2. BÖLÜM
2.4. Sağlık Hizmeti Talep Modelleri
2.4.2. Acton’un Sağlık Hizmetlerinde Fayda Maksimizasyonu Modeli
P: Certo. Então agora a gente vai entrar mais especificamente em uma das disciplinas do curso, que é a Análise né? Então a primeira pergunta que eu te faço, Roberta, é: {quando eu menciono o nome disciplina de Análise, do que você se recorda...? Qual é a primeira...
P2: Aversão.
P2: {Aversão. Horrível. Eu não entendia nada do que aquela professora tava passando. Eu copiava.} O
que ela tava falando, quando ela falava, eu até entendia a sequência do que estava acontecendo, mas pra mim eh... essa parte de demons\... {porque Análise é só demonstração em prova, só demonstração, o que eu lembro era só isso. Eu não tenho nenhuma facilidade, nada, eu não sei decorar. Você imagina como foi o meu curso.} Eu não sei... até hoje eu não sei decorar. Se você falar pra mim uma frase e eu tiver que falar ela pra você daqui um pouco, eu vou falar totalmente diferente, porque eu vou entender e vou produzir pra você, eu não vou decorar. {Então eu tenho muita dificuldade nisso, e com isso meu curso de Análise foi péssimo.} Porque eu tava em casa, eu fazia tudo, porque eu ia entendendo o que eu tava fazendo, mas quando chegava na prova... eu não conseguia produzir um nada. Eu lembro de um dia que eu fui... eu vivia lá fazendo lista de exercício né, como todo mundo e aí eu fui, tirei dúvida... eu acho que tinha umas três questões, que eu tirei dúvida, que eu fiz e que caíram na prova e a professora falou: “Como que você não sabe fazer aqui se você fez na minha frente?”. “Porque eu não sei, eu não consigo decorar aquilo, não consigo, não tá em mim”. Então, essa minha amiga85, porque
ela se deu bem? Porque ela sempre conseguiu decorar, ela tinha facilidade com História, Português, Geografia, ela adorava decorar as coisas. Mas decorar, pra mim, não faz sentido, na minha cabeça não faz sentido, até hoje não faz sentido você decorar uma coisa. Então, tanto é que todas as fórmulas que vou aplicar, eu deduzo na hora, eu não consigo falar assim: “Ah, aquela fórmula é assim”, a não ser a fórmula que você use direto, né? Mas a maioria delas eu pego... pego situações onde eu sei que isso acontece e dali eu tiro a fórmula. Até hoje eu faço assim, e falo para meus alunos: “Você não precisa decorar isso. Faça isso, porque não tem porque você ficar decorando.” Quem gosta de decorar? Pelo amor de Deus... papagaio né? ((risos))
P: ((risos))
P2: Então esse era o meu problema: {Análise pra mim era terrível, terrível, terrível, terrível.} Tanto é
que eu acredito que eu não passei, me empurraram. P: Foi de primeira ou você teve que fazer mais? P2: Eu fiz duas vezes.
P: Duas vezes?
P2: Mas a professora viu, por que depois, quando ela foi... ((Uma professora chegou à sala de aula
onde estávamos efetuando a entrevista querendo conversar com Roberta. Aproximadamente 55s)) P: Então foi isso né, então quando eu perguntei o que vinha em sua mente: aversão.
{P2: Aversão. Mesmo se eu fosse fazer hoje como ouvinte eu não gostaria de assistir Análise não.
P: Você acha que não seria uma experiência muito boa? P2: Não, eu não vejo função naquilo.}
P: Certo. Essa disciplina te marcou de alguma forma? Tanto positivamente quanto negativamente? P2: Não sei, eu fu/... Não sei se marcou, acho que até marcou porque se eu tenho aversão, né? Mas eu
lembro que a professora só me passou porque eu fui na sala dela, e ela me fez umas perguntas orais né, me fez a pergunta e eu fui fazendo, porque no papel não saía nada. Aliás, eu tenho dificuldade em escrever também, muita dificuldade em escrever; pra eu escrever uma página demora umas duas horas, porque não sai a coisa. Agora fazer continha, resolver problema, é rapidinho. ((risos))
P: Olha só, então a professora sentiu essa sua dificuldade e te avaliou de uma outra maneira naquele momento ali?
P2: É. Ela me chamou e mais uma, ela chamou a gente e... porque ela... acho que talvez percebeu que
eu tava fazendo todas as listas, eu vivia lá perguntando as coisas pra ela; daí ela falou assim: “Se eu for avaliar ela só com a prova, ela não vai passar de jeito nenhum”. Eu não conseguia pôr aquilo no papel.
P: Então ela foi uma professora compreensiva, se fosse outro professor...
P2: Não, se fosse um outro hoje, que eu sei que existem ainda, eu não teria passado.
{P: Certo. Se você fosse elencar as disciplinas mais significativas para um professor da educação básica, a Análise faria parte desse rol?
P2: Não.
P: Por quê?
