B- HUME’DA AHLÂKIN KAYNAĞI PROBLEMĐ VE NEDENSELLĐK
2- Ahlâk ve Din
Os livros das unidades constroem suas narrativas como parte da história da empresa, colocando as unidades como sujeitos fundamentais nessa trajetória. Vejamos agora como cada um desses livros elege seus marcos e destaquemos algumas particularidades dessa construção narrativa.
Comecemos com o livro da unidade de Sergipe-Alagoas. O marco inicial do livro está em 1957, quando a Petrobras descobriu petróleo no estado de Alagoas, no município de Jequiá da Praia; descoberta entendida como a primeira realizada fora do eixo Rio-Bahia, no qual a empresa se estabelecera. A importância de Alagoas na trajetória de sucessivas descobertas traçada pela companhia fica evidente no texto:
Em Alagoas começou a ser escrito um novo capítulo da história do petróleo no Brasil. Por menos nítido que o fato se apresente na atualidade, mais de 50 anos depois, foi naquele momento, com aquele pequeno passo, que a companhia saiu da Bahia e começou a ampliar a sua presença no país, numa difícil, demorada e surpreendente escalada de crescimento, que hoje já extrapola o território nacional, alcançando mais 26 países em quatro continentes. (PETROBRAS, 2009, p. 21).
O texto inicia-se com uma narrativa sobre a modernização de Alagoas, ocorrida ao longo do século XX, com a gradual substituição dos engenhos de açúcar por usinas e a mecanização da produção canavieira. Refere-se à industrialização do país, concentrada em São Paulo, e à difícil inclusão do Nordeste nesse processo. Enfatiza o papel da Petrobras no desenvolvimento industrial do país, com investimento em refinarias e na incipiente indústria petroquímica. A chegada da Petrobras em Alagoas é narrada como o impulso inicial de um processo de industrialização, feito sempre com dificuldade no Nordeste e, por isso, destaca-se seu carácter excepcional:
Em Alagoas, nas vésperas do Natal de 1955, a presença da Petrobras já chamava a atenção da população da capital. Veículos, máquinas e homens trabalhando quase às margens da pista que levava ao aeroporto de Palmares, em Maceió, motivaram o Jornal de Alagoas a investigar o que fazia aquele
126 “grupo de operários com caminhões cinzentos, equipados de um mecanismo complicado, perfurando o chão duro do Tabuleiro do Martins”. (PETROBRAS, 2009, p. 32)
O texto busca revelar a importância da atividade desenvolvida na região para o Brasil e, para isso, apoia-se em alguns acontecimentos, como a presença do presidente da Petrobras na inauguração das atividades de perfuração do poço de Tabuleiro do Martins 1. O evento é citado no livro apenas porque o presidente da companhia esteve na região, pois, como o texto mesmo revela, a perfuração era uma atividade corriqueira da exploração petrolífera. A presença de autoridades políticas ou mesmo de personalidades do alto escalão gerencial da companhia é frequentemente destacada nesses livros de memória justamente para dar importância e ressonância ao fato que se deseja destacar.
