3. TÜRKİYE’NİN AB İSTİHDAM POLİTİKASINA UYUMU
3.1. Türkiye’nin AB Katılım Müzakereleri ve İstihdama Yönelik Uyum Sürec
3.1.1. AB Katılım Sürecinde Sosyal Politika ve İstihdam Faslı
WILLIAMSON (1983) compara as formas de contratação com e sem o compromisso de pagamento mínimo. O autor conclui que, na presença de ativos específicos e problemas de oportunismo, apenas a primeira forma é eficiente. O compromisso de pagamento mínimo promove o cancelamento da demanda através da transação, apenas quando o valor do produto para o comprador for igual ao custo marginal recuperável (ou valor da aplicação alternativa)
do fornecedor (liberando os recursos produtivos para utilizações alternativas apenas quando for eficiente fazê-lo).
Além disso, o autor mostra que esta forma de contratação gera um resultado esperado, para comprador e fornecedor, equivalente à integração vertical da transação em uma única empresa, onde a premissa básica de eficiência contratual, ou seja, a maximização conjunta da riqueza gerada pela transação, é atendida.
Já a segunda forma de contratação, deixa aberta a possibilidade do cancelamento da demanda quando o benefício do comprador é menor do que o custo marginal total do fornecedor (custo marginal recuperável e irrecuperável), não sendo, portanto, eficiente. O autor demonstra que, neste segundo caso, o preço fixado terá que ser maior que o custo marginal total do produtor, de forma a compensar pelas ocasiões em que o comprador irá cancelar a compra.
Seguindo a linha de WILLIAMSON, MASTEN & CROKER (1985) analisam o valor das cláusulas de take-or-pay em contratos de longo prazo para fornecimento de gás natural, entre o produtor e o comercializador do produto41. Os autores estabelecem, teórico e empiricamente, o racional entre o valor desta provisão e: (i) O valor das alternativas de venda que o produtor tem para o gás produzido (número de compradores a ele conectados através de gasodutos ou a possibilidade de estocagem do produto para futura utilização) ou, (ii) o valor das alternativas para a aquisição do produto pelo comprador (número de vendedores a ele conectados através de gasodutos)42.
No modelo de MASTEN & CROKER (1985), a provisão take-or-pay de um contrato de longo prazo, poderia ser entendida como uma penalidade pelo cancelamento da demanda, conforme esquematizado na Figura 7.
40 Outras cláusulas associadas a este aspecto seriam aquelas estabelecendo rescisão unilateral, desequilíbrio
financeiro, força maior e penalidades associadas. 41
Na época deste artigo estava sendo introduzida a competição na produção e comercialização da Indústria de Gás Natural nos Estados Unidos, através da implementação da desregulamentação do controle de preços, do livre acesso aos gasodutos e da permissão de que grandes consumidores pudessem romper contratos de longo prazo com cláusulas de take-or-pay com os gasodutos transportadores (comercializadores). Este fato deixou muitos gasodutos sem a possibilidade de recuperação dos compromissos com os produtores, podendo ser considerado como uma desapropriação compulsória do quasi-rent. O problema foi reconhecido pelo agente regulador, tendo sido permitido o repasse destes custos para o consumidor final através da tarifa de transporte para acesso aos gasodutos (para um tratamento mais extenso sobre a evolução da indústria de gás norte- americana, ver, por exemplo, CASTENADA & SMITH, 1996). Efeitos semelhantes ocorreram por ocasião da desregulamentação da indústria de eletricidade nos Estados Unidos (BOYD, 1998).
42 Vale mencionar que o autor também sugere que esquemas de preços não lineares, como pré-pagamentos e acoplamento de outras transações como leasing de imóveis, podem funcionar como proxies para a proteção da transação, contra o cancelamento da demanda.
Y quebra contratual eficiente
comprador quebra contrato se não for penalizado
( )
V ) ( S α δFigura 7 Quebra contratual eficiente mediante pagamento de penalidade (MASTEN &CROKER, 1985)
Nesta figura, são consideradas as seguintes variáveis:
Y – valor cobrado pelo fornecedor, pelo total das quantidades contratadas em cada período de tempo (T) da transação, o qual deve refletir todos os seus custos, inclusive o custo de oportunidade ou de transação, envolvidos no investimento em ativos específicos43. C C*Q P Y = Onde:
Pc – preço contratual unitário do gás natural; Qc – quantidade contratada ao preço Pc;
S( ) - valor esperado da utilização do produto, pelo fornecedor, em uma aplicação alternativa fora da transação sobre a qual o contrato foi estabelecido. Este valor é função da incerteza quanto ao grau de especificidade dos ativos, representada por α;
ALT C ALT ALT*Q k*P *Q P ) ( Sα = = Onde:
Palt – preço unitário do gás natural, em sua aplicação alternativa mais próxima fora do contrato;
Qalt – quantidade passível de ser aplicada fora do contrato ao preço Palt;
Palt = k*Pc onde k = constante para indicar a relação entre o preço do contrato e aquele do mercado.
