3.1. Lider Profilinin Oluşturulması
3.2.1. AB Ermenistan „Kapsamlı ve Genişletilmiş İşbiriği Anlaşması‟nın
Em consonância com o contexto internacional, com a promulgação da Emenda Constitucional n. 64119, aprovada em 4 de fevereiro de 2010, a Constituição de 1988 conferiu, ao direito à alimentação, o status de direito fundamental120, incluindo-o no rol de direitos
117“9.7 Os Estados deveriam adotar medidas para proteger os consumidores contra a propaganda enganosa e a
desinformação nas embalagens, rótulos, publicidade e venda dos alimentos e para facilitar a escolha informada aos consumidores, zelando pela divulgação de informação adequada sobre os alimentos comercializados, e proporcionando instrumentos de recurso ante qualquer dano causado por alimentos nocivos ou adulterados, inclusive aqueles vendidos por comerciantes ambulantes. Essas medidas não deveriam ser empregadas como obstáculos injustificados ao comércio e deveriam estar em conformidade com os acordos da OMC (especialmente com o Acordo MSF e o Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio)”.
118“9.3 Incentiva-se os Estados a tomarem medidas para simplificar os procedimentos institucionais de controle
e segurança dos alimentos no plano nacional e a eliminar as lacunas e as sobreposições dos sistemas de inspeção e do marco jurídico e normativo aplicável aos alimentos. Incentiva-se os Estados a adotarem normas sobre a segurança dos alimentos com uma base científica, incluídas as normas relativas aos aditivos, contaminantes, resíduos de medicamentos veterinários e pesticidas e perigos microbiológicos, e a estabelecerem normas relativas à embalagem, etiquetagem e publicidade dos alimentos. Estas normas deveriam levar em consideração as normas alimentícias internacionalmente aceitas (Codex Alimentarius) e estarem de acordo com o Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (Acordo MSF) da OMC. Os Estados deveriam adotar medidas para prevenir a contaminação por contaminantes industriais e de outro tipo na produção, elaboração, armazenagem, transporte, distribuição, manipulação e venda de alimentos”.
119 A PEC 047/2003, que resultou na EC 64/10, foi de autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE),
que objetivava a inclusão da alimentação adequada e saudável entre os direitos fundamentais de no artigo 6º da Constituição Federal, a fim de que o texto constitucional de 1988 estivesse em consonância com a ordem internacional. Sobre o tema, v. http://www4.planalto.gov.br/consea/pec-alimentacao/exposicao-de-motivos-no- 002-2009-consea, acesso em 28/01/13.
120 Até então, o direito à alimentação somente tinha recebido acento constitucional no texto de 1946, que previa a
isenção de imposto de consumo aos “artigos que a lei classificar como o mínimo indispensável à habitação, vestuário, alimentação e tratamento médico das pessoas de restrita capacidade econômica” (artigo 15, §1º).
41 sociais previstos no artigo 6º121, sendo, deste modo, um direito a ser respeitado, protegido e implementado pelo Estado.
No plano infraconstitucional, destaca-se a Política Nacional de Alimentação e Nutrição122, aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde por meio da Portaria nº 710, de 10 de junho de 1999, que objetivou reunir o conjunto das políticas de governo voltadas à compreensão do direito humano universal à alimentação e nutrição, tendo, entre seus objetivos, a prevenção e controle dos distúrbios nutricionais e das doenças associadas à alimentação e nutrição, inclusive no que se refere à proteção da saúde daqueles que dependem de cuidados em sua alimentação como forme de se prevenir ou evitar evolução do quadro.
Em 15 de setembro de 2006, foi aprovada a Lei n. 11.346123, regulamentada pelo Decreto n. 7.272, de 25 de agosto de 2010, que criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (“SISAN”) com vistas em assegurar o direito humano à alimentação adequada, prevendo, em seu artigo 2º, na mesma linha do que consta do comentário n. 12, efetuado pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU, que o direito à “alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal”, cabendo ao Estado o dever de adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.