Como o livro mesmo ressalta, no início dos anos 1960, os resultados de exploração petrolífera na região não eram muito promissores e, por isso, a continuidade dos investimentos passou a ser questionada pela sede da companhia. Mas, para salvar a importância da unidade operacional, o livro recorre a uma fala de Guilherme Estrella, diretor de exploração e produção no período de lançamento do livro, e que trabalhou na atividade exploratória em Alagoas. Segundo Estrella, citado no livro,
O nascimento da indústria petrolífera brasileira foi no Recôncavo baiano, mas logo depois veio Alagoas com aqueles campos (...) com situações diferentes, senão fica só em um modelo. E Alagoas teve essa característica, foi sempre um contraponto de conhecimento e de competência geológica ao Recôncavo. Isso foi importantíssimo, porque tivemos duas escolas exploratórias, uma do Recôncavo, ligada àquelas características geológicas e outra ligada às características geológicas de Alagoas. (PETROBRAS, 2009, p. 44-45)
De acordo com Estrella, na Bahia era “mais fácil encontrar petróleo”, enquanto em Alagoas era preciso “‘ralar’ mesmo, estudar e reestudar”. Segundo ele, essa dificuldade é que fez de Alagoas uma escola de interpretação geológica, importante para toda a companhia. O texto segue a pista de Estrella e destaca a importância da unidade para o desenvolvimento da companhia, não pelos volumes de petróleo encontrados na região, mas por sua contribuição ao desenvolvimento do “conhecimento” (PETROBRAS, 2009, p.44). Ainda nessa linha de raciocínio, uma das
127 partes do livro é intitulada “A difusão da experiência”, como se a atuação da companhia na exploração e produção de petróleo no mar fosse uma potencialização da experiência realizada em escala menor naquela região. É o que afirma o texto a seguir:
O aprendizado no mar de Sergipe se difundiu por todo o Brasil, possibilitando a profissionais de nível superior e médio aplicarem conhecimentos e práticas em outras bacias. Além dos avanços nas carreiras individuais, a experiência sergipana gerou resultados de grande valia para a Petrobras em etapas posteriores, quando a empresa precisou afirmar a sua capacidade de atuar em águas profundas. (PETROBRAS, 2009, p. 147) O texto elenca minuciosamente as pessoas que estiveram envolvidas na exploração petrolífera de Guaricema, no Sergipe, e que tiveram destaque, posteriormente, na companhia, ou que participaram, também, da exploração petrolífera na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Isso porque, não se pode negar, a Bacia de Campos é o grande acontecimento na história da empresa no mar e se colocar como uma “escola” anterior a ela é se posicionar com certo grau de importância. Por isso, o destaque a profissionais de “crescimento e valorização externa” (PETROBRAS, 2009, p. 149). Entre os “pioneiros” de Guaricema, o livro dá destaque a Marques Neto, que participou posteriormente da equipe que concebeu o plano para o desenvolvimento da Bacia de Campos; a Alfeu Valença, que chegou a ser presidente da companhia, e a Danúbio Saleme Moreira, que “em função da capacitação adquirida no trabalho das plataformas em Sergipe, foi requisitado para atuar na Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro” (PETROBRAS, 2009, p. 149).
A atividade petrolífera na região é descrita no livro como o marco divisório da história da companhia, realizada, antes desse marco, em terra, e após, no mar. Trata- se de uma interpretação possível apenas após outras inúmeras conquistas da companhia na área de exploração e produção de petróleo no mar e após o reconhecimento internacional pela sua capacidade tecnológica. A unidade é vista como o início dessa trajetória e é ligada a todas as outras conquistas, como ambiente proporcionador da formação e da capacitação dos trabalhadores:
Do ponto de vista da atividade petrolífera, cravou-se em Sergipe, no final da década de 1960, um marco divisório. A partir de então, a história do petróleo no Brasil passaria a ser delimitada em duas fases. (...) Desde 1968, com Guaricema, o Brasil ingressou no estágio da exploração e produção na
128 plataforma continental, dando início a uma aventura de extraordinário alcance, que a partir daquelas águas rasas se estenderia até as águas profundas, com padrão de excelência mundial, chegando finalmente a áreas ultraprofundas, abaixo da camada de sal. Para tanto, Sergipe foi a escola que possibilitou à Petrobras e a muitas gerações de profissionais o indispensável aprendizado no mar. (PETROBRAS, 2009, p. 152)
A contribuição da unidade, como lugar de formação dos profissionais que contribuirão ao sucesso da companhia como um todo, é enfatizada corriqueiramente no texto:
Todos os saldos positivos aferidos até aqui agregaram valor econômico e de imagem à Petrobras e muito particularmente à UN-SEAL [Unidade de Sergipe e Alagoas], que pôde, assim, acrescentar mais uma bem-sucedida experiência de pioneirismo à sua história, propiciando a quadros técnicos e dirigentes um crescimento profissional em nível internacional. (PETROBRAS, 2009, p.168)
A frase acima é seguida do depoimento de um empregado da companhia que diz o quão contribui ao seu aprendizado e de outros o trabalho no campo de Piranema, localizado na unidade operacional. O relato oral é aqui utilizado como prova da interpretação feita no livro, o que evidencia também o grau de importância atribuído ao relato na construção narrativa, conforme nos sugeriu Sarlo, como já vimos.
