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Ajansın Fiziki Yapısı

I. GENEL BİLGİLER

3. AJANSA İLİŞKİN BİLGİLER

3.1. Ajansın Fiziki Yapısı

Em 21 de Agosto de 2006 os trabalhadores (delegados de propaganda médica) envolvidos em uma despedida coletiva intentaram uma ação (processo n. 2993/06.5TTLSB.L2.S1)245, com processo especial, no

Tribunal de Trabalho de Lisboa contra a empresa que os despediu. Pleiteavam que tal despedida fosse declarada ilícita e ainda a reintegração nos seus postos de trabalho com a antiguidade e categoria de antes, além de que lhes fossem pago retribuições que, englobando os danos patrimoniais e os morais, somavam dez mil euros para cada um.

A ré era uma empresa farmacêutica que figurava na lista das 150 empresas com capital próprio de 20 milhões de euros e ocupa a 17ª posição entre a 25 maiores empresas farmacêuticas. Entretanto, afirma que o mercado farmacêutico atravessava fase complicada economicamente, especialmente em Portugal, onde o governo estava em crise e a população com baixas condições financeiras. Além disso, enfrentava congelamento de preços e perda de mercado em função do crescimento dos medicamentos genéricos.

A ré foi condenada no primeiro julgamento e interpôs recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa. Foi proferida nova decisão que decidiu julgar a ação procedente e improcedente o pedido reconvencional e, em consequência disso, declarou ilícita a despedida coletiva operada pela ré e

245Disponível em:

http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/14d1de64de83bac780257b1 a004ccb84?OpenDocum (acesso em 17.3.2014)

que visou os autores, condenando-a a reintegrá-los nos seus postos de trabalho, com a antiguidade e categoria que lhes pertenciam, a pagar aos autores, além das retribuições, acrescidas dos respectivos subsídios de férias e de Natal devidos, até ao trânsito em julgado da decisão, a importância de € 4.000,00 a título de indenização por danos não patrimoniais sofridos e bem assim a pagar-lhes a quantia que viesse a ser apurada em sede de execução de sentença e correspondente aos danos patrimoniais sofridos em resultado de terem sido privados de veículo automóvel, cedido pela ré, e dos prêmios trimestrais de produtividade não recebidos desde Dezembro de 2005. Quantias estas acrescidas de juros de mora, contados à taxa legal, desde a data dos respectivos vencimentos e até efetivo e integral pagamento.

Inconformada, a ré interpôs, de novo, recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa, que deliberou não acolher o recurso interposto e confirmar, na íntegra, a sentença recorrida. Desta decisão que apresenta recurso de revista, o qual vai manter a decisão, com os fundamentos que passamos a expor.

De acordo com o STJ, ainda que a ré tenha demonstrado a existência de previsíveis alterações de mercado no que respeita a procura dos seus bens, não ficou suficientemente demonstrado que essa alteração implicasse a necessidade de dispensa dos autores, cuja atividade, não só, não foi reduzida, como se apurou que a ré teve necessidade de contratar mais pessoal com formação idêntica.

Em suma, verificou-se a inexistência de um nexo de causalidade entre as razões de mercado apurados e a dispensa efetuada, de forma que, “segundo juízos de razoabilidade, aquelas fossem idóneas a determinar uma diminuição de pessoal operada através do despedimento colectivo dos autores, o que torna o despedimento ilícito, ao abrigo do art.º429, c) do CT., com referência ao art.º 431 do mesmo diploma, tal como foi decidido na sentença recorrida”. E, por considerar a dispensa coletiva ilícita, manteve-se a condenação à ré em relação aos danos não patrimoniais, posto que demonstrado o infortúnio causado aos empregados.

O que importa ressaltar nesta decisão, para os objetivos propostos, é mostrar quão intrínseco à ideia de direito é a noção de proporcionalidade, mesmo que, justamente por normalmente permanecer implícita, inconsciente, se dá de modo ilegítimo, incongruente com o que se propõe numa democracia.

No caso sob análise, quando dizem que a questão a ser resolvida é verificar o nexo de causalidade entre as razões expostas pela empresa e a necessidade de se despedir determinados empregados, aí reside o lócus privilegiado da proporcionalidade, que é o que fundamenta e dá sentido ao vínculo existente entre às partes em conflito. É o que proporciona avaliar a legitimidade de uma conduta em relação aos reflexos que ela terá na parte contrária.

Chega-se à conclusão de que, havendo problemas econômicos ou de qualquer ordem, será lícita a dispensa coletiva se ficar demonstrado que esta surtirá efeito em reduzir ou solucionar os problemas enfrentados. Tal procedimento interpretativo é denominado como um juízo de razoabilidade. Apesar desta denominação, podemos verificar grande semelhança com o que temos apontado como uma aplicação ilegítima da proporcionalidade, posto que fundamentada em uma compreensão inautêntica.

Tomando o direito como um instrumento a ser utilizado para conformar o convívio social, parte-se do pressuposto de que uma conduta pode ter sua legitimidade aferida com a sua adequação com a lei, com um princípio, com o que se diz ser a constituição, com um valor, ou seja, trata-se de descrever uma relação em que se estabelece um critério e, então, se avalia uma conduta. Se esta estiver conforme aquele, ela é considerada lícita.

Este é o ponto em que a violência é mascarada, fundamentada em discursos retóricos em que o ser humano, em sua singularidade, é deslocado, fica fora do debate, tendo sua vida totalmente absorvida pelo

direito. A proporcionalidade, se aplicada corretamente nos termos que se propõe neste trabalho, propicia desconstruir estes discursos, estas crenças, além de soluções legítimas. No caso em questão, por exemplo, pode-se até considerar um “acerto” quanto ao conteúdo da decisão, mas o pano de fundo, o não dito do que se decidiu é o local que se identifica o problema. Mostrando a empresa que, em caso de crise financeira, poderia reduzir custos e permanecer mais competitiva no mercado com uma demissão coletiva, esta se mostraria lícita? Mas seria legítima? Acreditamos que a proporcionalidade oferece um caminho mais correto a ser seguido. Deveria a empresa, além de mostrar a necessidade de tal dispensa, deveria ainda, mostrar que não teria outras alternativas mais benéficas aos empregados e, por último, dever-se-ia mostrar até que ponto o ordenamento jurídico-político possibilita uma dispensa coletiva para salvaguardar interesses da empresa. Não nos parece correto, desde uma abordagem comprometida com os direitos humanos, que uma empresa possa proceder a uma dispensa coletiva, mas não possa sofrer um recuo econômico, que não a coloque em risco, é claro.

Benzer Belgeler