V(θ) - valor do produto estimado pelo comprador, normalmente em função da incerteza quanto ao valor de sua demanda pelo produto em questão.
δ - Valor de uma penalidade ou prêmio, cobrado pelo fornecedor de forma implícita no contrato devido ao take-or-pay, e que corresponde à diferença entre, o valor
43 Por simplicidade de tratamento os autores consideram que o cancelamento da demanda ocorre de forma discreta, ou seja, o comprador adquire toda a capacidade contratada, ou a libera totalmente, pagando a quantidade mínima requerida. Segundo os autores, um modelo contínuo no qual o comprador possa reduzir as quantidades tomadas gradualmente, não alteraria a qualidade dos resultados.
contratado (Y), e o valor S( ) que pode ser obtido em uma aplicação alternativa do produto. δ reflete o valor do quasi-rent associado à transação44.
) ( S Y− α = δ
Neste modelo os autores mostram que, na presença do pagamento da penalidade δ, a ameaça de quebra contratual por cancelamento da demanda seria eficiente apenas para valores de V(θ) < S( ). Isto é, nas circunstâncias em que o valor dos ativos específicos for maior em sua aplicação alternativa, do que no uso originalmente coberto pelo contrato.
Para compreender melhor a relação entre as variáveis mencionadas no modelo, pode-se realizar a seguinte transformação:
( )
ALT C C C*Q k*P *Q P S Y − = δ α − = δOu seja, do ponto de vista do fornecedor, o valor do take-or-pay tem que cobrir tanto a diferença entre o volume contratual e o volume aplicável em uma alternativa mais próxima fora do contrato, quanto a diferença de valor unitário entre estas duas aplicações.
Pode-se então dizer que, para o fornecedor garantir a não desapropriação do quasi-rent: sendo Y=S
( )
α +δ, Então δ= −( )
α = −( )
α Y S 1 Yx S Y ou δ= −( )
α = −( )
α Y S 1 x Q x P Y S 1 x xQ Pc c c cPelas fórmulas, pode-se considerar que o termo take-or-pay é representado pelo percentual
( )
(
1−Sα /Y)
do volume contratado Qc ou do valor Y a ser pago pelo comprador, o quepromove um ajuste automático para as variações das quantidades contratadas ao longo do prazo contratual45.
No caso do gás natural, o percentual take-or-pay
(
1−S( )
α /Y)
, é normalmente menor que a unidade e maior do que zero, pois S( )
α ≤ Y, isto é, fora da transação o produto tem um valorde aplicação menor para o fornecedor.
44 MASTEN & CROCKER também consideram esta diferença como uma penalidade, a título de “expectation
damages”, que seriam normalmente empregadas por cortes judiciais na ausência de provisões take-or-pay. Contudo, a incerteza quanto à eficácia desta solução de governança contratual encorajaria custosas disputas. 45 O modelo não considera o valor da possibilidade de recuperação do take-or-pay por parte do comprador. Sob
o ponto de vista dos Custos de Transação, o valor desta cláusula está associado apenas com a garantia da não desapropriação dos quasi-rents do fornecedor.
Os contratos para utilização de gasodutos de transporte de gás natural representam um caso limite desta relação. O ship-or-pay contratual corresponde, em geral, a
(
1−S( )
α /Y)
=100% já que S( ) = 0, pois os serviços de transportes não podem ser nem mesmo estocados.O modelo apresentado fornece os conceitos teóricos para que o nível do take-or-pay, ou o valor da flexibilidade, possa ser calculado sob o ponto de vista do fornecedor, e segundo o referencial da Teoria dos Custos de Transação. Os testes de hipótese, a serem desenvolvidos no Capítulo 3 desta dissertação, utilizarão uma variável dependente operacional para o nível do take-or-pay que contemple, adequadamente, os parâmetros do modelo de MASTEN & CROKER (1985) conforme a fórmula:
(3)
δ=
−
( )α
Y
S
1
x
Q
x
P
c cMASTEN & CROCKER (1985) trabalharam empiricamente dados dos mercados intermediários da cadeia de fornecimento de gás natural. A presente pesquisa aborda a aplicação destes conceitos para o mercado consumidor final industrial, sendo que as variáveis determinantes do nível do take-or-pay, refletindo o grau de especificidade dos investimentos realizados pela distribuidora, serão diferentes daquelas utilizadas por aqueles autores. Estas questões também serão trabalhadas no Capítulo 3.