Passemos agora para o livro da unidade da Bahia. Enquanto o primeiro capítulo do livro trata das descobertas de petróleo na Bahia e do início das atividades petrolíferas no país, realizadas todas naquela região, o segundo capítulo, intitulado “A Petrobras, uma conquista histórica”, centra-se na conjuntura nacional, no embate para criação da Petrobras e no início de seu funcionamento. A organização dos dois capítulos evidencia os dois lados necessários à viabilização da companhia, a atividade técnica e sua conquista política, ideia explicitada no primeiro parágrafo do segundo capítulo:
Enquanto, na Bahia, todos os esforços eram empregados para fazer avançar a produção e o refino do petróleo no Recôncavo, no plano político nacional se travava uma luta histórica em torno de uma questão crucial para o futuro do país: os rumos da indústria petrolífera brasileira. O consumo crescente de derivados, bem como a onerosa dependência dos produtos importados
129 colocaram o assunto na pauta das grandes questões nacionais. (PETROBRAS, 2012a, p. 81)
O terceiro capítulo, intitulado “A Bahia e a construção da indústria brasileira de petróleo”, tem por epígrafe uma fala de Geonísio Barroso, pronunciada em 1957, quando superintendente da região baiana de produção petrolífera:
Esses sucessos, porém, não pertencem somente à Região. Eles pertencem a esta empresa que explora, perfura, produz, refina, transporta, que é a Petrobras; pertence a todos que para ela trabalham no Amazonas, no Norte, no Nordeste e no Sul do País; pertencem, sim a todos os brasileiros. (PETROBRAS, 2012a, p. 115)
A história da unidade operacional é, portanto, parte da história da empresa e do país, tendo uma atuação ativa na trajetória de sucesso da companhia e no desenvolvimento do Brasil. O regional tem um papel específico nessa trajetória, como fica explícito logo no primeiro parágrafo do capítulo:
Com a criação e instalação da Petrobras, a partir de agosto de 1954 intensificaram-se as atividades de exploração e produção na Bahia, que permaneceu como única província petrolífera do país por 24 anos – desde 1942, quando começou a produção do primeiro campo comercial, em Candeias, até 1996, quando começou a produção comercial do campo de Carmópolis, em Sergipe. Sob a gestão da nova empresa estatal, a Bahia cumpriria o papel que lhe foi destinado historicamente: o de construir os fundamentos da indústria brasileira de petróleo. (PETROBRAS, 2012a, p. 115)
Ainda nos primeiros parágrafos:
Dispondo de maiores aportes de investimentos em tecnologia, formação profissional e estrutura gerencial, a RPBA [Região Petrolífera da Bahia] daria uma contribuição decisiva para a afirmação e o crescimento da Petrobras, não somente em termos de novas descobertas e do aumento da produção nacional de petróleo, como também, e principalmente, em saltos na conquista do domínio técnico – o que em pouco tempo lhe possibilitaria eliminar a dependência de especialistas estrangeiros. (PETROBRAS, 2012a, p. 115)
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O capítulo dedica-se a mostrar os marcos de descobertas e de produção petrolífera na região da Bahia, sempre enxertando alguns depoimentos de trabalhadores da Petrobras que estiveram presentes, de alguma maneira, no evento relatado. No livro da unidade da Bahia, a unidade operacional surge também enquanto “escola” para a atividade petrolífera no país, para viabilizar o desenvolvimento técnico dos brasileiros, inclusive, para a atividade no mar, o que não poderia ficar de fora – afinal, a atividade petrolífera no mar é o centro das operações da companhia na atualidade. Em diversos momentos isso desponta no texto:
A experiência acumulada pela primeira província petrolífera brasileira desempenhou papel importante no estabelecimento de novas fronteiras de exploração, tanto para estruturação de outras províncias terrestres, a exemplo de Sergipe-Alagoas, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, como para os trabalhos iniciais de perfuração e produção na plataforma continental, principalmente nas bacias de Sergipe e de Campos, no Rio de Janeiro. (PETROBRAS, 2012a, p. 149)
