3. SAYISAL ORTAMDAKİ VERİLERİN KORUNMASI VE KURTARILMASI
3.4. Adli Bilişimde Kullanılan Yazılımların İncelenmesi
É ainda uma pergunta para mim se Simon poderia ser apropriadamente qualificado como racionalista e/ou individualista metodológico em sentido estrito. No entanto, sua obra se caracteriza por uma enorme ênfase no comportamento individual racional, o que, por si só, justifica tecer algumas considerações a respeito. Isto implicará numa utilização “adiantada” de alguns elementos da teoria e, talvez, a discussão feita aqui só venha a ficar mais clara mais adiante. No entanto, acho relevante ressaltar estas questões de antemão pois elas sugerem algumas linhas que serão encontradas ao longo de todo o estudo, e nem sempre de maneira evidente.
No trabalho de Simon o termo comportamento usualmente vem acompanhado de uma qualificação. Nos trabalhos aqui discutidos, a qualificação mais freqüente, implícita ou
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Acredito que Simon teria escrito isso de qualquer teoria, não apenas da teoria da administração. 100
A coletânea de artigos em Simon (1957) é um bom exemplo disso. 101
explicitamente, é o “comportamento humano individual no interior de organizações”.102 Ainda assim, podemos distinguir pelo menos quatro âmbitos importantes para o comportamento humano na obra de Simon, distribuídos em duas oposições: o comportamento individual vs o comportamento organizacional, e comportamento individual no interior de organizações vs comportamento em geral (fora delas, ou não necessariamente dentro delas). Argumento que, embora estes âmbitos não sejam idênticos, a forma dele teorizar um é amplamente análoga às demais, as diferenças estando em geral apenas em sutilezas e ênfases de interpretação.103 A estrutura formal da teoria é a mesma para os quatro âmbitos. Mas é interessante aqui analisarmos um pouco das diferenças entre eles.
Primeiro, tratemos da distinção entre o comportamento no interior de organizações e o comportamento em geral. A definição de Simon para organização é bastante fluida, tentando capturar muito mais do que o termo denota no senso comum. Podemos dizer que organização, tal como pensada por ele, tem a ver com algum nível de interação significativa entre indivíduos do ponto de vista de um determinado fenômeno que se pretende estudar. A diferença entre organização e sociedade passa a ser uma questão de grau (March e Simon, 1958: 3), conforme argumentarei com mais propriedade no quarto capítulo.
A distinção entre comportamento individual e comportamento organizacional requer alguns cuidados também. Simon, em diversas instâncias olha a organização como um sujeito, e nesse sentido fala em comportamento organizacional – o comportamento da organização. No entanto, embora a organização, vista desta maneira, possa galgar graus mais elevados de racionalidade que o indivíduo, no sentido de que consegue se aproximar mais de seus objetivos do que indivíduos não organizados poderiam, as restrições à racionalidade também se aplicam (como veremos) a ela, e os mecanismos adotados para driblá-las são análogos aos utilizados pelos indivíduos. A teoria comportamental de Administrative Behavior (Simon, 1947 e 1976a) e de Organizations (March e Simon, 1958) se aplica a ambos os âmbitos comportamentais. No entanto, o comportamento individual e, de maneira correspondente, a psicologia são privilegiados por Simon em sua obra. Como bem coloca Silveira (1983: 603), “o fio da meada é o estudo do decisor”.
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Possivelmente esta afirmação não valha para a obra de Simon em geral. Se considerarmos o tempo da carreira de Simon em que seu principal envolvimento foi com a ciência cognitiva e a inteligência artificial, talvez o contexto mais adequado seja simplesmente o “comportamento humano individual”.
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A estrutura organizacional é resultante das próprias restrições à racionalidade individuais, o comportamento organizacional é resultante do complexo de comportamentos individuais no interior da organização. Ainda no que tange à composição da organização por indivíduos, eu poderia citar a feição contratualista da teoria do equilíbrio organizacional utilizada por Simon, que discutiremos com mais detalhes adiante, onde a existência da organização, e seu objetivo, se transveste num meio para a realização (indireta) dos objetivos pessoais dos seus membros.104 Numa das únicas referências que encontrei de uma manifestação direta de Simon sobre reducionismo, mas que me parece consistente com muito de seu trabalho, temos o seguinte:
By adopting this weak interpretation of emergence [i.e., the parts of a complex system have mutual relations that do not exist for the parts in isolation], we can adhere (and I will adhere) to reductionism in principle even though it is not easy (often not even computationally feasible) to infer rigorously the properties of the whole from knowledge of the properties of the parts. (Simon, 1996b: 172)
Eu não contestaria que existe uma forte tendência no trabalho de Simon de explicar os fenômenos sociais a partir da racionalidade individual, entretanto, me parece difícil fazer sobre ele a afirmação categórica de que é um individualista metodológico no sentido de que “aceita explicações de fenômenos sociais somente se elas forem erigidas como o resultado de interações individuais explicáveis” (Foley, 2003: 7, ênfase minha).
