1.3. Dördüncü Sanayi Devriminin İktisadi Etkileri
2.1.10. Akıllı Fabrikalar (Smart Factories)/ Karanlık Üretim (Dark Faktories)
As representações formam um sistema e dão lugar a teorias espontâneas, versões da realidade encarnadas por imagens ou condensadas por palavras, umas e outras carregadas de significações. (JOCELET, 2001, p. 21). Nesta categoria, observa-se a presença forte de
imagens e expressões “coloquiais”, que podem ser classificadas como frases feitas ou clichês16 para simbolizarem a escola, na visão dos sujeitos em estudo. Aparecem, também,
expressões espontâneas, originais e ousadas como as exemplificadas na figura 10, que traz a frase: Tédio, mas com benefícios a médio e longo prazo (Q 93) como na explicação, Muita coisa que aprendi na escola, estou achando a resposta agora (Q170), e a figura 11 que traz o desenho da Escola com asas (Q88).
Figura 10 – Palavra tédio (D93) Fonte: Pesquisa Aplicada
Figura 11 – Escola- Asa (D 88) Fonte: Pesquisa Aplicada
Na representação escola-asa, chama a atenção a proporcionalidade do tamanho da escola e das suas asas em comparação com o sujeito/aluno pequeno e suspenso. No alto um saco, com cifrão, simbolizando dinheiro, que expressa a expectativa colocada no papel da escola: levar o indivíduo ao sucesso, oriundo do dinheiro. Pode-se inferir dessa imagem o reflexo do papel e do poder da escola na vida do indivíduo, pois, se “cair” da escola, for excluído “esborracha-se”, em queda livre no chão. Ao mesmo tempo, existe a expectativa de que a escola o levará, como um pássaro gigante ao sucesso.
Na dimensão metáforas foram agrupadas representações da escola como árvore, mundo, asas, sol nos desenhos. Também se reuniram temas relativos à vida, em especial ao ciclo da vida. Quanto às frases e palavras, destacam-se também outras representações como de segunda família, tudo/base. Neste grupo, colocaram-se também as frases feitas, as quais, assim como as metáforas, são estratégias de comunicação e de sensibilização, que geram impactos e acredita-se que apresentem um “discurso” do senso comum. As metáforas, ao serem analisadas, também levam às dimensões já citadas: conhecimento/socialização e caminho/chegada, que também podem se configurar como metáfora. Pelo grande número desenhos expressando esta idéia foi construída outra categoria.
A idéia de alicerce, base, raiz da construção e sedimentação da existência humana, como pode ser exemplificada no depoimento: A escola dá base, abre horizontes, mas também deixa muitas dúvidas, para seguir em frente neste formato, difícil e concorrido que é o
mercado de trabalho (D71).
A representação da escola como árvore, que dá sustentação, frutos e sementes foi lembrada pelos acadêmicos respondentes, conforme explicação que acompanha a figura ao lado e o depoimento a seguir: Para mim a vida é uma escola cheia de ramificações que dá frutos e sementes para uma nova vida (A 151). Neste contexto, amplia-se o conceito de escola, além dos seus muros: a escola da vida.
Figura 12 – Representação Escola= Árvore (D 129) Fonte: Pesquisa aplicada.
Figura 13 – Escola = Mundo (D32) Fonte: Pesquisa aplicada.
A escola, como um espaço de apresentação e representação do mundo, foi lembrada por vários respondentes, ocorrência que pode ser embasada Arendt (2000) quando diz que a escola é a instituição que se interpõe entre o domínio privado do lar e o mundo, de forma que torna possível a transição da família para o mundo. O depoimento a seguir, expressa esta percepção: Acho q. na escola é por onde a gente acaba entrando na sociedade. É o 1º passo p/ vida, amigos, no meu caso, foi onde tive os 1ºs, pra mim, onde abrimos nossas primeiras portas, e derrubamos algumas barreiras (A14).
A dimensão social, enquanto formação do cidadão e dos relacionamentos sociais esteve presente em várias representações, com destaque a expressão: [.. onde fiz grande amigos, alguns inesquecíveis (D7).
A representação da figura da lâmpada traz à imagem da escola a idéia de caminho e luz. A idéia de caminho foi muito usada, inclusive com placas indicando, ao longo do trajeto, a direção para o sucesso. O conceito de luz, lâmpada, foi apresentado por alguns respondentes também com o sol.
A representação do sol, luz, lâmpada com a idéia de luz, claridade, aquecimento esteve presente nos desenhos e pode-se relacionar com a concepção de que, o conhecimento “clarifica”, ilumina a tomada de decisão.
Figura 14 – Escola = Caminho Luz (D213) Fonte: Pesquisa aplicada.
A representação da escola como evolução, crescimento e conhecimento está apresentada na figura a seguir e expressa no depoimento: experiência, amadurecimento, conceitos diferenciados, novas capacidades, novos conhecimentos, amizades, novos contatos (Q58).
