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Ajans Birimleri Tarafından Sunulan Hizmetler

I. GENEL BİLGİLER

3. AJANSA İLİŞKİN BİLGİLER

3.5. Ajans Birimleri Tarafından Sunulan Hizmetler

O autor instaurou no Tribunal de Trabalho de Almada ação (processo n.598/09.8TTALM.L1.S1)246 contra o Banco de Portugal pedindo

que se declarasse extinto por caducidade o procedimento disciplinar ou que, subsidiariamente, se declare que os comportamentos que lhe são imputados no referido procedimento não constituem violação do dever de segredo. Além disso, requer que o réu seja condenado a lhe pagar indenizações que englobam vários aspectos, como subsídios descontados e danos não patrimoniais, entre outros.

Foi declarada “ilícita e consequentemente nula a sanção de suspensão aplicada ao Autor, devendo o Réu proceder à eliminação do

246 Disponível em:

http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/b0c2476d8654aef080257ab 10037f704?OpenDocument (acesso em 18.3.2014)

registo disciplinar daquele da infracção em causa e repor a respectiva antiguidade como se nunca tivesse sido sancionado”, além do dever de indenizar os danos materiais e os não patrimoniais.

O réu, inconformado, interpôs recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, assim como o autor, e descontentes com a decisão deste, ambos impetraram recurso de revista para o TSJ. Aquela corte alterou a sentença recorrida na parte em que condenou o réu a pagar ao autor o montante de seis mil euros a título de danos morais, mas manteve o restante, ou seja, a reintegração do autor e as indenizações por danos materiais. O STJ confirmou a sentença recorrida.

Aparenta ser relevante o ponto em que se discute se é devida ou não a indenização referente aos danos não materiais, no qual focaremos a análise desta decisão, pois podemos encontrar, embora não tenha sido explicitada pelos magistrados, uma aplicação correta da proporcionalidade.

O autor alega que sofrera um processo disciplinar ilícito, o qual continha em seu início a intenção de sua dispensa, e, portanto, sofrera danos psicológicos, tendo sua vida familiar e profissional afetada. Dever-se-ia decorrer daí, portanto, uma indenização por danos não materiais.

Acontece que tal procedimento disciplinar foi instaurado pelo fato de o autor ter descumprido seu dever de sigilo em relação ao banco em que trabalhava. Isto aconteceu quando o autor, em um processo judicial, juntou documentos sigilosos e, devido ao caráter público do processo, no entender do banco, houve quebra do dever de sigilo. O autor alegou que sua conduta era lícita, uma vez que coerente com seu direito de ação.

O cerne da discussão é, então, a licitude de tal procedimento disciplinar, dependendo da resposta a esta questão a possibilidade ou não de indenização referente a danos morais. Não resta dúvida, no processo, que o autor sofreu danos psicológicos e em sua convivência familiar e profissional, mas há que se decidir se tais danos decorreram de um procedimento

disciplinar ilícito e, portanto, deveria ser indenizado, ou se tal procedimento constituía direito do banco, sendo legítimo, caso em que não há que se falar em indenização.

Ao analisar a questão, sem mencionar em nenhum momento o princípio da proporcionalidade, assim se argumentou:

Nem se diga que o A./apelante ao haver procedido daquele modo, o fez no exercício do seu direito de acção. Repare-se que o mesmo, ao exercer aquele direito, nem sequer juntou ou requereu a junção de tais documentos com a petição inicial formulada no aludido processo, mas apenas como elementos de prova meramente acessória à que já havia indicado nos autos e apenas em sede da audiência de discussão e julgamento que ali teve lugar, sendo certo que poderia e deveria ter actuado de outro modo, designadamente apresentando outros elementos de prova, mormente testemunhal, que, porventura, fossem capazes de esclarecer o tribunal, naquele outro processo, sobre a actividade desenvolvida pelo A. ao serviço do ali R., ou, no mínimo, solicitar a este autorização para a respectiva utilização em juízo ou requerer ao tribunal a junção dos mesmos pelo próprio R., já que eram documentos que lhe pertenciam e que estavam em seu poder, permitindo, desse modo, a abertura de uma discussão prévia sobre a sigilosidade dos elementos contidos nesses documentos e, consequentemente, a possibilidade ou não da junção dos mesmos àquele processo, ou a forma de se obter a junção dos mesmos sem pôr em causa os direitos em conflito (o direito do A. os poder utilizar enquanto elementos de prova e o direito de sigilo deles decorrente, designadamente em

relação às pessoas ou entidades a que se reportavam esses documentos).

Assim, ainda que de âmbito limitado, não há dúvida que o aqui A./apelante, ao actuar da forma que o fez no referido processo e em relação à junção de tais documentos, violou o sigilo profissional a que estava vinculado».

Demonstrou-se na decisão que, embora tais documentos pudessem provar o que alegava o autor, não ficou demonstrada a sua adequação, posto que além de haver outros meios de prova à sua disposição, tão eficientes quanto este, houve excesso também em tê-los juntado sem antes discutir tal possibilidade, pois sabia tratar-se de segredos de terceiros, que também mereciam proteção jurídica.

E, ao proceder deste modo, ou seja, com excesso, observou-se realmente que direitos de terceiros foram desrespeitados sem nenhuma causa que o tornasse legítimo. Podemos vislumbrar aqui, portanto, as três etapas da aplicação do princípio da proporcionalidade, apesar de não mencionadas explicitamente, como propomos ser o modo correto.

Decorreu-se do exercício hermenêutico realizado uma decisão correta, legítima, em que se pôde verificar que o autor, ao agir de modo desproporcional, ensejou um procedimento disciplinar legítimo, não podendo requerer indenização moral por danos sofridos em um procedimento que tem sua origem em seu próprio ato ilícito. Seria um caso em que estar-se-ia a utilizar o direito contra o próprio direito, a pior forma de injustiça que existe, pois a mais dissimulada.

Benzer Belgeler