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1. AVRUPA BİRLİĞİ (AB) VE AVRUPA BİRLİĞİ MALİ

1.2. AB Mali Yardımları

1.2.6. Aday Ülkelere Yönelik Mali Yardımlar

Como a categoria de trabalho a ser investigada nesta tese é a das bandas musicais, em alguns tópicos será abordado como a música está se beneficiando da Economia Criativa para lograr resultados.

A indústria da música sofreu significativas transformações nos últimos trinta anos. O que antes consistia em um monopólio das grandes gravadoras, no tocante a produção, divulgação, distribuição e controle do consumo de trabalhos musicais, hoje realiza as suas funções de forma fragmentada e independente. Conforme afirma Pinto (2011), na década de 2000, houve um barateamento dos computadores

e de reprodutores de mídias (no caso, CDs), o que gerou um aumento na fabricação de cópias caseiras, a chamada pirataria. Porém, esse contexto também trouxe a popularização do formato MP3 (mídia digital de tamanho reduzido sem tanta perda de qualidade), aumentando as possibilidades de distribuição digital gratuita de arquivos de música em massa. Além disso, softwares de reprodução e distribuição desses arquivos pela internet foram criados, fazendo com que a divulgação e a distribuição de um trabalho musical adquirissem custos praticamente nulos.

Paralelamente a essa realidade, a era digital e a década em questão também proporcionaram a proliferação dos estúdios caseiros, fazendo com que músicos conseguissem qualidade em trabalhos feitos em suas próprias residências. Hoje, Pinto (2011) afirma que a produção, a distribuição e a divulgação de música podem acontecer através de formas autônomas e independentes. Qualquer artista consegue gravar e distribuir sozinho o seu trabalho com uma estrutura própria, não dependendo mais da antes monopolista indústria fonográfica.

Gravadoras e selos importantes estão competindo de igual para igual com artistas independentes e qualquer pessoa pode gravar um vídeo amador, postar no

Youtube e alcançar reconhecimento nacional em questão de horas. Artistas e

produtores culturais expandem os limites das artes por meio de suas redes, agora suportadas também por equipamentos digitais. Ainda de acordo com o Panorama Setorial da Cultura Brasileira, “66% dos produtores culturais usam redes sociais,

como o Facebook, como ferramenta de trabalho” (JORDÃO; ALLUCI, 2012, p. 62).

Para Nogueira (2008), nesses novos tempos, qualquer músico pode mostrar o seu trabalho e alcançar o seu público consumidor. Para ingressar nessa tendência, basta aos artistas terem registros junto às principais mídias sociais para divulgarem suas músicas, como Facebook, Google+,Twitter, Soundcloud, entre outros.

É justamente nessa oportunidade trazida pelas novas tecnologias digitais que a Economia Criativa atua. Artistas usam a internet para vender seus trabalhos em formatos digitais em plataformas como Itunes e Amazon. Outro exemplo de ferramenta possibilitada pela era digital é o crowdfunding, que Belleflame, Lambert e Schwienbacher (2011) definem como um pedido aberto à internet para recursos financeiros em forma de doação monetária, algumas vezes em troca de um produto futuro ou recompensa. Artistas de todo o Brasil, principalmente músicos, estão se beneficiando dessa ferramenta, disponibilizando pedido de doação em sites de

crowdfunding, como comecaki.com.br, vakinha.com.br e embolacha.com.br. Como

recompensa pela doação, os artistas oferecem CDs autografados, entradas para a festa de lançamento e espaço de divulgação no site pessoal deles.

A internet em si também remunera músicos por seus trabalhos expostos online. O Youtube paga a artistas que colocam um vídeo em seu site baseado em quantidade de visualizações de seus clipes, assim como quantidades de cliques nos anúncios que neles aparecem. O Creative Commons, criado a partir de um acordo entre o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) e o YouTube, estabelece o pagamento de 2,5% da receita bruta desse site por exibição de músicas protegidas, afirma Funarte (2011). Gropai (2009) complementa que, além de ser um meio para a venda de produtos, a internet possibilita conseguir público e locais para shows, contribuindo para o sustento da carreira.

Apesar de essas oportunidades estarem cada vez mais em evidência, os músicos do Brasil estão recém atentando para essa realidade. Acredita-se que, com o passar dos anos e com o desenvolvimento das pesquisas sobre Economia Criativa e música, vai ser possível para os músicos brasileiros alcançarem um patamar maior no cenário internacional.

Para Salazar (2010), atualmente, na música existem três formas de negócios:

show business (cadeia produtiva que gira em torno de shows e do artista), indústria

fonográfica (comércio de CDs, DVDs e formatos digitais) e propriedade intelectual (licenças e usos de direitos autorais). Para o autor, não existe mais o grande mercado, o grande hit, a grande estrela da música, mas milhares de micromercados, mini hits e artistas satélites.

