e caboclos. Entre os livres, temos um total de 3836 indivíduos, dos quais, 55,43% são brancos, 29,43% pardos, 14,03% pretos e 1,11% caboclos (42 pessoas).

Também nesta paróquia verificamos um grande percentual da população de cor (pardos e pretos). Perfazem 1663 indivíduos entre os livres (43,46% dessa população); tanto entre pardos como entre pretos existe a maioria de mulheres entre os livres. O que indica a tendência seletiva da prática de alforrias, como indica Lara. 44

A historiografia tende a considerar a existência de uma lógica para as manumissões no Brasil colonial e imperial. Schwartz aponta que as alforrias, na Bahia setecentista, eram mais acessíveis às mulheres que aos homens, aos crioulos que aos africanos, aos pardos que aos negros. Marquese reitera que esse padrão também pode ser identificado nas áreas mineradoras, onde “quanto mais

afastados da experiência do tráfico negreiro transatlântico, maiores seriam as possibilidades de os escravos e escravas ganharem a alforria.” 45

44LARA, op. cit., 2007. A autora também aponta para uma prática e seletiva para as alforrias, que seriam mais comuns entre mulheres crioulas e homens africanos.

45 Cf: SCHWARTZ, op. cit., p. 165-212. MARQUESE, Rafael de Bivar. A Dinâmica da Escravidão no Brasil: resistência, tráfico negreiro e alforrias. Séculos XVII e XVIII. p. 116-7. Disponível em : http://www.scielo.br/pdf/nec/n74/29642.pdf Acesso em: 20/03/2011

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Benzer Belgeler