2. GENEL BİLGİLER 1. Gelişim
2.5. Yapılan Araştırmalar
2.5.3. Aile Yaşam Kalitesi ile İlgili Yapılan Araştırmalar
A reabilitação de uma pessoa com AVC é, segundo a National Clinical Guideline Centre (2011) um processo multidimensional, concebido para facilitar a restauração, a adaptação da perda de uma função fisiológica ou psicológica, quando a reversão do processo patológico subjacente é incompleta.
Segundo o Regulamento das Competências Especificas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação (2011) os seus objectivos gerais são melhorar a função, promover a independência e a máxima satisfação da pessoa e, deste modo, preservar a autoestima.
Para a obtenção destes objectivos o enfermeiro tem um importante papel a desenvolver, no que concerne ao desenvolvimento de intervenções que visem cuidar da pessoa em todos os seus contextos, maximizando a sua funcionalidade e capacitando-a para a sua reinserção na cidadania (REGULAMENTO nº 125/2011). Nesse processo quer-se que incorpore um novo conceito de si, favorecedor de uma transição saudável (SCHUMACHER e MELEIS, 1994), ou seja favorecedor da aceitação e da adaptação à diferença.
Um estudo desenvolvido por Ramires (1997) evidencia que 80% dos doentes que sofreram um AVC atingem o melhor nível funcional às seis semanas, 90% atingem-no às 12,5 semanas (3 meses). O autor refere que não é de esperar grande melhoria funcional ou neurológica após os 3 meses, uma vez que só 5% dos doentes farão algum progresso a partir desta altura. Quando completam o programa de reabilitação, 20% das pessoas ficam com incapacidade grave, 8% com incapacidade moderada, 26% com ligeira incapacidade e 46% ficam independentes. Uma percentagem próxima dos 50% retomará uma profissão ou manterá as atividades habituais. Estes dados permitem uma reflexão
Este programa deve ser estabelecido cedo (nível de evidência I, referido por EUSI, 2003; LANDEFELD, et al., 1995; LANDI, et al. 2006; HARTMAN-MAEIR, et al. 2007). Menoita (2012:nota introdutória) acrescenta que se verificam “(...) ganhos substanciais nas capacidades funcionais das pessoas com AVC em função da rapidez de actuação e da especificidade dos cuidados de Reabilitação.”.
Os programas de enfermagem de reabilitação, deverão ser baseados nos problemas reais e potenciais das pessoas e, segundo o Regulamento das Competências Especificas do Enfermeiro de Enfermagem de Reabilitação (2011:8658), têm como objectivos
“(...) assegurar a manutenção das capacidades funcionais dos clientes, prevenir complicações e evitar incapacidades, assim como proporcionar intervenções terapêuticas que visam melhorar as funções residuais, manter ou recuperar a independência nas atividades de vida, e minimizar o impacto das incapacidades instaladas (…). Visam promover a qualidade de vida, a reintegração da participação para a reinserção e exercício da cidadania.”.
São programas habitualmente morosos e acarretam dificuldades que por vezes expõem a pessoa (com alteração da sua funcionalidade) a sentimentos de frustração que a impelem ao abandono do programa (LEAL, 2001). Estes sentimentos são maiores tanto quanto maiores forem as dificuldades na realização de atividades simples, outrora automáticas, como são exemplo as ABVD´s. Segundo Leal (2001), a reeducação para a realização destas atividades é um forte factor contributivo para a reinserção sócio-familiar, pelo que um investimento nesta área é fundamental para o processo de recuperação. Esta premissa é reforçada pelos dados obtidos por Landi, et al. (2006). Os autores verificaram que as pessoas com AVC que participaram num programa de reabilitação tiveram, num período de 8 semanas, um maior nível de independência nas ABVD´s, quando comparados com os níveis de independência do grupo de pessoas com AVC que não participaram nesse programa. Os mais elevados níveis de independência estavam associados a maiores níveis de qualidade de vida. Neste sentido Hartman-Maeir, et al. (2007) verificaram também que a autonomia na realização deste tipo de atividades básicas, estava associada a uma maior grau de satisfação na vivência do dia-a-dia.
deste programa, os autores verificaram que para além dos maiores níveis de funcionalidade na realização das ABVD´s (quando comparados com o grupo de pessoas que receberam cuidados gerais), estas pessoas atingiram maiores níveis de saúde no momento de alta e menores níveis de depressão.
