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7. DENEY SONUÇLARI VE TARTIŞMA

7.3 AISI 304 / AISI 1010 Kaynaklı Numunelerin SEM Analizleri

Como vimos, foram gravadas 18 aulas de P01, percorrendo mais de seis meses incluindo mudança de ano/série devido à passagem de um ano letivo a outro no período de coleta de dados.

Assim sendo, houve diversidade de temas que, em P01, passou por Fenícios e Hebreus, Império Persa, Grécia, Grandes Navegações, Guerra de Reconquista e as riquezas que financiaram as navegações, Império Romano, Feudalismo, Peste Negra, Expansão Marítima, Renascimento, Período Regencial no Brasil e Segundo Reinado.

O mesmo ocorreu nas 20 aulas de P02, que assim como P01, também percorreu mais de seis meses e mudança de ano letivo, o que explica a diversidade de temas desenvolvidos pela participante: primeira, segunda e terceira fase da Revolução Francesa, Inconfidência

Mineira, Independência do Brasil, Primeiro Reinado, Período Regencial, Primeira Guerra Mundial e Crise de 1929.

Quanto aos temas tratados, podemos afirmar que são todos muito ricos em relação às possibilidades que abrem para o aprendizado dos conceitos a ele associados, à própria contação e às associações que permitem.

Em relação ao segundo componente das características estruturais das aulas, os materiais utilizados, tanto em P01 quanto em P02, em todas as aulas analisadas não observamos qualquer alteração, ou seja, foram sempre utilizados: lousa, giz, cadernos, apostilas e materiais pedagógicos de uso individual como lápis, borracha e caneta.

Entendemos que esta informação é significativa, e, ao mesmo tempo, preocupante porque demonstra, em ambientes absolutamente distintos (público e particular), um mesmo e empobrecido padrão de utilização de materiais nas aulas de história que, revisto, certamente poderia enriquecer a visualização dos conceitos trabalhados, sua devida aplicação, além da facilidade que poderiam constituir ao processo de construção da contação, principalmente quando estamos falando no ensino para alunos com deficiência intelectual.

Assim sendo, em ambos os espaços e dinâmicas de ensino, não vimos a utilização de músicas, instrumentos, mapas, ou qualquer outro elemento suplementar, como viagens culturais ou talvez o mais popularmente utilizado "datashow" (para além da apostila, da lousa e do caderno) que poderiam facilitar no desenvolvimento do aprendizado da história, o que entendemos, ser um fator potencialmente redutor da capacidade de impacto sobre os alunos, principalmente àqueles com deficiência intelectual, já que perde-se significativa oportunidade de representação da reflexão histórica.

A opção de ambas as participantes, no momento em que precisavam utilizar esses objetos complementares ao aprendizado, visando facilitação da representação do que desejavam àquele momento, foi muitas vezes desenhá-los na lousa, descrevê-los ou buscá-los em fotos na apostila, como podemos observar em P01:

Eu estou sem mapa aqui. Tem na apostila? Alguém achou gente? Bom, resumindo a Itália é uma bota mais ou menos assim (desenha uma bota na lousa), só que invertida. Nesse ponto aqui, que estou marcando é que fica Roma hoje, mas ela já foi bem maior (Aula 07 - P01).

O mesmo também observamos em P02, que limita sua busca de suporte alternativo ao aprendizado, direta e exclusivamente na apostila:

Aqui gente, como vocês podem perceber nessa imagem aqui da página 132, o Napoleão não parece assim, uma pessoa poderosa, está num cavalo grande, usando um chapéu de comando, olha os músculos do cavalo como ficam aparecendo e denotam "força", então, essa é a intenção mesmo (Aula 12 - P02).

Quanto ao posicionamento de A01 na sala de aula, durante o primeiro ano letivo permanece sentado na segunda fileira, segunda coluna, à esquerda da lousa. A única modificação ocorreu no segundo ano letivo estudado, quando A01 passa a ocupar não a segunda mas a primeira fileira, segunda coluna de carteiras na sala de aula.

Enquanto isso, A02 permanece na primeira coluna, segunda carteira do lado direito da turma, modificando, da mesma forma (brevemente) em relação ao ano anterior, por passar a ocupar no segundo ano letivo estudado, a primeira carteira da primeira coluna, também à direita da lousa.

Considerando a inexistência de documentos comprobatórios de deficiência visual ou dificuldade para enxergar, entendemos que o local onde A01 e A02 encontram-se sentados tanto no primeiro momento, quanto no segundo, pouco permitem-nos avançar em relação à reflexão sobre a condições externas para seu aprendizado de História, cumprindo-nos observar com muito mais propriedade, a forma como ambos constituem-se enquanto seres sociais na sala de aula e que independem essencialmente do espaço físico como está, mas ainda antes, da intencionalidade do professor e, consequentemente, da forma como este espaço passa a estar.

É interessante, neste sentido, apenas observarmos, que tanto em E01 quanto em E02, de um ano letivo a outro houve a alteração do local que sentavam, sendo ambos, levados à primeira carteira, independentemente da coluna onde se encontravam anteriormente.

Inicialmente, a informação parece pouco expressiva e não muito distante da reflexão que acabamos de apresentar nos parágrafos anteriores, considerando, no entanto, a experiência cotidiana na sala de aula demonstrar que sentar-se voluntariamente ou ser levado a sentar-se na primeira carteira é um sinal de "cuidado especial" cultivado por aquele que buscou ali permanecer (o próprio aluno) ou por aquele que deseja um cuidado especial com o aluno, neste caso os professores, entendemos estar possivelmente diante destes cuidados especiais que beneficiam os alunos, não pela mera posição (questionável do ponto de vista científico apesar da existência de bons argumentos), mas pela própria decisão, que como

pudemos levantar em contatos anteriores a algumas gravações, foi oriunda dos professores e resultado de sua intenção em facilitar sua atenção.

Quanto à organização pedagógica da sala de aula, temos tanto em E01 quanto em E02, a mesma descrição na verificação da totalidade das 38 filmagens, ou seja, "Carteiras e cadeiras mantidas em fila" e "Não houve alteração do espaço ou utilização de qualquer material de suporte à aula".

Trata-se de uma informação que complementa os dados inicialmente tratados quanto à utilização de materiais de suporte complementar à aula, e reforça nossa preocupação sobre a pouca dinamicidade que pudemos acompanhar nos dois espaços sob análise e que, entendemos, comprometem o aprendizado de todos na medida em que os estímulos para o aprendizado são cada vez mais específicos e claramente restritos.

Finalizados os dados que qualificam as características estruturais de E01 e E02 em relação às aulas de História, entendemos estar diante de dois espaços tradicionalmente constituídos quanto à organização pedagógica da sala de aula, ao posicionamento dos alunos, à utilização de materiais e à sequência de temas trabalhados, corroborando a existência de poucos sinais associados à preocupação com o planejamento do espaço e sua utilização como elemento de suporte ao aprendizado.

Importante apenas ressaltar que o elemento "posicionamento de A01 e A02" na sala de aula nos traz um pequeno e positivo indicativo visto que apresenta sinais, mesmo que introdutórios, de uma preocupação para com o aprendizado dos alunos com deficiência intelectual, o que é importante na medida em que sugere os caminhos de reflexão porque vem trilhando as participantes a respeito do movimento necessário à garantia do direito à escolarização do aluno com deficiência intelectual.