Seguindo esse direcionamento, existem várias possibilidades de trabalho na área musical, podendo o profissional atuar em uma ou em várias delas:

a) banda cover – um dos sujeitos de pesquisa deste trabalho, a banda cover

não se preocupa em compor sucessos e seu repertório contém apenas músicas de outros artistas. Quando uma banda cover sai da informalidade e se converte em empresa, deve ficar atenta a tributos oriundos de direitos autorais de terceiros;

b) banda ou orquestra de baile – também sujeito desta pesquisa, é um tipo de banda cover que anima eventos com apresentações com maior duração do que a média (cerca de quatro horas de show), geralmente com repertório de

terceiros. Orquestras de baile em geral são organizações com equipe, estrutura e organograma maiores do que as das bandas cover simples. Contêm no seu repertório músicas de diversos estilos, desde as mais calmas até as mais agitadas, justamente para compor a sonorização em todos os momentos de um evento.

c) composição (autor) – artista que se dedica à composição de músicas, à sua execução e/ou à venda delas para outros artistas. Quando um compositor apresenta suas músicas em shows, pode contar com banda com estrutura semelhante às bandas cover. Também participa do trabalho como sujeito da pesquisa;

d) banda autoral – a banda autoral busca reconhecimento por suas

composições próprias e seus shows contam com menos da metade de seu repertório formado por músicas de outros artistas. Em estrutura, também se assemelham às bandas cover;

e) arranjador – artista que se dedica a fazer versões e arranjos de músicas de terceiros;

f) DJ (rádio, show, festa, boate) – apesar de muitos não considerarem o DJ (disk jockey) um músico, esse profissional atua em festas reproduzindo músicas em seus equipamentos eletrônicos;

g) orquestra sinfônica – músicos que compõem um conjunto numeroso de instrumentistas, geralmente tocando músicas eruditas, sendo a orquestra estadual, municipal (empregos públicos) ou particular;

h) ensino (licenciatura) – músicos que se dedicam a ensinar música, seja em escolas particulares, seja no ensino médio, seja em conservatórios, seja em instituições estaduais ou federais;

i) sonorização para eventos – empresas especializadas em sonorizar eventos. Possuem amplificadores de som, mesas de som, microfones e demais equipamentos necessários para preencher uma locação de som;

j) empresariamento artístico (management) – profissional responsável por agenciar a carreira de um músico;

k) agenciamento (booking) – profissional que trata da agenda de shows e de

l) produção executiva (show ou disco) – responsável pela engrenagem não musical de um show ou disco, como locação de equipamentos, parcerias, contratos, hospedagem dos músicos etc.;

m) técnica (som, luz, palco) – profissionais responsáveis em transparecer para o público o show do artista da melhor forma possível. A técnica pode salvar um show de uma banda ruim ou estragar o de uma banda excelente, sendo imprescindível um alto nível de profissionalismo desses atores.

n) produção artística (disco ou show) – profissional que coordena

movimentos, posicionamentos, iluminação e demais elementos cênicos que compõem um show musical;

o) casa de show, teatro, boate, bar (música ao vivo) – empreendimentos que

se utilizam dos serviços musicais como diferencial;

p) produção fonográfica (gravadora), edição musical (editora) e distribuição de

discos (distribuidora) – empresas que financiam, produzem e distribuem CDs

e DVDs;

q) comércio de instrumentos, equipamentos e acessórios – empreendimentos

que comercializam artigos musicais;

r) fabricação e reparo de instrumentos, equipamentos e acessórios profissionais (chamados de Luthiers) ou empresas que produzem, regulam e fazem a manutenção de instrumentos musicais;

s) trilha sonora – agentes que trabalham na criação de música para publicidade, jogos, teatro, cinema, moda etc.;

t) estúdio de ensaio – empreendimentos em que os músicos ensaiam para seus shows;

u) estúdio de gravação – responsável pela gravação e mixagem do áudio das

músicas do artista. Para Coelho (2014), os estúdios representam um dos elos fundamentais da cadeia da música, sem o qual não seria possível veicular o produto musical em qualquer outra plataforma. Hoje, na maioria dos casos de artistas em início de carreira, a música gravada serve muito mais para a promoção do artista do que como produto final, que cada vez mais passa a ser o seu show;

v) marketing cultural – profissionais responsáveis pela elaboração e captação de projetos musicais, geralmente sob a forma de editais;

w) produtora de vídeo – agência que produz clipes, documentários, DVDs.

Pode-se notar que o campo de atuação da indústria musical dá margem de

trabalho a vários tipos de profissionais que não são músicos propriamente ditos. Empresários podem abrir casas de shows voltadas para a música, designers podem se especializar em produção de material artístico musical, especialistas em captação de recursos podem voltar seus esforços para editais específicos de projetos musicais e comerciantes podem escolher vender CDs e DVDs piratas na informalidade. Também é comum um indivíduo possuir duas ou mais atividades das listadas acima. O autor deste projeto é, por exemplo, compositor, produtor musical, músico cover, professor de música e compositor de trilhas sonoras.

Dessa forma, podemos constatar que as bandas musicais, apesar de lidarem com um produto “artístico” e se inserirem na Economia Criativa (como abordado anteriormente), também possuem características de empresas tradicionais, cabendo serem analisadas das duas formas e sendo relevante um estudo sobre a interface entre esses vieses.

Benzer Belgeler