P2: Magina. Por causa de tudo isso que eu falei, não tem nem como.
P: Não é significativa de maneira nenhuma?
P2: Nada. Pode excluir, pode excluir a Análise do conteúdo da licenciatura, pelo menos.}
P2: Pode, faz favor. Pode perguntar pra todas as meninas que estão no PIBID, se elas acham que a
Análise é significativa; ((risos)) com certeza todas vão falar: “Não”.
P: Certo. Você se recorda de algum livro, ou algum autor, que foi utilizado na disciplina de Análise? P2: Não.
P: Não? Nome de nenhum?
P2: Nada. Acho que eu deletei da minha vida.
P: Certo. Mesmo não se recordando desses livros, desses autores, como era sua relação com os livros de Análise na época em que você estava cursando? Você pegava bastante livro, você estudava só as listas?
P2: Eu lembro de pegar livro, mas eu não lembro quantos livros, eu lembro que eu pegava na
biblioteca, usava, fazia as listas, tinha o caderno.
P: Assim, você estava sempre com o livro ou você usava mais o caderno? É isso que estou tentando perguntar.
P2: Não, eu estava sempre com o livro.
P: Sempre com o livro... E tinha diferença entre estudar no livro e estudar no seu caderno? P2: Ah, no meu caderno não tinha tudo.
P: Ah, não tinha tudo... Aí você complementava com o livro. P2: É.
P: O nome de autor, você não lembra nada... Como você... você já falou um pouco, vamos tentar eh... ser mais específicos: {como você definiria a matemática que é trabalhada na disciplina de Análise? Definir é muito forte... Como você explicaria?
P2: Não sei, eu teria uma palavra só: teoria.}
P: Teoria?
P2: Sim. Eu não sei nem o que falar pra você.
P2: É.
P: É uma matemática avançada? P2: Muito avançada.
P: Muito avançada?
P2: Você quer ser professor de Análise?
P: Oi? Se eu quero ser professor de Análise? Talvez... P2: E você conseguiu enxergar a Análise de outra forma?
P: É o que estou tentando fazer com isso aqui [pesquisa]. Estou começando a ter algumas visões, mas...
P2: Ah, depois você me conta...
P: Não, claro....
P2: ...porque eu quero ver a Análise de outro jeito.
P: Os resultados vão ser, depois...
P2: Não, mas eu não quero o resultado da sua pesquisa, eu quero saber como que você fez pra enxergar
a Análise de outro jeito.
P: Depois a gente fala... senão vai influenciar. Depois a gente conversa. P2: ((risos)) Ah, tá bom.
{P: Eh... O que é necessário, Roberta, para quem está fazendo a licenciatura lá, compreender e ter um bom desempenho na disciplina de Análise, em sua opinião?
P2: Pra mim é aquela associação que eu falei: associar – por isso que eu acabei de pedir pra você;
associar o que eu estou vendo com o que eu já vi. Pra mim, não fazia nada de sentido.} P: Por isso que você não entendia?
P: Você não fazia essa associação? P2: Eh, pra mim era uma decoreba aquilo.
P: Entendi. Então quer dizer que decorar era si/... {P2: Sinônimo de Análise era decorar.}
P: ...sinônimo de bom desempenho na disciplina? Se você decorasse você ia bem, é isso? P2: É, todo mundo falava isso.
P: Hum... Até os professores? P2: Não, os alunos.
P: Decorou, foi bem?
P2: É, “Ah, eu passei a tarde inteira lá decorando; aí fui lá na prova e só reproduzi, reproduzi o que
decorei”.
P: E as provas nunca saíam fora do que era dado em sala de aula? P2: Não. Ou era daquilo ou era da lista, na realidade era sempre da lista.
P: Hum, hum. Fez a lista, decorou?
P2: É, você fez a lista, decora a lista, quem tem facilidade de decorar, decora; e vai lá e faz.
P: Quer dizer que se a pessoa esquecer, daqui à cinco dias o que ela decorou?
P2: Ah, se ela esquecesse... quer dizer, esqueceu, todo mundo esqueceu; eu não lembro de nada, aliás,
eu nunca decorei... Teve uma disciplina que era Variáveis Complexas, essa foi legal também, também me ajudou aqui, me ajuda aqui.
P: Variáveis complexas?
P2: Variáveis complexas, que não era exercício só da lista. Eu lembro que teve uma prova de variáveis
complexas, agora mudando de assunto um pouquinho, que a professora deu quatro exercícios da lista, e um não era da lista. A única pessoa que fez o que não era da lista fui eu.
P2: Por quê?
P: Por quê?
P2: Porque eles decoravam.
P: Hum... Como não tinha decorado...
P2: Não tinha decorado... Eu não sabia decorar, eu fazia de novo.
P: Tinha que entender pra fazer, e como você tinha entendido, você conseguiu fazer o que estava fora da lista?
P2: É. Eu fiz. E era a mesma professora da Análise Real. Pra você ver que...
