2. UÇUCU ORGANİK BİLEŞİKLER: KAYNAKLARI, ÇEVREYE ETKİLERİ,
2.2. Uçucu Organik Bileşiklerin Giderilme ve Geri Kazanılma Teknikleri
2.2.2. Uçucu Organik Bileşiklerin Geri Kazanılma Teknikleri
2.2.2.4. Adsorpsiyon
Ao longo da entrevista com Abrahim Farhat Neto, dois irmãos do entrevistado que se encontravam na residência, Jorge Farhat (Nascido em 1950) e Fátima Farhat (Nascida em 1946), contribuíram com algumas falas, transcritas no dialogo abaixo.
Jorge Farhat – Quando as chatas, os navios chegavam, eles abriam aos domingos para visitas.
Fatima Farhat – A Chatinha... Agente era garota e subia a bordo. Porque naquela época não tinha pão, bolacha na cidade. A tripulação fazia pão e servia a bordo para os visitantes. Minha tia tinha um irmão que era comandante da chata. Comandante Rodrigues, ele trazia umas tartarugas enormes para a gente comer.
Fatima Farhat – Eu ia tomar leite com a minha tia na Fazenda Nemaia, eu era garota. Ela levava iodo para colocar no leite par matar os micróbios. Nossa casa era na própria loja do meu pai. Depois, ele comprou uma casa para nós na Rua Cunha Matos, era perto da casa da minha tia (amiga da mãe), ela era casada com o seu Benjamim Salim. Eu tenho uma foto com o meu avô, eu era bebê, ele queria me levar para o Líbano. Depois eu fui conhecer o Líbano com minha mãe e minha irmã e morei lá por quase três anos. Depois nós voltamos lá várias vezes. Quando fomos a primeira vez, eu era bem jovem, tinha vinte e dois anos. Eu gostei muito do Líbano. Eu gosto muito do meu Líbano, só não gostei da guerra que eu vivenciei lá, na época da guerra civil, eu saí de lá como refugiada em um barco com mil e quinhentas pessoas enquanto às bombas caíam. Fomos para o Chipre. Acho que foi em 1989. Minha amiga Vivian Manasfi foi me deixar no porto em meio aos Tanques, porque o aeroporto estava fechado devido aos bombardeios. Eu estava na casa do meu primo quando começou o bombardeio de madrugada. Fiquei muito assustada, caiu uma bomba a cinquenta metros da casa. Beirute é uma cidade com montanhas atrás e os inimigos jogavam bomba lá de cima para baixo. Os aviões de Israel passavam por cima jogando bombas.
- Quem jogava as bombas?
Fatima Farhat - Havia muitos confrontos políticos, as facções, os Drusos. Eles ficam lá nas montanhas jogando bombas... Eu não sei bem... Porque eu estava em casa, ai a minha prima disse assim: “basta você chegar e as bombas começam a cair”. Eu fiquei no banheiro junto
com as crianças, os filhos da minha prima. Fiquei assustada com aquele bombardeio acho que era um canhão, eu não sei, fiquei muito assustada. Nós estávamos todos dormindo. Fábio, nosso primo, estava com um bebezinho, a mulher dele tinha ganhado nenê e olha, essa bomba foi de estremecer. Todo mundo caiu fora, ficamos todos lá embaixo, no subterrâneo, porque todos os prédios são obrigados a terem abrigos já visando à guerra. Eu já tinha pedido ao meu primo para comprar uma passagem para mim, que eu queria vir embora... Eu ainda tinha permanência, meu passaporte estava dentro da validade. Porque nós temos dupla nacionalidade, todos os filhos do meu pai. Minha mãe não foi registrada no casamento muçulmano, por isso, ela não teve direito ao que era do meu pai no Líbano. Eu falo árabe, eu fui aprendendo só no ouvido.
Lhé – Tira uma dúvida. O vovô quando saiu daqui, com a Adelina, mãe do Said, Alberto, Fátima e José. Quando ele chegou ao Líbano eles viveram juntos na mesma casa, a Fátima e Adelina (primeira e segunda esposa respectivamente)?
Fatima Farhat – Nãaaao. Não. Ela (Adelina) não gostava da nossa avó (Fátima).
- Como muçulmanos, não seria natural a primeira esposa aceitar a segunda esposa? Fatima Farhat – É verdade, mas elas viviam... Eu não sei essa história eu não conheço. Lhé – Adelina morava em uma casa? Não é isso?
Fatima Farhat – É, eu não sei desta história. Eu sei que os muçulmanos... Eu tenho umas primas que os maridos têm duas mulheres, uma mora em cima e a outra em baixo. Minhas primas, filhas da tia Fátima e irmãs do Fadel.
Lhé – Quando você chegou lá o Abrahim (vovô) estava vivo? Fatima – Estava.
Lhé - E morava com a Adelina?
Fatima – Morava, e a vovó Fátima já tinha morrido.
Lhé – O que eu quero saber é se quando o vovô voltou para o Líbano, ele morava com a Fátima e a Adelina juntas.
Fátima – Eu não sei. O tio Alberto saberia. Quando nós chegamos lá em 1968, eu, mamãe e Leia, o papai foi nos visitar uma ou duas vezes em Beirute.
Lhé – Então você pegou os três vivos ainda?