Figura 15 – Escola = crescimento (D53) Fonte: Pesquisa aplicada.
As representações confirmam as duas dimensões principais da escola: enquanto uma instância de socialização secundária em que há uma espécie de reestruturação do habitus e enquanto uma instância em que os agentes sociais acumulam capital social (criação, expansão e consolidação de rede de relacionamentos) e capital cultural (obtenção de credencial de formação educacional, acadêmica valorizada pelo mercado). Essas duas dimensões se articulam, garantindo assim à escola o desempenho eficiente de suas funções
sociais de reprodução cultural, reprodução social e legitimação, ou está perdendo a sua força no contexto atual?
Observou-se também a representação por meio de frases, fortemente arraigadas no senso comum, com frases ditas “feitas” como, por exemplo: escola é vida (A 113), ela é a única que nos dá algo que jamais alguém pode nos roubar: o conhecimento (A172), um tempo que vai ficar na memória para sempre (A78), Alicerce para a Vida (A184) como apresentado na figura 16.
Figura 16 – Alicerce para a Vida (D184) Fonte: Pesquisa Aplicada
A escola é uma forma de inclusão na sociedade. Dá à pessoa a bagagem técnica que, juntando à experiência da vida, forma a pessoa e o profissional (A168) A expressão a escola nos dá parece trazer uma concepção epistemológica e pedagógica empirista (BECKER, 1993) com o papel do aluno passivo, que vai à escola para receber informações, representadas na ação de “ouvir e reproduzir”. É esta a concepção do acadêmico do seu papel na Escola, estendendo escola,aqui, representando a Universidade.
Constatou-se a freqüência expressiva da representação da Escola/Universidade como porta que se abre para um novo mundo, até então inimaginável conforme depoimentos a seguir:
Tudo, mudou a minha vida, hoje posso falar de assuntos que jamais teria acesso a verdades que são contadas por aí, a formar opinião própria (A118).
Representou um começo para um fim melhor (A119).
Revelaram-se, igualmente, depoimentos que enfatizam a possibilidade, também concreta, de melhoria de vida, de ascensão social:
Tudo, família pobre, nenhuma luz, mas tinha alguma coisa que me dizia que precisava ir em frente, somente eu podia mudar, e assim o fiz, nunca aceitei parar de estudar; sei que a escola me fez crescer e continua fazendo (A47).
A escola proporciona o conhecimento para crescermos na vida pessoal e profissional. Aprendemos a conviver com diferenças e dar valor a tudo que conquistamos diariamente seja status, ou seja, amor (A128).
Curiosamente, houve a auto-avaliação de que o período escolar foi um momento que poderia ter sido melhor aproveitado:
Escola foi um tudo que eu não dei valor. Hoje percebo o quanto eu podia ter aproveitado e ter me empenhado mais, hoje dou valor na faculdade, pois não tenho muito tempo e sou eu que pago (A57).
Estas percepções vão ao encontro da teoria bourdieusiana, a qual destaca que os estudantes de classes média e popular acreditam que o sucesso escolar permitirá o acesso a posições mais elevadas.
Na tentativa de categorização, observaram-se muitos desenhos e frases na fronteira, isto é, apresentam, mostram a complexidade da representação social a partir da interpretação e simbolização deste objeto tão presente e significativo na vida social que é a escola.
A representação da escola seja enquanto caminho-chegada, conhecimento/socialização, seja por meio de metáforas, mostra a importância que a instituição tem para este grupo investigado e no seu contexto, corroborando o esforço feito para conciliar trabalho, família e estudo tão presente no perfil econômico-social. Caracteriza, conforme apresentado por Jodelet (2001, p. 22), “a representação social como uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social”. É uma forma de apropriação da realidade que expressa o grupo que a construiu e enquanto uma forma de saber prático, orientado para a ação e para a gestão da relação com o mundo; parece dar sentido, relevância e significado ao cotidiano de universitário, ao definir o objeto (Escola) representado.
As representações podem ser compartilhadas com os outros de uma forma convergente ou até mesmo gerando conflitos, que podem ser compreendidos, enfrentados e até gerenciados, administrados (JOCELET, 2001). Neste caso, observou-se uma representação bastante convergente entre os sujeitos sobre o papel da escola, com algumas pequenas oscilações na interpretação, como uma valorização maior para alguns do convívio social e para outros o aspecto do desenvolvimento intelectual. Em linhas gerais, as representações expressam aqueles (indivíduos ou grupos) que as forjam, e observou-se que a escola para estes sujeitos tem um papel decisivo no desenvolvimento social e intelectual. Por
intermédio das expectativas e significados expressos nas metáforas, fica visível a idéia de ascensão social, de acesso ao capital cultural e econômico, nas expressões sucesso, status, satisfação.