P: E era diferente a disciplina, o jeito que ela tratava uma e a outra?
P2: Não, era do mesmo jeito, só que a Variáveis Complexas eu consegui enxergar tudo.
P: Por que será? Por causa do assunto em si?
P2: Não sei. {Eu não sei nem o que é Análise Real, pra falar a verdade pra você. O que é Análise
Real?} Depois você fala... ((risos))
P: Você não sabe definir o que é Análise Real então? P2: Não, nem pergunte isso que eu vou falar que não sei.
P: Não, essa eu não vou perguntar. P2: ((Risos))
{P: Então uma boa técnica para passar na prova era decorar, então? P2: Ah era, era a melhor, a única.
P: Tinham outras técnicas? P2: Colar.
P: Tinha bastante?
P: Hum, hum. Certo, certo, certo. Só para confirmar: eu falei sobre as contribuições, que foram apresentadas nas disciplinas; na disciplina de Análise não foi apresentada nenhuma contribuição para a carreira docente do professor?
P2: Não, as contribuições que eu falei foi: o que eu aprendi de Cálculo...
P: Não, na disciplina de Análise. P2: Não, de Análise não, nada.
P: O professor não falou nem na ementa, quando foi apresentada a disciplina pra vocês? P2: Não, nada, nada. Nem foi apresentado.
P: Não foi apresentado?
P2: Não, o professor chegava, colocava o conteúdo que ele ia dar na lousa, todos os tópicos, e daí
começava.
P: Não falava para onde ia servir isso, para onde ia servir aquilo? P2: Não.
P: Certo.
P2: Essa professora não falou.
P: Você se recorda de algum colega que tenha entendido alguma coisa do porque que servia, ou era geral?
P2: Eu tinha um aluno... um colega que entendia o que o professor falava, que hoje ele dá aula na
universidade da cidade aqui perto... é o professor Xavier86. P: Não é estranho esse nome...
P2: É então, ele tá lá. Ele entendia e às vezes, quando eu tinha tempo de estudar com ele, ele conseguia
fazer entender, só que Análise eu não estudei com ele nenhum dia; então o que eu consegui estudar com ele, ele fazia... eu não sei o que ele tinha, que ele conseguia pegar aquilo e fazer uma associação com o que eu já sabia...
86 Nome fictício.
P: Olha.
P2: ...que era uma coisa muito difícil, é uma coisa muito difícil aqui na universidade da cidade; os
professores não têm didática. P: Por que será que você acha? P2: Porque eles são da pura.
P: Ah... E na pura você acha que falta essa...
P2: Falta toda a didática, eles gostam, talvez, ou eles são preparados pra pesquisa né?
P: Hum, hum.
P2: Então quando você tem que pesquisar para você escrever para alguém ler, talvez eles consigam,
mas reproduzir aquilo de uma forma que alguém entenda, acho que eles não conseguem não... Pra mim não conseguiram.
P: Você acredita Roberta que, se você tivesse visto as contribuições da disciplina de Análise, em específico, teria feito diferença pra sua carreira como professora?
P2: Não sei, porque eu não sei quais são as contribuições. Eu não sei responder essa pergunta pra você.
P: Então você fica na dúvida? P2: Eu não sei nem pra que serve.
P: Tah. Ela tinha... a disciplina tinha alguma característica que era específica dela, que era só da Análise? Aconteciam coisas na disciplina que era só daquela disciplina e não acontecia em mais nenhuma?
P2: Não, porque Álgebra era também decoreba, que eu também fui mal; tudo o que era decoreba... o
resto você pode olhar no meu [histórico]... é tudo nove, dez.
P: Hum, hum. Essas duas, que tinha que usar a técnica de decorar, segundo você? P2: É. Topologia...
P: Então não tem uma característica que seja só da Análise, então? P2: Não.
P: Tah. Você vê alguma relação entre a disciplina de Análise e as demais disciplinas do curso de licenciatura em matemática? Tanto...
P2: A relação era decoreba, só, porque eu não sei o que era Análise.
P: Nem de conteúdo que você se lembre de alguma coisinha, assim? P2: Não, nada.
P: Então a relação que se estabelecia era decorar? P2: Decorar e demonstrações né? Era isso.
P: Hum, hum. Isso acontecia com a Análise, com a Álgebra, lembra de mais alguma?
P2: Topologia... aí teria que lembrar de todos os nomes pra poder lembrar; mas a maioria era essa, as
mais marcantes foram essas.
P: E relação com as disciplinas pedagógicas, nenhuma? P2: Nada.
P: Essa aqui é legal: em seu curso de licenciatura, antes de fazer Análise, porque Análise acho que é no terceiro ano né?
P2: Acho que é.
P: Não é no começo? P2: Não, não é.
P: Você ouviu falar por parte de professores, de alunos mais avançados, da disciplina de Análise, antes de fazer ela?
P2: Não.
P: Nunca te falaram nada? P2: Não, nunca.
P2: Não, eu formei a minha imagem.