Fátima - Não a vovó Fátima. Só tinha a tia Zeina, irmã do papai. A única irmã de pai e mãe, do primeiro casamento. Papai nos ofereceu o melhor apartamento para nós ficarmos à beira mar. Meu pai nos mandou para estudar e casar, tanto que fomos estudar em uma escola francesa. Meu avô e o tio Alberto, que era casado, moravam na mesma casa. Nós ficávamos com meu avô. A parte térrea da casa era alugada para uma escola e nós estudamos árabe. Nós fazíamos ditados, porque o árabe se escreve da direita para a esquerda (escreve o próprio nome em árabe para eu ver). O árabe é muito difícil, mas com persistência se aprende. Meu avô tinha vontade que nós aprendêssemos árabe, aí falou com a diretora da escola, que nos aceitou como alunas. Eu e Léia descemos e fomos assistir às aulas. Léia com dezenove ou vinte anos, muito bonita. Não aguentamos terminar o primeiro dia, o bê-á-bá das crianças era muito difícil, só crianças. A vontade do papai era voltar para o Líbano, a terra dele.
O vovô era cego. Ele passou vinte e cinco anos cego. Era um homem muito forte, ele subia uma escada de dois lances... Ele comia muito pouco, em um pratinho bem pequeno. Ele dizia: “Elsa (nora), ponha bem pouco!”. Ele deixava espaço para a sobremesa, que ele gostava muito. Falando essa história da minha avó, de eles terem morado juntos Adelina e Fátima, eu acredito que não.
Quando chegamos lá, os parentes foram nos visitar e conhecer as filhas do Hechem. O Líbano é bem aberto, foi colonizado pela França, passou vinte e cinco anos sendo dominado pela França. Usávamos minissaia quando passeávamos no bairro. A Léia era bonita, olha você precisa ver as nossas fotos, queria que tu visses, era de fechar quando nós andávamos no bairro Bourj El-Barajneh. No Líbano, pelo sobrenome eles sabem em que bairro moram as famílias. Nós fomos visitar a família dos Chalck e Zacour. Primeiro industrial do Acre, do Guaraná Libertador – cada garrafa uma cor, cada gole um sabor (risos).
Lhé – Do que era feito mesmo o guaraná?
Fátima Farhat – De açúcar. Os bombons que derretiam ele transformava tudo em guaraná. Nossa, ele era um industrial mesmo (risos). Olha, uma vez a Isaura Maia (amiga) foi na loja. Quando chegava uma visita, a gente servia um guaraná. Era um Libertador. Sabe o que encontramos? Uma barata na garrafa, quando viramos foi no copo da Isaura. A Isaura ficou doida.
Jorge Farhat – Mas era o melhor guaraná da região! (risos). A maior emoção que eu tive quando viajei para o Líbano em 2006, foi quando o avião aterrissou. Um avião com quinhentos e poucos passageiros da Aero linha Libanesa. Quando aterrissei eu desci a escada e beijei o solo, quando eu levantei a vista vi aqueles tanques de guerra...
Fátima Farhat – No Líbano, pelo sobrenome, eles sabem localizar a família e se é católica ou muçulmana. A região do Bourj El-Barajneh é muçulmana. Tem os ortodoxos (cristãos) que ficam nas montanhas.
Jorge Farhat – Nesta região que estamos falando, do Bourj El-Barajneh, tem muito terrorismo do Hezbollah, cada pessoa, cada apartamento, tem uma arma. Armas pesadas. A Lúcia minha irmã, namorou um hezbollah e foi para o apartamento dele. Ele conversava com ela. Todo mundo no Líbano tinha arma.
- E a senhora encontrou um pretendente?
Fatima Farhat – Tinha, mas minha mãe e minha irmã quiseram vir embora e largamos tudo. Ele já era homem feito e não queria deixar o país dele. Era o engenheiro do prédio.
Lhé – Agora vamos ver se a gente casa pela internet (risos).
Jorge Farhat – O papai falava que quando nascesse uma prima nossa no Líbano, eu ia casar com dezoito anos. Eu nascido no Brasil e ela libanesa e muçulmana.
Fatima Farhat – O Abrahim tem uma noiva no Líbano, a Suad.
Lhé – Ela formou-se em medicina na Tchecoslováquia, e aí não deu. E o velho ficou sem a médica.
Fátima Farhat – Ela agora está viúva, pode casar! Nossa, uma dona de casa. A Suad foi criada pelo meu avô.
- Por que o Lhé não se casou com a Suad?
Lhé – É da cultura árabe que os muçulmanos se casem entre os parentes e cada um de nós deveria ter a sua preferida. Eu tinha a minha, mas eu nunca fui ao Líbano, eu gosto muito daqui, sou muito regionalista. Eu nunca tive contato, só sabia que ela existia e que estudava medicina na Tchecoslováquia.
- Ela perguntava pelo Lhé?
Jorge Farhat – Perguntava! Tem dinheiro? (risos).
Lhé – (responde em árabe) não tem dinheiro (risos). É uma grande médica.
Fátima Farhat – Ela é dermatologista.
Lhé – Olha aí, já cuidava do meu vitiligo (risos).
Fátima Farhat – Na última vez que estive no Líbano em 2009, eu fiquei na casa da Suad, meu tio não me deixou ficar em casa de amigos.
Jorge Farhat – A lembrança que eu tenho do Líbano é de um mini Rio de Janeiro. Muito bonito.
Fátima Farhat – O Líbano era considerado a Suíça do oriente. Os primos do Fábio, meu primo, também fizeram medicina em Praga. A Suad estudou em Praga. O filho do Fábio é médico também. Estudou em Moscou. O filho do tio Alberto também estudou em Moscou, é médico.