A Lei n. 11.947, de 16 de junho de 2009, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar, prevê, dentre as diretrizes previstas no artigo 2º, “o direito à alimentação escolar, visando a garantir segurança alimentar e nutricional dos alunos, com acesso de forma igualitária, respeitando as diferenças biológicas entre idades e condições de saúde dos alunos que necessitem de atenção específica e aqueles que se encontram em vulnerabilidade social”124.
Frise-se, uma importante faceta do direito à alimentação adequada, previstas na lei em comento, é a garantia da segurança alimentar125, que envolve o acesso a alimentos de qualidade e em quantidade suficientes, devendo ser consideradas, dentre outras questões, a (i) “promoção da saúde, da nutrição e da alimentação da população, incluindo-se grupos
121 Acerca da fundamentalidade dos direitos sociais, v. Ingo Wolfgang Sarlet, “Os direitos sociais como direitos
fundamentais: seu conteúdo, eficácia e efetividade no atual marco jurídico-constitucional brasileiro” in Direitos
fundamentais e estado constitucional: estudos em homenagem a J.J. Gomes Canotilho, coord. George Salomão
Leite e Ingo Worlfgang Sarlet. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, p. 216/223.
122 Disponível em http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/pnan.pdf, acesso em 03/01/13.
123 Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11346.htm, acesso em
03/01/13.
124 A população celíaca, a qual se dedica o item 4.3.4, tem começado a receber maior atenção no que se refere
aos cuidados com sua dieta, havendo algumas normas municipais prevendo a disponibilização de alimentos isentos de glúten a fim de oferecer uma alimentação adequada a tal grupo, inclusive em refeições oferecidas nas escolas124, como no caso dos Municípios de Blumenau, Florianópolis, Recife e São Carlos do Pinhal. Íntegra das
normas disponível em http://www.doencaceliaca.com.br/leis_celiacos.htm, acesso em 03/01/13.
125“Art. 3o A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e
permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis”.
42 populacionais específicos e populações em situação de vulnerabilidade social’ (artigo 4º, inciso III); (ii) “a garantia da qualidade (...) tecnológica dos alimentos” (artigo 4º, inciso IV); e, ainda, (iii) a “produção de conhecimento e o acesso à informação”, temas intimamente relacionados ao objeto da presente tese. Do exposto, temos que a alimentação adequada é condição para a fruição de outros direitos de grande importância, como o direito à saúde, sendo certo que um alimento somente pode ser visto como adequado se ele atender às necessidades dietéticas especiais de uma dada parcela da população.
Isabel Lapeña, abordando o tema dos organismos geneticamente modificados, reconhece a importância do direito à informação, como forma de se salvaguardar os direitos à saúde e à alimentação adequada, verbis:
“(...) aos clássicos direitos dos cidadãos à saúde e à segurança alimentar, novos direitos em sua condição de consumidor estão sendo objeto de maior defesa. Os referidos direitos emergem paralelamente às modificações ocorridas na cadeia alimentar e ao progressivo alijamento e desconexão do consumidor final com os centros de origem e produção dos alimentos, como direito de ser informado e, como consequência, de escolher e adotar decisões fundamentadas”126.
Diante deste contexto de alterações na cadeia alimentar e de distanciamento dos consumidores do contato com o fornecedor, e considerando, ainda, especificamente o que pertine ao objeto deste trabalho, devem ser destacadas as ações voltadas à proteção daqueles que necessitam de maiores informações acerca da composição dos produtos para consumo, especialmente as medidas destinadas a tutelar as necessidades especiais daqueles que têm alergia alimentar, tendo em vista os riscos aos quais estão expostos pelo contato com substâncias alergênicas.
Neste cenário, o acesso a informações fica ainda mais urgente, razão pela qual se sustenta a necessidade de o Estado imponha às indústrias alimentícias o dever de disponibilizar informações precisas acerca da presença, ainda que involuntária, frise-se, de alérgenos nos produtos alimentícios disponibilizados ao consumo.
126Isabel Lapeña, “Da rotulagem de produtos transgênicos”. In: VARELLA, Dias Marcelo; PLATIAU, Ana
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