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2. İBN TOLUN’UN YAŞADIĞI DÖNEM

2.1. Memlükler Dönemi

1.1.1. Hayatı

1.1.1.3. Ailesi ve Çocukları

Tudo que move é sagrado... (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)

Temos aqui algumas fontes para a construção da forma como pensamos, concebemos e experimentamos o espaço: primeiramente, Edward Soja (1992) com sua interessante análise do pensamento crítico a-espacializado, que profere os argumentos para a transformação social preso ao tempo e à história; por segundo Doreen Massey (2008), ao proclamar a necessidade de um olhar para a política que emerge das espacialidades e o caráter dinâmico e elusivo do lugar.

A construção do argumento de Soja (1992), por mais que pensada desde a teoria social crítica e no projeto de uma geografia marxista pós-moderna, nos auxilia a ver criticamente as

formas como o espaço foi pensado na modernidade. O autor fala da necessidade de um

“materialismo histórico-geográfico”20 (p. 74), uma espacialização do pensamento crítico.

Interessa-nos, sobretudo, a ideia de uma geografia mais “lateral”, atenta as diversas temporalidades, e por isso, crítica a uma visão única e linear da história e da sociedade.

A proposta de uma espacialização da história ou mesmo da reafirmação do espaço nas ciências sociais passa, para Soja, não só por uma inserção da espacialidade nos debates, senão que pela reconstrução da ideia de espaço. Daí a necessidade de pensar “uma posição

ontológica e epistemológica apropriada para a espacialidade, de um ‘lugar’ ativo para o espaço, numa tradição filosófica ocidental que havia separado rigidamente tempo e espaço”

(SOJA, 1992, p. 146).

Doreen Massey (2008) contribui para a construção de uma ideia alternativa de espaço. Constrói uma rica crítica a espacialidade em uma visão tradicional da ciência moderna e

etnocêntrica. Novamente “tempo e espaço” e “geografia e história” são problematizados em

sua relação:

[...] importa o modo como pensamos o espaço; o espaço é uma dimensão implícita que molda nossas dimensões estruturantes. Ele modula nossos entendimentos do mundo, nossas atitudes frente aos outros, nossa política. Afeta o modo como pensamos a globalização, como abordamos as cidades e desenvolvemos e praticamos um sentido de lugar. Se o tempo é a dimensão da mudança, então o espaço é a dimensão do social: da coexistência contemporânea de outros. (MASSEY, 2008, p. 15)

Dessa forma, sua crítica se pauta tanto no conteúdo geográfico dos discursos e ações políticasdos sujeitos no mundo, quanto aos posicionamentos conceituais ou epistemológicos que orientam as estruturas de pensamento. É assim que consegue traçar, por exemplo, paralelos entre a concepção de espaço que justificou as barbáries colonialistas e a que atualmente sustenta os argumentos neoliberais da globalização.

O que devemos assinalar, de antemão, é que o espaço foi tomado como o fixo, na construção moderna de sua dualidade com o tempo, o móvel. Assim, numa primeira análise, afirmamos crítica à geografia sem história, na qual o espaço tem uma dimensão meramente localizacional, cartesiana. É dessa forma que “esse modo de conceber o espaço pode assim, facilmente, nos levar a conceber outros lugares, povos, culturas, simplesmente como um

fenômeno ‘sobre’ essa superfície. Não é uma manobra inocente; desta forma, eles ficam desprovidos de história” (MASSEY, 2008, p. 23).

20 Lembramos-nos também desta expressão nas palavras de Carlos Walter Porto-Gonçalves em uma exposição

Estamos, assim, em conformidade com Porto-Gonçalves (2006a, p. 5) que diz:

“partimos do pressuposto que não existe sociedade a-geográfica assim como não existe

espaço geográfico a-histórico. Assim como todo espaço geográfico está impregnado de historicidade, a história está, sempre, impregnada de geograficidade”. Aqui aparece o devir de uma temporalização/humanização do espaço, uma ruptura com a ideia do espaço como superfície, “espaço absoluto” (CORRÊA, 1995).