A narrativa busca revelar “a perícia profissional da RPBA e as razões da presença da Bahia naquele momento de expansão das atividades na plataforma continental” (PETROBRAS, 2012a, p. 150). São os técnicos da unidade que tiverem papel importante nesse momento crucial da história da companhia, na atividade no mar; note-se que, nessa narrativa, os técnicos são da unidade da Bahia e não da Petrobras:
A Bahia também ofereceu suporte à Bacia de Campos, nas décadas de 1970 e 1980. A experiência dos técnicos da RPBA foi requerida, sendo frequentes os deslocamentos de engenheiros, técnicos de operações especiais, pusher e sondadores para acompanhar as perfurações e o desenvolvimento de poços. (PETROBRAS, 2012a, p. 150)
A Bahia também teve participação na construção dos primeiros equipamentos offshore. Depois da descoberta de Guaricema, na plataforma continental de Sergipe, em 1968, a Petrobras definiu-se pela utilização de plataformas fixas, acomodadas sobre jaquetas, para operação em águas rasas. Como a RPBA dispunha da maior infraestrutura em petróleo no país, optou-se pela montagem das jaquetas na Bahia. (PETROBRAS, 2012a, p. 152)
131 O canteiro de São Roque ficou sob a responsabilidade da RPBA até dezembro de 1978. Nesse período, foram construídas plataformas para os campos de Garoupa, Enchova e Cherne, na Bacia de Campos. (PETROBRAS, 2012a, p. 153)
Segundo o texto, a Bahia foi a grande propulsora da nacionalização das equipes de operação das plataformas e equipamentos de operação marítima. E, para mostrar isso, é relatada extensivamente a construção da primeira plataforma marítima brasileira, a Petrobras I (P-1), sonda autoelevável fabricada na Bahia, pelas mãos dos brasileiros, sendo o projeto da The Offshore Company. O relato cita o atraso na construção da plataforma, mas não entra em detalhes sobre isso; também não relata os feitos da plataforma, pois, em verdade, ela não foi palco de nenhuma descoberta significativa. A importância da plataforma, se não está no tempo e na qualidade da construção, nem nas descobertas realizadas por ela, estaria no seu papel enquanto lugar de formação dos técnicos que viriam a se destacar na atividade da companhia no mar.
Os pioneiros da P-1, a maioria da RPBA, passaram a capacitar outros técnicos. Somente em 1980 o Gepem [Grupo Executivo de Perfuração Marítima] deliberou o grupo dessa função. Mais do que uma mera dispensa, o ato oficial foi um atestado de que o objetivo fora alcançado. Estavam formados os multiplicadores e comprovada a capacidade dos profissionais brasileiros de operarem equipamentos off shore. (PETROBRAS, 2012a, p. 159)
Ainda no terceiro capítulo, a parte intitulada “As primeiras incursões no mar”, narra o início da atividade offshore na empresa, ainda, naturalmente, sob a ótima da Bahia. Revela detalhes pouco explorados em outras narrativas da companhia sobre a atividade petrolífera no mar. A parte do texto é iniciada com uma narrativa sobre tentativas no mar ainda no final da década de 1950 e início de 1960, quando a empresa não cogitava enveredar-se por esta atividade. Trata-se de incursões no mar que não chegaram nem mesmo a efetuar perfuração de poço; a menção a tais fatos não teria outra justificativa, senão pelo destaque da unidade enquanto pioneira de uma atividade de suma importância para a companhia de hoje.
Entremos agora no livro da Bacia de Campos. A pesquisa se deu basicamente com a captação de depoimentos, e a narrativa se constrói pela fala dos depoentes e pelas imagens – de um lado, as que retratam a frieza dos equipamentos, de
132 outro, as imagens de trabalhadores nas operações e dos rostos dos depoentes, exibidos sempre ao lado de suas falas transformadas em textos. É nos trechos de depoimentos selecionados que emergem algumas falas sobre a operação na costa marítima do Nordeste e do Espírito Santo, mas logo atenuadas por outras que evidenciam a peculiaridade dos desafios na Bacia de Campos.