Os autores acrescentam que estes programas eram desenvolvidos num ambiente adaptado, sem aparentes barreiras arquitectónicas. Eram aplicados protocolos de intervenções que aumentassem a capacidade de autocuidado, a continência, a nutrição, a mobilidade, melhorassem o padrão de sono, os cuidados à pele, humor e a cognição. Eram efectuadas diariamente, avaliações da capacidade funcional do doente e reuniões com a equipa multidisciplinar. Os autores salientam a participação da assistente social desde o inicio da implementação do programa e a participação de uma enfermeira que se deslocasse ao domicilio se houvesse indicação para conhecer com mais pormenor as condições domiciliárias, bem como se houvesse necessidade de reorganização desse ambiente, o que permitia desde cedo o envolvimento dos enfermeiros da comunidade.
Landi, et al. (2006), no estudo anteriormente mencionado, desenvolveram programas de reabilitação de ABVD´s, específicos para o aumento da capacidade para o autocuidado e incluíram nesses programas intervenções para fortalecimento muscular e amplitude de movimentos; treino de postura corporal, prevenção de espasticidade e utilização de equipamentos de adaptação.
A aplicação de programas desta natureza parece não implicar o aumento de custos no hospital. Landefeld, et al. (1995) verificaram que a diferença de custos, entre a unidade de cuidados especiais (special unit) e a unidade de cuidados gerais não era estatisticamente significativa. O que permite concluir que os custos na saúde não são impeditivos da aplicação de programas desta natureza, que permitem melhorias significativas na qualidade de cuidados e consequentemente na saúde e qualidade de vida das pessoas. Estes autores enfatizaram, o envolvimento do doente e família no processo de cuidados e o papel do enfermeiro na avaliação da situação da pessoa, quer em termos funcionais quer em termos da implementação dos protocolos.
A acrescentar poderá ser enfatizada a avaliação do enfermeiro no que respeita à identificação de transições que possam estar a acontecer em simultâneo e a identificação de fatores facilitadores e inibidores dessas transições. A identificação desses factores é, segundo refere Meleis, et al. (2000), essencial para que o enfermeiro possa atuar adequadamente, no sentido de desenvolver intervenções que os potencie ou iniba,
realização de avaliações periódicas, tal como descrito por Landefeld, et al. (1995), no sentido, não só de identificar o ganho da capacidade para realizar as ABVD´s, mas também para identificação de padrões de resposta, tal como refere Meleis, et al. (2000). Estes padrões permitem a identificação de indicadores da forma como está a decorrer uma transição. Os autores reforçam, referindo que as transições ocorrem ao longo do tempo e é importante a identificação de indicadores que possam mostrar ao enfermeiro a forma como a transição está a ser vivida, para que se possa intervir precocemente no caso de serem identificados indicadores a evidenciar um caminho pouco saudável na vivencia desta transição. Os autores referem ainda que o sentir-se conectado, o interagir, o senti-se situado, localizado e o desenvolvimento de confiança e estratégias de coping constituem indicadores de processo.
Em suma, é importante a implementação de programas de reabilitação direcionados especificamente para o treino de ABVD´s, com vista à promoção da capacidade da pessoa com alteração da mobilidade, resultante de AVC, para realizar estas atividades de forma progressivamente mais autónoma. Estes programas devem ser implementados o mais cedo possível e adaptados à situações reais de cada pessoa no sentido de a preparar eficazmente para o regresso a casa. O enfermeiro tem um papel essencial no decorrer deste processo de cuidados. É orientador no decorrer da transição. Intervém, no sentido de promover o encontro de estratégias para lidar com cada situação especifica, para promover a reaquisição de uma identidade, a adaptação à diferença.