Em primeiro lugar, há contra-exemplos. Há os trabalhos de Simon sobre a distribuição do tamanho de firmas,105 mobilizados por ele contra a teoria neoclássica como uma explicação mais parcimoniosa para o fenômeno, em que utilizava um mecanismo probabilístico como forma de explicação. Mas, no conjunto, estes casos tendem a ser antes a exceção que a regra.
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“In an organization such as that just described, there appears, in addition to the personal aims of the participants, an organization objective, or objectives. If the organization is a shoe factory, for example, it assumes the objective of making shoes. Whose objective is this – the entrepreneur’s, the customers’, or the employees’? To deny that it belongs to any of these would seem to posit some ‘group mind,’ some organismic entity which is over and above its human components. The true explanation is simpler: the organization objective is, indirectly, a personal objective of all the participants. It is the means whereby their organizational activity is bound together to achieve a satisfaction of their own diverse personal motives. It is by employing workers to make shoes and by selling them that the entrepreneur makes his profit; it is by accepting the direction of the entrepreneur in the making of shoes that the employee earns his wage; and it is by buying the finished shoes that the customer obtains his satisfaction from the organization.” (Simon, 1947: 17)
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Um artigo relacionado a este tema é Simon (1955b), mas os trabalhos efetivamente foram realizados conjuntamente com Yuji Ijiri.
Em segundo lugar, e mais importante, se a vertente mais explorada da estrutura teórica do trabalho de Simon é a individualista, as possibilidades de sua teoria não se esgotam aí, ela tem conexões teóricas importantes, potenciais e efetivas, do grupo para os indivíduos. Essas ligações aparecem algo emudecidas sob a forma de “contexto” – a organização é o contexto no qual o comportamento se dá – mas há de fato uma tensão no trabalho dele entre a explicação atomista e a lógica supra-individual da organização.
Com relação ao racionalismo as coisas não são muito diferentes. Há uma grande ênfase na explicação a partir da racionalidade em Simon mas, mais uma vez a cunha aparece através da figura da organização, em particular no importante conceito de identificação organizacional, que será discutido extensamente adiante. O mecanismo da identificação organizacional é um mecanismo motivacional, e não cognitivo, e o autor dá uma fundamentação evolucionária para sua existência.106
O principal motivo levantado por Simon para teorizar o comportamento em geral como racional é o de que, se o comportamento “não é completamente racional, ao menos em boa parte ele tem a intenção de racionalidade” (1976a: xxviii). Ele não alega que todo comportamento deva ser explicado com base na racionalidade, ao contrário, afirma que “claramente, uma ciência social madura terá que acomodar tanto o intelecto quanto o afeto”. Porém, a partir de seu conceito de racionalidade restrita, ele tinha em vista “uma oscilação de retorno do pêndulo” em que “começaremos a interpretar como racionais e razoáveis muitas facetas do comportamento humano que agora explicamos em termos de afeto” (1957: 200).
Duncan Foley associa a vertente racionalista na economia, e sua tentativa de explicar os fenômenos econômicos a partir do comportamento racional individual, a uma filiação ideológica à tradição hobbesiana-lockeana da filosofia política. A racionalidade restrita e a procedimental não são poupadas:
This is not so much a question of adherence to any particular conception of rationality, but of taking rationality of individual behavior as the unquestioned starting point of economic analysis. As we shall see, mainstream economics has room for various concepts of rationality (‘full rationality’, ‘bounded rationality’, ‘substantive rationality’, ‘procedural rationality’, to list a few) and for vigorous debates over their relative merits. Grounding economics in the concept of rationality connects economics firmly to the Hobbesian-Lockean tradition of political philosophy, which purports to explain the
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Embora essa base evolucionária, no final das contas, resulte ser um “auto-interesse esclarecido”, como veremos adiante.
political and economic organization of modern society as the necessary result of the interaction of naturally constituted rational individuals confronting each other as competitors for scarce resources. (Foley, 2003: 1-2)
Eu não refutaria a filiação de Simon a esta vertente racionalista, no entanto, as qualificações acima devem ser mantidas em mente. Em suma, o racionalismo e o individualismo metodológico se manifestam em Simon antes como tendência que como princípio.