No primeiro capítulo do livro, intitulado “A Saga dos Pioneiros”, os destaques são o Sistema Antecipado de Produção, empregado para acelerar o início da produção no campo de Enchova, em 1977, e o Grupo Executivo de Desenvolvimento da Bacia de Campos (Gecam), criado em 1978, para viabilizar a produção petrolífera na região, além de referências aos chamados “choques de petróleo”, ocorridos em 1973 e 1979, entendidos como os fatores estimuladores da busca por petróleo no mar, diante da diminuição da oferta do produto no mercado internacional. Logo no início do capítulo, é pintado um quadro no qual os desafios eram inerentes à atividade de exploração e produção de petróleo no mar, tanto pelos recursos quanto pela peculiaridade da atividade marítima. Assim inicia-se o texto:
O início da história da Petrobras na Bacia de Campos foi marcado por persistência, trabalho, incertezas e criatividade. Os conhecimentos e ferramentas necessárias para lidar com o mar, um ambiente com características totalmente distintas da terra, eram desafios a serem enfrentados. Os recursos humanos e financeiros eram modestos, e a estrutura ainda incipiente para atender à crescente demanda de atividades. Nada disso, porém, impediu a continuidade dos trabalhos. Os obstáculos foram sendo ultrapassados um a um, com soluções criativas. A Petrobras apostou na capacidade do seu quadro técnico e concentrou seus esforços para desenvolver a Bacia de Campos. Os protagonistas desta história sequer imaginavam que estava em marcha uma verdadeira revolução na economia nacional. (PETROBRAS, 2012b, p. 14)
Aqui, não se vê tanto a continuidade em relação ao que havia sido feito na unidade de Sergipe-Alagoas, nem na unidade da Bahia. O destaque está no ineditismo da atividade da Bacia de Campos, unidade que se configura como a mais importante em atividade na companhia e, a princípio, sem a necessidade de apoiar seu brilho na história de outras unidades. O campo de Guaricema, da unidade de Sergipe-Alagoas, é rapidamente citado, por ser o primeiro identificado no mar, mas nada se fala sobre sua
133 produção, e as imagens publicadas no livro são todas da Bacia de Campos. O diretor de exploração à época da descoberta da Bacia de Campos, Carlos Walter Marinho Campos, é destacado como aquele “que insistiu na continuidade da exploração nessa região” (PETROBRAS, 2012b, p. 15) e, portanto, o responsável pelo fato. Nessa construção narrativa não aparece Marques Neto, tão destacado no livro da unidade de Sergipe- Alagoas, como o responsável pela ida ao mar.
Um dos capítulos do livro, “Sólidos alicerces”, é dedicado às primeiras plataformas instaladas para dar início à produção da Bacia de Campos. As estruturas metálicas em meio ao mar surgem na narrativa como personagens da história, ao lado dos trabalhadores, estes presentes por meio dos seus próprios relatos de histórias vividas nas e com as plataformas.
A importância da Bacia de Campos para a companhia e para o Brasil aparece também enquanto “escola” da atividade no mar, fator evidenciado nos trechos de relatos selecionados para o livro. Posicionar-se como “escola” tem importância no momento da publicação do livro, visto que, embora a unidade da Bacia de Campos seja ainda hoje a maior em atividade, na época, já se vislumbrava um futuro ainda mais promissor para a Bacia de Santos, com a produção petrolífera na camada pré-sal. Entre os depoimentos escolhidos para destacar a importância da Bacia de Campos enquanto “escola”, está o de Marcos Assayag, engenheiro de equipamentos de destaque na companhia, tendo assumido importantes cargos gerenciais:
Vamos colocar em partes o que a Bacia de Campos representou, representa e o que ainda vai representar. Para o país, o que ela representou? A grande salvação. A descoberta da Bacia de Campos fez com que a Petrobras pudesse pensar em autossuficiência. Então, a Bacia de Campos representou a chave para o Brasil sair da condição de um país altamente importador de petróleo para se tornar um país autossuficiente em petróleo. A Bacia de campos representa tão somente isso. É uma coisa enorme! Ela representou a maior escola de produção de petróleo que a gente podia ter. A gente tinha uma bacia que era o nosso laboratório. Então, a Bacia de Campos é um laboratório de produção de petróleo em escala real, que permitiu um aprendizado de toda a cultura brasileira de petróleo. E ela está nos dando forças para conhecer as novas bacias que estão surgindo. Ela é enorme. Ela vai continuar a representar uma importância grande em termos de produção,
134 mas ela ensinou a gente a produzir petróleo, descobrir outras bacias como a Bacia do Espírito Santo. (PETROBRAS, 2012b, p. 37)
Afirmações semelhantes podem ser lidas em tantos outros relatos, cujos trechos foram minuciosamente escolhidos, como o da engenheira de equipamentos Cristina Lucia Duarte Pinho: