2. GENEL BİLGİLER 1. Gelişim
2.5. Yapılan Araştırmalar
2.5.2. Çocukluk Çağı Örselenme Yaşantıları ile İlgili Yapılan Araştırmalar Ezen ve Açıkgöz (149)’ün “Çocukların örselenmesine annelerinin örselenme
É frequente referir-se que a preparação para o regresso a casa se deve iniciar no momento da admissão à unidade de cuidados (MENOITA, 2012). Na realidade verifica-se que essa preparação, estando muito centrada na ação médica, afasta-se desse ideal. (MENOITA, 2012). Petronilho (2007:44) reforça esta ideia referindo que temos “(...) uma cultura de cuidados de saúde ainda muito medicocêntrica”, que origina uma inadequada preparação para o regresso a casa. Esta situação origina a vivência de situações de stress no momento de alta, vividos pelos enfermeiros e principalmente pelas pessoas que regressam a casa e pelos seus familiares (MENOITA (2012). Assim, considera-se fundamental que, logo numa fase inicial do internamento, se identifique a natureza das transições vividas, se identifiquem indicadores da forma como estas poderão decorrer. Para além disso, as alterações provocadas por um AVC envolvem adaptação à diferença, a novas regras, a novos significados, que, segundo Meleis (2000), pode envolver uma dificuldade acrescida, se a pessoa não tiver percepção ou não reconhecer a dimensão da transição. Segundo os mesmos autores, o grau de envolvimento no processo, influência o modo como enfrenta a mudança e encontra estratégias para se adaptar. Assim, é essencial que os cuidados de enfermagem sejam prestados numa lógica de transformação, ou seja, numa lógica em que o doente é interveniente ativo no processo de saúde. Há, nesta lógica, a necessidade de se perceber a corresponsabilidade no processo de cuidados. Para Kérouac, et al. (1996) intervir significa “ser com” a pessoa, acompanhando-a nas suas experiências de saúde, no seu ritmo e segundo o caminho que ela própria escolher.
ideia. Os autores desenvolveram um estudo onde exploraram as percepções dos doentes face ao seu sentimento de prontidão para o período pós-internamento e verificaram que a qualidade de ensinos promovia o sentimento de prontidão para a vivência dessa transição. Os ensinos adequados promovem o domínio sobre o que é desconhecido, promovem a aquisição de estratégias de coping para lidar com a situação.
Numa perspectiva economicista e com base nos dados obtidos por Patel, et al. (2004), pode-se afirmar que os custos na saúde diminuem significativamente quando as pessoas e/ou os seus familiares são envolvidos nos cuidados, ensinados e incentivados a desenvolver estratégias para lidar com a situação. Isso reduz o número de reinternamentos e segundo os autores, aumenta a qualidade de vida e reduz o burden associado ao cuidado.
No entanto, também há evidência a mostrar a existência de um outro rumo de cuidados. Almborg, et al., (2008) no sentido de descrever a percepção que os doentes têm da sua participação no planeamento de regresso a casa, desenvolveram um estudo quantitativo com uma amostra de 188 pessoas onde verificaram que a maioria dos doentes (72-90%) referem ter recebido informação relativa à sua situação, mas apenas cerca de um terço (29-38%) tiveram um papel ativo na tomada de decisão a envolver o tratamento médico e uma pouco expressiva parte da população (cerca de 15%) referem ter tido oportunidade de discutir as metas de tratamento e a sua reabilitação após internamento.
Assim, perante esta realidade de cuidados demostrada por Almborg, et al., (2008) e baseando-nos nos dados obtidos por Patel, et al. (2004) e Weiss, et al. (2007) é urgente o desenvolvimento de estratégias para se entender o doente como um agente ativo no seu processo de cuidados e assim desenvolver um papel promotor de uma vivência saudável de transição, com obtenção de ganhos consideráveis na qualidade de vida das pessoas.
No entanto, o sucesso deste processo não está apenas dependente da envolvência da pessoa no plano de cuidados e na relação bidirecional de igualdade, sem distanciamento de papéis. Numa revisão sistemática da literatura, desenvolvida pela Stroke Unit Trialists´ Collaboration (1997), os autores concluíram que, o sucesso do processo de reabilitação era superior em unidades especificas de AVC (dedicated stroke unit), onde a equipa existente trabalha exclusivamente na reabilitação das pessoas vítimas deste acidente. Os autores verificaram que o sucesso não estava apenas
com a coordenação entre os cuidados dos diferentes elementos da equipa multidisciplinar e a especialização dos elementos da equipa. Este sucesso ia para além da estrutura da enfermaria ou para além do número de elementos da equipa.
Estas características contribuíam para que as pessoas internadas nas unidades especificas de AVC apresentassem melhor preparação para regressar a casa, com maiores níveis de independência.
Em Portugal estão a ser desenvolvidas Unidades de AVC, com recomendações para o seu desenvolvimento descritas pela DGS desde 2001. Têm por finalidade
“(...) reduzir o internamento em Hospitais de agudos, a incapacidade funcional e as complicações pós AVC e o número de doentes que necessitam de cuidados de enfermagem em casa ou nas Unidades de doentes crónicos, assim como facilitar o retorno de uma grande proporção de doentes ao seu ambiente familiar e, tanto quanto possível, ao seu local de trabalho” (DGS, 2001:9).
Apesar do seu crescimento, segundo dados da DGS (2001), estas unidades existem ainda em número reduzido, muito inferior ao que seria desejável para suprir as necessidades da população. Assim, os doentes com AVC são habitualmente encaminhados para Serviços de Medicina ou Serviços de Neurologia (DGS, 2001), onde o enfoque dos cuidados é direcionado para a fase aguda, e onde a reabilitação não tem sido valorizada, da forma que seria desejável.
Assim, é necessário o desenvolvimento de estratégias que promovam a melhoria da qualidade dos cuidados de reabilitação em enfermarias desta natureza.
Segundo dados da DGS (2010), relativos ao ano de 2008, um internamento por doenças do aparelho circulatório (onde, segundo a CID-9 se incluem as doenças cerebrovasculares), tem em média a duração de apenas 7,3 dias, o que muitas vezes dificulta a adequada preparação da pessoa vítima de AVC e seus familiares para o regresso a casa. Nesse sentido, é importante que de uma forma atempada se mobilizem os recursos existentes na comunidade. Em Portugal um importante recurso é a RNCCI.
A RNCCI está legislada no Decreto-Lei nº101/2006, de 6 de Junho e foi criada no âmbito dos Ministérios da Saúde e do Trabalho e da Segurança Social. É constituída por diferentes tipologias sendo as unidades de convalescença e as unidades de média duração e reabilitação, as unidades de internamento que estão essencialmente “(...)
mas que ainda requerem cuidados e tratamento clínico intenso.” (NOGUEIRA, et al., 2007). Estas unidades têm como objectivos prioritários “restabelecer a função tanto quanto possível; favorecer a adaptação à nova situação de dependência; controlar ou estabilizar sintomas ou sequelas; facilitar e potenciar a reinserção familiar e social e potenciar a formação e educação de profissionais e cuidadores.” (NOGUEIRA, et al., 2007).
No entanto, existem indesejáveis listas de espera para ingresso nestas unidades. Dados da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados (Newsletter RNCCI, 2011) revelam que em média esperam-se 58,3 dias para ingresso numa unidade de convalescença e 115,8 dias para ingresso nas unidades de média duração e reabilitação, na região de Lisboa e Vale do Tejo, sendo esta a região do país com maiores demoras médias.
A existência destas listas de espera obriga muitas vezes a um regresso a casa pouco desejado, por vezes sentido como uma imposição, principalmente quando é mal preparado.