Mas é tanto necessário também repensar o tempo, como há pouco dito, tido na modernidade como tempo linear. Pelo devir de uma temporalização do espaço, que pense em temporalidades diversas, é preciso, por exemplo, ponderar sobre a existência de um “tempo

histórico” e de um “tempo das coexistências”, como nos diz Saquet (2011, p. 57), a despeito

de uma ideia de tempo universal. Repensar o espaço em movimento é, como provoca Milton Santos (1978), compreender como os tempos se acumulam de maneira desigual, ou seja, as pluralidades de ritmos e situações que coexistem no espaço.

Braudel (1976) também problematiza a relação entre história e geografia – “Geo- história” – ao afirmar a existência de temporalidades diferentes na constituição da história social. O autor fala na existência de três tempos ou níveis de temporalidade: uma temporalidade do cotidiano, dos acontecimentos; uma temporalidade conjuntural, associada aos ciclos econômicos e modelos políticos; e, por fim, uma temporalidade lenta, das grandes estruturas políticas e do pensamento e mesmo dos lentos processos naturais. É assim que desperta para a necessidade pluralizar a compreensão do tempo a partir da geografia, um olhar mais cuidadoso aos ritmos da transformação do espaço.

É no questionamento da ideia de “tempo linear” e “história universal” que este

trabalho tentará afirmar outras temporalidades, inscritas nos saberes e na dinâmica territorial de São Pedro de Cima. Uma releitura na qual se apresentam outros sujeitos, invisibilizados pela pretensão colonialista, embora resistentes, sábios e criativos; portanto, dignos de se apresentarem, se afirmarem e serem respeitados.

Logo, devemos dizer que a temporalização do espaço está intimamente ligada ao devir de uma espacialização da história, o que implica numa ruptura com a historiografia tradicional, de base eurocêntrica. Aqui é preciso refundar a história a partir das tantas histórias locais, dos discursos subalternos; afirmando as coetaneidades (MASSEY, 2008), a diversidade cultural, as outras histórias, que se dão em lugares também diversos, apropriados e representados a partir de tantos outros referenciais.

Mignolo (2005, p. 7, tradução nossa) lembra-nos que “a concepção linear do tempo na modernidade, ligada a história universal, foi um instrumento de dominação colonial que

reduziu o resto do planeta a uma anterioridade histórica em relação à Europa”. Nosso empenho em pensar o espaço em movimento carrega consigo a ruptura com a história linear, universal e eurocêntrica, tendo em mente uma ciência que se descolonializa.

No entanto, seria tão confortável quanto prematuro afirmar a diferença pela diferença. Não nos cabe aqui somente falar em outras territorialidades e outras temporalidades, abrindo um leque de questões geográficas. Primeiramente, lembraríamos que “aqui ‘embaixo’, mas não somente aqui, ao Sul do Equador, toda diversidade ou diferenciação está profundamente

associada a um processo de desigualdade social” (RATTS, 2003, p. 31), ou seja, não basta a

afirmação de outros referenciais e formas de viver, é preciso afirmá-las como diferenças negadas, estrategicamente ocultadas. E os processos de cunho colonial/etnocêntricos não somente remetem a uma história de alguns séculos atrás, como estão aí, nos discursos atuais, nos aparelhos estatais e mesmo nas formas de se produzir o conhecimento nas universidades.

Por segundo, devemos evitar o risco de, ao encontrar e afirmar a bandeira da diferença, cristalizá-la, torná-la um ente coeso e cheio de essência. Isso seria optar por uma geografia e um espaço que não estão em movimento, reproduzir a dualidade entre tempo e espaço aqui criticada. As diversas histórias estão se refazendo no agora, e assim, são também conflito, são conexões das mais diversas. São recriação.

Por isso pensar o espaço como processo é pensá-lo “sempre no processo de fazer-se.

Jamais acabado, nunca está fechado” (MASSEY, 2008, p. 29). Não só por se tratar de uma

pesquisa aliada aos princípios da extensão – que assim se propõe intervencionista –, nosso

trabalho parte de uma “fé nos homens”, “no seu poder de fazer e refazer” (FREIRE, 1979, p.

95) que se concretiza em nossa visão do espaço como abertura e na construção coletiva da transição agroecológica.

Benzer Belgeler